Montfort Associação Cultural

17 de janeiro de 2005

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Pena de morte, ecumenismo e julgamento

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Jairo S.
  • Localizaçao: – Brasil
  • Profissão: engenheiro
  • Religião: Católica

Caros Irmãos,

Que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco!

Sou católico e apesar da fé inabalável, caio em tentação e peco, sempre, muito mais do que gostaria.
Procurando por textos em português de São Tomás de Aquino, cheguei ao vosso site por meio de um mecanismo de busca.

Lia feliz um artigo quando resolvi conhecer todo o site. Que decepção!!
Para ser breve: os senhores, católicos como eu, usam de uma citação de São Tomás de Aquino para defender a pena de morte!! Desde criança ouvi de meus pais: “Não é você quem dá, não é você quem tira”. Se eu não dou a vida, posso eu tirá-la? NÃO MATAR.

Mas “aquele” a quem defendo, o fez e provocou o sofrimento a outros irmãos.
E se eu aplicar a pena capital, a quem me igualo?
Jesus disse a São Pedro: “… perdoarás SETENTA VEZES SETE…” (perdoem-me por qualquer erro de citação, pois não transcrevi as palavras).

Será que o ser humano, com a inteligência e a inspiração do Espírito Santo não seria capaz de “cortar” este membro sem cortar-lhe o dom da vida, CONCEDIDO POR DEUS?

Os senhores se colocam como defensores da ética cristã Católica, mas, interpretam a partir de vossos pontos de vista a Justiça Divina. Os senhores julgam.
Eu também já julguei. Por que digo isso?

Os senhores consideram os católicos privilegiados e condenam o Ecumenismo**.
Os senhores consideram (pelo menos, levam a crer nisso, dado como é exposta vossa opinião) que somos os únicos dignos do amor do Pai. Por que considerar-se como os fariseus e doutores da lei do tempo de Jesus?
(Reflitam sobre a parábola do mendigo e do fariseu no templo).
Quem somos nós para julgar que nossos irmãos, sejam eles de que religião sejam, são bons ou maus aos olhos de Deus?

Cabe a nós amar a todos e orar, interceder pela salvação de todos.
Todos nós, todos, somos imagem e semelhança Dele e, não por acaso rezamos ao
fim de cada mistério “Oh meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, LEVAI AS ALMAS TODAS PARA O CÉU E SOCORREI PRINCIPALMENTE AQUELES QUE MAIS PRECISAREM DE SUA MISERICÓRDIA.”.

Pedimos assim ao Pai perdão pelos pecados de nossos irmãos, por nossos irmãos ateus, hereges e agnósticos.
Deus nos permitiu esse poder de intercessão.

Me desculpem, mas meu JULGAMENTO pobre, incapaz e restrito sobre o que os senhores expõe em vosso site é de que vossas opiniões precisam de renovação, de mais amor ao próximo, de mais gratuidade, menos interpretação pessoal, mais inspiração do Espírito Santo.

Os senhores atacam. Por que?
O exemplo de São Francisco de Assis é tão inválido? Dobrou até mesmo o risco de excomunhão que teve, por ser tão radical em sua proposta de vida.

Agradeço desde já pela liberdade em me dirigir aos senhores e expressar minha opinião.
Peço que rezem e orem por nossos irmãos mais necessitados, material e espiritualmente.

Um abraço e que Deus os abençoe,

PS1: ** O Ecumenismo não se deve apenas com os protestantes, mas com outras Igrejas, como as Ortodoxas (fundadas por São Judas, São Bartolomeu, etc.), a Copta, a da Índia (fundada por São Tomé). Creio que os senhores são muito mais instruídos do que eu na história da Igreja.
PS2: Me desculpem também o fluxo desordenado de idéias.

Eng. Jairo S.

Prezado Sr. Jairo S.,
Salve Maria.

Agradecemos sua carta. Não é preciso desculpar-se por seu juízo desfavorável a nós.

Sua carta nos critica por defendermos a pena de morte e por criticarmos o ecumenismo. E, tratando desse último tema, o senhor defende a tese de que não se pode julgar os outros nunca, para não sermos julgados.

Quanto à pena de morte, o senhor se equivoca dizendo que a defendemos apenas por meio de uma citação de São Tomás de Aquino.

Como o senhor cita a Sagrada Escritura, vamos responder ao senhor dando apenas as citações da Bíblia favoráveis à pena de morte.

Em primeiro lugar, respondendo à sua citação das palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo a São Pedro, (dizendo que ele devia perdoar setenta vezes sete vezes aos seus ofensores), lembro que isso vale para as ofensas pessoais que nos são feitas. Devemos sempre perdoar os que nos ofenderam. Mas nós não temos o direito de perdoar as ofensas feitas aos outros. Se alguém ofender ao senhor, cabe ao senhor perdoá-lo, e não a outrem.

Ora o criminoso ofende não somente à sua vítima. Ele ofende e viola, também, o direito de Deus e da sociedade. E nós não temos direito de perdoar as ofensas feitas a Deus e à sociedade. Por isso, é que Deus aprova e recomenda a pena de morte.

Para comprovar isto, citaremos uma frase de Nosso Senhor Jesus Cristo no Apocalípse:

“Quem matar à espada, importa que seja morto à espada” (Apoc. XIII,10).

É o próprio Cristo quem nos ensina então que o assassino convicto deve ser punido com a morte.

E para São Pedro, Jesus disse:

“Pedro, mete a espada na bainha — (repare que Jesus não manda São Pedro jogar fora a sua espada) — porque quem com ferro fere, com o ferro deverá ser ferido” (Mt. XXVI, 52).

Portanto, Cristo deu expressamente a São Pedro o poder de condenar à morte.

E quando Jesus foi julgado por Pilatos, este lhe disse: “Não me respondes? Não sabes que tenho poder de te livrar ou de te condenar [à morte]? Respondeu Jesus; “tu não terias poder algum sobre mim, se não te fosse dado pelo alto” (Jo. XIX, 10-11).

Portanto, Cristo nos ensinou que a autoridade, cujo poder vem de Deus, tem poder de condenar à morte.

Poderia citar-lhe muitos outros textos da Bíblia , defendendo a pena de morte. Para encurtar esta carta dou-lhe apenas as referências: (Rom I,32; Atos, XXV,11; Rom. XIII, 4; Ex. XXVI, 12-17; Jer. XLVIII,10)

Espero que o senhor coloque seu julgamento a respeito da pena de morte abaixo do que diz Nosso Senhor.

Repare o senhor que já destacamos com negrito, por duas vezes, o fato de que o senhor — que se recusa a julgar — julgou:

1) julgou que a pena de morte é má e contrária a Deus;

2) julgou a nós, acusando-nos de orgulho, de agirmos como os fariseus, por julgar-nos a nós mesmos como católicos privilegiados, etc.

E não vê o senhor que, na mesma hora que nos condena por fazer julgamentos, o senhor nos julga?

Caro senhor S., o senhor caiu nessa contradição por não ter compreendido que é impossível ao homem não fazer julgamentos.

O que Deus nos proíbe é de julgar sem base, julgar apenas pelas aparências e não com a análise correta.

Cristo, de fato, nos disse: “Não julgueis, para que não sejais julgados” (VII, 1).

Mas Jesus disse também: “Não julgueis pelas aparências, mas julgai com reto juízo” (Jo. VII, 24). Portanto, Cristo diz que devemos julgar com retidão ou justiça.

Com efeito, senhor S., um homem que nada julgasse seria um homem sem juízo. E creio que seus pais, como os meus, sempre lhe disseram : “Tenha juízo, meu filho”.

E o senhor nos pergunta: “Quem somos nós para julgar se nossos irmãos, sejam eles de que religiões sejam, são bons ou maus aos olhos de Deus”?

Se sua pergunta estivesse correta, Pio IX no Syllabus teria errado ao condenar a frase:

“Pelo menos devemos ter fundadas esperanças sobre a eterna salvação de todos aqueles não se acham de modo algum na verdadeira Igreja de Cristo” (Cfr. Denziger 1717 – Syllabus de Pio IX, erro 17).

Na medida em que uma pessoa está, de fato, numa religião errada, e na medida em que pratica os erros de uma religião falsa, ela não pode se salvar.

O IV Concílio de Latrão estabeleceu como dogma que “Fora da Igreja não há salvação” (Denziger, 430). E isso é dogma que devemos crer, sob pena de não sermos mais católicos. Para comprovar essa tese, haveria muitos outros textos a citar, mas por brevidade ficamos apenas nesse.

Quando o senhor cita a oração que Nossa Senhora de Fátima pediu que se acrescentasse no final de cada dezena do terço, o senhor comete um engano. A frase de Nossa Senhora foi:

“Ó meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno. Levai as almas todas para o céu, especialmente as que mais precisarem”.

E não, como o senhor escreveu: “As almas que mais precisarem DE SUA MISERICÓRDIA”.

Nossa Senhora não disse as palavras que coloquei em maiúsculas. Ela pede que desejemos que todas as almas sejam levadas ao céu, “especialmente as que mais precisarem”. Só. Porque algumas almas têm mais necessidade de irem ao Céu do que outras. Por exemplo, é mais necessário que um Papa vá para o céu do que eu, porque a salvação de um Papa arrasta mais almas para o céu. É mais necessário que um Papa seja santo do que eu o seja, embora eu também deva sê-lo.

Quanto ao ecumenismo liberal, recomendamos que o senhor leia a encíclica Mortalium Animos de Pio XI, que o senhor pode encontrar em nosso site.

Por certo nossa rsposta deve deixar em seu ânimo ainda algumas dúvidas.

Escreva-nos de novo, para que o elucidemos e estejamos unidos na verdade e na caridade.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

Replica

Caros Senhores,

Que a benção de Deus Pai esteja em vosso meio!!
É a segunda vez, num intervalo de 24h, que vos escrevo.

Graças a Deus, temos todos a liberdade de expressão!!

Debaixo da minha fraqueza humana e ignorância não pude me manter calado.
Debaixo da minha ignorância não posso deixar de me manifestar frente à intolerância dos artigos do site, da clara orientação reacionária.

1) Parece algo da TFP (Tradição, Família e Propriedade)… claramente posicionada à favor da ditadura militar do golpe de 64, que entregava nosso país ao EUA, que matou inocentes sob o lema de justiça contra subversivos comunistas.
Tão ruim como qualquer orientação marxita-leninista-stalinista-maoísta… não interessa qual das variantes deste sistema político!!
Ao ler o artigo onde Frei Betto é acidamente criticado, pergunto: quem é perfeito? Seus erros, dada influência de diversas variáveis (as quais se influenciam mutuamente), devem ser questão de julgamento puramente humano (lógica humana)?

2) Ao ler seu artigo e outros (sobre a RCC, por exemplo), me vem à mente questionamentos primários: “E quem não é católico?” ou “E quem não era católico 1500 anos atrás?” ou “E os índios?” ou “E os negros animistas da África que vivem em regime tribal e nunca tiveram contato com nossa doutrina?” ou “E homens como Ghandi, que sem ser cristão, abraçou e seguiu Cristo muito mais do que muitos católicos?” ou “O que Jesus pregou: regras ou amor ao próximo? O perdão ou a condenação?”. Por fim, me pergunto tb: “E meu pai? Meu pai é presbiteriano, não vai se salvar por mais que eu interceda por ele?”.

3) Os “padres cantores”… e o que os senhores, ao que pude entender são tradicionalistas, fizeram para descer o degrau do altar e se colocar junto com os fiéis? Padres da RCC fazem isso, falam o que o povo entende e os trazem para verdadeira fé. Sinto muito, mas me cansei de Missas e homilias vazias. Os tempos passam, a essência da Palavra de Deus nunca mudará, mas é preciso sempre adequar o meio de passá-la. Deveria haver mais diálogo, amor e consideração pelo que a RCC vem fazendo. Por fim, os senhores a atacam destacando seu “início” protestante/gnóstico. O Papa João Paulo II abençoou-a (sinto muito não poder precisar quando isso ocorreu).

4) Gostaria de deixar claro que procuro ler muito a respeito de todas as religiões. Repudio gnosticismo, espiritismo, budismo, humanismo, teosofia, antroposofia, etc. e tenho reservas ao protestantismo. Sou católico e considero que os sacramentos são nosso elo (que nos permite receber graças) com Deus, juntamente com o Espírito Santo. Mas respeito as pessoas que optam por caminhos diferentes. Não posso julgá-las. Mas posso pedir a Deus a graça de sua conversão.

Que a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco!!

Eng. Jairo S.

Prezado sr. Jairo,
Seja louvado Nosso Senhor Jesus Cristo.

Há pouco respondi uma carta sua tratando da questão do direito — e do dever — de fazer julgamentos, com reto juízo, sobre os outros.
Mostrei-lhe que o senhor mesmo, ao condenar fazer julgamentos, nos julgava.
De novo, hoje, o sr. cai, infelizmente, na mesma contradição. O senhor diz que “respeita as pessoas que optam por um caminho diferente. “Não posso julgá-las”.
Mas a nós o senhor julga “intolerantes, de orientação reacionária”. O senhor não vê que, no próprio ato de se afirmar tolerante, o senhor age com intolerância contra nós, que “optamos” por um caminho diferente do seu?
Estou usando suas próprias palavras, argumentando ad hominem, embora não aceite essa maneira de pensar.

No segundo ponto de sua missiva de hoje, o senhor trata da questão da salvação fora da Igreja. Mostrei-lhe, em minha carta anterior, que “Fora da Igreja não há salvação”, e que isto é dogma da Igreja, proclamado pelo IV Concílio de Latrão.
O senhor vem então com o cediço argumento de um índio, que vivesse no Brasil, antes da descoberta. Pergunta, como argumento: então, esse índio não podia se salvar?
Podia, podia se salvar, sim, meu caro senhor. Esse índio se salvaria, diz a doutrina Católica, se obedecesse toda a lei natural, lei que Deus colocou no coração de cada homem. Diz São Paulo que aqueles que não podem conhecer a verdade católica por uma situação de ignorância invencível, isto é, que não tinham meio algum de conhecer a Revelação, eles seriam julgados pela lei natural. Obedecendo essa lei natural — que todos conhecem — eles se salvariam.
Tais pessoas, como o índio de que o senhor fala, não pertencem ao corpo da Igreja, mas pertencem à alma da Igreja.

No terceiro ponto de sua mensagem o senhor defende os “Padres cantores da RCC” e os elogia pelo fato de que eles “desceram o degrau do altar”.
Sua expressão mesma mostra o erro desses padres, porque o primeiro versículo rezado na Missa é : “Subirei ao altar de Deus” . E, diz o senhor, eles descem. Descer, caro senhor, em certas situações é sinonimo de decair.
É claro que o sacerdote deve buscar a ovelha perdida e inclinar-se para tomá-la nos braços e elevá-la, para carregá-la até, se necessário, em seus ombros. Foi o que fez Cristo. Mas procurar a ovelha perdida não significa descer ao nível de vida, de erros e de atitudes que a ovelha perdida está praticando.
Pelo contrário. O dever do padre é converter a ovelha e salvá-la.
Não creio que será preciso tratar do nível inteletual baixo das canções desses padres cantores. Ainda outro dia, indo eu a uma copiadora, o rádio estava ligado, e nele se cantava — era melhor dizer se berrava — uma canção ridícula e sensual que me escandalizou, porque nela se falava do nome de Jesus e se gritava aleluia, no mais baixo espírito protestante.
Informaram-me então que aquela profanação do nome de Deus era do padre Marcelo Rossi. Era uma das músicas que as escolas de samba queriam incluir – e consta que incluiram — nos treinos e desfiles de carnaval.
Foi por acaso o carnaval que ficou religioso, ou a Missa dos padres cantores que ficou carnavalesca?
Responda-me com sinceridade: O senhor acha que o carnaval “virou”católico?
Não creio que o senhor, que me parece pessoa séria, vá aderir aos desfiles de carnaval, quando o cordão estiver sambando uma canção do Padre Marcelo Rossi, de tão triste fama.
(Aliás, Frei Betto recentemente atacou, em artigo, os padres cantores. Se até Frei Betto condena esses padres, como o senhor pode defender Betto e Rossi, ao mesmo tempo? Pelo menos escolha. Faça sua “Opção”!
Ainda que qualquer dessas duas “opções” seja péssima, pelo menos, optando por uma, o senhor terá o valor da coerência. Ficar optando por padres de linhas opostas, só porque são padres, não dá.

Quanto ao final de sua mensagem, na qual o senhor diz não condenar ninguém por sua “opção” religiosa, e que respeita as “pessoas”, já mostrei a contradição dessa atitude.
Veja, agora, mais outra.
Para o senhor, Deus não teria fundado uma Igreja que tivesse claramente as notas e sinais de que ela é a Igreja de Deus. Deus teria sido então pouco sábio, pois deixou o homem em uma situação tal que ele pode facilmente enganar-se, ao escolher a religião. Como resultado dessa situação confusa, motivada pela pouca sabedoria de Deus fundando uma Igreja que é dificil de encontrar, o homem teria direito de escolher, então, aquela que lhe parecesse melhor. Por isso dever-se-ia respeitar a “opção” de cada um. Cada homem escolhe a religião que quiser.
Meu caro senhor Jairo, essa maneira de raciocinar blasfema contra Deus. Ele é infinitamente sábio, e fundou a Igreja verdadeira com sinais claríssimos de sua veracidade. Basta ter boa vontade para encontrá-la.
Recomendo-lhe que leia as encíclicas dos Papas que trataram dessa questão, e que condenaram a liberdade de religião, o pseudo direito de cada um escolher a religião que quiser.
Leia a encíclica Mirari Vos de Gregório XVI. Leia a encíclica Quanta Cura de Pio IX. Leia a encíclica Libertas de Leão XIII, condenado o erro liberal da liberdade de religião. Leia a encíclica Mortalium Animos de Pio XI.
E, para aguçar-lhe o apetite por essas leituras, cito-lhe só um erro condenado solenemente pelo papa Pio IX:
“Todo homem é livre de abraçar e de professar a religião que, levado pela luz da razão, considerar verdadeira” (Pio IX, Syllabus, erro 15), in Denziger, 1715) (Essa frase é condenada por Pio IX).
Portanto, o que o senhor defende não é o que a Igreja Católica sempre ensinou dogmaticamente.
Quando se avisa um herege de que ele está em erro, e que sua religião falsa não lhe pode dar a salvação, está-se praticando um ato de amor, de caridade, tal como o médico que avisa seu paciente de que ele está com câncer e deve ser operado, se quiser continuar vivo. Esconder o câncer é que é maldade. Manter o herege em sua ilusão não é respeitá-lo, mas querer-lhe mal.
Fui professor 40 anos, e sempre respeitei e amei meus alunos. Nem por isso respeitava os erros que eles cometiam nas provas: riscava com um x e dava zero, quando erravam tudo. E ensinava o certo . Ensinava a verdade.
Por isso, caro senhor Jairo, Nosso Senhor não disse: “Ide e respeitai os erros de todos”. Pelo contrário, Ele disse: “Ide e ensinai a todas as gentes, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.
Nosso Senhor Jesus Cristo não respeitou os fariseus, não aceitou a “opção” deles, nem a dos saduceus, nem a dos Doutores da Lei, nem a dos escribas, pois disse a eles: “Ái de vós, escribas e fariseus hipócritas”.
“Ái também de vós doutores da lei”. E chamou-os de “raça de víboras” e de “sepulcros caiados”.
O senhor já leu os Evangelhos, senhor Jairo?
Pois tire seus óculos liberais e sentimentais, e leia bem como Jesus, nosso Divino Mestre, tão cheio de mansidão e de doçura, pegou o chicote de cordas para expulsar os vendilhões do Templo, e como Ele usou o chicote da sua palavra docemente divina, para amaldiçoar os enganadores do templo e da Sinagoga.

Talvez um dia possamos conversar sobre esses temas pessoalmente.
Sempre disposto a esclarecê-lo, e respeitando-o (mas não os seus errros e “opções” más), despeço-me, rogando a Deus que o ajude e que converta também o senhor seu pai,

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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