Montfort Associação Cultural

24 de maio de 2006

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Pedro, chefe da Igreja

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Roberto Carvalho
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil

Prezado Professor Orlando Fideli

Um programa evangélico que é transmitido diariamente pela tv em horário nobre faz o anúncio do programa, em chamadas nos intervalos da programaçãom nos seguintes termos: ” o evangelho pregado hoje assim como era pregado nos tempos dos primeiros apóstolos “. Quem depois assiste à pregação, de fato ouve da boca do missionário Soares aquilo que está no evangelho, dito no mesmo caráter e com a mesma fidelidade de que se valiam aqueles critãos de outrora. Baseado nisso aqui pergunto: Paulo pelas suas cartas não teria mais o caráter de Papa do que Pedro, já que a orientação a respeito das questões controversas e rumos da igreja se encontram majoritariamente em suas cartas, enquanto o papado de Pedro se subentende de uma dúbia e polêmica interpretação, que exige confrontação de escritos em diferentes línguas, nem mesmo os experts nestas línguas, sejam católicos ou evangélicos,concordando por questões semânticas ? Pergunto : se Pedro fosse Papa não teríamos cartas dele, sob a ins piração do Espírito Santo de Deus, dirimindo antecipadamente questões de defesa da fé e rumos da igreja que na verdade seriam tratadas por Paulo? 

Na verdade se vê Paulo dirimindo dúvidas e interpretando a bíblia, mas sempre com base apenas no texto registrado pelos 4 evangelistas. Quero com este paralelo dizer que a princípio aqueles que hoje ouvem essa pregração televisiva, chamada a bem de se pregar ” o evangelho pregado hoje assim como era pregado nos tempos dos primeiros apóstolos “, parece que de fato ouvem uma pregação igual a feita nos tempos de Paulo, que se sabe não era Papa. 

Uma questão que convida a pensar : se aquela era uma pregação boa também naqueles dias por que não seria boa também para os dias de hoje, já que se baseiam nos mesmo textos e nos mesmo problemas que afetavam os cristãos daquela época, bem como nas mesma realidade dos ímpios que se procurava converter? O que era bom para os primeiros cristãos pregarem,
sendo igual àquilo que os evangélicos pregam hoje, por que então teria um caráter diferente ( pelo menos aos olhos dos defensores da fé católica )? Como o evangelho diz que a árvore se reconhece pelo fruto, assim não estariam os evangélicos produzindo frutos legítimos da conversão, depois fazendo corretamente o que Cristo mandou ” ide e pregai o evangelho a toda criatura ” ? Peço que o senhor me esclareça : não valeria nada para a igreja católica o trabalho evangelístico dos cristãos evangélicos que levam as pessoas à Cristo pela pregação feita com com as palavras que se encontram na Bíblia e que eram evocadas pelos primeiros cristãos? Não valeria nada o testemunho de vida cristã dos evangélicos em meio à comunidade social? Me parece que esta deveria ser a questão fundamental a ser esclarecida – levar a mensagem de Cristo – que foi pregada de maneira plena pelas lições constantes na Bíblia – dita de maneira simples para a compreensão de todos – porque a questão de fé que os católicos colocam para ser de outra natureza e interesse: de direitos autorais, com a Igreja Católica reivindicando exclusivamente para si até mesmo a evangelização das almas perdidas e a prerrogativa de dizer quem não é cristão,ainda que esta pessoa pratique tudo que está na Bíblia. Ou os defensores da fé católica estão colocando os carros na frente dos bois ou então simplesmente ganhar as almas para Jesus, viver e praticar os ensinamentos constantes nos evangelhos, viver o amor cristão entre os próprios cristãos e dedicá-lo aos que ainda não são – por si não faz de um criatura um filho de Deus, se não lhe vier o selo colocado pela igreja católica. 

Veja que não estou acusando a igreja católica de não ser verdadeiramente cristã e sim querendo entender direito por que razão – cristã – a igreja católica não considera os evangélicos, que vivem da mesma maneira, e pregam e seguem a Palavra, igual aos primeiros cristãos, como portanto fossem verdadeiros cristãos. Ao meu ver a postura de evangélicos e católicos -
quando se trata de falar fundamentalmente do amor de Cristo, pecado, arrependimento, redenção, perdão, conversão – é básicamente a mesma, porque razão não reconhecer aos evangélicos a condição de genuínos cristãos? No direito de família, na questão dos filhos e paternidade, existe uma máxima que diz – pai ou mãe é aquele que cria, não aquele que gera – no que faço a partir daí um paralelo para dizer que a mensagem cristã passada pelos evangélicos – para ganhar almas e fazer desenvolver nelas a feição de Cristo – é assim de tão boa criação quanto a feita por um padre católico. 

Neste caso, se errado eu estiver, isso não importaria em se poder dizer que o trabalho evangelístico do missionário evangélico seria inválido e as almas alcançadas,convertidas à Jesus, não seriam desta maneira legitimamente alcançadas … me parece que seria forte demais afirmar uma coisa dessas, não é mesmo? Sinceramente acho que se formos todos verificar quem de fato tem feito a ” lição de casa “, que Cristo mandou fazer lá nas Escrituras, veremos bons trabalhos tanto lá como cá, tanto na igreja católicam como na evangélica. Bem, a esta altura o senhor poderá dizer a mim : ” mas senhor é evangélico e não poderia pensar diferente “, porém eu gostaria de dizer-lhe que na verdade eu sou um ser humano que fui alcançado pela mensagem de Cristo, à qual fui conferir na Bíblia e certifiquei-me de estar certa; no mínimo nela temos o princípio ativo, o ” genérico ” que basta para curar, se formos fazer os paralelo com
a indústria farmaceutica e lobby do setor, que por anos não deixou que uma número maior de doentes pudessem receber o medicamento necessário . 

Para o senhor, católico, quem pregou para mim foi o bedel ( o pastor ) e não o professor ( o padre ) mas eu pergunto que diferença faz se o que o bedel pregou é igual àquilo que o padre prega, supondo-se que se encontrasse facilemente padres pregando apenas aquilo que os primeiros cristãos cheios de santidade pregaram.

Me parece que isso sim pesa na balança e não o procedimento burocrático de quem deve pregar o que para quem. Não é pela árvore que se conhece o fruto, ou seria pelo certificado emitido por esse ou aquele órgão expedidor? Respeito muito o seu conhecimento teológico, e mesmo admiro a maneira firme e sincera com que o senhor, professor Fideli, defende seus pontos de vista, e externa legitimamente sua condição de cristão, no entanto, por vezes, me parece que só por uma pessoa dizer-se evangélica, então isso já faz com que ela mereça ser deletada sumariamente pelo católico Fideli, do rol dos cristãos. Para encerrar eu ainda perguntaria, já que tantas são as questões : o senhor não reconhece a condição de mártires do cristianismo na pessoa de missionários evangélicos que morreram barabarizados ao pregarem em lugares e para países e culturas hostis à mensagem de Cristo; o galardão deles não existiria do outro lado, ou Cristo rejeitaria o testemunho de vida destes heróis da fé, bem como de outros que devotam suas vidas à pregar o Evangelho ? Mártires evangélicos seriam de uma categoria menor ou abaixo dos mártires católicos ?

Desculpe-me vir com tantas questões mas creio que elas expressam as dúvidas até mesmo de muitos católicos. Eu gostaria de dizer para o senhor que estudei em colégio e faculdade católica, mas infelizmente a passagem de série ano ano, ao longo das décadas, ao contrário de cada vez representar um adentramento cada vez maior no mundo cristão, ao contrário a cada ano representava um distanciamento maior dele, mas isso acontecendo não por vontade minha mas em razão das circunstancias educacionais que
privilegiavam, tsambém ano a ano, a imersão completa na razão e conhecimento cientifíco, que na verdade, depois de formados, e bem estudados, descobrimos que aconteceu assim porque os padres nos deixaram nasmãos de professores e diretores que não mostravam ter nenhum compromisso com a fé. Tempo que passa verdade que foge, diz o broicar do jurídico a respeito dos males dos processos demorados, e parece que depois de 16 anos de estudos em colégio católico ( jardim, primário , ginásio, colégio faculdade ) eu na verdade só poderia ser o menos cristão possível, se considerado o potencial daquele cristão que de fato eu prometia ser a partir da primeira comunhão e crisma. Quero com tudo isso dizer que não deixei de ser católico, embora nos ambientes católicos que vivi pouco ou nada semearam em mim de verdades cristãs, tão invertidas se tornaram as prioridades de formação educacional. Na verdade, agora com 48 anos, eu lembro do curso de filosofia na PUC, que parecia o mais alto patamar intelectual que um estudante poderia acessar, e vejo hoje que ali se encontrava a mais elevada estância para abalar e depois desviar a mente de um jovem, até por fim ve-lo negar com arrogancia e empáfia a fé cristã. Isso porque, todos – alunos e professores – davam o melhor de si para entender o ensinamento de filósofos céticos e m esmo inimigos da fé. Incrível que padres católicos tenham semeado isso, já que foi a igreja católica, em seus seus seminários, quem primeiro abriu ” esta porteira ” da faculdade de filosofia, que depois se desdobraria em faculdade de filosofia e ciencias sociais; este o paiol dos hereges. 

Me diga, professor Fideli, havendo este enorme hiato espiritual e temporal em minha vida – os padres deixando cada vez mais o ensino ao deus dará, e parecendo que o bem e a decência estavam no ensino e conhecimento das coisas racionais do mundo – qual então não foi o benefício de eu poder um dia conhecer quem pregasse no meio evangélico uma Palavra que chegava forte aos
meus ouvidos e ao coração. Não é a intenção culpar os padres, pelo contrário, eu os estimava, e hoje ainda admiro o mundo qde colégios que vemos de pé em cada bairro de São Paulo. Mas sinceramente assim como os muros das casas nas metrópoles sumiram e a vida em comunidade sumiu, da mesma maneira eu vi os padres sumirem e se confinarem,quando antes eles sempre tiveram a chave da cidade. Quando na idade adulta eu voltei a ver os padres eram eles então religiosos iguais a D. Paulo Evaristo, ou franciscanos simpatizantes de chê guevara, sorte portanto tive eu de um dia bem mais a frente então ir ouvir a pregação de um pastor, porque a essa altura isso representou deixar muita coisa ruim que me cercava, a exemplo de espiritismo, esoterismo, orientalismo, e o hedonismo.

Deveria me lamentar de ter deixado tudo isso só porque foi um pastor que pregou forte? Pai é quem cria – esta é a lógica que me parece válida, porque se existem padres e evangelistas católicas que pregam igual ou até melhor a verdade é que eles existem em proporção menor aos pastores evangélicos, em termos de engajamento, sso porque há muito tempo se vê um batalhão de padres mais preocupados em ser assistentes sociais, militantes politicos, do que líderes espirituais de almas prá lá de necessitadas de pão espiritual – a Palavra de Deus na veia, como se sente recebe-la quando ouvida direto da fonte : a Palavra de Deus. De qualquer maneira, e por fim, quero deixar os meus parabéns pelo seu site, pois aqui se debate, se aprende, se dirime dúvidas, e o que é melhor – pela dinâmica natural do ponto e contraponto, respeito ao contraditório, nisso o senhor mostrando-se um debatedor muito ético e atencioso,porque coloca tudo que lhe trazem e responde todas as questões, uma a uma, mesmo as frontalmente contrárias à fé católica, no que mostra
grande respeito a todos missivistas e debatedores. Esta é minha segunda pergunta enviada ao senhor, sendo que gostaria para aproveitar para agradecer a acurada resposta que o senhor aquela outra. Na verdade deveria antes ter me reportado a ela, tão atenciosa, profunda, e cheia de implicações na fé tiveram as suas considerações, que ainda hoje me obrigam a pedir um tempo de maturação e reflexão. Lá, à princípio, estive e ainda estou inclinado a dar-lhe razão na alegação feita pelo senhor, de que os protestantes abandonaram uma instituição para seguirem pessoas ( pobre de quem confiar no próprio homem ) mas por outro lado ainda é firme a convicção de que antecede aos protestantes aqueles primeiros cristãos, evangélicos na verdade, que pregavam o que ia nas
escrituras, nas verdade um manual de instrução completo. Mas como disse
estou e continuo pensando. 

Grato por sua atenção. Que Deus o abençoe e a todos seus colaboradores e alunos.

Muito prezado Roberto,
salve Maria !
 

    Muito lhe agradeço sua lealdade em concordar comigo que os protestantes deixaram a instituição para seguir a homens.
    Esse é um muito bom passo para retornar à Igreja, pois que Cristo fundou uma instituição, uma Igreja, que devemos seguir porque só a Ela Cristo confiou sua palavra.
    Deixe-me responder-lhe, em primeiro lugar sobre São Pedro, como chefe da Igreja, e sobre São Paulo.
    Foi a Pedro que Nosso Senhor disse:
“Tu és Pedro, e sobre essa pedra edificarei a minha Igreja” etc. (Mt. XVI 16-20).
Não foi a Paulo que Nosso Senhor disse essas palavras. De Paulo, Cristo disse que era um vaso de eleição, um instrumento, para levar o nome de Cristo aos pagãos (Cfr. Atos IX, 15), mas não afirmou que lhe daria as chaves do Reino dos céus.
    Por essa razão, não foi Pedro conferir o seu evangelho com o de Paulo, mas ao contrário: Paulo é que subiu a Jerusalém para ver Cefas (Gal. I, 18), e conferir seu evangelho com Pedro. E também Pedro escreveu inspirado pelo Espírito Santo, pois na Sagrada Escritura há duas cartas de São Pedro.
     Permita-me dizer-lhe que o tal pastor Soares não pode repetir realmente o que está nos evangelhos, senão ele deixaria de ser pastor, e deixaria de ser protestante. Ele não conta que Cristo deu a Pedro o poder das chaves.
     E o pastor Soares não repete o que ensinava São Paulo, pois que São Paulo ensinava a presença real de Cristo na Eucaristia (I Cor XI, 23-30), falava do sacrifício da Missa, e nenhum protestante fala da Missa.
    Você me pergunta sobre o valor do que pregam os protestantes.
    Rotundamente devo dizer-lhe que eles nada produzem de bom, pois quem nega uma só palavra da revelação nega que Deus seja veraz, e sem a Fé íntegra não pode haver verdadeiros frutos de caridade.
    Explico melhor.
    Um homem pode dizer algumas verdades e também mentir. Posso aceitar as verdades que ele disse e recusar a sua mentira.
    Com Deus isso não é possível. Deus só pode dizer a verdade. De modo que, se alguém recusa uma só verdade ensinada por Deus, está dizendo que Deus mentiu, e se Deus mentiu, Ele nem é Deus, não deve ser ouvido em nada.
    Deus não pode mentir nunca. Tudo o que Ele ensinou é verdade.
    Negar um só ponto que Deus ensinou é negar que Ele seja Deus. E quem nega a Deus nada pode ter de bom.
    Permita-me ainda apontar-lhe outro erro. Querer se guiar pelo que se fazia na Igreja primitiva, tomar essa Igreja primitiva como modelo traz implícita a idéia de que a Igeja se corrompeu posteriormente.
    Ora, Cristo disse que estaria com a Igreja todos os dias, e que lhe daria o Espírito Santo. Se a Igreja tivesse deixado, um dia, de ser fiel, então Cristo, nesse dia, teria deixado de assisti-la, e teria faltado com suas promessas. Ora, é impossível que Cristo Deus falte com sua promessa.
    Logo, a Igreja jamais pode negar a verdade que ela recebeu, e jamais pode apostatar. Os homens da Igreja podem falhar. A Igreja jamais pode errar.
    A pregação dos evangélicos não leva, de fato, as pessoas para Cristo.
Eles só levam à confusão com o seu livre exame da bíblia.
    Há milhares de seitas protestantes — todas se dizendo evangélicas — todos negando alguma coisa do Evangelho.
    Foi o protestantismo que causou a Revolução Francesa e desta nasceu o comunismo. Aliás, já no século XVI, ainda quando Lutero estava vivo, surgiram os primeiros anabatistas protestantes. Portanto, todos os males que há no mundo atual nasceram do espírito “evangélico” de Lutero e do protestantismo.
    Quem não aceita a única Igreja instituída por Cristo nega a Cristo.
    Só na Igreja Católica existe a plena verdade da revelação. Católicos e evangélicos não dizem a mesma coisa de modo algum.
    Para o protestante cada indivíduo recebe iluminação direta de Deus ao ler a Sagrada Escritura.
    Para a Igreja Católica somente Pedro e seus sucessores, os Papas, receberam as chaves do Reino dos Céus.
    Os protestantes recusam que o Papa seja infalível, e se acreditam, cada um deles infalível.
    Cada protestante se acredita Papa, Bispo e sacerdote, assistido diretamente pelo Espírito Santo.
    O protestante tem por pai o orgulho, e por mãe a dúvida.
    O homem que se apresenta como pastor, sem o ser, é o mercenário que Cristo condenou, como falso profeta que não entrou pela porta. O sacerdote católico é o professor legítimo e que, seguindo a Pedro, ensina a verdade. O “pastor” protestante usurpa uma função divina e, por isso mesmo, peca. É o cego que conduz a outros cegos caindo todos no abismo do livre exame e do relativismo.
    E quem não reconhece como mártires os protestantes que morrem asassinados por algum ponto da moral ou da Fé é santo Agostinho.
    Eu também estudei com padres e na PUC que de católica não tinha nada. Eu também condeno cardeais como dom Arns, padres como Boff e semi-frades como o tal frei Betto, que são as versões atuais de Calvino e Lutero (este foi padre e monge).
    Mas soube distinguir entre os sacerdotes maus e a Igreja. Compreendi que esses maus representantes do clero não são a Igreja e nem ensinam o que a Igreja ensina. Por isso me mantive católico, graças a Deus. Seu erro é confundir o Clero com a Igreja, e o bem parcial com o bem relativo, a verdade parcial com a verdade inteira. Mentira é sempre uma verdade parcial deformada.
 
    In Corde Jesu, semper,
    Orlando Fedeli.

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