Montfort Associação Cultural

23 de agosto de 2005

Download PDF

Pecados dos Papas

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Paulo Costa Vieira
  • Localizaçao: Brasília – DF – Brasil

Caro Sr. Orlando,

recentemente, a Revista Veja publicou um suplemento sobre os 500 anos do Brasil. Lá, havia um pequeno artigo sobre o Papa Alexandre VI. Este artigo, apresentava aquele Papa como um homem sem qualquer virtude, apegado à prostituição e a todos os tipos de pecados; inclusive, o artigo dizia que o Papa era o pai de Santa Catarina. O artigo deixava a entender que os Papas eram escolhidos segundo interesses políticos da época e que muitos bispos eram nomeados apenas para atender a esses interesses.

A revista apresentou a igreja como movida apenas por interesses políticos e que os padres que reclamaram dessa conduta da igreja foram perseguidos e excomungados.

Eu gostaria de saber sua opinião sobre a Igreja Católica na Idade Média e se ela representava os interesses de Deus na Terra, mesmo mergulhada no pecado e portanto entregue nas mãos de satanás.

Atenciosamente. Paulo Costa Vieira.


Outro dia, ouvi um cometário de que a “grande prostituta”, citada no Livro de Apocalipse, seria a Igreja Católica Romana, que deixou de ser a noiva de Cristo e se prostituiu na idolatria.
Eu gostaria de saber qual é a interpretação dos senhores para esta passagem da Bíblia.
Atenciosamente. Paulo Costa Vieira.


Meus parabéns pelo artigo “”Viva o Papa!”.
Eu gostaria de saber como poderemos ter a certeza de que o sucessor de São Pedro está em Roma? Em que situação fica o Padriarca da Igreja Ortodoxa?
Tivemos Papas sem qualidades morais para dirigir até mesmo um bordel; esses Papas poderiam ser chamados de sucessores de São Pedro? Se alguns Papas viviam em prostituição, eles estavam servindo a Deus ou a satanás? Que autoridade tem o homem para dizer quem representa Cristo na Terra, em especial se o escolhido vive em prostituição?
Antecipadamente, agradeço pelas respostas.
Atenciosamente. Paulo Costa Vieira.


Quanto ao assunto “dízimo”, eu gostaria que o Sr. complementasse sua resposta com um breve comentário sobre as passagens da Bíblia que falam sobre o “dizimo”.
Atenciosamente. Paulo Costa Vieira.


Caro Sr. Orlando, meus parabéns pelo seu artigo com o título: “Dominus Iesus I: Viva! Viva o Papa!”.
Gostaria de saber se este documento da Congregação para a Doutrina da Fé já reflete a luta travada no Vaticano pela sucessão do Papa João Paulo II.
Atenciosamente. Paulo Costa Vieira.

Prezado Paulo, Salve Maria.

Perdoe-me a demora em responder suas cartas: eu estava na Europa, e, chegando, apressei-me em respondê-las.

Darei uma resposta em conjunto às seis perguntas que você me mandou.

Antes de tudo, agradeço seus elogios a meu trabalho sobre a Dominus Iesus. Isso me faria supor que você é um católico anti modernista.

Entretanto, outras frases e dúvidas colocadas, além de uma certa ojeriza contra o Papado que transparece em suas perguntas, me deixam a impressão de que você é protestante. Ou, pelo menos, está contaminado pelo espírito protestante.

Vamos às suas questões

Inicialmente você me pergunta — baseado numa revista cega de ódio contra a Igreja – a “Veja” , que deveria melhor se intitular de “Não enxergue” — se é verdade que o Papa Alexandre VI foi um grande pecador, e, se isso é certo, como poderia ele governar a Igreja, estando nas mãos de Satanás.

Noutra mensagem, você me pede que lhe explique como “Papas que viviam em prostituição”, “servindo satanás”, podem ser chamados de sucessores de São Pedro.

Ainda noutra mensagem me pede que lhe explique se a Igreja de Roma é a “meretriz do Apocalípse”.

Depois, noutra carta, indaga se a luta em torno da Dominus Iesus reflete a luta pela sucessão de João Paulo II.

Afinal, indaga por que não há santos canonizados brasileiros, e por que não se diz que haja santos no Antigo Testamento. Pergunta ainda que livros o Vaticano recomenda ler a respeito da Bíblia, e sobre o dízimo.

Parece-me evidente que estas questões escondem uma mentalidade protestante, anti papal.

Suas dúvidas, meu caro Paulo, se fundam em que você não distingue entre a pessoa que é Papa e o papa enquanto sucessor de Pedro e Vigário de Cristo na terra.

Quando Cristo deu o poder das chaves ao Apóstolo São Pedro, fazendo dele o chefe da Igreja, a pedra sobre a qual ia fundar a sua única Igreja, prometeu-lhe que as portas do inferno não prevaleceriam sobre ela, e que tudo o que Pedro ligasse na terra, seria ligado no céu, e o que ele desligasse na terra, seria desligado no céu.

Isto é, que Pedro, sempre que falasse, sobre fé e moral , para toda a Igreja, como o poder que Cristo lhe concedera , seria infalível.

Essa promessa dava a Pedro o dom da infalibilidade, nas condições expostas acima.

Não se concedeu a Pedro o dom da impecabilidade.

Pedro era infalível, mas Simão continuava pecável.

Tanto que logo depois de receber o dom da infalibilidade como chefe da Igreja e Vigário de Cristo, Simão errou de tal modo que Cristo o chamou de Satanás. Mais tarde, negou três vezes o Mestre.

Nos Papas é preciso distinguir, então, o homem e o Papa. O homem pode ser até criminoso –como Alexandre VI — mas o Papa continua infalível, porque o dom de Cristo é incontaminável.

Por isso, um documento dos carbonários disse que um Papa como Alexandre VI , com toda a sua corrupção, não serviria para a Maçonaria, pois, apesar de seus crimes, jamais escreveu algo contra a Fé, enquanto Papa.

Do mesmo modo, Karol Wojtyla pode ter defeitos e mesmo pecados. João Paulo II , quando fala como Vigário de Cristo, usando o poder das chaves, sobre fé e moral, para toda a Igreja, definindo uma questão, João Paulo II é infalível.

Falei do ódio de certas revistas contra a Igreja Católica. Essse ódio da “Veja mas não enxergue” é tão grande que chega a declarar, como você disse, que Alexandre VI foi “pai de Santa Catarina”.

De fato, Alexandre VI teve filhos– antes de ser Papa. Mas a filha dele foi Lucrécia Borgia e não Santa Catarina.

E a Veja nem se preocupa de verificar qual teria sido essa Santa Catarina. Sendo calúnia contra a Igreja Católica, sempre haverá quem acredite, sem verificar se é verdade ou não.

Como você engoliu essa besteira devida à ignorância do repórter da Veja e do ódio geral contra o catolicismo?

Você deveria se perguntar por que sua prevenção contra o Papado lhe faz aceitar –sem exame maior — calunias e mentiras?

Isso indica preconceito e não amor à verdade.

E você me pergunta como fica a Igreja “ortodoxa” –a Igreja Cismática Oriental — sem o Papa.

Fica mal.

Porque quem não está submetido ao Papa não está submetido a Cristo. E os Patriacas cismáticos — de Constantinopla, Moscou, Atenas, Antioquia etc — são cismáticos. Estão fora da unidade da Igreja. E está dito que há um só Deus, uma só Fé e um só batismo. A Igreja de Cristo é uma só, e quem está fora dela não terá salvação, como proclamou o IV Concílio de Latrão: “Extra Ecclesia, nulla salus”.

Como Lutero e outros hereges, você me pergunta se a “meretriz” de que fala o Apocalípse, é a Igreja Católica.

É claro que não.

A Igreja Católica Apostólica Romana é a única Esposa de Cristo.

A Igreja Católica nunca poderá deixar de ser a Esposa de Cristo, porque senão a promessa de Cristo de que as portas do Inferno não prevaleceriam contra ela teria sido uma promessa mentirosa. E Cristo não pode mentir, porque é Deus.

A meretriz de que fala o Apocalípse é a Sinagoga de Satanás, de que fala o mesmo Apocalípse (Apoc. II, 9).

E o que é a Sinagoga de Satanás?

A Igreja é o Corpo Místico de Cristo. Sua cabeça é o próprio Cristo, e seus membros são os fiéis batizados, que guardam a fé integralmente, aceitam todos os sacramentos, e obedecem ao Papa e aos Bispos unidos a Roma.

A Meretriz ou Sinagoga de Satanás é constituída por todos os que são filhos do demônio, querendo fazer a vontade de Satanás.

Haverá tempo em que a Sinagoga de Satanás se instalará como se fosse ele a Igreja de Cristo. Este será o tempo do anti Cristo, que ninguém sabe quando virá.

Por que não há santos brasileiros canonizados? Porque não houve ainda, infelizmente, católicos brasileiros dignos dessa honra.

Quanto aos homens do Antigo Testamento que foram santos, a Igreja os declarou todos santos. Entretanto, o costume popular só dá esse título a alguns, como Santo Elias. E, em Veneza, há a Igreja de San Mosé.

Sobre os livros recomendados pela Igreja a respeito da Sagrada Escritura, você deveria ler os livros dos Santos Padres.

Chamam-se Santos Padres, os grandes doutores e santos dos primeiros séculos da Igreja. A coleção desses livros foi publicada por Migne, e consta de centenas de volumes. Procure lê-los. Far-lhe-ão bem.

Sobre o dízimo, a Igreja manteve essa lei, mas exigindo que seja pago o dízimo não literalmente (10%) do que se ganhou.

O mandamento diz para pagar segundo o costume, porque a Igreja, como mãe, se preocupa com a miséria do povo.

E, já que me pede um texto bíblico sobre o dízimo, lembro-lhe a frase de Cristo descrevendo o fariseu que se orgulhava dizendo a Deus: “Pago o dízimo de tudo o que tenho” (Luc XVIII, 12).

In Corde Jesu semper,
Orlando Fedeli

TAGS

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais