Montfort Associação Cultural

8 de maio de 2006

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Pecados dos chefes de Israel

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Glauco
  • Localizaçao: Rio de Janeiro – RJ – Brasil
  • Religião: Católica

Não consigo compreender porque Deus punia todo o povo e não só os chefes quando somente estes últimos pecavam.
Afinal, cada um é um ser humano diferente e a cada pena deve corresponder uma culpa.
Ora, muitas vezes as conspirações eram secretas e o simples do povo não tinha culpa.
Logo, não deveria haver pena para ele.

Então como salvar a racionalidade dessa punição coletiva ?

Não consigo conceber como um crime de um chefe torne uma nação inteira culpada, afete esta nação. Afinal, a Nação, a Igreja não podem em si pecar, mas só os seus membros individualmente é que têm pecados,e, portanto, a proporcionalidade da pena está em que cada membro individualmente pecador seja individualmente punido e não que haja uma punição coletiva.

SE não, já pensou que absurdo ? Se um pai de família roubasse um novilho de outrem sem o conhecimento de sua família, toda a família deveria ser presa. Sendo que a família não sabia que o novilho era roubado, pois o pai disse que comprou na feira. Mas quem defende a punição coletiva argumentaria que como o pai é o chefe da família seus atos afetando a família inteira a família deveria ser presa. Mas isso não é ilógico ? Então por que é lógico que a culpa do chefe da nação recaia sobre toda a nação, se é absurdo que a do chefe da Família não recaia sobre toda a família ?

Muito prezado  Glauco,
Salve Maria.
 
    Sua pergunta é muito oportuna porque muitos pensam da mesma maneira.
    Você precisa distinguir dois tipos de pecados: os pessoais e os de um povo enquanto tal. 
    Os pecado dos governantes acarretam conseqüências nefastas para toda a sociedade que eles dirigem. Isso acontece, ou por efeito normal de uma lei péssima — por exemplo, o divórcio, ou agora a permissão para o casamento gay — ou porque o povo, dando adesão ao pecado do governate, torna-se cúmplice dele, por elegê-lo ou por não se opor a ele. 
Quando tal acontece, o pecado não é apenas do governante mas da nação que ele governa. 
    Ora, uma nação não é julgada por Deus no Juízo particular ou final. Por isso, ensina Santo Agostinho que os pecados dos povos são punidos já em sua História.
    No exemplo que você dá de um pai de família que comete, por exemplo, um assassinato, a culpa do crime não cai sobre a família. Mas a desonra e a penúria decorrentes da prisão do pai assassino é a família que paga. 
    Herdamos a honra de nossos pais e também a sua desonra. Não a culpa, é claro.
    Esperando tê-lo ajudado a compreender o problema, me despeço, atenciosamente, 

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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