Montfort Associação Cultural

26 de janeiro de 2005

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Pe. Quevedo nega a doutrina da Igreja sobre a Ressurreição

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Ricardo
  • Localizaçao: Recife – PE – Brasil
  • Religião: Católica

Prezado sr. Orlando Fedeli,

gostaria, por favor, que comentasse esse texto que encontrei no site do Padre Quevedo. Se quiser ler o texto todo o site é www.catolicanet.com/clap/conteudo.asp?pagina=30, mas eu transcrevo aqui apenas a parte que me chamou mais atenção:

“…Eu admiro a fé dos cristãos, mas no Brasil, quando os padres rezam o Creio, se diz: “… creio na ressurreição da carne…”, me dá uma vontade de levantar os olhos e dizer: Eu não… E continuar rezando. Em grego, a palavra que está na oração não significa carne, significa ser humano, …”creio na ressurreição do homem…”, não da carne.

Mas e a ressurreição de Cristo?, pois Ele ressuscitou exatamente seu corpo que havia sido sepultado…

Com Cristo, havia um motivo especial para que ressuscitasse precisamente aquela energia corporal (corpo), com a mesma idade, características, chagas, etc de quando Ele foi crucificado (e não ressuscitou criança ou mais velho ou diferente) : para que todos entendessem a ressurreiçao, Cristo venceu a morte. Senão os apóstolos não iam entender nada! Para ensinar o Dogma da Ressurreição do homem, e não da carne, Cristo fez o milagre de ressuscitar precisamente igual àquele corpo da cruz.

Cristo ressuscitou aqui, no plano material (e com isso ensinou e provou aos homens , sua Divindade, a Ressurreição e a Vida Eterna), e depois “subiu aos céus”, foi para o Pai (plano sobrenatural); mas conosco, ressuscitaremos não aqui, mas na eternidade, no plano sobrenatural.”

Quando dizemos “creio na ressurreição da carne” não estamos falando da ressurreição do fim dos tempos? O que ele diz é certo?

Prezado Ricardo, salve Maria.

Perdoe a demora em responder sua pergunta. Múltiplos afazeres me atrasaram.

O texto que você me enviou do Padre Quevedo é estarrecedor. E não sei o que estarrece mais: se a ousadia desse padre em negar o que ensina o Credo, ou a ousadia de sofismar tão escancaradamente.

O fato de esse padre negar tão afrontosamente o que a Igreja sempre ensinou indica o nível de desagregação a que se chegou: nada acontece a ele. Ninguém o pune por negar diretamente o Credo. Nada acontece por sugerir uma fórmula que insinua e induz a erro.

Estarrecedor então é ele dizer que: “…Eu admiro a fé dos cristãos, mas no Brasil, quando os padres rezam o Creio, se diz: “… creio na ressurreição da carne…”, me dá uma vontade de levantar os olhos e dizer: Eu não… E continuar rezando. Em grego, a palavra que está na oração não significa carne, significa ser humano, …”creio na ressurreição do homem…”, não da carne.”

Pois veja bem a tolice que ele afirma: quem ressuscita não é a carne. Quem ressuscita é o ser humano.

Ora, o homem é composto de alma e corpo. Quando o homem morre, a alma separa-se do corpo .

O que morre é, sim, o ser humano, porque o homem é a unidade corpo-alma.

Mas o Padre Quevedo não pode negar que o corpo é que apodrece após a morte, e que a alma é imortal. Se a alma é imortal, ao morrer o ser humano, o que propriamente “morre” é o corpo, por isso o homem morre.

O homem morto continua a existir, porque sua alma continua viva, existente.

Quem ressuscitará então, propriamente, é o corpo humano e, reconstituído em sua unidade substancial, o homem ressuscita.

O modo impreciso e atrevido com o qual Padre Quevedo se exprime insinua que o Credo está errado, pois se é o ser humano enquanto tal que ressuscita, pode-se ser induzido ao erro de pensar que a alma também morreu.

Portanto, está bem certo o Credo ao usar a fórmula “Creio na ressurreição da carne” e não “creio na ressurreição do ser humano” como pretende e propõe Padre Quevedo.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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