Montfort Associação Cultural

25 de dezembro de 2012

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Pe.Pinzón: “A manjedoura é Seu primeiro púlpito”

Do boletim do Instituto do Bom Pastor na Colômbia, essa belíssima leitura do Natal do Senhor, muito profunda em sua simplicidade, escrita pelo missionário Padre José Luis Pinzon Velez.

Boletim Sacrificium  de 24/12/2012

Durante o Advento, a Igreja, com seus anseios, chamou o Salvador. Hoje celebra seu nascimento com alegria incomparável: O Verbo se fez carne e habitou entre nós. O Filho de Deus se fez homem para fazer-nos participantes da vida divina, que é eternamente a Sua, no seio da Trindade. Há um contraste muito grande entre o menino nascido no estábulo de Belém e os títulos dados a Ele: Admirável, Deus, Príncipe da Paz, Pai do futuro reino, cujo reino não terá fim. Todos os nomes divinos Lhe cabem. Nasce de uma Virgem, mas enquanto se canta seu nascimento humano, é-nos dito que é a Verbo encarnado da substância do Pai antes de todos os séculos. Está envolto em panos e deitado numa manjedoura, mas é o Rei de Israel, o Salvador do mundo, o seu trono é eterno e Deus vai colocar seus inimigos por estrado de Seus pés. Ao mesmo tempo que  a humildade de Seu nascimento, a Igreja convida-nos a proclamar a grandeza de Sua Divindade. E também, com antecedência, o esplendor da obra que vem realizar. A alegria do Natal é a de possuir o Salvador.

Depois da alegria da Páscoa, em que canta a vitória de Cristo ao terminar sua carreira e sair do sepulcro, como primogênito dentre os mortos, para voltar ao céu, a Igreja não tem maior do que a de celebrar todos os anos o cumprimento em Belém de Judá, das promessas que anunciaram a vinda do Emanuel. Com a Encarnação do Verbo começa a realizar-se a obra da salvação da humanidade. Todos os homens estão interessados nela. A liturgia nos lembra: depois da adoração dos pastores, a dos  Magos vindos do longínquo Oriente anuncia a extensão da redenção até os confins da terra. A Epifania prolonga o Natal. Essa repercussão do mistério da Encarnação na vida de todos os homens é o que a Igreja celebra nas duas festas.

25 de dezembro

-O Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo

A vida em Cristo é a prática do Evangelho. Desde o momento de nascer nos ensina, primeiro pela prática, depois pela pregação. A manjedoura foi seu primeiro púlpito e de lá nos ensinou a curar nossas doenças espirituais. Veio entre nós para buscar  nossas misérias, nossa pobreza, nossas humilhações, para reparar a desonra que nosso orgulho tinha infligido a Deus Pai e aplicar um remédio para as nossas almas . E para isso, ele escolheu uma mãe pobre, uma pequena cidade, um estábulo. Aquele que adornou o mundo e vestiu os lírios do campo, com uma majestade maior do que a de Salomão, esteve envolto em pobres panos e deitado em uma manjedoura. Isso é o que  escolheu como um sinal de sua identidade. “Isso vai servir como um sinal”, disse o anjo aos pastores “encontrar o Menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.” Em tudo isso há um poderoso ensinamento. “A graça de Deus, nosso Salvador, apareceu a todos os homens para nos ensinar”, diz o Apóstolo. A todos os homens, aos ricos e aos pobres, aos grandes e aos pequenos, a todo aquele que quiser compartilhar a Sua graça e  Seu reino e, para tudo isso, que deu a sua primeira lição de humildade. O que é todo o mistério da Encarnação senão o mais assombroso ato de humildade de um Deus? Para expiar nosso orgulho, o Filho de Deus se despojou de sua glória e assumiu a forma de homem com todas as suas condições em todas as circunstâncias, exceto no pecado. Quem pode deixar de imaginar que toda a criação foi preenchida com a glória da Sua presença e estremeu de júbilo diante dEle? Mas nada disso puderam ver os homens. “‘ Não veio”, diz São João Crisóstomo, “para sacudir o mundo com a presença de Sua Majestade; não chegou entre trovões e relâmpagos, como no Sinai, mas fê-lo em silêncio, sem que ninguém soubesse.”

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