Montfort Associação Cultural

8 de junho de 2011

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Pe.Bux: A “reforma da reforma” já está em marcha

 

Entrevista do Padre Nicola Bux a Christophe Geffroy

Tradução Montfort da versão francesa de La Nef

Destaques nossos 

Por que Roma publicou [a instrução] Universae Ecclesiae?

Trata-se de uma Instrução de aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum para cuja promulgação o Santo Padre Bento XVI deu mandato à Comissão Ecclesia Dei, e, ainda mais, à Congregação para a Doutrina da Fé. O documento reafirma que a Liturgia romana se compõe de duas formas, ordinária e extraordinária, ambas expressões da mesma lex orandi da Igreja. O artigo 6, em particular, sustenta: “em razão de seu uso venerável e antigo, a forma extraordinária deve ser conservada com a honra devida”. Por consequência, não há qualquer contradição entre o Missal dito de São Pio V, e aquele promulgado por Paulo VI. Esta é uma riqueza que é posta à disposição de todos os fiéis da Igreja universal, e não somente de alguns grupos. A Instrução também confere à Comissão Ecclesia Dei o poder vicarial para os recursos, os decretos e a edição dos livros litúrgicos. O artigo 14 convida os Ordinários, isto é, os Bispos e os superiores religiosos, a garantir o respeito da forma extraordinária a fim de que o maior número possível de fiéis possa se beneficiar dela e, ao mesmo tempo, a favorecer a reconciliação no seio da Igreja. Em caso de contenda entre o Bispo e os fiéis, esses devem se dirigir a esta mesma Comissão. De fato, é um direito dos fiéis poder participar do Rito romano antigo. Não há limite de número. Quanto aos padres, requer-se sua idoneidade para pronunciar corretamente o latim, para compreender a sua significação, mas não é necessário que eles sejam experts em latim litúrgico. Em definitivo, a intenção do Santo Padre de tornar possível a todos os católicos explorar a riqueza da Liturgia romana, tanto da Missa quanto dos Sacramentos e do breviário, é novamente reafirmada e relançada para a Igreja universal.

 

O que é marcante para o senhor nesta Instrução?

O artigo 21, que convida os padres e os bispos a se prepararem e a se atualizarem com relação à forma extraordinária, assim como convida os seminaristas a se prepararem para a compreender e celebrar, como já tinha sido desejado no nº 62 da Exortação Apostólica de 2005, posterior ao Sínodo sobre a Eucaristia.

 

Esta Instrução entrega novamente a responsabilidade de aplicação do Motu Proprio aos bispos e o que ela diz sobre a evolução da forma extraordinária?

Os bispos devem ter em conta a mens [espírito] do Santo Padre, e favorecer a aplicação desta Instrução, tratando com igualdade todos os fiéis que participam da Missa em uma ou outra forma. Por conseqüência, sua responsabilidade pastoral está inteiramente dependente da obediência ao Papa, como é o caso de todo o bispo católico. Não se deve esquecer também o desejo de “enriquecimento mútuo” entre ambas as formas: isto no entanto não está confiado à iniciativa de cada padre ou bispo, mas será regulado pela Santa Sé, quando esta o julgar conveniente. Será preciso tempo.

 

O senhor crê possível uma “reforma da reforma” e, ao termo, uma reunificação do rito romano?

Se se vê as celebrações pontificais em Roma e em todos os lugares que o Santo Padre visita, com a atenção voltada à cruz colocada ao centro do altar, à comunhão de joelhos e na boca, ao silêncio sacro, se compreende que já está em ato a “reforma da reforma” litúrgica, desejada por ele desde o tempo em que era cardeal. Pessoalmente eu acho que a renovação litúrgica deve ser operada continuamente a cada geração, mas de uma maneira orgânica em relação à Tradição. Eis a contribuição que entende fornecer a Instrução Universae Ecclesiae,  encorajando a celebração extraordinária. Isto poderia conduzir, em tempo oportuno, se for da vontade de Deus, a uma única forma do Rito romano, como o proprio Cardeal Ratzinger aspirava. No entanto, se se vê os Orientais, que têm muitas formas de celebração no interior do mesmo rito, eu diria que isto não constitui uma urgência. Nós não dizemos que a unidade é muitiforme?

 

O senhor esteve no simpósio em Roma sobre o Summorum Pontificum: o que o senhor guardou de lá?

O Terceiro Simpósio sobre o Motu Proprio, acontecido de 13 a 15 de maio na Universidade Pontifical Santo Tomás, obteve uma participação imponente, com as intervenções magistrais de cardeais e bispos, em particular Cañizares e Koch, como do bispo de Bayonne, Msr. Aillet. É necessário insistir que a Liturgia antiga da Igreja constitui a maneira mais autêntica para fazer o ecumenismo com os cristãos ortodoxos em particular. Bastava ver em sinopse a Missa no rito bizantino e aquela no rito romano antigo. Isto se via claramente em São Pedro [na basílica romana], onde o espaço entre o altar da Cátedra e o da Confissão estava repleto de fiéis, que assistiam devotamente à Santa Liturgia, envolvido em um silêncio místico que os cantos gregorianos e o órgão tornavam ainda mais significativos.

 

O senhor acaba de publicar um novo livro sobre a missa: com que finalidade?

Meu recente livro aproveita a ocasião das “deformações ao limite do suportável” da Liturgia, que certos padres e grupos fazem, a fim de explicar o que não se deve e o que se deve fazer na Missa, a fim de que ela dê glória a Deus e salve o homem. O livro tem como finalidade fundamental promover a redescoberta do direito divino dentro da Liturgia – é por isso que ela é sagrada – e de sustentar o novo movimento litúrgico.

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