Montfort Associação Cultural

11 de março de 2015

Download PDF

Há 50 anos, Paulo VI celebrou a missa em vernáculo. E começaram as contestações

Autor - Padre Claude Barthe

Fonte  - Riposte Catholique – 7 de março de 2015

Tradução Montfort

7 de março de 1965: Há 50 anos, o início da reforma litúrgica

Neste 7 de março de 2015, às 18 horas, o Papa Francisco celebrou uma missa na Igreja de Todos os Santos, na Via Appia Nuova, em Roma, na memória daquela que tinha celebrado na mesma igreja Paulo VI, em 7 de março de 1965.

O Concilio ainda não estava concluído, mas a reforma litúrgica que ele tinha decidido começara. Em 25 de janeiro de 1964, o Papa Paulo VI instituiu um Consilium, uma Comissão para a Aplicação da Constituição sobre a Liturgia de uma magnitude desmesurada: 250 especialistas, além dos cardeais e bispos. A partir da sessão de outubro de 1966, cinco e depois seis observadores protestantes assistiram às reuniões do Consilium. Paulo VI lhe tinha dado por presidente o muito progressista Cardeal Giacomo Lercaro, arcebispo de Bolonha. O secretário foi o lazarista Annibale Bugnini.

Assim, de 1964 a1968, realizou-se um primeiro período de reforma, período de transição, como foi observado por um artigo de Riposte catholique, a ser seguido, a partir da publicação de três novas Orações Eucarísticas e oito novos prefácios, em 23 de maio de 1968, da fase de promulgação definitiva da nova liturgia conciliar. Este segundo período durou até 1984, data da edição típica do novo Cerimonial dos Bispos.

De 1964 a 1968, o Consilium decretou mudanças incessantes, através das conferências episcopais, dando o hábito de transformações permanentes. Os fiéis notavam especialmente que a missa era agora, na maioria das vezes, de frente para o povo e que o latim havia desaparecido, “como entre os protestantes.”

Também deve-se notar que as primeiras mudanças (especialmente a concelebração) foram experimentadas na aula conciliar: as liturgias celebradas todos as manhãs na Basílica de São Pedro haviam se tornaram um laboratório de modernização para os Bispos e para toda a Igreja.

Entre outras alterações:
uma nova fórmula para dar a comunhão (recebida cada vez mais comumente de pé);
uma primeira reforma das rubricas (26 de setembro de 1964): o Salmo Judica me das orações ao pé altar é suprimido, o Pater pode ser lido ou cantado pelos fiéis, o último Evangelho é suprimido, a missa solene é possível com um diácono, o per ipsum é dito em voz alta, a celebração face ao povo torna-se praticamente a norma para as missas públicas;
a promulgação de um rito da concelebração (que implica no canon em voz alta) e a comunhão sob as duas espécies (7 de Março 1965);
a Missa dominical antecipada para sábado à noite;
o emprego da língua vernacular expandido para toda a missa, em seguida, para o Ofício Divino, etc.

À “direita do Papa,” os protestos se amplificaram, especialmente por causa do abandono da língua sagrada. Deve ser dito que a introdução do vernáculo na missa havia cristalizado desde a preparação do Concílio e no decorrer do Vaticano II, uma primeira onda de oposição à reforma de um enorme vigor. Paulo VI decidiu intervir pessoalmente, e, assim, veio a celebrar na Igreja de Todos os Santos, no primeiro domingo da Quaresma. Um altar, como se fazia em toda parte, na época, foi colocado fora do santuário, sobre um tablado de madeira. O papa celebrou uma missa lida, voltado para o povo.

Foi então que ocorreu a primeira manifestação de oposição à reforma litúrgica. Ela foi recebida pelo Papa em plena face. Quando Paulo VI, afastando as mãos, exclamou: Il Signore sia con voi. No meio da multidão, ressoou a voz grave e poderosa de Tito Casini, um famoso escritor italiano: Et cum spiritu tuo. Tumulto na assistência, parte da qual se pôs a seguir esta “animador”, inserido no meio da multidão. A manifestação prosseguiu assim durante toda a Missa: In alto i nostri cuori, dizia o Papa; Habemus ad Dominum, trovejava Casini. Estávamos na Itália e tratava-se do Papa!

Como um memorial do evento constituído por essa “Missa de Paulo VI”, um livro de Tito Casini se tornará em seguida o primeiro manifesto de resistência, até a publicação, dois anos depois, do Breve Exame Crítico do Novus Ordo Missae, assinado pelos Cardeais Ottaviani e Bacci, e apresentado ao Papa em 21 de outubro de 1969. O livro de Casini, publicado em Florença em 1967, foi intitulado: La tunica stracciata (A túnica rasgada), alusão à túnica sem costura de Cristo, livro que Les Nouvelles Editions latines publicaram na França, um ano depois, com prefácio do cardeal Bacci: La tunique déchirée.

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais