Montfort Associação Cultural

25 de novembro de 2005

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`Pastoralidade`: cavalo de Tróia do Concílio Vaticano II

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Jamil Sales Pimentel
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica
Salve Maria, Professor!!
 
Aí vai, então, a outra boa citação que encontrei em uma nota de pé de página no artigo do teólogo René Laurentin. A nota é dele:
 
“Elucidar o papel do sucessor de Pedro na ordem da certeza e da verdade, eis um problema ‘pastoral’… [nota: Não é aqui o lugar para discutir a palavra ‘pastoral’ que foi o título-programa de nossa contribuição: ‘Reflexão pastoral’. Mantemo-nos distantes com relação às ambigüidades desta palavra. Ela foi, no Concílio, uma espécie de cavalo de Tróia. Os líderes das duas tendências, majoritária e minoritária, fizeram de conta que a pastoral era um domínio adequadamente distinto da doutrina. Assim, os primeiros fizeram passar, sob a cobertura desta palavra inocente, toda uma renovação teológica, infelizmente muito mal ajustada a um sistema doutrinal que em aparência permanecia intacto. Estamos longe, ainda hoje, de sair desta ambigüidade inerente aos textos do Vaticano II. Toda teologia é pastoral; e toda pastoral autêntica é teológica]”.
 
Fonte: R. Laurentin, O Fundamento de Pedro na Incerteza Atual in Concilium – Revista Internacional de Teologia, n. 83, 1973/3: Dogma, p. 354.
 
Como comentei, Professor, este número da revista tem como tema central o dogma da infalibilidade. São muitos artigos de teólogos modernistas nos quais estou encontrando ótimas citações que poderemos usar para a nossa argumentação. À medida que eu for lendo os textos vou lhe passando o que achar de mais interessante. A propósito, veja o que diz o próprio Laurentin, no mesmo artigo acima, linhas adiante:
 
“… A partir de então [depois da definição do dogma da Assunção de Nossa Senhora, por Pio XII, em 1950], o Vaticano II renunciou deliberadamente a fazer qualquer definição e Paulo VI suprimiu pessoalmente a cláusula infallibili auctoritate que os redatores da Humanae Vitae lhe haviam proposto. A infalibilidade, assim como a tiara, esmaga a cabeça de quem a leva. (p. 355; os colchetes e negrito são meus).
 
Em tempo: esqueci de mencionar, anteriormente, a página onde achei a confissão do Schillebeeckx. Pág. 336.
 
Por enquanto é só, caríssimo Professor.
 
Salve Maria!!
Jamil

Muito prezado Jamil ,
salve Maria!    

   Muitíssimo obrigado. Você encontrou uma pérola preciosíssima.  Isso mostra quanto vale a pena estudar.

   Que Deus o recompense, por essa citação que ajudará a muitos a abrir os olhos e compreenderem — afinal ! –  que o Concílio Vaticano II não foi infalível. Muito pelo contrário, porque além de ambiguidades propositais, a própria “pastoralidade” foi o cavalo de Tróia, usado conscientemente, para introduzir na Igreja doutrinas nada ortodoxas.

    A citação é tanto mais importante quanto é bem conhecida a posição modernista de Laurentin. Portanto, é um autor que goza de grande fama que reconhece que a ”inocente” palavra “pastoral” foi usada para fazer infiltrar na Igreja doutrinas erradas. A pastoralidade foi o verdadeiro cavalo de Tróia dos modernistas para enganar os fiéis católicos.
 
    A confissão de Laurentin não deixa dúvida de que esses teólogos tinham consciência de que agiam fraudulentamente.
    Destaco a confissão de Laurentin:
 
    “Assim, os primeiros fizeram passar, sob a cobertura desta palavra inocente, toda uma renovação teológica, infelizmente muito mal ajustada a um sistema doutrinal que em aparência permanecia intacto. Estamos longe, ainda hoje, de sair desta ambigüidade inerente aos textos do Vaticano II”.
 
    Como acreditar então que o “pastoral” Vaticano II tenha sido infalível? 
 
    Também achei muito importante o texto em que fica patente a recusa de Paulo VI de usar o carisma pontifício da infalibilidade. Aliás, é patente que se deixou de fazer documentos firmes, para escrever apenas pastoralmente…
    Isso me faz lembrar de uma visão de Dom Bosco na qual Jesus exclamava indignadamente (cito as palvras de memória e não ipsis litteris, pois não estou como texto à mão, no momento:
 
    “Por que meus representantes seguram a palavra? Por que não falam claramente?”
 
    Se não foram estas palavras, o sentido das palavras de Cristo a Dom Bosco era esse. Achando essa visão, eu passarei a você.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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