Montfort Associação Cultural

23 de outubro de 2006

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Pastéis de feira e Toca de Assis

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Sandra De Assis
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Religião: Católica

VOCE FALA NAS FREIRAS DA TOCA DE ASSIS COMENDO PASTEIS COMO SE ISSO FOSSE UM ABSURDO, PORQUE? POR ACASO PASTEIS SAO DO DEMONIO, E O BANCO QUE ELAS ESTAVAM SENTADAS TAMBEM? E QUANTO AO FATO DE SORRIR, POR ACASO A ALEGRIA VEM DE QUEM.
VOCE DIZ QUE CONHECEU ALGUMA COISA, COMO PODE FALAR ALGO QUE NÃO TEM CONHECIMENTO ESPECIFICO?

ME INOJA SABER QUE VOCES BATEM NO PEITO DIZENDO QUE SAO CATOLICOS E CONSEGUEM SEM CONHECER FALAR ALGO ABSURDO SOBRE A TOCA DE ASSIS E SEU FUNDADOR O PADRE ROBERTO LETTIERI, VOCE NUNCA DEVERIA TER CRITICADO ELE REALMENTE.

ALIAS GOSTARIA MUITO DE VER ESTE TAL DVD QUE VOCE FALA, ALIAS NÃO SÓ EU, MAS ACREDITO QUE O MUNDO INTEIRO, POIS TODO MUNDO O CONHECE. JÁ QUE VC TEM A MISSAO DE PASSAR A VERDADE, MOSTRA-NOS O TAL DVD….

NÃO PARA PROVAR NADA,, SIMPLESMENTE PARA QUE A VERDADE VENHA A TONA…

QUE A TOCA DE ASSIS É UMA OBRA QUE AGRADA O CORAÇÃO DE DEUS, E O PADRE ROBERTO NEM PRECISA FALAR,,,,

MAS COMO A INTERNET INFELISMENTE NÃO CONSEGUE DETECTAR MENTIRAS, ENTÃO ESTAMOS SUJEITOS A LER ESTES ABSURDOS.

Muito prezada Sandra,
Salve Maria.

     Minha cara, pastel de feira, quando bem feito, é muito bom. Eu como pastel toda quinta-feira, na banca de um japonês, paciente e lacônico, em cuja boca não entra mosca, e nem sai besteira. “Seu” Mauro, o japonês pasteleiro, me ouve pacientemente com um sorriso leve, e me responde quase em monossílabos. Baixinho. Quase um sussurro. Educadamente oriental.
     Foi lá, nessa feira, — mas noutra banca — que vi gente saída da toca, comendo pastel.
     Comer pastel nada tem de mal. Mas depende como se come.
     Mesmo entre pessoas leigas, a educação manda comer com certos cuidados. Por exemplo: quando se mastiga, não se fala e nem se ri. Nem lhe digo o porquê. Você deve saber.
     Isso era ensinado até pelos astecas aos seus filhos. E os astecas eram antropófagos. Mas não viviam em tocas. Já tinham alguma civilização. Embora antropófagos. Comiam até gente, mas de boca fechada, enquanto mastigavam colegas.
     Horrível!
     Hoje, chegamos a nível inferior ao deles… em etiqueta. E temo que estejamos próximos de chegar ao nível da “culinária”… asteca…
     O PCC faz “progressos”.
     Então, há regras para bem comer pastéis, em feira. São regras de etiqueta para leigos, que não têm votos de obediência.
     Para pessoas consagradas a Deus, as regras são ainda mais rigorosas.
     Dizia-se na Igreja pré conciliar — na verdadeira Igreja Católica de sempre — que certas coisas “non clericant“, isto é, não ficavam bem para religiosos.
     Para uma moça comum, gargalhar alto, em público, fica mal, porque, evidentemente, ela faz isso para chamar a atenção sobre si. E isso é inconveniente…
     Há gargalhadas más. Fora de hora ou fora de conveniência…
     E uma mocinha estar sempre a sorrir, com um sorriso parvo e afetado, um sorriso de propaganda de dentifrício, não indica sabedoria. Muito menos um sorriso fixado pela cola da afetação é próprio a uma religiosa consagrada a Deus.
     Há sorrisos maus. E há até sorrisos bem ruins. Sorrisos falsos, estereotipados…
     E os piores desses sorrisos aparecem em rostos consagrados, infelizmente.
     Já vi alguns.
 
     Se critiquei o pessoal da Toca de Assis, comendo pastéis na feira, foi pela forma gulosa, aos gritos e gargalhadas, com gestos grosseiros, que tornavam aqueles pobres moços parecidos com gente saída de uma toca qualquer, sem educação, sem recato, enfim, sem “clericalidade“…
     E acho que você nem sabe o que é clericalidade, tanto essa qualidade desapareceu dos clérigos…
     Hoje, há laicidade no modo de ser de muitos clérigos. Laicidade nas vestes, nos modos, nas almas. Nos corações…
     Desgraçadamente.
     Graças a Deus, ainda recentemente, em Recife, vi um Padre com muita clericalidade!
     Eles existem ainda — são poucos – mas agora começam a levantar a cabeça.
     Beatus Benedictus qui venit in nomine Domini!
  
     Você, então, não tem culpa por não saber o que é clericalidade.
     Isso não existe em toca.

   
  Como um clérigo que não veste batina e nem hábito, que age como leigo, que fala em gíria, e que até na Missa fica sentado enquanto permite que as gerentes de igreja, brincando de “sacerdotisas”, se exibam, distribuindo a Sagrada Hóstia, como um padre moderninho desse tipo pode ter clericalidade?

     
E por falar em etiqueta, tenho “coisas” a lhe dizer sobre sua forma de escrever.
     “J´ai des choses à vous dire…”
  
     Você me diz:

“ME INOJA SABER QUE VOCES BATEM NO PEITO DIZENDO QUE SAO CATOLICOS E CONSEGUEM SEM CONHECER FALAR ALGO ABSURDO SOBRE A TOCA DE ASSIS E SEU FUNDADOR O PADRE ROBERTO LETTIERI, VOCE NUNCA DEVERIA TER CRITICADO ELE REALMENTE”.
   
     Você faz, aí, um juízo temerário. Critiquei o que vi Padre Roberto Lettieri fazer. Vi num DVD.
     Conheço o que fazem os carismáticos, e vi como Padre Roberto faz as pessoas caírem em “repouso do espírito“…
     Aliás, para seu governo, ainda há pouco, o Bispo Dom Alberto Taveira, Assistente Espiritual do Conselho Nacional da Renovação Carismática Católica, escreveu:

“4 – Repouso no Espírito: O Documento 53, no número 65, aborda o tema e diz a respeito: “Em Assembléia, grupos de oração, retiros e outros reuniões evite-se a prática do assim chamado “repouso no Espírito”. Essa prática exige maior aprofundamento, estudo e discernimento”.
“a) O Cardeal Suenens, que escreveu muito sobre a RCC e a apoiou, foi muito cauteloso em relação à prática do repouso no Espírito, recomendando reserva.
“b) Pe. Robert De Grandis foi quem muito a divulgou aqui pelo Brasil e tem um livro sobre o assunto.
“c) Pe. Antonello, da Arquidiocese de S. Paulo, pratica-o com bastante freqüência e também escreveu sobre o assunto.
“d) Não há fundamentação bíblica consistente sobre ele, embora sua prática remonte aos grupos qualificados de entusiastas, especialmente nos grupos de reavivamento nos Estados Unidos entre os séculos XVII e XIX”. (destaques nossos).
 
     Tendo em vista essas declarações, se conclui que Padre Roberto Lettieri, fazendo as pessoas caírem no tal “repouso no espírito” faz algo que não é aprovado nem mesmo pelo insuspeito Dom Taveira, amigo dos carismáticos.
     Isso quanto ao fundo de sua acusação de que falo sem conhecimento, acusação que lhe devolvo agora: você é quem fala sem conhecer, e me julga sem ter fundamento, o que constitui juízo temerário.
     Permita-me ainda dizer-lhe que fica mal para uma mocinha usar palavras grosseiras e violentas. Você diz que lhe causo nojo.
     ”Me inoja“, escreveu você, desrespeitando a caridade, a gramática e a ortografia. E ruim mesmo é o desrespeito à caridade.
     Escrever tal grosseria não é caridoso, minha “filha“, pois tenho idade para ser seu pai, e até seu avô.
     Mais respeito, minha cara.

     E, agora, uma correção inteiramente secundária, que só lhe dou, para que você compreenda como agiu mal em coisas mais importantes que a gramática e ortografia, e como não se deve seguir impulsos, sem pensar. 
     Antes de escrever, “sente-se e pense” no que vai dizer e como o vai dizer.
     Foi Nosso Senhor que sabiamente nos disse: “Antes sente-se e pense“: “Prius sedens et cogitat” (São Luc. XIV, 31)
     E respeite então um pouco também a gramática: jamais se começa uma frase com pronome oblíquo.
     Temo que você jamais tenha sido apresentada a um pronome oblíquo.
     Vou apresentá-la, então, a um deles. Saiba antes, porém, que eles pertencem a uma família muito civilizada e bem educada, que não vive em tocas.   
     Então, eu lhe apresento o pronome oblíquo, o senhor “Me”.
     “Me” — aqui substantivado — é pronome pessoal oblíquo da primeira pessoa do singular.
     Você não o conhecia ainda?
     Não tem importância maior. Esse não é seu maior erro.

     Seu erro bem grande é o doutrinário. Seu erro grande é julgar-se advogada competente para se colocar a serviço de saídos da toca, repousantes no espírito. Mesmo enquanto comem pastéis na feira.
      
     Você quer o DVD em que Padre Roberto Lettieri aparece fazendo muitas pessoas caírem na tentação do “repouso do espírito”?     Eu o vi.
     “Meninas, eu vi“.
     Como diz o caipira, “vi com esses olhos que a terra há de comer”. Eu tenho o DVD guardado em meu escritório.
     Mas, se você é fã de Padre Roberto, se você pertence às “gavionas” das fiéis ao Padre Roberto, você já deve ter visto isso ao vivo. Ao vivo e a cores.
     Até lhe pergunto: — diga-me com sinceridade — você nunca caiu em “repouso no espírito” em cerimônias de Padre Roberto Lettieri, ou de outros padres pentecostais da RCC?
     Desconfio que você já caiu nessa lorota do “repouso no espírito“…
     Se ainda não caiu, pelo menos já viu.
     Diga a verdade… Não seja do PT. Diga a verdade.
     Você já viu, ou já caiu no tal “repouso“?
     Diga-me a verdade.
     A verdade inteirinha
 
     Você me garante: 

“QUE A TOCA DE ASSIS É UMA OBRA QUE AGRADA O CORAÇÃO DE DEUS, E O PADRE ROBERTO NEM PRECISA FALAR,,,,”.
 
     Nem precisa falar, e nem adianta falar, porque testemunho de si mesmo é sem valor. Ninguém pode dar testemunho de si mesmo, diz a Sagrada Escritura.
    
“MAS COMO A INTERNET INFELISMENTE NÃO CONSEGUE DETECTAR MENTIRAS, ENTÃO ESTAMOS SUJEITOS A LER ESTES ABSURDOS” (Copiei a sua frase com suas “originalidades” pessoais, absurdos que muitos carismáticos escrevem).
   
     Bom pastel de feira para você.
     Mas coma-o de boca fechada. Porque em boca fechada não entra mosca.
     E nem sai besteira.
     E nem sai pronome oblíquo em lugar errado.
     Obrigado pelos momentos de diversão que me proporcionou, junto com a oportunidade de lhe prestar um ato de caridade: corrigir os que erram.


In Corde Jesu, semper, 
Orlando Fedeli 

São Paulo, 17 de Outubro de 2.006

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