Montfort Associação Cultural

7 de julho de 2006

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Participação política

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Aline
  • Idade: 36
  • Localizaçao: Crato – CE – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Psicóloga
  • Religião: Católica

Caro Sr, Orlando Fedeli, novamente venho recorrer à sua sabedoria. 

Hoje um tema político é o motivo de minhas angústias. Sempre fui uma pessoa incoformada com as injustiças sociais e na minha juventude já cheguei a acreditar na tese de que o marxismo poderia ser o caminho para uma sociedade justa e fraterna tendo inclusive militado no PC do B no meu tempo de estudante universitária (por favor não me culpe por ilusões da minha adolescência). Hoje não acredito mais neste caminho. Na época em que ainda militava nesta “frente revolucionária” percebi que o que os motivava era o ódio às classes sociais “dominantes” e não o amor aos “oprimidos”. Mas não deixei de sonhar com uma sociedade melhor, movida pelo amor autêntico que, ao meu ver não pode tolerar que pessoa vivam em condições sub-humanas, passando fome e toda sorte de privações. Em minhas escolhas políticas continuei optando pelas propostas que defendem uma melhor ditribuição das riquezas (não a igualdade, simplismente a diminuição da diferença entre os extremamentes ricos e os extremamentes miseráveis). 
Mas hoje li uma resposta do senhor ao jovem Márcio na qual afirma que “Nenhum partido político é recomendável. Todos eles estão dominados pelos inimigos de Deus. Aliás, o próprio conceito de partido é ruim. “. 
Então pergunto qual atitude devemos ter como Católicos: nos omitirmos da participação política? A omissão nete caso não é também um pecado? Será que nós como Católicos não temos por dever de consciência tentar diminuir o mal deste sistema econômico que enriquece mais aos ricos e relega aos pobres à fome e ao abandono? Por favor me ajude mais uma vez. 
Tenho rezado pelo senhor e lhe sou grata por tudo que já faz por mim. Que Deus proteja sempre seu bom combate. 
Agradecida,
Aline.

Muito prezada Doutora Aline,
Salve Maria.
 
    Sua carta me comoveu. Dou graças a Deus por sua conversão, e espero ajudá-la no que me for possível.
    Como deixar de agradecer também suas orações por mim?
    Deus lhe pague. Porque se a conversão de alguém causa mais alegria no céu do que a perseverança dos justos, como não devem ser poderosas suas orações diante de Deus que se alegra infinitamente com a sua conversão?!
   
    Claro que a omissão diante dos males que afligem a nossa sociedade é um pecado.
    O problema é que defender partidos políticos não traz solução.
    A senhora deve ter percebido como os partidos são “intercomunicantes”…
    Ainda nesta semana a revista Veja publica uma entrevista com uma professora de Filosofia, de pensamento marxista também, que afirma que o PSDB e o PT são primos irmãos.
    Digo eu: eles são gêmeos dialéticos.
    Fernando Henrique Cardoso estava presente na fundação do PT, num rico Colégio de freiras, num bairro bem burguês de São Paulo, onde confortavelmente mora, aliás, o marxista Fernando Henrique.
    Hoje, ele se queixa que Lula cacareja chocando ovos alheios. Os ovos marxistas que ele botou, junto aos ovos vermelhinhos postos pelos generais que se diziam anti comunistas, e que fizeram o Incra e o estatização da economia brasileitra. Não é à toa que vemos, hoje, o burguesíssimo e gordo Delfim Neto apoiando Lula e o PT.
    E até o Maluf mandou votar em Lula na última eleição.
    Nossas elições e nossos partidos se parecem com os lutadores de campeonatos de luta livre, em que tudo é com cartas e golpes marcados, um fingindo bater e lutar, para o outro ganhar.
    Na vitória de Lula para Presidente, o candidato imposto “contra” ele por Fernando Henrique era o insípido e vazio socialista Serra, um comunista de sacristia, exilado docemente e rubramente no Chile… Um homem cujo prestígio postiço só existe pelo que diz a mídia. Se vencesse Serra, teríamos na presidência um bolchevista careca em vez de um bolchevista cabeludo e barbudo. Serra e Lula são tão afins quanto piolho e cabeleira…
    Agora, Fernado Henrique impôs o insípido Alckmin… E com razão a filósofa que citei em sua entrevista à Veja afirmou que a indicação do insípido e mentalmente banguela Alckmin é só para favorecer a vitória do espertinho chefe dos 40 do mensalão.

    Os partidos, prezada doutora, são como dedos de uma única mão; Há uma só vontade atrás deles, vontade única que os move a todos. A sinfonia política desta democracia tem um só maestro que dirige baixos e contra baixos. Todo baixos. Todo aliados.
    Todos querendo a socialização. Todos querendo o que a ONU determina: aborto, eutánásia e o casamento gay. Todos contrariam a Igreja. E — desgraça — por vezes, eles têm o apoio da antropocêntrica CNBB. Contanto que se lhes pemita mensalar ou sanguessugar. Negando tudo. Com a maior cara-de-pau. Enquanto certos comentaristas políticos fazem previsões… de indenizações.
    Nada disso justifica ser politicamente omisso.
    E é claro que entre dois inimigos desigualmente perigosos, podemos escolher o menos ameaçador, aquele que nos permite ainda continuar a lutar.
    Mas nunca devemos ter a ilusão de que o menos perigoso é nosso amigo.
   
    O mal atual de que sofre o Brasil é moral e religioso. Não há solução política para resolver uma questão moral e religiosa.
Aliás, estamos numa decadência terminal.
    Um ex petista, Cristóvão Buarque, declarou, outro dia, que teme pela sobrevivência do sistema democrático, caso Lula ganhe a eleição com grande votação e poucos deputados. Evo Morales está ensinando a ele como tomar o poder por meio plebiscitário. E, caso não dê pelo plebiscito, o MST e o PCC estão aí para tomar o poder.  

    Os impérios decaem quando são cortadas as raizes principais da árvore da moral, que são:

          1 - o princípio de que a vida física é um bem, que deve ser preservado;
          2 -  a vida da espécie é um bem, que deve ser preservado;
          3 –  a vida intelectual é um bem, que deve ser preservado.
 
1 - Ora, a vida física está desamparada. Estamos nas mãos do PCC. Ninguém tem segurança nenhuma. Não há punição para os crimes. Uma parricida é posta em liberdade por habeas corpus ou mandatos de segurança. Ninguém é punido. O Mensalão o comprova. Roma caiu quando se colocou o princípio de que o capricho do príncipe tinha força de lei. No Brasil do século XXI, o capricho jurídico do Juiz de plantão no Supremo é a suprema lei.
    Até que chegue outro juiz que emite outro parecer, que contraria diametralmente o primeiro. Ambos fundamentadíssimos na lei e na jurisprudência. Um contraria o outro diametralmente. E nenhum dos dois juízes protesta. Tudo bem. São pareceres que equivalem ao útimo palpite. E isso é o que vale.
    E também por isso a criminalidade cresce. Pois a impunidade dos culpados faz multiplicar os crimes.
    O Brasil é hoje a prova viva da necessidade da pena de morte. Coisa que o sentimentalismo nacional se arrepia só de pensar nela.
    Então, a vida física deixou de ser um bem protegido pelo Estado. Que o digam os pobres agentes penitenciários caçados nas ruas de São Paulo.
    E é claro que depois dos policiais e dos agentes penitenciários virá a vez dos juízes e dos promotores. Até paralizarem a Justiça.
    E, quando a Justiça é paralizada, a vida física deixa de ser um bem e a sociedade se desfaz.
    
2 – Que dizer então do bem da vida da espécie?
    Hoje, o Estado, aplica servilmente as imposições da ONU — os comunistas diriam que são as “imposições do capitalismo internacional”, o  poder da plutocracia mundial –  que impõe o divórcio, a esterilização, o controle da natalidade, o aborto, o casamento gay.
    A família, como célula social, agoniza por causa do câncer do relativismo moral. E o clero, que deveria combater em defesa da moral, se cala. E tolera os padres pintos, permitindo que eles se vão em silêncio depois de cantarem grosso e ameaçadoramente… Porque antes se receberam tantos pintos nos seminários que degeneraram a moral eclasiástica?
    O mal de Boston é praticamnete universal.
    E se a familia perece, a sociedade vai perecer.

3 – Por fim, o último princípio geral da moral: a vida do intelecto deve ser mantida.
    Ora, a vida do intelecto se alimenta apenas da verdade, e o relativsimo geral não permite que se acredite na verdade. Logo, estamos assistindo a morte da inteligência por inanição, quer no Brasil, quer no mundo.
    Nas escolas, desde cedo, ensina-se que cada um tem “a sua verdade“. Logo, que não existe A verdade.
    Nas Faculdades se repete a mesma baboseira sem perceber que, negando a existência da verdade, se confessa que nelas só se se ensinam mentiras e fábulas — histórias da carrochinha para adultos — , como o evolucionismo de Darwin, o Marxismo, o estruturalismo e a fenomenologia.
    Sem a verdade absoluta, o relativismo não permite crer em mais nada. E sem nenhuma crença, para que viver em sociedade? Ou para que viver?

    Desse modo, não é só por considerações políticas de um Cristóvão Buarque ou de uma arguta professora de Filosofia, dando entrevista à Veja, que se percebe no horizonte uma crise enorme.
    O triunfo de Lula nas próxmas eleições, depois do imenso escândalo e da corrupção que ele e o PT promoveram — ele de nada sabia, é claro! — será o sinal de que a sociedade brasileira já não se importa nem com valores morais, nem com a verdade, nem com a família, nem com a dignidade, nem com a ignorância de botequim ovante entronizada nos mais altos postos do Estado. 
    O que importa é que “a copa do mundo é nossa“.
    “Panem et circenses” reclamavam os romanos da decadência. Aí chagaram os bárbaros…
    Nós nos satisfazemos só com o circenses. Botequinesco.
    Está chegando o PCC…
    E parece que nem a copa do mundo ficou nossa. Nem o Fútil-bol consolou o Brasil.
    Como então um católico não se omite?
    Não é entrando no jogo de cartas marcadas da política que alcançaremos a vitória.
    Como católicos devemos defender a Verdade e a lei de Deus acima de tudo, combatendo com as armas que tivermos; um jornalzinho, uma cátedra, um site na internet, um conselho a um cliente, etc.
    É evidente que só isso não trará a vitória. Mas ajudará.
    A luta não é restrita ao Barsil. Ela é universal, e quem capitaneia a luta dos católicos contra a tirania do relativismo é o Papa. Graças a Deus temos um papa que não busca os “holofotes”. Um papa que não teme a mídia. Ele tem dito um NÃO rotundo e forte às forças internacionais que querem destruir toda a ordem social. Ele tem prometido tomar as medidas mais profundas para restabelecer o culto a Deus como ele deve ser, com a Missa de sempre. Ele tem prometido enfrentar os lobos e varrer os seminários.
    Por tudo isso, o Papa Bento XVI é hoje o alvo primeiro de todo ódio mundial das forças anti católicas.
Cerremos fileiras com o Papa. Com ele defendamos a Verdade que é Cristo Deus e sua santa Lei. Com ele estejamos prontos ao martírio se preciso for.
    Essa será a hora de não sermos omissos. Um dia, talvez, tenhamos que testemunhar a Cristo e a Igreja com nosso sangue. E isto será verdadeiro. E isso será bom. E isso será belo.
    É do sangue dos mártires que renasce a Igreja. Morramos pela Fé para que a Igreja possa renascer. Lutemos e morramos com o Papa bradando sempre Viva o Papa.

***
 
    Levado pelo entusiasmo, por correta ira, e pelo zelo extendi-me demais, talvez, cansando-a.
    Espero pelo menos ter lhe dado uma resposta cabível. Certamente lhe procurei dar a resposta amiga de um professor que a admira pela sua carta, e, ainda muito mais, pela sua conversão heróica.
    Deus a guarde.
    E a faça minha amiga para sempre.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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