Montfort Associação Cultural

23 de maio de 2006

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Pároco da Igreja S.Bonifácio recomenda, em sua ausência, os católicos irem a uma igreja protestante

Autor: Marcelo Fedeli

  • Consulente: Heinrich
  • Idade: 66
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Religião: Católica

Prezado Marcelo:

Pela presente quero-lhe relatar a respeito dos absurdos que acontecem, em conseqüência dos maus ensinamentos de cunho da teologia da libertação.

O pároco da Igreja São Bonifácio, Centro dos Católicos de Língua Alemã em São Paulo, fiel discípulo do então Paulo Evaristo Cardeal Arns, está muito convencido da prática do ecumenismo a tal ponto que, como o mesmo não está em São Paulo por quaisquer motivos, não podendo celebrar a costumeira missa das 10.30 horas, em vez de providenciar um substituto, recomendou à Reunião de Diretoria que os fiéis (católicos) da São Bonifácio dirigissem-se diretamente à Igreja da Paz, igreja luterana em Santo Amaro, onde acontecerá a festa anual dessa igreja, para assim mais enfatizarem o espírito ecumênico tão benéfica (na opinião dele).

O que você acha, os fiéis da São Bonifácio devem fazer? A próxima recomendação seguramente será os Bonifacianos irem diretamente à Catedral da Igreja Universal do Reino de Deus (Edir Macedo).

Heinrich Wilhelm Borgert

Meu caro Borgert, salve Maria!

Muito entristeceu minha alma católica a notícia que o senhor me enviou… sem, porém, me causar surpresa em meio ao caos que o ecumenismo nos levou, em que “todos os deuses, todas as religiões e todos os cultos são válidos e iguais”, incluindo o Santo Sacrifício do Calvário que, para o pároco da igreja de S. Bonifácio (S. Paulo), pode ser perfeitamente substituído pela “representação da Ceia” de Lutero!!!

Evidentemente o fato é gravíssimo! Pergunto-me: que fé tem esse triste sacerdote que coloca a Missa que ele celebra, no mesmo nível da representação da Ceia luterana?

Em que artigo do Credo, que ele recita na Missa, ele realmente acredita?

Pelo menos no Unam Sanctam Catholicam et Apostolicam Ecclesiam … suponho que não! E a comunhão dos santos … e os santos que Lutero nunca aceitou?…

O que é, para ele, a Consagração que ele realiza na Missa in persona Christi, e que Lutero e seus asseclas sempre negaram?

Eis, para ilustrar, como Lutero se referia ao Santo Sacrifício da Missa, e às suas partes, bem como ao sacerdócio, à Igreja e a Nosso Senhor Jesus Cristo, como já escrevi neste site:

Sobre a Missa: “Quando a missa for revirada, acho que nós teremos revirado o papado! Porque é sobre a missa, como sobre uma rocha, que o papado se apóia totalmente, com seus mosteiros, seus bispados, seus colégios, seus altares, seus ministérios e sua doutrina…Tudo isto desabará quando desabar sua missa sacrílega e abominável (Lutero).

(Père Barrielle, Avant de mourir, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi – Daniel Raffard de Brienne – 1983 – http://amdg.free.fr/lexorand.htm).

Sobre o Ofertório: “Segue toda esta abominação à qual se submete tudo aquilo que precede. É o que denominamos de Ofertório, e tudo, nele, exprime a oblação” (Lutero).

(Henri Charlier, La messe ancienne et la nouvelle D.M.M., 1973, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi – Daniel Raffard de Brienne – 1983).

Sobre o Canon: “Este abominável cânon, que é uma coletânea de lacunas lodosas; … fez-se, da Missa, um sacrifício; acrescentaram-se os ofertórios. A Missa não é um sacrifício ou a ação de um sacrificador. Olhemo-la como sacramento ou como testamento. Chamemo-la de benção, eucaristia, ou mesa do Senhor, ou Ceia do Senhor ou Memória do Senhor” (Lutero).

(Luther, Sermon du 1er dimanche de l”Avent, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi, Daniel Raffard de Brienne – 1983).

Sobre o sacerdócio: “Que loucura querer monopolizá-lo para alguns” (Lutero).

(Para ele o sacerdócio não era restrito aos padres, mas compartilhado por todos os fiéis).

(Léon Cristiani, Du luthéranisme au protestantisme, 1910, apud Lex Orandi: La Nouvelle Messe et la Foi, Daniel Raffard de Brienne 1983).

Sobre a Igreja: “Se nós condenamos os ladrões à forca, os assaltantes ao cadafalso, os hereges à fogueira, por que não recorremos, com todas as nossas armas, contra esses doutores da perdição, esses cardeais, esses papas, toda essa seqüela da Sodoma romana, que não pára de corromper a Igreja de Deus? Por que não lavamos nossas mãos no seu sangue?” (Lutero).

(Hartmann Grisar, Martin Luther – La vie et son oeuvre – 2ª ed. – Ed. P . Lethielleuz – Paris -1931).

Sobre Deus: “Certamente Deus é grande e poderoso, e bom e misericordioso, e tudo quanto se pode imaginar nesse sentido, mas é estúpido” (Lutero).

(Id. Propos de Tables – nº. 963, ed. De Weimar, I , 487).

Sobre Nosso Senhor Jesus Cristo: “Pensais, sem dúvida que o beberrão Cristo tendo bebido demais na última Ceia, aturdiu os discípulos com vã tagarelice?” (Lutero). (Funk Brentano, Martim Lutero, Casa Editora Vecchi – 1956 – pg. 135) “Cristo cometeu adultério pela primeira vez, com a mulher da fonte, de que nos fala S. João. Não se murmurava em torno dele: «Que fez, então com ela?» Depois com Madalena, depois com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer” (Lutero).

(Funk Brentano, Martim Lutero, Casa Editora Vecchi – 1956 – R.J.- Propos de Tables – nº. 1472, ed. De Weimar II.107).

Será que o pároco de S. Bonifácio também não tinha conhecimento algum da vida e da obra de Lutero? Será que ele nunca leu, pelo menos, algumas dessas abomináveis afirmações do fundador do protestantismo?

O senhor me pergunta o que fazer…

Adiantaria mostrar a ele a aberração da recomendação que ele deu aos paroquianos?… Não sei!… A princípio pensei num protesto oficial, assinado pelos paroquianos, aos superiores do pároco, ou à Cúria. Mas, realmente, não sei!

E, enquanto não sei, recomendaria rezar, rezar, e rezar muito para que, o quanto antes possível, a “barca da Igreja volte a se fixar nas colunas da Sagrada Hóstia e na do Coração Imaculado de Maria”, conforme nos disse D. Bosco, trazendo, com ela, se Deus quiser, também o pároco da igreja de S. Bonifácio.

In corde Iesu semper “

Marcelo Fedeli

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