Montfort Associação Cultural

25 de janeiro de 2011

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Papa, pai dos católicos

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Anônimo
  • Localizaçao: Coimbra – Portugal
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

A paz de Nosso Senhor Jesus Cristo esteja convosco.

Professor Orlando Fedeli, não sei se ainda se lembra da minha última carta concernente às últimas palavras de Cristo na cruz (foi já há algum tempo e visto que se corresponde com tanta gente é pouco provável que se lembre e obviamente não lhe levo a mal por isso), mas confesso-lhe ter ficado verdadeiramente comovido com as suas palavras de amizade não só para comigo como para o meu país muito amado (Portugal), e uma vez que me ofereceu a sua amizade tem pois aqui a minha ao seu dispôr. Não vou repetir todos os elogios que anteriormente dirigi à Associação Monfort, especialmente a si, digo-lhe apenas que consulto com assiduidade o site e que lhes tenho a todos grande amizade por defenderem tão firmemente Nosso Senhor Jesus Cristo e a sua Santa Igreja Católica Apostólica Romana, e que se fosse brasileiro (quase que o tive para ser se os comunistas tivessem tomado conta de Portugal durante o 25 de abril de 74 e obrigassem minha família a fugir) vos procuraria para conhecê-los pessoalmente. Ficarei aqui à distância lutando com as minhas armas contra os inimigos de Cristo e a rezar por vocês aí especialmente.

Hoje um Padre aqui em Portugal, aqui estamos em época de eleições, recomendou aos católicos que não votassem nos partido de esquerda que defendem o aborto, a eutanásia, os casamentos homosexuais, etc., logo, logo as televisões, braços armados do diabo, que se dizem tão democráticas e que tudo aceitam menos Jesus e a Igreja Católica, vieram atirar pedras a esse padre e à igreja por quererem manipular opiniões. Se vierem os senhores da esquerda, socialistas e comunistas atacarem a Igreja, aí já não há manipulação e a televisão até ajuda (quando o barco do aborto veio até Portugal violando as nossas leis já não se indignaram). pois eu digo que o que é triste é que tão poucos padres falem contra o comunismo, havendo ainda alguns às vezes que parecem sê-lo. o mesmo problema se passa em relação ao Diabo e ao Inferno. Vou à missa desde que nasci (mesmo quando não acreditava) e não me lembro de alguma vez ter ouvido um padre falar sobre o inferno; e sobre o diabo, quando falam, falam de passagem e quase como se fosse uma personagem mítica.

Na última carta tinha-lhe falado que andei afastado de Cristo (embora fosse à missa) durante muitos anos. Pois quando voltei à comunhão depois desses anos afastado comecei a ver que quase todos comungavam na mão. fiquei estarrecido quando vi tal coisa. é verdade que o Papa o aceita, e se o Papa o aceita eu obviamente aceito-o, mas acho espantoso como as pessoas não se apercebem de quanta arrogância há naquele gesto. e não acuso tanto as pessoas que foram habituadas a comungar assim mas aqueles que tendo sido ensinados a comungar na boca passaram a comungar dessa forma. eu não sei de onde vem esse hábito mas pelo gesto em si a sua história deve ter alguma coisa de insubordinação e rebelião; e qualquer bom católico deveria saber que a rebelião e a insubordinação são o primeiro mal que abre portas a todos os outros males.

no site www.poesie.webnet.fr/, um site de poesia francesa extremamente completo que eu consultava frequentemente decidi procurar o poeta CATÓLICO Paul Claudel, qual não foi o meu espanto quando vi que não havia aí um único poema seu; depois dizem que não há censura e que a cultura e os intelectuais são todos de esquerda. em Portugal conheceço vários poetas de excelente qualidade que também por serem católicos ou de direita foram arredados dos círculos intelectuais (dominados pela esquerda), enquanto o Saramago com os seus livros mal escritos e cheios de mentiras são já estudados no liceu enquanto pensam em retirar o Camões. tudo isto é vergonhoso.

falo destas coisas, gostaria de falar de muitas mais, como alguém que me diz que Jesus era vegetariano e preto, querendo fazer dele um hippizeco, ou aqueles que acham que é aceitável aceitar todas as religiões por mais falsas que sejam, e preferem acreditar nos media e na propaganda em vez de acreditarem na Igreja e no próprio Jesus, e muitas outras coisas, falo disto porque estas coisas me indignam profundamente. às vezes quando discuto com alguém e lhe provo como está enganado, a pessoa mesmo assim, vendo o seu erro, prefere manter-se nele e não consegue mais que repetir como um papagaio os seus ataques a Cristo e à Igreja, tal como se passa aqui no vosso site com algumas pessoas que vos escrevem. é triste ver ao que chegámos. contudo estas coisas tornam-vos a vós da Monfort ainda mais dignos das graças de Deus, e obrigam todos os católicos a serem ainda mais fortes e preseverantes na sua fé, para combater tanto ataque e tanto erro vindo de todo o lado. saibam que têm aqui um amigo que em Cristo luta convosco.

deixe-me só dizer-lhe para acabar, esta carta vai demasiado longa e receio maçá-lo, que fiquei felicíssimo com o sucesso da sua recolha de assinaturas, com a sua visita ao Papa e por poder ver a sua foto junto do Santo Padre (não só porque teve o privilégio de o conhecer – não sei se já o conhecia? – mas porque tive eu a oportunidade de ver como o senhor é; estou certo que muitos mais frequentadores aqui do site o estavam) e permita-me só perguntar-lhe qual é a sensação de conhecer e estar com o Papa pois acho que esse é o desejo de qualquer cristão, pelo menos a mim encher-me-ia de orgulho e felicidade alguma vez conhecer o Papa.

sem lhe tomar mais tempo despeço-me desejando-lhes a todos saúde e muitas graças de Deus para a vossa vida pessoal e sobretudo para a espiritual e no combate a favor de Jesus de Maria e da Igreja Católica que tão fielmente vocês travam. Rezem por mim que eu rezarei por vocês. um abraço especialmente para si meu caro amigo professor Orlando Fedeli.

atenciosamente,
Luís.

Muito prezado  Luis,
Salve Maria.
 
    Alegrou-me receber sua carta. Escreva-me sempre. É bom ter amigos em Portugal!
    Indo eu a Portugal não deixarei de procurá-lo para lhe dar meu abraço amigo.
    Vejo que, graças a Deus, você tem devoção ao Papa, qualquer que ele seja. Porque, tenha ele o nome que tiver, o Papa é sempre Pedro. É sempre o Vigário de Cristo na terra.
    E constato com alegria que você, como eu, gosta de poesia francesa. Ora, juntando devoção ao Papa e gosto pela literatura francesa, pergunto-lhe se você já leu o Le Parfum de Rome, de Louis Veuillot. Na introdução desse livro extraordinário, Veuillot, que foi um grande polemista católico, que tinha sempre o Papa e a gramática a seu favor, conta como foi sua primeira visita ao Papa, que, naquela ocasião era Pio IX.
    Diz Veuillot que, quando ouviu Pio IX chamá-lo de “Figliolo”, ele comprendeu que o mundo já não era órfão, que todos na terra tinham um pai. O Papa foi o pai que Jesus nos deixou a todos nós, católicos.
    Então, ir a Roma e ver o Papa é como ter a alegria de voltar para casa, pois em Roma todo católico está em sua casa, na casa de nosso pai comum.
    Não há quem, só de adentrar a Praça de São Pedro, e de se ver abraçado pela grande colunata de Bernini, que não se comova.     Aquele abraço acolhedor de São Pedro tem um carinho que nos arranca lágrimas.
    O abraço de Pedro!
    Abraço de Pedro eternizado na pedra!
    Depois, ir, passo a passo, por entre as colunas da basílica, visitando aqueles altares, rezando ante aquelas reliquias, compreendendo que séculos de catolicismo estão ali nos contemplando, no sangue dos mártires, no heroísmo dos Papas, nas virtudes dos santos, é quase como adentrar no céu.
    Sim, tive a honra de me ajoelhar diante de Pedro.
    Tive a alegria de lhe dizer que, com a Montfort, lhe prestava, ali, de joelhos, minha homenagem feudal, jurando-lhe obediência e serviço. Tive a honra de ver, Pedro me abençoando. Obtive a graça de ver o Papa, bem doente já, ouvindo minhas palavras e aprovando-as com gestos de cabeça, abençoando nosso trabalho na Montfort. Porque foi a Montfort que estava ali, prostrada ante São Pedro, naquela manhã feliz de Roma. Manhã de graça, de felicidade e de entusiasmo.
   
    Uma coisa você me contou que me deixou clara a decadência de Portugal: como é possível que, em Portugal, se pense em retirar o estudo de Camões dos bancos escolares???
    Isso é um repúdio a toda a História de Portugal.
    Isso é traição à Pàtria!
    Já esquecer da obra de Camões seria um grande crime contra a beleza. Mas, em Portugal, pensar-se em banir Camões dos estudos escolares, é expulsar Portugal de Portugal.
    Já não há mais portugueses, então?
    Sim, que os há, porque em sua carta transparece a indignação e a tristeza com esse banimento da glória lusitana das escolas portuguesas.    
    Mando-lhe pois minha admiração e minha inconformação com isso, para que faça companhia à sua dor e à sua indignação, por essa traição à alma de Portugal, perpretada por esses cultores da feiúra, da vileza, e do horror.
    E como não trairiam a Pátria aqueles que traem a Cristo ao, sem reação maior, consentirem em dar a comunhão na mão, em vez de colocar a hóstia no trono da verdade, que é a língua que Deus nos deu?
    Sim a língua, que é o instrumento da verdade, a língua é traída ao se abandonar ao esquecimento a poesia. 
    A língua, trono da verdade em nós, é traída, quando não se lhe deposita diretamente sobre ela Aquele que é A Verdade.
    Hoje a mão supera a língua, como o fazer supera o pensar e o dizer.
    E quando o fazer material supera o pensamento e a própria Fé, quando a mão sobrepassa a língua e a Verdade, então a violência das mão está proxima a descarregar-se sobre os que traem a Deus e a Verdade, os que trocam a Fé, a Poesia e a Pátria pelo simples fazer.
     Ái da época que coloca a técnica acima do pensar. Ái de quem coloca a ação material acima de Verdade que é Cristo, Deus e homem, Pão que nos desceu dos céus.
     Um abraço triste, mas sempre muito amigo.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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