Montfort Associação Cultural

23 de agosto de 2005

Download PDF

Papa, o doce Cristo na terra

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Luis
  • Localizaçao: Coimbra – Portugal
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

A graça de Deus esteja convosco.

Primeiro deixem-me cumprimentá-los pela magnífica defesa da fé católica que fazem aqui. Hoje em dia é raro encontrar quem com uso de tanta razão e com tanta firmeza defenda a Cristo e à sua Santa Igreja, sem sentimentalismos ridículos nem relativismos absurdos. Quando se defende assim a Cristo é normal ganharem-se muitos inimigos que querem viver “livremente” em pecado sem que nada lhes pese na consciência. O mesmo está a acontecer com o nosso Santo Padre Bento XVI que é atacado sem misericórdia pela mídia. Assim aconteceu com Cristo. Infelizmente para esses inimigos de Cristo as persguições estranhamente (ou talvez não) só fazem aumentar a fé e o número dos fiéis, assim como aumentam os méritos daqueles que as sofrem. Mas quando se defende assim a Cristo e à Sua Santa Igreja também se ganham muitos amigos, entre os quais o primeiro e mais importante é o próprio Cristo, e o último e menos importante sou eu que visito assiduamente o vosso site e fortaleci e aprendi quase tudo o que sei da nossa fé convosco.

Para não vos fazer perder demasiado tempo eis as minhas perguntas:

1º: é certo que no céu como aqui nós seremos corpo e alma; mas em relação ao corpo, como será o nosso corpo? teremos 10 anos, 30 anos, 60 anos, a idade com que morremos? se somos manetas seremos manetas no céu? uma pessoa que perdeu o cabelo terá cabelo ou não? alguém que sofreu um acidente e ficou com cicatrizes ficará com elas? Pegunto-vos isto por mera curiosidade porque é algo que realmente me intriga, porque eu de minha parte preferia ser o mais horrível dos corcundas no céu, que ter uma grande beleza no inferno (como se fosse possível alguém no céu ser feio e no inferno bonito).

2ª: imaginemos: eu morro e vou para o céu. o meu irmão morre e vai para o inferno.
Se no céu, – creio que mais que uma vez o li – , os nossos pais terrestres serão ainda nossos pais, os nossos irmãos nossos irmãos, os nossos cônjugues nossos cônjugues, isto é, se esses laço familiares embora se revistam de uma forma completamente diferente não são destruídos, como posso eu estar perfeitamente no céu, sabendo que o meu irmão está no inferno? Eu sei que o amor a Deus deve suplantar (muito mais no céu) o amor a qualquer criatura, mas mesmo se em relação a um inimigo não desejamos para ele o inferno quanto mais a um familiar, a uma pessoa de quem gostávamos especialmente? como pode qualquer santo viver plenamente o Céu sabendo que há gente que caiu no inferno eternamente, mais ainda se forem entes queridos? não me parece uma hipótese válida supor que Deus apagasse de nós esse conhecimento.

é a terceira vez que vos escrevo, infelizmente da segunda nunca obtive resposta, talvez a mensagem tenha sido mal enviada, ou qualquer coisa. por isso eu deixava, se não fosse abusar do vosso precioso tempo, também esta pergunta ao Prof. Orlando sobre a sua audiência com o Papa João Paulo II antes da sua morte. Gostava só de saber como foi conhecer o Santo Padre (não falo do João Paulo II em particular, mas de qualquer Santo Padre); eu pergunto isto porque eu, como creio a maioria dos católicos, gostaria de conhecer o Santo Padre, representante máximo de Cristo na terra. Infelizmente não é possível que todos tenhamos esse privilégio. Gostaria só de saber como foi. obrigado.

que a Virgem Maria vos proteja a todos e ao trabalho preciosíssimo que vocês fazem com este site.
do outro lado do oceano, mas próximo na fé em Cristo,
Luís Araújo.

Muito prezado Luís,
Salve Maria!
 
     Para mim, é sempre uma alegria receber carta de Portugal. Mas receber uma carta como a sua, carta de um verdadeiro católico, e que me diz coisas tão boas, só podia ma causar uma grande felicidade.
    É um favor de Deus poder ter prova de que a defesa que fazemos da Fé e da Igreja Católica encontra repercussão tão distante. Para quem passou a vida falando para alunos numa pequena sala de aula, conseguindo, pela graça de Deus, fazer grupos de alunos se entregarem a Deus, é uma imensa recompensa poder dar “aulas” pela internet, falando a cerca de 200.000 pessoas. É como se um lavrador percebesse que bem longe, no campo que semeou, nascer uma espiga dourada de trigo, fruto de seu trabalho, pela bênção de Deus. Uma espiga dourada de trigo balouçando ao vento… Em Portugal. Deus seja louvado.
    Pena que não tenha podido responder sua carta anterior. Mas espero que, doravante, tenhamos contato amigo sempre.
    Respondendo a suas questões, digo-lhe sobre a primeira que trata do corpo das pessoas ressuscitadas no céu.
São Tomás trata disso, e afirma que, como no céu Deus nos dará uma felicidade perfeita, os corpos dos bem-aventurados terão que ser perfeitos. Assim, nossos corpos serão ressurectos em idade plena, isto é, sem as imperfeições da infância, e sem as marcas de desgaste da velhice. Portanto, afirma São Tomás, que teremos o corpo adulto em plena pujança, coisa que acontece por volta da idade dos 33 anos, idade em que Cristo morreu. Todos os defeitos físicos serão então eliminados.
    Sobre a segunda questão, a respeito do amor a nossos parentes que porventura sejam condenados, devo dizer-lhe o seguinte:
    Nosso Senhor, no Evangelho, nos diz que quem não odiar seu pai e sua mãe, por causa dele, não seria digno dEle.     
    Evidentemente, isto significa que devemos amar a Deus mais do que a nossos pais.
    Ora, no céu, nosso amor a Deus será completo e perfeito, e teremos na visão beatífica nossa felicidade absoluta. Esta felicidade e o amor a Deus — Bem absoluto — nos darão uma tal felicidade, que todo outro bem — inclusive a estima de nossos parentes — não terão possibilidade de comparação. Por isso, no céu, vendo como os condenados odeiam a Deus, Bem infinito, e amando o Bem infinito plenamente, não teremos nenhuma infelicidade pela perda de bens finitos, bens mínimos, comparados com o Bem infinito.
    Sua terceira questão é sobre a felicidade de ter contato com o Papa — qualquer que seja ele –, como você bem nota.
    Digo-lhe apenas que só uma coisa, na terra, pode superar a felicidade de encontrar Pedro vivo: a recepção da Eucaristia, o receber a Deus vivo na hóstia consagrada, porque só Cristo Deus, na terra, realmente presente nas espécies consagradas, pode superar o encontro com o Papa.
    Santa Catarina dizia que o Papa era o doce Cristo na terra. Nenhum encontro com pessoa viva pode dar maior alegria do que ver, falar e ouvir o Papa.
    Não sei se você já esteve em Roma.
    Ir a Roma, é ir à própria casa. Lá estando, o católico se vê realmente em sua casa verdadeira, na casa do Pai, que Deus nos deu: o Papa.
    Quando se entra na praça de São Pedro, quando nos vemos naquela praça bendita, que carinhosamente nos abraça com sua colunata grandiosa e receptora, quando se vê a Cruz de Cristo triunfante sobre o obelisco do paganismo, então se tem idéia de 2.000 anos de História, sintetizados nas pedras daquele lugar santo. E erguendo os olhos, se pode ver, numa janela, Pedro, o pescador da Galiléia, que Cristo fez o pescador de homens, nos abençoando. Aquela é uma janela para o infinito. E se se tem a graça de ajoelhar diante do Papa, tendo consciência clara do que é o Papa, — doce Cristo na terra — a felicidade obtida, certamente é das maiores que se pode ter na vida terrena. Maior, entrando no céu.
    E você, estando em Portugal, você que tem facilidade de ir até a felicidade de encontrar Portugal resumido na Torre de Belém, indo até lá, dê àquela Torre branca, dê a Portugal o meu preito de veneração admirativa e de amor à glória e à proeza lusitanas. Diga a Portugal, então, que no Brasil há um velho professor que ama, na Torre do Tejo, naquela caravela de pedra, a glória imortal de Portugal. A glória dos filhos de Dom Afonso Henriques, do qual quero ser vassalo fiel.
 
In Corde Jesu, semper, 
Orlando Fedeli

TAGS

Publicações relacionadas

Cadernos de Estudo: Monsenhor Lefebvre e a Sé Romana – Parte II - Orlando Fedeli

Artigos Montfort: A CNBB, o Papa e sua visita ao Brasil

Artigos Montfort: Pe. Tenório: Tu és Pedro! (Rumo a Assis)

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais