Montfort Associação Cultural

20 de novembro de 2005

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Papa Bento XVI convida a manter vivo o espírito do Concílio Vaticano II

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Leandro Martins de Jesus
  • Localizaçao: Itapetinga – BA – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Militar
  • Religião: Católica

CARO DR. ORLANDO FEDELI, O QUE DIZER DAS NOTÍCIAS E PALAVRAS DO SANTO PADRE TRANSCRITAS ABAIXO SOBRE O C.V. II? COMO DUVIDAR DA AUTORIDADE CO CONCÍLIO???

Atenciosamente,

Leandro M. de Jesus
Itapetinga-Ba.
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Papa convida a manter vivo o espírito do Concílio Vaticano II
Ao recordar os quarenta anos de seu encerramento

CIDADE DO VATICANO, domingo, 30 de outubro de 2005 (ZENIT.org).- Ao recordar os quarenta anos do encerramento do Concílio Vaticano II, Bento XVI pediu este domingo aos mais de um bilhão de católicos do mundo que mantenham vivo o espírito do Concílio.

Segundo o Papa, a herança daquela assembléia ecumênica é decisiva para «contribuir a instaurar no mundo essa fraternidade universal que responde à vontade de Deus sobre o homem, criado à imagem de Deus».

O Santo Padre junto a toda a Igreja está se preparando para celebrar em 8 de dezembro as quatro décadas do encerramento do Concílio, acontecimento que havia começado três anos antes por convocação do Papa João XXIII.

Escutavam o Papa, que falava desde seu apartamento, milhares de peregrinos que enchiam o espaço abraçado pelas colunas de Bernini, acariciados por um estupendo sol.

Em sua intervenção por ocasião do Ângelus, quis centrar-se em duas heranças decisivas deixadas por aquele acontecimento que mudaria a vida da Igreja e, em parte, a da humanidade: a importância atribuída à educação e à promoção da liberdade religiosa.

Mencionando a declaração «Gravissimum educationis», firmada pelo Papa Paulo VI e os padres conciliares, recordou que o Concílio atribuiu uma «máxima importância» a esta tarefa, tanto para a vida do homem como para o progresso social.

«Também hoje, na época da comunicação global, a comunidade eclesial experimenta a importância de um sistema educativo que reconheça a primazia do homem como pessoa aberta à verdade e ao bem», constatou.

Segundo aqueles ensinamentos magistrais, seguiu declarando, «os primeiros e principais educadores são os pais, ajudados, segundo o princípio de subsidiariedade pela sociedade civil».

Ao mesmo tempo, seguiu assinalando, a Igreja também sente que «tem uma especial responsabilidade educativa», pois Jesus «lhe confiou a tarefa de anunciar “o caminho da vida”».

E a Igreja cumpre esta missão de diferentes maneiras, explicou: «na família, na paróquia, através de associações, movimentos e grupos de formação e de compromisso evangélico e, de maneira específica, nas escolas, nos institutos de estudos superiores e nas universidades».

A outra grande herança comentada este domingo pelo Papa é a recolhida pela declaração «Nostra Aetate», dedicada «à atitude da comunidade eclesial ante as religiões não-cristãs».

«Baseando-se no princípio segundo o qual “todos os povos formam uma comunidade” e pelo qual a Igreja tem a missão “de fundamentar a unidade e a caridade” entre os povos, o Concílio “não rejeita nada do que há de santo e verdadeiro” nas demais religiões e anuncia a todos Cristo, “caminho, verdade e vida», em quem os homens encontram a «plenitude da vida religiosa”», explicou.

Deste modo, seguiu declarando, o Vaticano II propôs algumas verdades fundamentais, como «o vínculo especial que une os cristãos com os judeus», «sua estima pelos muçulmanos e pelos seguidores das demais religiões» e confirmou «o espírito de fraternidade universal que proíbe toda discriminação ou perseguição religiosa».

O Papa concluiu convidando os cristãos a voltar a ler estes documentos conciliares e a rezar para que se mantenha vivo o espírito do Vaticano II.

ZP05103003

Bento XVI recolhe aspectos centrais da herança do Concílio Vaticano II
Quarenta anos depois de seu encerramento

CIDADE DO VATICANO, domingo, 30 de outubro de 2005 (ZENIT.org).- Publicamos a intervenção que Bento XVI pronunciou este domingo ao meio-dia ao rezar o Ângelus desde a janela de seu apartamento junto a milhares de peregrinos congregados na praça de São Pedro, no Vaticano.
* * *

Queridos irmãos e irmãs!

Há quarenta anos, em 28 de outubro de 1965, celebrou-se a sétima sessão do Concílio Ecumênico Vaticano II. Seguiu-lhe uma rápida sucessão de outras três, e a última, em 8 de dezembro, marcou o encerramento do Concílio. Na fase final daquele acontecimento histórico eclesial, que havia começado três anos antes, aprovou-se a maior parte dos documentos conciliares. Alguns deles são mais conhecidos e se citam com freqüência; outros não são tão conhecidos, mas todos merecem ser recordados, pois conservam seu valor e revelam uma atualidade que, em certo sentido, inclusive aumentou. Hoje quero recordar os cinco documentos que o servo de Deus, o Papa Paulo VI, e os padres conciliares firmaram aquele 28 de outubro de 1965. Trata-se do decreto «Christus Dominus», sobre o ministério pastoral dos bispos; o decreto «Perfectae caritatis», sobre a renovação da vida religiosa; o decreto «Optatam totius», sobre a formação sacerdotal; a declaração «Gravissimum educationis», sobre a educação cristã e, por último, a declaração «Nostra Aetate», sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs.

Os temas da formação dos sacerdotes, da vida consagrada e do ministério episcopal foram objeto de três assembléias ordinárias do Sínodo dos Bispos, celebradas respectivamente em 1990, em 1995 e em 2001. Retomaram e aprofundaram amplamente os ensinamentos do Vaticano II, como testemunham as exortações apostólicas pós-sinodais de meu amado predecessor, o servo de Deus João Paulo II, «Pastores dabo vobis», «Vita consecrata» e «Pastores Gregis». É menos conhecido, contudo, o documento sobre a educação. Desde sempre a Igreja está comprometida na educação da juventude, à qual o Concílio atribui uma «máxima importância», tanto para a vida do homem como para o progresso social (Cf. declaração «Gravissimum educationis», Proemio). Também hoje, na época da comunicação global, a comunidade eclesial experimenta a importância de um sistema educativo que reconheça a primazia do homem como pessoa aberta à verdade e ao bem. Os primeiros e principais educadores são os pais, ajudados, segundo o princípio de subsidiariedade pela sociedade civil (cf n. 3). A Igreja, a quem Cristo confiou a tarefa de anunciar «o caminho da vida», (Cf. ibidem) sente que tem uma especial responsabilidade, movimentos e grupos de formação e de compromisso evangélico e, de maneira específica, nas escolas, nos institutos de estudo superiores e nas universidades (Cf. 5-12).

A declaração «Nostra Aetate» também é de grandiosa atualidade, pois afeta a atitude da comunidade eclesial ante as religiões cristãs. Baseando-se no princípio segundo o qual «todos os povos formam uma comunidade» e pelo qual a Igreja tem a missão «de fundamentar a unidade e a caridade» entre os povos (n. 1), o Concílio «não rejeita nada do que há de santo e verdadeiro» nas demais religiões e anuncia a todos Cristo, «caminho, verdade e vida», em quem os homens encontram a «plenitude da vida religiosa» (n. 2). Com a declaração «Nostra Aetate», os padres do Vaticano II propuseram algumas verdades fundamentais: recordaram com clareza o vínculo especial que une os cristãos com os judeus (n. 4), confirmaram sua estima pelos muçulmanos (n. 3) e pelos seguidores das demais religiões (n. 2) e confirmaram o espírito de fraternidade universal que proíbe toda discriminação ou perseguição religiosa (n. 5).

Queridos irmãos e irmãs, enquanto vos convido a voltar a tomar em vossas mãos estes documentos, exorto-vos a rezar comigo à Virgem Maria para que ajude todos os crentes em Cristo a ter sempre vivo o espírito do Concílio Vaticano II para contribuir a instaurar no mundo essa fraternidade universal que responde à vontade de Deus sobre o homem, criado à imagem de Deus.

[Ao final do Ângelus, o Papa dirigiu esta mensagem:]

Como todos sabemos, em 8 de outubro passado um forte terremoto golpeou a região de Caxemira, especialmente na zona paquistanesa, provocando a morte de mais de cinqüenta mil pessoas e ingentes danos. Também neste caso foram numerosas as formas de solidariedade, mas a necessidade parece maior que as ajudas oferecidas até agora. Renovo, portanto, meu apelo à comunidade internacional para que se multipliquem os esforços em apoio destas populações que tanto sofreram.

[Traduzido por Zenit]

ZP05103001

Muito prezado Leandro,
salve Maria!
 
    A autoridade de um documento da Igreja provém do modo como a autoridade eclesiástica o emite.
    Se a Igreja através do Papa ou de um Concílio aprovado solenemente pelo Papa enuncia um ensinamento ex cathedra, sobre Fé ou Moral, esse ensinamento é infalível, e os fiéis tem obrigação absoluta de aceitá-lo como infalível e com Fé divina.     Se não o aceitam estarão excomungados por heresia.
     Se a Igreja ensina algo que ela sempre ensinou, sobre Fé ou Moral, para todos os fiéis, mesmo que seja em seu Magistério Ordinário, também esse ensinamento é infalível e deve ser aceito com Fé divina.
     Se o ensinamento do Magistério Ordinário é apresentado não de modo infalível, mas como doutrina praticamente certa ou certa deve-se dar a ele uma Fé eclesiática.
    Mas se o ensinamento é apenas pastoral — diferente do Magistério Ordinário — então ele não é obrigatório.
    O chamado ensinamento pastoral assumido pelo Vaticano II não foi dogmático. O próprio Papa Paulo VI declarou isso.
    O ensinamento pastoral do Concílio Vaticano II foi proposto não é imposto. Por isso, ele nem pertence ao Magistério Ordinário, mesmo falível, porque é um ensinamento meramente proposto pastoralmente.
    Ora, quando um mestre propõe algo mas não o impõe, esse ensinamento não é certo e não exige adesão alguma.
    Se um professor ensina que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos, ele impõe isso aos alunos como verdade, e os alunos não tem liberdade para recusar essa verdade. Mas se o porfessor propõe apenas algo como uma sugestão ou um conselho, nenhum aluno está obrigado a aceitar isso.
    Você me manda um simples discurso de Bento XVI, e pensa que ele é dogmático.
    Isso é um absurdo.
    O Papa quando discursa, só afirma algo infalivelmente, quando expressamente diz que seu pronunciamneto, nesse discurso, implica um ensinamento infalível.
    Ora, Bento XVI não declarou de modo nenhum que nesse discurso ele falava infalivelmente.
    E como nesse discurso ele disse coisas que contrariam o que sempre foi ensinado pela Igreja, esse discurso não exige dos fiéis adesão com Fé divina, e nem mesmo  eclesiástica. O fiel é livre de aceitar ou não esse discurso — respeitando, é claro, o Papa — mas fica livre de respeitosamente discordar do que ele disse num simples discurso.
    Por exemplo, no discurso de Bento XVI que você me manda ele diz que a Igreja quer “contribuir a instaurar no mundo essa fraternidade universal”.
    Contribuir é livre.
    E a Fraternidade Universal não pode existir sem que todos aceitem a filiação do mesmo pai. Só existe Fraternidade entre os filhos de Deus. Uma fraternidade universal — de todos os homens — sem que todos aceitem a Deus como Pai, é impossível.
    É a maçonaria que deseja a fraternidade universal sem admitir Deus como Pai.
    Outro exemplo. A igreja sempre condenou a liberdade de religião. Ora, se no Concílio Vaticano II se defendeu a liberdade de religião, isso vai contra o Magistério da Igreja, quer contra o Magistério ex cathedra infalível, quer contra o Magistério Ordinário infalível, porque sempre, mesmo no Magistério Ordinário, a Igreja sempre condenou a liberdade de religião. Logo, a defesa da liberdade de religião é proposta errada do Vaticano II, e não se deve, e nem se pode, aceitá-la.
    Mais outro exemplo desse simples discurso falível do Papa: a tese de que “a comunidade eclesial experimenta a importância de um sistema educativo que reconheça a primazia do homem como pessoa aberta à verdade e ao bem” contraria o que a Igreja sempre ensinou de que a educação tem como primeiro objetivo conduzir o homem a Deus. Só Deus tem a primazia na educação. Uma educação que não tenha a Deus como primeiro princípio e como primeiro valor não é católica. Colocar o homem como primazia na educação, sem haver referência a Deus, é antropocentrismo. E a Igreja é teocêntrica. Mas infelizmente, o Vaticano II foi antropocêntrico, e, por isso mesmo, errou em sua pastoralidade.
    E como escreveu Dante; “più non dicco, e piú non ti rispondo“.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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