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8 de janeiro de 2016

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Papa Alexandre VI

Autor: André Melo

Enviada em: 07/07/2011
Nome: Luis Eduardo Almeida
Religião: Espírita
Profissão: Advogado
Local: São Paulo – SPBrasil
Mensagem:

Os Senhores podem afirmar que o Papa Alexandre VI é sucessor de sao Pedro e representante de jesus Cristo na terra?

Resposta:
Data:  06/01/2016
Prezado Dr. Luis, salve Maria!
 
     Você nos pergunta se Alexandre VI foi realmente Papa, sucessor de São Pedro, representante de Cristo e chefe da Igreja. No fundo sua questão quer saber se no período em que ele reinou – entre 1492 e 1503 – a Sede de Pedro estava vazia. Se um Papa deixa de ser Papa quando dá escândalo. 
 
     Respondo com muito gosto à sua pergunta.
 
     É evidente que Alexandre VI foi Papa. Ele foi validamente eleito pelo colégio de cardeais.
 
     O fato desse Papa, lamentavelmente e contrariando a Lei de Deus e da Igreja, ter causado escândalo com sua conduta pessoal não provoca sua deposição. O Papa é o chefe da Igreja. Se ele, porém, faz algo contra aquilo que a própria Igreja ensina, nisso os católicos não devem segui-lo. Mas, tal não o faz deixar de ser Papa. Do contrário, poderíamos dizer que todo pecado mortal faz o Papa deixar de ser Papa, o que seria uma espécie de donatismo₁.
 
     Dou-lhe um exemplo. Imagine um pai que, sendo ladrão, queira ensinar o filho a roubar, chegando mesmo a ordenar que o filho pratique roubos. Nisso o filho está obrigado a resistir-lhe. Mas, nem por isso tal pessoa deixa de ser seu pai. E as obrigações trazidas pelo 4º Mandamento permanecem válidas, integralmente.
 
     O Papa é o representante de Cristo na Terra. O “doce Cristo na terra” nas palavras de Santa Catarina de Siena. Isso não significa que ele seja “impecável”. São Pedro, o primeiro Papa, negou Cristo. E por três vezes. Mas, nem por isso deixou de ser Papa.
 
     No domingo da ressurreição, São João, sendo mais moço e correndo mais, chegou antes mas, não entrou no sepulcro. Esperou São Pedro – que há apenas três dias havia negado Cristo sob os olhos do mesmo São João – para que o Papa fosse o primeiro a entrar no sepulcro vazio (Jo 20, 2-8). O Evangelho e os Atos dos Apóstolos estão repletos de deferência para com São Pedro, mesmo após a tripla negação.
 
     O Papa, por ser pai de todos os cristãos, tem maior responsabilidade em dar bom exemplo. Deus lhe pedirá severas contas em seu juízo particular. No entanto, isso não nos dá o direito de julgar o Papa ou destituí-lo. Só um outro Papa pode julgar um Papa. Nem um concílio pode julgar o Papa ou depô-lo. Se tal o fizesse, incorreria no erro do conciliarismo , avô da colegialidade triunfante no Concílio Vaticano II.
 
     Todo católico deve submissão filial ao Santo Padre. Se o Papa faz algo digno de reprovação, o que devemos fazer primeiramente é rezar e, se há uma oportunidade de real cooperação para solução do problema, procurar alguém, uma autoridade, que possa ajudar na solução. Atacar publicamente o Papa, na grande maioria das vezes, não coopera na solução.
 
     Espero ter esclarecido sua dúvida.
 
     Rezemos pelo Papa.
 
In Corde Iesu,
André Melo
 
 Donatismo: heresia pregada no séc. IV por Donato, bispo de Cartago, que dizia serem inválidos os sacramentos administrados por um sacerdote em pecado mortal.
 O Conciliarismo foi condenado pelo Papa Martinho V (1417-1431).

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