Montfort Associação Cultural

5 de outubro de 2005

Download PDF

Padres sem graça

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Evandro
  • Localizaçao: Jijoca de Jericoacoara – CE – Brasil
  • Religião: Católica

A todos da Montfort, minhas cordiais saudações!

Antes de mais nada, venho vos parabenizar pelo seu serviço de verdadadeira evangelização.
Quero fazer um comentário e peço que tirem uma dúvida que tenho. Li, recentemente, a transcrição de um texto do Pe. Zezinho sobre ecumenismo, comparando as igrejas com as mães. Ora, isso não tem cabimento, pois ser mãe é uma coisa, ser igreja é outra! Esse discurso ecumênico é totalmente supérfluo, não teve, até hoje, nenhum sucesso. Ou teve? Só para ver como as coisas mudaram: minha mãe tem em casa um livrinho (da década de 50) que ela ganhou quando era criança, o seu nome é “O Pequeno Missionário”, e ele diz claramente que uma das portas do inferno é o protestantismo, chegando a afirmar que Lutero era um homem que vivia na crápula e na orgia. Depois do Vaticano II, alguém fez semelhante acusação? Vivemos numa sociedade de meias verdades, toda lisonjeira. Até para alguns grupos católicos, Martinho Lutero é um herói!

O pe. Zezinho que me perdoe, mas essa conversa de diálogo religioso é uma barco furado, e seus escritos chegam a ser irritantes! Não quero uma religião adocicada, quero uma Igreja que seja luz do mundo e SAL da terra, como o Senhor ordenou! Açúcar demais faz mal!
Outro pe. modernoso é o padre Fábio de Melo, que é da mesma congregação do pequeno Zé. Ele é todo “estiloso”, só usa roupas da moda, é bonitão, nas capas de seus discos só aparece em poses fotogênicas, tipo “galã de cinema”. É o típico “metrossexual”, como são chamados os homens modernos, sem nenhum receio de serem vaidosos, cuidando da aparência! Certa vez, questionado por um telespectador, em seu programa na Canção Nova, por que não usava batina no seu cotidiano, o jovem sacerdote respondeu tranqüilamente que, usando roupas normais, não era tão assediado pelas mulheres da mesma forma que se estivesse de batina. Das duas uma: ou ele é fraco demais na sua vocação, ou tem vergonha de dizer que é padre! Dizia ele ainda, em outra oportunidade, que evangeliza até na academia que ele freqüenta!

“Issa! Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa!”, dizia um famoso bordão humorístico. Agora tudo é fashion, tudo é light, tudo é diet! Quando não é o pequeno Zé com seu discurso cheio de ternura e com bastante açúcar, vem o modernoso Fábio, com tudo dietético, bombado e musculoso!

Outro, que por coincidência, é da mesma ordem do pequeno Zé e do Melo, é o pe. Léo. Já viu seus sermões? Mais parece o finado Ronald Golias contando piada! E falando em humorista morto, “puxa vida”, onde estão os superiores do pe. Antônio Maria? Como gosta de aparecer na mídia! O amigo do Roberto Carlos, do Ronaldo “fenômeno”, e de tantos outros, encomendando a alma do Golias! Que feio! Uma pessoa que era “espiritualista” declarada, sendo chorada por um sacerdote católico?

A dúvida que quero tirar, é justamente sobre a congregação dos dehonianos, da qual saíram padres da estirpe (para não dizer outra coisa) do pequeno Zé, do Meloso e do Leléo. Quem foi o Pe. João Dehon? Qual era a sua espiritualidade? Era ele também um modernista?

Agradeço desde já o vosso retorno.

In Corde Iesu, semper!

E.

Muito prezado Evandro,
salve Maria!
 
    Que alegria ao ler sua carta! Ela me despertou saudades do Ceará — E que boas saudades! — tanto ela transpira a capacidade de observção e de crítica cearense! Tanto ela faz ver a vivacidade do povo desse Estado!
    Ela me trouxe à mente alguns estudantes do Crato aos quais dei aula, um dia só, e que eram vivíssimos.
    
    Suas críticas ao ecumênico Padre Zezinho, ao “elegante” Padre Melo, e ao humorista Padre Léo são muito procedentes.
    Infelizmente nunca li sobre a vida do padre Dehon, que pode ter sido muito bom. Outra coisa são esses padres dehonianos de hoje.
    Em todas as congregaçõe e ordens religiosas fundadas por grandes santos, hoje, se encontram padres escandalosos.
 
    Que diria Santo Inácio dos jesuítas comunistas de hoje em dia.
    Que diria São Domingos do semi frei Betto?
    Que diria São Francisco de Dom Arns do ex frei Boff? E de Dom Lorscheider?
    E Dom Bosco como choraria vendo o que são hoje os padres salesianos!
 
    A culpa de existirem esses padres sem graça (de Deus) é do Modernismo do Concílio Vaticano II. É culpa da Nova Missa que Bento XVI em boa hora quer reformar.
    Foi essa Nova Missa que formou esses novos sacerdotes de show-missa
 
    Escreva-me sempre. E com o bom homor cearense.
    Para me matar a sede que me ficou do Ceará.
    Para me aplacar a sede de justiça contra padres que dão tão maus exemplos.   
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

Replica

Queridos amigos da Montfort, cordiais saudações!

Venho novamente a vocês, agradecendo por terem dispensado uma parte do seu precioso espaço para publicar as minhas humildes palavras, especialmente ao caríssimo Prof. Orlando. Foi com a maior satisfação que vi minha carta publicada e a resposta que me enviaram.
Apesar de morar no Ceará, e ser filho de pais cearenses, sou paulista de nascimento e, com certeza, não me esqueço da famosa garoa e do clima da capital de São Paulo, apesar da terrível poluição que infesta o ar.
Se vocês me permitirem, venho testemunhar algumas coisas que marcaram a diocese à qual pertencia, São Miguel Paulista.

Antigamente, a atual diocese era uma região episcopal da Arquidiocese de São Paulo. Na década de 80 o bispo auxiliar era D. Angélico Sândalo Bernardino. Eram tempos de D. Arns, com seu discurso altamente politizado e escancaradamente esquerdista.
A paróquia à qual pertencia não poderia ser diferente, e mesmo eu sendo criança, era notório o discurso politiqueiro e tendencioso, por parte de alguns membros do conselho paroquial, seja nas reuniões, até mesmo nas celebrações (quando o padre não estava) e na catequese.
Os progressistas estavam de vento em popa, até que, em 1989, o Papa João Paulo II, numa canetada certeira, acabou por desmembrar a Arquidiocese, em outras Dioceses autônomas, entre elas a de São Miguel. Tinha eu onze anos de idade, mas não me esqueço do empenho que alguns dos paroquianos (travestidos descaradamente em cabos eleitorais do “home”), em fazer as pessoas votarem no PT. Dom Paulo E. Arns nunca perdoou Sua Santidade por este ato, que foi doloroso sim, mas que se fazia por demais necessário.
Saiu D. Angélico, entrou D. Fernando Legal, salesiano, que acabou com a farra dos esquerdistas. Ainda hoje, muitos daqueles padres se ressentem do bispo, que não foi nada “legal” com eles. Inclusive um deles, ao visitar a minha paróquia, num encontro para jovens, em 1997, declarou, durante a Missa, que a Igreja deveria rever os seus conceitos, e que era favorável sim, à ordenação sacerdotal das mulheres, acusando a Cúria Romana de “machista e retrógrada”.
O resultado deste discurso “político”? Uma brutal queda na qualidade dos fiéis, além de uma debandada de outros fiéis para as seitas. Pessoas que se cansaram de ouvir falar só de política, elites, etc..

Outra coisa que marcou foi o avanço da RCC. Me lembro que, no mesmo ano de 1997, em um grupo de oração que se reunia semanalmente, o palestrante andou ministrando “curas”. Foi um impacto tão grande, uma repercussão tão negativa, que o então pároco ordenou que se parassem com aqueles exageros, sob pena de as reuniões serem proibidas. Além disso, mandou que se afixassem nas paredes da igreja dois quadros com os seguintes dizeres: “O PADRE DESTA PARÓQUIA NÃO FAZ MILAGRES”.

Portanto, que a Igreja se faça mais próxima da sã doutrina ensinada pelos Apóstolos, que deixe de lado o homem, e se volte urgentemente para Deus! Que o Divino Espírito Santo abençoe S. S. o Papa Bento XVI nesta verdadeira cruzada contra estes ventos de doutrina, que infestaram a Igreja com as janelas escancaradas pelo Vaticano II.
Que se acabe com essas aventuras ecumênicas! Basta dessa libertinagem moral e espiritual, essa “ditadura do relativismo” tão bem denunciada pelo Papa.

A todos da Montfort, minhas saudações e minhas orações.
“In Corde Jesu, semper”!

Muito prezado Evandro,

salve Maria !
 
    Mais uma vez tenho que lhe agradecer. Esta sua carta também faz uma descrição perfeita dos males que o Concílio Vaticano II permitu na vida paroquial, quer através da demagogia marxista da Teologia da Libertação, quer através do misticismo do absurdo. Gosteu muito do cartaz do padre avisando que não fazia milagres.
    Peço-lhe que nos escreva sempre pois suas observaçoes e criticas são muito objetivas e pertinentes. E seu estilo bem cearense.
    Mantenhamos contato.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

TAGS

Publicações relacionadas

Cartas: Beatificação de Anna Katherine Emmerich - Orlando Fedeli

Cartas: Defesa ao Monge Marcelo Barros - Orlando Fedeli

Cartas: Mais um absurdo de Leonardo Boff - Orlando Fedeli

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais