Montfort Associação Cultural

26 de agosto de 2004

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Padres cantores

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Maria Célia
  • Idade: 35
  • Localizaçao: São Bento do Sul – SC – Brasil
  • Religião: Católica

Sr. Orlando Fedeli

A pouco tempo atrás presenciei uma missa realizada pelo Padre Antônio Maria, e vi na TV seu programa. Fico muito confusa com estes padres cantores, eles me parecem ótimas pessoas, mas ao mesmo tempo presenciando suas atitudes me parecem estar errados. Sinceramente qual sua opinião sobre ele e também outros como o Padre Marcelo.

Por favor, me ajude a ver o correto.

Grata pela sua atenção.

Muito prezada Maria Célia, salve Maria!

Você me pediu que opinião faço desses padres “one show man”, e especificamente de um que se chama Antonio Maria. Deste último, nem sequer ouvi falar, porque, graças a Deus, não tenho, nem vejo televisão. E se ele é um astro de TV, temo que ele seja proporcionado a esse instrumento de barbarização que é, “cette boîte aux sots” — [essa caixa para os tolos] — como os franceses chamam a TV.

Vou procurar me informar sobre o que escreve esse Padre, de como é o show dele, e quais são as canções que ele canta, para dar uma opinião pessoal sobre ele, e sobre o trabalho dele.

Falo, agora, genericamente sobre o problema que você me coloca.

A Missa é a renovação do sacrifício do Calvário. Na Missa, Cristo morre misticamente, renovando-se, atualizando-se o sacrifício da Cruz.

Transformar esse ato divino em show se constitui em verdadeira profanação, porque se misturam coisas sagradas com coisas profanas.

Graças a Deus jamais assisti a essas missas de padres que buscam mais atrair a atenção sobre si, do que levar o povo a Cristo, e as almas para o céu.

Eles pretendem trazer de volta o povo, que fugiu das igrejas depois do Vaticano II. Eles querem atrair as almas fazendo imitações de shows de TV, e imitando a demagogia de pastores heréticos. Tudo isso demonstra que eles perderam a noção da verdadeira Fé. Eles esqueceram o que Cristo disse: “Quando eu for levantado [na Cruz], atrairei tudo a mim”. Eles esquecem que um sacerdote só pode atrair se viver o cristianismo na oração e na penitência.

Esses pobres padres cantores esqueceram, ou recusam entender, o que disse Jesus;

“Se alguém quiser vir após Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” ( Luc IX, 23).

É falando da cruz que se atraem as almas. A alma humana — a alma de qualquer pessoa — é algo inestimável, tanto que Cristo morreria por uma só delas. As almas somente são verdadeiramente atraídas — mesmo as almas mais miseráveis e perdidas — só pela graça de Deus, pelo sacrifício por amor.

Esses padres julgam que a cruz, o sofrimento suportado por amor a Deus, afasta o povo, quando é exatamente o oposto: é a cruz e o heroísmo que atraem. Eles julgam que as almas são como as moscas e não como as águias. Eles querem atrair as pessoas com melaço, e só captam moscas, que logo abandonam o pires de romantismo e de sensualismo, que lhes oferecem em musiquinhas ridículas, para procurar vasos piores, porque as moscas, depois do melaço, voam para aos monturos de lixo.

As almas — repito — são como águias, e não como moscas. E Jesus nos disse:

“Onde está o corpo, lá estarão as águias” (MT XXIV, 28 ).

Onde for levantado o corpo de Cristo com Fé, lá se reunirão as águias.

Trouxeram-me para ouvir algumas canções desses padres, e não agüentei ouvi-las, de tal maneira as canções eram de nível baixíssimo, mesmo do ponto de vista cultural. E ainda que fossem obras primas artísticas não se poderiam colocá-las nas Missas.

São Pio X proibira tocar músicas de Haydn, Mozart e Bach, nas cerimônias litúrgicas, que dirá as esteticamente miseráveis cançonetas desses padres que ignoram tudo, desde a estética até a liturgia?

Por que, se não ignoram, a culpa deles é bem maior.

Fuja pois desses padres cantores e dessas missas show, que isso não leva para Deus.

Agradecendo a sua confiança, subscrevo-me

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

PS. Estava concluindo esta carta, quando recebi a visita de dois seminaristas, e perguntei a eles se sabiam algo desse Padre Antonio Maria. Eles sabiam pouco dele. Apenas me disseram que ele era uma espécie de imitador ou pretenso “tep” do Padre Marcelo Rossi, de triste fama, e que ele compôs uma paródia, para uma canção carnavalesca — pelo menos entendi assim — intitulada O CARNAVAL DE JESUS, cujo refrão diria:

“VAI SACUDIR, VAI ABALAR, QUANDO O MEU JESUS PASSAR”.

Quando Jesus passou, carregando a Cruz, não “sacudiu”: ou causou a conversão com lágrimas, ou causou o ódio dos maus. Tomara que quando Jesus passar por esse padre o faça ver, afinal, que Jesus e carnaval não rimam, nem podem estar juntos no mesmo verso, e nem na mesma religião.

In corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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