Montfort Associação Cultural

5 de abril de 2005

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Padre não acredita na existência do Demônio

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Vagner
  • Idade: 30
  • Localizaçao: Amparo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Profissão: Adm. Redes Computador
  • Religião: Católica

Caro professor Orlando,
A paz de jesus.

Sei que no site montfort existem varias paginas refentes a este assunto, mas o que me fez lhe enviar esta questão foi a resposta que recebi de um padre sobre a questão da existencia ou não do anjo caido, satanás.
Tenho um amigo “católico” que duvida da existencia deste ser e a algum tempo tento convencê-lo a acreditar que ele existe, mas meus argumentos acabaram. Sou um leitor de alguns sites ,inclusive o montfort, sobre assuntos da igreja , mas somente um leitor , minha ignorancia é enorme nesta area. Sou católico acredito em Deus, Jesus, no Espirito Santo, em Maria Santissima, na intercessão dos Santos e nos anjos de Deus, mas também acredito que satanás exista, acreditar na existencia dele não quer dizer que eu viva fazendo tudo corretamente temendo qualquer tipo de ação maligan deste ser , pois tenho conhecimento de que Deus é o criador dele e que Deus é maior , muito maior que este ser que ja foi derrotado e que persegue a descendencia de Maria mãe do meu , do nosso Senhor Jesus. Minha inquietação com esta questão esta na resposta que este meu amigo me enviou de um padre sobre este assunto que copio abaixo.

Por favor professor, me esclaressa esta duvida e mais as que vou descrever abaixo,e por favor não poupe palavras, não me importa a quantidade de informação nas respostas estou me sentido como um esponja sobre a agua neste assunto.

O demonio existe ?

Se existe qual sua finalidade ?

No que importa que eu acredite na existencia deste ser ?

Qual a diferença se eu acredito ou não na existencia dele?

Muito obrigado pelo espaço sedido pelo sr. neste belissimo site, e muito obrigado desde ja pela edificante resposta que ,com certeza me será enviada.

Um grande abraço.

- Carta do padre católico respondendo a questão da existência do demonio –

“Prezado leitor irmão, ficamos felizes por estarmos ajudando-o com nossos boletins diários e agradecemos a sua pergunta.

Filho você coloca um questão intrincada sobre a existência ou não do nomeado diabo, satanás, lúcifer e outros nomes que a cultura religiosa foi atribuindo à figura do mal. Temos que deixar claro que figura dos demônios e outras coisas desde gênero são muito antigas do ser humano. Muito antes do filho de Deus passar pela terra muitas outras culturas já disseminavam esta idéia para diversos fins.

Você esta correto quando diz que o diabo não existe, já é tão difícil para nós padres fazer nossos irmãos acreditarem em Deus imagine se tivéssemos que faze-los acreditarem também no diabo.
Entretanto, você deve ter muito cuidado quando defende a tese contrária em face deste seu amigo. Se este seu amigo esta ajudando ao próximo, em principio, não há nenhum perigo, Jesus deixa muito claro que se alguém esta ajudando não interessa em nome de quem esta falando e sim à ajuda ao próximo. Não podemos negar a ajuda de um amigo só porque suas ideologias são diversas da nossa.

Os pensadores antigos da igreja dizem que o satanás existe mas entenda filho a razão: Para alguns a única forma da vida fazer sentido seria acreditando nesta figura mal, caso contrário eles não conseguiriam viver. Imagine dizer para ser humilde de poucas capacidades intelectuais que o diabo não existe, a pessoa poderia nunca mais acreditar na igreja e colocar tudo a se perder. Estas pessoas confundem o temor de Deus com o medo do diabo, concordo que a diferencia é muito tênue. Assim, somente por isso, em alguns casos, diz a igreja que o diabo existe. Eu particularmente não concordo, mas também sei que seria difícil atrair irmãos, principalmente as crianças e os velhos ao cristianismo sem esta alegação.

Veja só que absurdo filho até o Pai Nosso que se conserva na liturgia tem graves erros, que seria bom corrigir.

A primeira novidade desta oração é que Jesus nos convida a dirigir-nos a Deus como a um pai e que anunciamos aos quatro ventos esse nome novo de Deus (“proclame-se esse teu nome”). O texto da oração que rezamos diz “santificado seja teu nome”, expressão cujo significado é difícil de determinar. A esse Pai Deus pedimos que venha o seu reino, ou, o que é igual, que reine sobre nós e sobre a comunidade cristã na qual não devem reinar outros senhores. A tradução que rezamos diz “venha a nós teu reino”, expressão que deu lugar à imaginação de que um dia virá sobre nós o reino de Deus, como se se tratasse de uma realidade sobreposta ao nosso mundo. A oração que rezamos prossegue: “Nosso pão de cada dia dá-nos hoje”, separando-se também da tradução correta do texto grego que diz nosso pão da manhã dá-nos a cada dia, isto é, que o banquete anunciado para os tempos messiânicos pelos profetas se faça realidade na comunidade presente, que celebra a eucaristia.

Aqueles que comem juntos como irmãos e celebram a eucaristia devem demonstrá-lo no perdão fraterno, como garantia e prova do perdão que recebemos de Deus (perdoa-nos os nossos pecados, que também perdoamos a todos os nossos devedores). A tradução atual diz “perdoa-nos as nossas ofensas”, como se Deus pudesse ser ofendido com nosso comportamento. Finalmente pedimos a Deus para não cair em tentação, a tripla tentação que Jesus venceu desde o princípio de seu ministério: a de não agir sem atender ao plano de Deus (faça que essas pedras se transformem em pão), a da ambição de glória e de poder (Eu te darei toda essa autoridade e sua glória. se me renderes homenagem, será tudo teu) e a de não cair no providencialismo irresponsável (atira-te daqui abaixo, porque está escrito: “Dará ordens a teus anjos para que te protejam). Pena que a oração cristã por excelência está mal traduzida!
E há alguns ainda que interpretam esta tentação como se fosse o demônio, a tentação foi a de não agir conforme a determinação de Deus e não a favor de outro ser.

Portanto filho, você só deve verificar se este seu amigo tem alguma razão de acreditar nisso, tente extrair o que de bom ele tem para passar com isso, conforme sua descrição acredito que você vai encontrar. Entretanto, caso não encontre nada continue tentando plantar a raiz do amor no coração deste seu amigo que certamente ele vai esquecer esta bobagem de diabo e vai passar a acreditar somente em Jesus Cristo filho de Deus.

Fiquem com Deus.”

Muito prezado Vagner,
Salve Maria!
 
    Com prazer atendo a seu pedido, explicando-lhe sobre a existência do diabo, e aproveitarei seu pedido para criticar essa carta cheia de absurdos que você me enviou, carta escrita por um padre sem fé, para um seu conhecido.
    Pena que a carta do Padre não esteja assinada. Ou pena que você tenha retirado o nome desse padre, de doutrina tão errada, do final da carta.
    Para provar que existe o demônio, é preciso, antes, provar que existem anjos, visto que o demônio é um anjo decaído. São Tomás de Aquino trata dessa questão na Suma Teológica, I parte, Questão 50 artigos 1 a 5. No artigo I dessa questão 50 da suma, São Tomás prova que existem anjos, dizendo:
 
    O que Deus se propôs ao criar é o bem, consistente em criar seres que se assemelhassem a Ele, Deus, Bem Absoluto.
    Ora, toda causa produz efeitos que lhe são semelhantes. Ora, Deus produz suas criaturas por meio de seu entendimento e de sua vontade. Logo, para a perfeição do universo deveriam existir criaturas intelectuais
    E como o entender não pode ser ato de corpo material, nem de nenhuma faculdade de um corpo material, deveria existir uma criatura incorpórea, assim como Deus é incorpóreo. Logo, existem criaturas puramente espirituais como Deus é só espírito. E essas criaturas puramente espirituais são os anjos.
 
    Os anjos, sendo seres espirituais, dotados, como Deus, de inteligência e vontade, são seres livres, já que somente os seres puramente materiais é que não têm liberdade. Logo, os anjos são seres que possuem livre arbítrio, e portanto, seres que são capazes de fazer o bem ou o mal. Sendo assim, os anjos podem ser premiados ou castigados por Deus.
    Ora, a Sagrada Escritura nos revela que alguns anjos se tornaram maus. Logo, existem dois tipos de anjos: os anos bons, ou simplesmente anjos, e os anjos maus, ou demônios.
    Deus tudo fez com hierarquia, e, quanto mais perfeito é um tipo de ser, mais desigualdades há em sua ordem. Sendo os anjos as criaturas mais perfeitas que deus criou, a maior desigualdade que existe, existe nos seres angélicos. Há, portanto, entre os anjos e demônios uma hierarquia. Logo, deve existir um demônio mais importante que todos os demais, e que, por isso mesmo, tem a maior culpa, e este é Lúcífer ou Satã como o chama Deus na Sagrada Escritura.
    Mas para esse padre que nada tem de católico, os nomes de diabo, Satã, Lúcifer são simples nomes que “a cultura religiosa foi atribuindo à figura do mal”.
    E esse pobre sacerdote, temendo enfrentar a opinião do mundo nécio, afirma rotundamente o contrário do que Deus disse na revelação ao escrever:  ”Você está correto quando diz que o diabo não existe“.
    É assim que se perde a Fé.
    É assim que se faz perder a Fé.
    É assim que se corrompe o povo.
    O que esse padre afirma é então uma negação da doutrina católica, e uma recusa em aceitar o que Deus revelou na Bíblia.
    Esse pobre padre, bem ignorante, escolhe, na Bíblia, o que ele acha certo, e o resto ele recusa. Ora, quem escolhe na Revelação divina o que quer acreditar e o que quer recusar, esse é exatamente o herege. Herege é aquele que escolhe, na Bíblia, o que crer. Portanto, esse padre é um herege.
    E gostaria que você mostrasse a seu amigo esta minha carta, e que ele a levasse a esse padre, com minha acusação de ignorância e de heresia que faço a ele.
    Esse pobre sacerdote já não acredita em nada. Pois ele confessa:
    ”já é tão difícil para nós padres fazer nossos irmãos acreditarem em Deus imagine se tivéssemos que faze-los acreditarem também no diabo”.
    É ele quem já não crê em Deus, pois que não crê no que Deus ensinou: que o diabo existe.
    Na Sagrada Escritura, Deus mostra que, no Éden o demônio tentou nossos primeiros pais, Adão e Eva. (e não me surpreenderia que esse padre dissesse que também Adão e Eva não existiram, porque ele deve crer mais nas mentiras de Darwin do que nas verdades de Deus.
    O livro de Jó, que é todo um ensinamento de Deus sobre a ação diabólica no mundo e sobre os homens, para esse pobre sacerdote deve ser uma lenda, um mito.
    Você vê como ele nega a ação do demônio ao negar que o diabo tenha tentado realmente a Jesus Cristo, no deserto. Tudo o que Deus conta no Evangelho, para ele devem ser histórias da carochinha.
    E ele logo convida seu amigo a participar da fraude que ele diz que a Igreja comete, fazendo os ignorantes pensarem que o diabo existe, ao aconselhar:
    ”Entretanto, você deve ter muito cuidado quando defende a tese contrária em face deste seu amigo”.
    Noutras palavras, o padre diz para seu amigo: “Você está certo. O diabo não existe mesmo Mas não desiluda seu amigo. Deixe-o na ilusão e no erro, se com isso, ele age bem, tudo bem”.
    Esse padre, agindo desse modo, isto é, enganando e aconselhando a enganar, mais parece ser membro de uma igreja da mentira, da igreja de Lúcifer.
    E que ele não se ofenda com o que digo, porque, para ele Lúcifer não existe. Lúcifer existe tanto quanto o bicho papão, para assustar criancinhas e tolos, como você e como eu.
    Ele o diz, sem cerimônia, que a Igreja engana o povinho ignorante:
    ”Para alguns a única forma da vida fazer sentido seria acreditando nesta figura mal, caso contrário eles não conseguiriam viver”. “Assim, somente por isso, em alguns casos, diz a igreja que o diabo existe. Eu particularmente não concordo, mas também sei que seria difícil atrair irmãos, principalmente as crianças e os velhos ao cristianismo sem esta alegação”.
    Para esse Padre, a Igreja engana, burla, ilude, seria mentirosa. E se ele pertence a essa igreja, ele é cúmplice da enganação, da mentira e da fraude.
    E depois de negar o que Deus ensinou sobre a existência do demônio, ele se mete a acusar a Igreja de deturpar a oração ensinada por Cristo, de ter mal traduzido o Pai Nosso.
    E o coitadinho proclama sua limitação intelectual e doutrinária ao escrever, sem nenhuma vergonha:
    ”O texto da oração que rezamos diz “santificado seja teu nome”, expressão cujo significado é difícil de determinar”.
    Concordo: para um padre que não estuda, e que provavelmente assiste a telenovela, é bem difícil determinar o que quer dizer “santificado seja o vosso Nome”. 
    Mais adiante ele revela que foi iniciado na heresia modernista ao escrever:
    ”A tradução atual diz “perdoa-nos as nossas ofensas”, como se Deus pudesse ser ofendido com nosso comportamento”.
    Deus pode, sim, ser ofendido por nosso comportamento, pois que lhe diminuímos a glória extrínseca que se lhe deve prestar.
    E esse herege modernista dá, no final de sua carta seu último péssimo conselho, cheio de engano e de mentira:
    “Entretanto, caso não encontre nada continue tentando plantar a raiz do amor no coração deste seu amigo que certamente ele vai esquecer esta bobagem de diabo e vai passar a acreditar somente em Jesus Cristo filho de Deus”.
    Agora, para ele, crer no diabo, seria “bobagem”.
    Para ele, dever-se-ia “passar a acreditar somente em Jesus Cristo filho de Deus”.
    Mas como acreditar em Jesus Cristo, Filho de Deus, se não se crê no que Ele nos ensinou no Evangelho, que o diabo existe?
    Como esse padre diz crer em Jesus, se ele considera uma “bobagem” crer no que é revelado no Evangelho por Jesus Cristo? 
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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