Montfort Associação Cultural

24 de novembro de 2004

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Pacto de Metz

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Vitor
  • Localizaçao: – Brasil

Prezados responsáveis pelo Site da Ass. Monfort, Antes de mais nada permitam-me saudá-los novamente pelo maravilhoso trabalho desenvolvido através da Internet. Os textos são sempre claros, honestos e constituem, certamente, uma excelente fonte de informação. Estejam certos de que estão ajudando a muitos a encontrarem o reto Caminho. Parabéns !

Na internet achei o seguinte texto : “O alto clero mentiu muito para os fiéis no século XX e eles têm o direito de guardar uma certa distância da Igreja, certamente sem renegá-la, mas num espírito de espera prudente até que Deus se digne de lhes dar novas luzes. Para não dar senão um exemplo, um pouco antes do Concílio a Igreja de Roma assinou com as autoridades soviéticas o tristemente célebre Pacto de Metz, que a obrigava a abster-se de toda denúncia contra os regimes comunistas durante as sessões do Concílio. O pacto, que era secreto, foi ocultado da imprensa ocidental e não foi divulgado senão algum tempo depois, pelos jornais soviéticos. Se você leva em conta que até essa época os regimes comunistas já tinham matado quase uma centena de milhões de pessoas, das quais pelo menos uns trinta milhões de cristãos que não tinham cometido outro crime senão o de ser cristãos, você compreende a gravidade quase infinita desse acordo.” Os srs.(as.) poderiam fazer alguns comentários sobre este suposto Pacto de Metz?

O texto foi retirado da página http://www.olavodecarvalho.org/textos/europalivre.htm e é parte de uma entrevista do sr. Olavo de Carvalho .

Desde já muito grato subscrevo-me, Cordialmente Vitor São Paulo – SP

Prezado Victor, salve Maria!

Não é a primeira vez que devo lhe agradecer por suas palavras de apoio a nosso site. Peço-lhe que reze por nós, para que Deus nos sustente no bom combate.

Prezado Victor, o chamado “Acordo de Metz”, infelizmente existiu mesmo.

O Papa João XXIII, em sua ânsia ecumênica, quis convidar os dirigentes da Igreja Cismática russa para que participassem do Concílio Vaticano II. Essa Igreja era totalmente dominada, então, pelo Partido comunista. Consta até que vários de seus dirigentes exerciam cargos na KGB e gozavam da confiança do Partido Comunista da URSS. Os líderes comunistas da União Soviética determinaram, então, que os dirigentes da Igreja russa só teriam permissão de ir a Roma, e de participar do Concílio Vaticano II, se a Santa Sé firmasse um compromisso de que, no Vaticano II, não se condenasse o comunismo, nem se fizesse qualquer citação da situação na URSS.

Desgraçadamente, essas condições foram aceitas, e pior, obedecidas. O acordo entre a URSS e a Santa Sé foi assinado em Metz, pelo Cardeal Tisserand – famoso por seu progressismo, e que depois, ao que consta, esteve envolvido no escândalo do Banco Ambrosiano.

Por causa desse acordo cúmplice com o maior inimigo da Igreja, o Concílio Vaticano II foi o único da História que não condenou os erros de seu tempo. Já no discurso de abertura do Concílio, o Papa João XXIII garantiu que o Concílio não faria condenações, dando assim aviso à URSS que cumpriria o que os comunistas exigiam, desde as primeiras negociações.

Também se ficou sabendo que havia ordem para que a Mesa de Presidência do Concílio cortasse o microfone de qualquer Bispo que aludisse à URSS ou que condenasse o comunismo, ou o marxismo.

Já no tempo de Paulo VI foram entregues duas petições ao Papa.

A primeira petição teve o apoio de mais de 700 Bispos — foi o documento- proposta que recebeu o maior número de assinaturas no Vaticano II — pedindo que o Papa , junto com todos os Bispos, consagrasse a Rússia — não a URSS, não o MUNDO– ao Imaculado Coração de Maria, como Nossa Senhora pedira em Fátima.

A segunda petição recebeu mais de quatrocentas assinaturas de apoio de Bispos, e pedia a condenação do comunismo. Ambas as petições foram entregues pessoalmente a Paulo VI por dois bispos brasileiros, a primeira por Dom Antonio de Castro Mayer e a segunda por Dom Geraldo de Proença Sigaud.

Ambas as petições foram silenciosamente… engavetadas. … Na época, o acordo de Metz ainda era segredo…

O texto do gnóstico Olavo de Carvalho, que você me envia, conta a verdade sobre o acordo de Metz. Mas, como não poderia deixar de ser, vindo de um gnóstico, só poderia dar mau conselho. De fato, o sr. O. de C. recomenda que os fiéis católicos guardem uma “certa distância da Igreja”:

Diz ele textualmente:

“O alto clero mentiu muito para os fiéis no século XX e eles têm o direito de guardar uma certa distância da Igreja, certamente sem renegá-la, mas num espírito de espera prudente até que Deus se digne de lhes dar novas luzes”.

E esse é um muito mau conselho.

Os fiéis, em hipótese alguma, devem guardar “uma certa distância da Igreja, certamente sem renegá-la”.

Nada permite a um fiel afastar-se da Igreja, em qualquer medida.

Um fiel pode afastar-se de um mau sacerdote, ou tomar cuidado com um mau Bispo que dá maus conselhos e ordens injustas, sem romper, entretanto, com a obediência que lhe é devida, nos termos impostos pela Igreja.

Com relação ao Papa, nada permite “manter distância dele”.

Pode-se até discordar da política de um Papa — como no caso do acordo de Metz. E, com todo respeito guardado, pode-se até combater um acordo mau.

Mas essa discordância com relação a uma política pessoal de quem exerce o Papado, nunca , e de modo algum, pode trazer um distanciamento com relação ao Papa, enquanto Papa, nem da Igreja, pois onde está o Papa, aí está a Igreja. Distanciar-se do Papa ou da Igreja — o que é a mesma coisa– é colocar-se em risco próximo de cisma, o que é pecado gravíssimo.

Jamais podemos admitir um distanciamento qualquer da Santa Igreja. A Ela devemos ficar ainda mais unidos, ainda quando, infelizmente, um Papa conduza uma política prejudicial aos fiéis e à própria Igreja.

Distanciar-se de uma política, e até — com todo o respeito — opor-se a ela é legítimo.

Mas distanciar-se da Igreja e do Papa, jamais.

In Corde Jesu, semper, 
Orlando Fedeli

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