Montfort Associação Cultural

14 de outubro de 2011

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Os Caminhos de Maria Santíssima – Parte 1

Autor: Ivone Fedeli

Ivone Fedeli

 

Neste mês de outubro, dedicado pela Igreja ao Santo Rosário, oferecemos a nossos leitores a primeira parte de um artigo sobre Nossa Senhora tomada como modelo de virtudes, com reflexões inspiradas no Evangelho, no mesmo espírito das meditações que tradicionalmente devem acompanhar a recitação do rosário.

Os Caminhos de Maria Santíssima – Parte 1

 

 Ipsam sequens, non devias.[1]
São Bernardo, Segundo Sermão sobre o Missus est

 

  1. 1.     Caminhos

 

São Luís de Montfort, em seu Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria, afirma que “os predestinados mantêm-se nos caminhos da Santíssima Virgem, isto é, imitam-na, e nisto são verdadeiramente felizes e devotos, trazendo assim o sinal infalível de sua predestinação, como lhes diz essa boa mãe: “Beati qui custodiunt vias meas (Prov 8, 32) – Beatos os que praticam as minhas virtudes e caminham sobre as pegadas da minha vida, com o socorro da divina graça.”[2]

 

A metáfora do caminho como itinerário espiritual é clássica não apenas nos escritores eclesiásticos, como São Bernardo, Santo Afonso de Ligório[3], São Luís de Montfort e Santo Antônio Maria Claret[4], mas nos próprios livros sagrados. São Jerônimo, por exemplo, em uma de suas cartas atribui um sentido místico, de itinerário espiritual, à longa peregrinação dos israelitas no deserto, considerando cada etapa do caminho uma etapa da vida da alma.

 

Também o salmo 118, entre outros, utiliza a metáfora do caminho para expor longamente qual deve ser itinerário do homem neste mundo para atingir a bem-aventurança. “Felizes os que se mantêm sem mácula no caminho, os que andam segundo a lei do Senhor”. Beati immaculati in via qui ambulant in lege Domini…[5]

 

Ao comentar esse salmo, Santo Agostinho observa que ele apresenta uma dificuldade particular, justamente porque parece muito simples.

 

“Relativamente aos outros [salmos, todos já comentados por ele, que deixou este para o fim]”, afirma o Doutor de Hipona, “na verdade de difícil compreensão, embora o sentido seja obscuro, evidencia-se a própria obscuridade. Neste, nem ela; porque apresenta tal superfície que se acredita bastar ler e ouvir, sem se precisar de um comentador”.[6]

 

O mesmo se poderia dizer do pequeno texto de São Luís de Montfort que citamos acima. Por um lado, é claríssimo. Manter-se nos caminhos de Maria Santíssima, imitá-la. Não é difícil compreender, que “felizes são aqueles que, sem se deixar seduzir por uma falsa devoção, guardam fielmente os vossos caminhos, os vossos conselhos e vossas ordens!”. Não é o primeiro sentido da frase “é mister fazer todas as ações com Maria, isto é, em todas as ações olhar Maria como um modelo acabado de todas as virtudes e perfeições”[7] que nos escapa. Não, como diz Santo Agostinho do Salmo 118, o sentido primeiro é claro.

 

A dificuldade, como no salmo, vem da investigação mais profunda. Andar nos caminhos de Maria? Que caminhos? Quais são os caminhos dela? Imitá-la? Em que sentido? Como podemos nós, pobres pecadores, imitar a Imaculada? Que imitação é possível de sua maternidade divina ou de sua assunção gloriosa?

 

E por outro lado, quão pouco é o que nos diz o Evangelho sobre Maria Santíssima. Sua “humildade profunda que a levou a esconder-se, a calar-se, a submeter-se a tudo e a colocar-se em último lugar”, essas mesmas características dificultam a investigação daquilo a que São Luís de Montfort chama “os caminhos de Maria”. O próprio santo o afirma no Segredo de Maria, ao dizer que Maria Santíssima é a “pérola preciosa”, o “tesouro escondido do Evangelho”[8] e, em outro lugar, que “apenas o Espírito Santo pode fazer conhecer a verdade escondida sob a figura das coisas materiais”.[9]

 

Porém, nada disso deve ser razão de desânimo. Pelo contrário, se “a glória de Deus é esconder a palavra porque não se devem dar pérolas aos porcos, nem atirar aos cães as coisas santas”[10], “a glória dos reis – do homem, que pela razão é rei da criação e pela graça é filho de Deus –  investigar o texto”.[11]

 

São Gregório Magno em seu Comentário ao Cântico dos Cânticos explica de modo magistral como a investigação das metáforas e alegorias da Sagrada Escritura nos pode conduzir ao conhecimento das verdades doutrinárias, morais e espirituais que o Espírito Santo depositou nelas:

 

“A alegoria oferece à alma afastada de Deus [nesta vida mortal, em que não vemos Deus face a face] uma espécie de máquina que a faz elevar-se para ele. Por meio dos enigmas, reconhecendo nas palavras alguma coisa que lhe é familiar, ela compreende, no sentido das palavras, o que não lhe é familiar e, graças a uma linguagem terrestre, separa-se da terra. Pois, atraída por alguma coisa de conhecido, compreende alguma coisa do desconhecido. É, com efeito, dessas realidades que nos são conhecidas, e que se fazem as alegorias, que se revestem os pensamentos divinos; então, ao reconhecer a aparência exterior das palavras chegamos à inteligência interior”.[12]

 

Embora São Gregório esteja falando, especificamente, da grande alegoria do Cântico dos Cânticos, que trata das relações de Deus com sua Igreja e com cada alma em particular, o mesmo princípio se aplica a todos os textos da Sagrada Escritura, mesmo àqueles que narram fatos históricos.

 

Assim, por exemplo, São Paulo vê nos filhos de Abraão, um da escrava, outro da livre[13] uma prefigura dos filhos da Sinagoga, escrava, e da Igreja, livre. Bem como, São Luís de Montfort utiliza a história da bênção de Jacó, conseguida por sua mãe Rebeca, para deduzir e explicar os princípios da verdadeira devoção a Maria Santíssima, que ensina em seu Tratado.[14] São apenas dois exemplos entre os inúmeros que poderiam ser citados.

 

Também nós, desejosos de compreender melhor os caminhos de Maria Santíssima, para mantermo-nos neles, para imitá-la, como ensina São Luís de Montfort, podemos interrogar a esse respeito o texto da Sagrada Escritura, buscando uma compreensão mais profunda, que nos leve a um amor mais ardente.

 

  1. 2.     Sete caminhos

 

 

No texto dos Evangelhos por sete vezes encontramos a Santíssima Virgem efetivamente a caminho. Por sete vezes o texto nô-la mostra descolando-se de um lugar para outro. Assim, tomemos esses trechos como ponto de partida de nossa investigação. Que Nossa Senhora, em caminho, nos mostre os caminhos que devemos seguir, nos mostre como imitar, em nossa miséria, sua inigualável grandeza, como manter-nos, sem nos desviar, sem sair da via, nas sendas que ela tomou.

 

 

Sete vezes, como dissemos, o Evangelho nos diz que Maria Santíssima se põe a caminho: a primeira, logo após ter concebido em seu seio puríssimo, o Verbo de Deus, quando, “se levantou e foi com pressa às montanhas, a uma cidade de Judá”[15]; em seguida, na ocasião em que, por força do edito de César Augusto, “também José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com sua esposa, que estava grávida”.[16]

 

Pela terceira vez, Nossa Senhora se põe a caminho, segundo o texto sagrado, porque “concluídos os dias da purificação, segundo a Lei de Moisés, levaram-no [ao Menino Jesus] a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor”[17] e de novo, desta vez em circunstâncias trágicas, quando, depois da visita e da partida dos Reis Magos, “um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar.”[18]

 

Findo o perigo, com a morte de Herodes, uma quinta vez vemos a Santíssima Virgem a caminho, desta vez porque “o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse: levanta-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel [...] e ele, levantando-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel”.[19]

 

A sexta vez em que o Evangelho nos mostra Maria Santíssima caminhando é quando “Tendo ele atingido doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume da festa. Acabados os dias da festa, quando voltavam, ficou o menino Jesus em Jerusalém, sem que os seus pais o percebessem. Pensando que ele estivesse com os seus companheiros de comitiva, andaram caminho de um dia e o buscaram entre os parentes e conhecidos. Mas não o encontrando, voltaram a Jerusalém, à procura dele.”[20]

 

 

Por fim, o sétimo caminho tomado pela Santíssima Virgem de que nos fala o Evangelho é a via crucis, o caminho do Calvário, embora sem mencioná-la explicitamente. Diz o texto: “Seguia-o uma grande multidão de povo e de mulheres, que batiam no peito e o lamentavam”[21], multidão entre a qual, com certeza, se encontrava a Santíssima Virgem, suposição tanto mais razoável quanto é confirmada pela tradição antiquíssima da Via Sacra, que consagra uma de suas estações ao encontro de Jesus com sua Mãe. E confirmada, ainda, pelo próprio texto do Evangelho, ao dizer que “junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.”[22]

 

 

Examinemos, em primeiro lugar, as razões deste número simbólico, o sete. Segundo a tradição exegética, cuja interpretação se fundamenta particularmente na interpretação dos números dada por Santo Agostinho[23], “os números, na maioria das vezes, não querem transmitir uma quantidade exata, um dado preciso, mas sim expressar uma realidade, um valor teológico, um dado simbólico”[24], embora o símbolo jamais possa contrariar o sentido literal.[25]

 

 

Portanto, se o Evangelho nos apresenta a Santíssima Virgem caminhando por sete caminhos, não devemos tomar esse número como casual. Pelo contrário, tanto mais que o sete é um número de grande significado simbólico.

 

 

Segundo Frei Acílio Mendes, OFM, sendo o número 7, soma de 4 com 3,

 

 

“Por isso é o número perfeito, indica o máximo da perfeição (Nm 23,4; Mt 15,36); grande quantidade (Is 30,26; Pr 24,16; Mt 18,21); totalidade (Ap 1,4); indica séries completas como no Apocalipse: 7 Cartas (Ap 2-3); 7 Selos (Ap 6,1-17); 7 cabeças (Ap 12,3). O Cordeiro imolado recebe 7 dons (Ap 5,12). O sábado é o sétimo dia; Deus fez a Criação em 7 dias; a festa de Pentecostes acontece 7 vezes 7 dias depois da Páscoa. Cada sétimo ano é sabático (descanso para a terra e libertação dos oprimidos – Lv 25) e depois de 7 vezes 7 anos vem o Jubileu. Não se deve perdoar 7 vezes, mas 70 vezes 7 (Mt 18,22). É importante ver que no Apocalipse aparece a metade de 7, isto é, 3,5 (Ap 11,9). Às vezes diz-se: um tempo, dois tempos, meio tempo (Ap 12,14; Dn 7,25), isto é três anos e meio. Também pode ser 42 meses (Ap 11,2), é igual a 1.260 dias (Ap 12,6), isto é, sempre a metade de 7. É a duração limitada das perseguições. É o tempo controlado por Deus.”[26]

 

 

Num artigo sobre o número do homem, mencionado no Apocalipse, também o Prof. Orlando Fedeli afirma que:

 

 

O número sete – é bem sabido – significa totalidade. Com efeito, quando os Apóstolos perguntaram quantas vezes deviam perdoar o ofensor, Cristo lhes respondeu que deviam fazê-lo 70 x 7 vezes, para significar sempre, todas as vezes. O sete simboliza totalidade porque ele é composto de 3 + 4, significando pois ordem total; espiritual (3) e material (4). Por isto, este número cabe bem a Cristo, Deus e Homem, que contém toda a ordem, divina e humana. Não é então sem razão que o Apocalipse apresenta Cristo como “aquele que tem os sete espíritos de Deus” (Apoc.,) e que caminha entre os sete candelabros. O número sete corresponde a muitos totais. Sete são os sacramentos, sendo que três imprimem caráter (Batismo, Crisma e Ordem) e quatro não. Sete são as virtudes, sendo que três são teologais (Fé, Esperança e Caridade) e quatro são cardeais. Sete são os dons do Espírito Santo e sete são os vícios capitais. Sete são as cores, sendo que três são fundamentais e quatro resultam da combinação delas. Sete são as notas da escala, e três delas formam um harmônico. Sete eram as matérias da escola medieval, divididas em: Trivium (lógica, gramática e retórica) e Quadrivium (aritmética, geometria, música e astronomia), sendo que o Trivium era formado pelas ciências que regem a formação e manifestação do pensamento e o Quadrivium estudava as criaturas sob o ângulo matemático. O número sete pode ser formado com 6 + 1 = 7, e então ele significa a perfeição nas partes com Deus.[27]

 

 

Assim, dada essa característica de totalidade e de perfeição do número sete, seja considerado como soma de três mais quatro, seja como a adição de seis mais um[28], podemos ver nessa apresentação dos sete caminhos da Santíssima Virgem uma espécie de itinerário completo, de modelo perfeito dos caminhos espirituais pelos quais devemos passar para, à imitação da Santíssima Virgem, atingir aquela perfeição a que todos fomos chamados.[29]

 

 

São Tomás de Aquino explica em que sentido somos todos viajantes, em que sentido todos estamos a caminho, esclarecendo, assim, a razão profunda da recorrência dessa metáfora tanto na Sagrada Escritura quanto nos autores eclesiásticos:

 

 

“Somos ditos viajantes porque tendemos para Deus que é o fim último de nossa beatitude. Nesta vida, avançamos tanto mais quanto mais nos aproximamos de Deus, do qual nos aproximamos não pelos passos do corpo, mas pelas disposições da vontade. É a caridade que faz essa aproximação; pois é por ela que o espírito se une a Deus.”[30]

 

Os diferentes caminhos, portanto, são os vários modos pelos quais a caridade se exerce, os diferentes atos através dos quais, aumento no amor, a alma se aproxima de Deus. Ao estudarmos os caminhos da Santíssima Virgem, podemos, legitimamente, ver neles os modelos para nossos próprios caminhos. Podemos, todos, tomar para nós as palavras ditas por Nosso Senhor a Dom Bosco: “Eu te darei a mestra sob cuja orientação poderás tornar-te sábio e sem a qual toda a sabedoria se converte em estultícia.”[31]

 

  ***

 



[1] BERNARDO DE CLARAVAL, Santo. Sermons sur la Vierge Maria. Seguindo-a, não sairás do caminho. Tradução nossa.

[2] LUÍS GRIGNION DE MONTFORT, Santo. Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Perópolis: Editora Vozes, 2009. pp. 190-191.

[3]AFONSO DE LIGÓRIO, Santo. Via della Salute. “O livro Via della Salute chega a 700 edições. Na coletânea OARX está reunido com os opúsculos: o Settenario di Meditazioni in onore di S. Giuseppe e Novena dei morti. Apud OLIVEIRA, Luiz Carlos. Cristo nas obras ascéticas de Santo Afonso. Dissertação de Mestrado em Teologia com especialização em Teologia Espiritual. Roma: Teresianum – Pontifício Instituto de Espiritualidade, 2000.

[4] CLARET, Santo Antonio Maria. Camino recto y seguro para llegar al cielo. Publicado originalmente em catalão, em 1845, e um ano mais tarde em castelhano, língua em que já tem quase duzentas edições.

[5] Sl 118, 1. na Vulgata, nas versões modernas Salmo 119.

[6] AGOSTINHO DE HIPONA, Santo. Comentário aos Salmos. São Paulo: Paulus, 1998. V. 3, p. 370.

[7] LUÍS GRIGNION DE MONTFORT, Santo. Op. cit. no. 260.

[8] Cfr. LUÍS GRIGNION DE MONTFORT, Santo. O Segredo de Maria, no. 70.

[9] Cfr. LUÍS GRIGNION DE MONTFORT, Santo. Tratado da Verdadeira Devoção, no.261.

[10] Cfr. Mt 7,6.

[11] Prov 25, 2.

[12] GREGÓRIO MAGNO, Santo. Commentaire sur le Cantique des Cantiques.Paris: 1984.

[13] Cfr Gl, 4.

[14] Cfr. LUÍS GRIGNION DE MONTFORT, Santo. Tratado da Verdadeira Devoção, no. 183 e ss.

[15] Lc 1, 39.

[16] Lc 2, 4-5

[17] Lc 2, 22

[18] Mt 2, 13.

[19] Mt 2, 20-21

[20] Lc 2, 42-45

[21] Lc 23, 27

[22] Jo 19, 25

[23] Cf. AGOSTINHO DE HIPONA, Santo. De Musica

[24] MENDES, OFM. Frei Acílio. Os números na Bíblia. Texto completo em: http://www.cantodapaz.com.br/blog/11-significado-dos-numeros-na-biblia/

[25] Cf. TOMÁS DE AQUINO, Santo. Suma Teológica. I – I, q. 1. Aa 9-10.

[26] MENDES, OFM. Frei Acílio. Op. cit.

[27] FEDELI, Orlando. O número do homem. Texto completo em: http://www.montfort.org.br//index.php?secao=veritas&subsecao=religiao&artigo=numero

[28] O três significa a perfeição espiritual, enquanto o quatro a perfeição material. Assim, são três as Pessoas Divinas, três as virtudes teologais, três as potências da alma, por exemplo, enquanto são quatro, por exemplo, as estações do ano, os pontos cardeais e as virtudes cardeais. O seis significa a perfeição das partes, por ser sempre tanto a soma quanto a multiplicação dos três primeiros números, enquanto o um, como é evidente, é o número que significa Deus.

[29] Cf Mt 5, 48.

[30] TOMÁS DE AQUINO, Santo. Suma Teológica. II-II q.24 4 e 7

[31] BOSCO, São João. Memórias do Oratório Festivo.

 

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