Montfort Associação Cultural

3 de fevereiro de 2010

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Oração ´Pai Nosso`

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Francisco Leite Monteiro
  • Localizaçao: 2780-180 Oeiras – Portugal
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Religião: Católica

Há um ano, numa viagem à Terra Santa, durante a visita à Basílica (?) PATER NOSTER, onde nas mais variadas línguas está inscrita a oração “PAI NOSSO”, recordei como, em miúdo, rezava a oração que teve uma evolução que imagino terá sido nos meados da década dos anos 40 do século passado. Pessoas antigas como eu recordam-se, mas não encontrei quem me respondesse às minhas dúvidas : – QUANDO?, PORQUÊ? POR QUE VIA FOI IMPLEMENTADA ? Não satisfeito contactei também entidades eclesiásticas mas o resultado foi nulo.

Quase por acaso, ao “navegar na Internet”, deparou-se-me o vosso site, encontrando parte da resposta, assinada por Marcelo Fedeli, em satisfação de pergunta dirigida por Miguel Frasson (São Carlos – SP, Brasil) em 18/04/2006. Nessa resposta é dito “Isso aconteceu pouco antes do Concílio Vaticano II. Em Missais do ano de 1957 já se encontram aquelas alterações, na linha de algumas modificações litúrgicas iniciadas naquele tempo….” Ora, sucede que um meu familiar tem um missal antigo, de 1947, onde a nova versão, como hoje se reza em Portugal, já está impressa – 10 anos antes do Vaticano II.

Como não desisto de “aprender”, apesar estar à beira dos 77 anos de idade, aqui estou a pedir a vossa ajuda, reformulando a minha pergunta, tal como a apresentei às entidades eclesiásticas portuguesas, na esperança de satisfazer a minha curiosidade, antes de recorrer para o Vaticano….

Passo a reformular a pergunta, tal como a submeti. Sou natural da Ilha da Madeira, nascido em 1932, tendo deixado o Funchal, praticamente, quando tinha 18 anos. Hoje sou residente em Oeiras.

Ora, sucede que, quando era pequeno e, até meados do século XX – por volta do ano de 1945, talvez – a oração era designada por “PADRE NOSSO” além de pequenas diferenças no texto respectivo, como adiante assinalo [...]:

Pai Nosso [ Padre Nosso ] que estais nos céus, santificado seja o vosso Nome, venha a nós o vosso Reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas [ dívidas ] assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, [ os nossos devedores ] e não nos deixeis cair em tentação,
mas livrai-nos do Mal.

Imagino que terá havido alguma recomendação ou norma do Vaticano, do Patriarcado de Lisboa ou da Conferência Episcopal, a propósito da alteração do “Pai Nosso”, aí residindo a minha dúvida.
Procurando descortinar a razão da evolução, permito-me referir que até imagino e quase entendo que faz sentido a alteração de “Padre” por “Pai”, pois é ao Senhor, ao Pai de todos nós que nos dirigimos e não ao “Sacerdote”, não é verdade? E, quanto à alteração de “dívidas” por “ofensas”, etc., interrogo-me se isso tem que ver com o propósito de retirar-se um certo aspecto “materialista” ao mesmo tempo que o sentido é amplificado.

Será que me podem ajudar, desde já muito agradecendo a vossa atenção, ao mesmo tempo que peço me desculpem pela ousadia.

Respeitosos cumprimentos de

Francisco Leite Monteiro

Muito prezado Francisco,
Salve Maria.

     Hoje já respondi algumas cartas em que o consulente se queixava de ter consultado autoridades na Igreja –e até Conferências episcopais –, sem ter recebido respostas.
     Com gosto o atendo.

     Foram os modernistas que, há muito tempo, procuram mudar a religião e que mudaram as palavras do Pai Nosso, como mudaram a Missa que a Igreja rezou sempre, há dois mil anos.
     
Foi Nosso Senhor Jesus Cristo que mandou rezar dizendo Pai nosso. Como você notou bem Pai e padre significam a mesma coisa. Deus é nosso Pai por ser nosso criador. Por nos ter dado a vida. Agora, em alguns lugares se quer chamar Deus de Mãe, rezando “Mãe Nossa que estais no céu“, contrariando diretamente as palavras usadas e ensinadas por Cristo.
     O Papa Bento XVI, no livro Jesus de Nazaré, critica chamar Deus de mãe, porque se Deus fosse mãe nossa, nós teríamos uma comunicação substancial com Deus, visto que a mãe se comunica materialmente com o filho pelo cordão umbilical. Diz então Bento XVI que Cristo não usou a expessão mãe Nossa porque chamar Deus de mãe, além de falso, levaria ao panteísmo pois que teríamos uma comunicação direta com a substância de Deus.

     Também a mudança feita depois do Concílio Vaticano II – mas já usada, mais ou menos clandestinamete antes do Concílio em alguns grupos e lugares — é pessima.

     Cristo ensinou e usou a palavra dívidas e não ofensas. Porque Jesus usou a palavra dívidas e não ofensas?
     
Porque as ofensas graves que fazemos a Deus nos são perdoadas no Sacramento da Confissão e não na recitação do Pai Nosso. Quando confessamos pecados mortais na confissão e somos absolvidos, o confessor ainda nos dá uma penitência, porque, embora tendo recebido o perdão da culpa grave e do castigo eterno que ela nos traria caso morrêssemos com essa culpa grave, temos ainda dívida com Deus que procuramos pagar com a penitência.
     Foi Lutero quem atacou o Sacramento da penitência. Esse heresiarca dizia que tudo o que o homem faz é pecado. Até rezar seria pecado. Lutero então considerava que o homem é incapaz de fazer o bem, de fazer penitência. Por isso era contra as boas obras. O homem deveria ter fé que eatva perdoado. E como prova que confiava no perdão e que acreditava que se estava perdoado, Lutero recomendava pecar e não rezar. Pecado sem medo provaria que se acreditava plenamente no perdão.
     
A distinção católica entre o perdão das culpas mortais, no sacramento da Confissão, e o pedido de perdão das ofensas, provém da distinção entre culpas leves e culpas graves que Lutero negava. Para ele tudo era igualmente pecado. Ele não diferenciava pecado grave de pecado venial. Daí, os que mudaram no Pai Nosso a palavra dívidas por ofensas – dividas que nos restam pagar mesmo depois da absolvição sacramental —  terem acabado com o confessiánario e com a confissão pessoal. Eles introduziram abusivamente a absolvição coletiva, que o papa Bento XVI tem combatido.

     Para ajudá-lo copio para você a relação entre os sete pedidos do Pai Nosso e os sete vicios capitais segundo Hugo de São Victor que foi publicada no site Montfort.

 

 

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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25 de maio de 2007

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Privado: Oração: Pai Nosso

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Anônimo

Prezado Prof. Fedeli, Salve Maria!

Há quanto tempo! Tenho saudade das palestras ministradas em Campinas. Foram poucas, mas suficiente para engrandecer a minha alma, conhecendo a verdadeira Igreja de Cristo (ICAR).

Circula pela internet uma tradução do "Pai Nosso", segundo o autor direto do aramáico para o português. Parece ser mais um dos artifícios dos que perseguem a ICAR. Achei "moderninha" demais, há termos como sentimento, cosmo, canção que se renova, etc. Transcrevo-a abaixo, conforme a recebi. Gostaria que o senhor fizesse um comentário sobre tal oração.
__________________________________________________________________________________
Segundo o autor: “ Ela está escrita em aramaico, numa pedra branca de mármore, em Jerusalém / Palestina, no Monte das Oliveiras, na forma que era invocada pelo Mestre Jesus. O aramaico era um idioma originário da Alta Mesopotâmia,(séc VI ac), e a língua usada pelos povos da região. Jesus sempre falava ao povo em idioma aramaico. A tradução direta do aramaico para o português, (sem a interferência da Igreja), nos mostra como esta oração é bela, profunda e verdadeira, condizente com o Mestre Jesus”.

" Pai-Mãe, respiração da Vida, Fonte do som, Ação sem palavras, Criador do Cosmos !
Faça sua Luz brilhar dentro de nós, entre nós e fora de nós para que possamos torná-la útil.

Ajude-nos a seguir nosso caminho, respirando apenas o sentimento que emana do Senhor. Nosso EU, no mesmo passo, possa estar com o Seu, para que caminhemos como Reis e Rainhas com todas as outras criaturas.

Que o Seu e o nosso desejo, sejam um só, em toda a Luz, assim como em todas as formas, em toda existência individual, assim como em todas as comunidades.

Faça-nos sentir a alma da Terra dentro de nós, pois, assim, sentiremos a Sabedoria que existe em tudo. Não permita que a superficialidade e a aparência das coisas do mundo nos iluda, E nos liberte de tudo aquilo que impede nosso crescimento.

Não nos deixe ser tomados pelo esquecimento de que o Senhor é o Poder e a Glória do mundo, a Canção que se renova de tempos em tempos e que a tudo embeleza. Possa o Seu amor ser o solo onde crescem nossas ações. Que assim seja !!!”
__________________________________________________________________________________

Obrigado e que Deus os abençõe!

Muito prezado Sidney,
Salve Maria.
 
Como vai você! Que bom entrarmos me contato novamente Eu é que tenho saudades de suas perguntas e de seu interesse vivo pela verdade.
 
Esse pai nosso é um absurdo. Ele começa chamando Deus de pai e mãe. Isso é uma gagueira. Deus é quem dá a vida como o pai é transmissor da vida. A mãe fornece a matéria para a criança. Por isso é próprio chamar a Deus de Pai. E foi o que fez Nosso Senhor Jesus Cristo. esse pai nosso falsificado é feminista e deve ter sido feito hoje.
 
Chamar Deus de respiração da vida é uma gagueira. Cristo jamais poderia ter dito essa bobagem. Fonte do som é outra tolice. Som é vibração do ar Em Deus não há respiração e nem fonte do som. Essas coisas materializam a Deus que é puro espírito Ato puro.
 
A colocação da luz de Deus como precisando de nós para ser "útil" indica bem a mentalidade materialista ou capitalista de nossa época. Quem falsificou esse pai nosso ridículo e burro é bem de nosso tempo utilitarista.
 
Do Ato Puro nada pode emanar. Atribuir emanação a Deus é ter dEle uma concepção gnóstica. E Deus não tem sentimento pois é só Inteligência e Vontade.
 
Identificar o Eu do homem com o Eu de Deus é também sinal claro de Gnose. E pior é que ele identifica o Eu do homem com os dos animais como se animais tivessem um eu.
 
O Coitado que fez essa falsificação era bem jumentino.
 
Alma da Terra é outra bobagem de característica gnóstica. A terra não tem alma coisa nenhuma.
 
Esqueça essa bobagem.
 
Queria indicar-lhe o nome de uma jornalista muito inteligente que nos está escrevendo. Ela é de Teresina e se chama EMANUELLE CARVALHO e o e-mail dela é
emanacarvalho@yahoo.com.br
 
Entre por favor em contato com ela que parece ser bem boa.
 
Ela poderia ajudá-lo a montar um grupo de Amigos da Montfort aí na capita do Piauí. Um abraço saudoso de seu amigo.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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