Montfort Associação Cultural

2 de agosto de 2005

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Opção preferencial pelos pobres

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Edson Luiz Sampel
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Profissão: Advogado
  • Religião: Católica

Prezado professor.

Gostaria de saber o que o senhor tem a dizer sobre o princípio da “evangélica opção preferencial pelos pobres”? Trata-se de uma “invenção da TdL”? Assim como assim, parece-me que o falecido papa reportou-se bastante ao aludido princípio, chegando a consigná-lo em documentos e homilias.

Obrigado pela atenção.

Edson Luiz Sampel

Muito prezado Edson,
Salve Maria!

    Cristo louvou os pobres de espírito, e não simplesmente os materialmente pobres. Um rico que não tenha apego às riquezas, é espiritualmente pobre. Mas, um favelado cobiçoso de riquezas materiais, esse é espiritualmente rico, e não bem aventurado. Por isso, Deus foi bem amigo de Abraão, Davi, e de Jó, que eram ricos, e Cristo foi amigo de Lázaro, que também era rico.

    Foi sim a teologia da Libertação que fez grande propaganda dessa fórmula. João Paulo II chegou a elogiar a Teologia da Libertação, e depois a condenou.

    O Cardeal Ratzinger, no retiro espiritual que pregou ao Papa João Paulo II e aos Cardeais em 1986, demonstrou que a Teologia da Libertação repete o desafio do demônio a Cristo na primeira tentação que fez ao Verbo Encarnado, no deserto: “Se és o Filho de Deus, transforma essas pedras em pães“. E Nosso Senhor lhe respondeu que: “Não só de pão vive o homem , mas de toda a palavra que sai da boca de Deus“. Isto é, que um homem pode estar passando fome material, e ter vida espiritual perfeita, aderindo à Palavra de Deus, que é um alimento superior.

    Desse modo, mostrou Ratzinger, o demônio colocava o estômago como centro do homem.

    E o mesmo fez, e faz, a Teologia da Libertação.

    Escreveu o então Cardeal Ratzinger:

    ”Sem resposta para a fome da verdade, sem cura das doenças da alma ferida por causa da mentira ou, numa palavra, sem a verdade e sem Deus, o homem não se pode se salvar. Aqui descobrimos a essência da mentira do demônio. Deus aparece na sua visão do mundo como supérfluo, desnecessário à salvação do homem. Deus é um luxo dos ricos. Segundo ele, a única coisa decisiva é o pão, a matéria. O centro do homem seria o estômago” (Cardeal Joseph Ratzinger, O Caminho Pascal,– Curso de Exercícios Espirituais realizado no Vaticano na presença de S.S. João Paulo II, Loyola, São Paulo,  1986, p. 14-15).

    E perguntou o Cardeal Ratzinger, falando aos Cardeais:

    “Porventura não existe uma tendência, também entre nós, de adiar o anúncio da verdade de Deus, para antes fazer as coisas “mais necessárias”? Vemos, porém, que um desenvolvimento econômico sem desenvolvimento espiritual destrói o homem e o mundo” (Cardeal Joseph Ratzinger, O Caminho Pascal,– Curso de Exercícios Espirituais realizado no Vaticano na presença de S.S. João Paulo II, Loyola, São Paulo,  1986, p. 15)..

    Esperando tê-lo auxiliado a compreender essa questão, me subscrevo, atenciosamente.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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