Montfort Associação Cultural

6 de janeiro de 2005

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Oferecimento de sacrifícios no Antigo Testamento

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Armando
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil

Caro Professor Orlando Fedeli, Parabéns pelo seu excelente site. Deus o recompense pela paciência em responder a tantas cartas, como essa que encaminho.

Ao ler o Levítico, na Bíblia da Paulinas que tenho, fiquei com uma dúvida quando li a introdução dessa edição.

Diz lá: Moisés, com suas leis, só regulamentou e consagrou ao culto do verdadeiro Deus um cerimonial já praticado, deixando ainda toda essa legislação dos sacrifícios separada das condições essenciais do pacto celebrado entre Deus e o seu povo (Êx 19,23). Nesse sentido deve-se entender aquele protesto do próprio Deus contra os judeus, por boca de Jeremias (7,22-23): “Em matéria de sacrifícios e holocaustos, eu nada disse e nada ordenei aos vossos pais ao tirá-los do Egito; dei-lhes somente esta ordem: – Escutai a minha voz; eu serei vosso Deus e vós sereis o meu povo -” Ex. 19,5).

Todas aquelas leis só eram então o costume dos judeus?

Para mim, até pode fazer sentido, porque Deus é simples e não iria se preocupar com detalhes como o tamanho dos panos para o tabernáculo por exemplo.

Diz ainda nessa introdução que todas essas leis cerimoniais foram ab-rogadas depois de Jesus Cristo.

No levítico há leis sobre a pureza, como por exemplo, não ter relação com mulher em seu período de fluxo. Quer dizer que isso não vale mais?

E também não se sentar onde ela sentou, etc.

O que vale e o que não vale mais? O que foi ab-rogado?

Mudando de assunto, tenho outra pergunta: porque as iniciativas ecumênicas, em grande parte, só partem da Igreja Católica ou se dirigem à Igreja Católica? As outras religiões não tem tanto interesse em dialogar entre si. É só com a Igreja Católica que isso acontece. Porque não vemos os ditos atos ecumênico acontecer entre, por exemplo, budistas e maometanos, luteranos e umbandistas? É muito estranho.

Paz e bem.

Armando

Muito prezado Armando, salve Maria !

Agradeço-lhe suas palavras de elogio ao site Montfort. Peço-lhe que reze a Deus, que nos mantenha na fidelidade a esse trabalho, defendendo a honra de Deus e a sua única Igreja.

Sobre a sua pergunta a respeito do texto da Bíblia das Paulinas, infelizmente, não posso ajuizar dela, porque não tenho à mão.

Gostaria de ler o texto completo. Mas, pelo que você me passou, também eu fico perplexo, pois a explicação dada parece-me falha.

Os homens sempre, desde o início do mundo, para reconhecerem que Deus é o Senhor de todas as coisas, e de que tudo recebemos dEle, sempre sacrificaram, destruíram, uma parte de suas colheitas ou de seus rebanhos, isto é, de seus bens, ofertando-os a Deus.

Foi isto que fizeram Abel, corretamente, e Caim, com má vontade.

Abraão, também, sacrificou uma ovelha, no Monte Moriá. Os judeus, sendo pastores, sacrificavam parte de seus bens, isto é, suas ovelhas, para reconhecerem Deus como Senhor de tudo, e para mostrar confiança de que Deus lhes daria ainda mais bens, no lugar daquele que eles sacrificavam.

Não é verdade que Deus não exigiu sacrifícios. Mesmo ao saírem os judeus do Egito foi o próprio Deus que os mandou  sacrificarem um cordeiro, e passarem o seu sangue nas portas de suas casas como sinal para que o anjo não matasse os primogênitos judeus.

E logo no capitulo XX do Êxodo( 22-26) está escrito: “O Senhor disse a Moisés: Dirás estas coisas aos filhos de Israel: Vós vistes que vos falei do céu. Não fareis para vós deuses de prata, nem deuses de ouro. Far-me-eis um altar de terra, e oferecereis sobre ele os vossos holocaustos e as vossas hóstias pacificas, as vossas ovelhas e bois em todo o lugar onde se fizer a memória de meu nome; Eu virei a ti e te abençoarei. Se, porém, me edificares algum altar de pedra, não o edificarás de pedras lavradas; porque se levantares sobre ele o cinzel, ficará poluto. Não subirás por degraus ao meu altar, para que não se descubra a vergonha de tua nudez” (Ex. XX, 22-26).

Você vê que o texto das paulinas simplifica o problema, ao que me parece, pois  Deus logo depois da saída do Egito, manda que os judeus lhe sacrifiquem suas ovelhas e bois. Portanto, os sacrifício praticados pelos judeus não eram simples costumes deles, mas foram ordenados pelo próprio Criador.

Estes sacrifícios eram prenúncios e símbolos proféticos do sacrifício do Novo Testamento, a Missa. Assim, o Cordeiro que os judeus sacrificavam para comemorar a Páscoa –sacrifício que o próprio Cristo cumpriu na Quinta-Feira Santa anterior à sua morte — era símbolo da morte de Cristo, o cordeiro de Deus sem mancha, que como o cordeiro pascal, sem mancha, morreu na Cruz sem que nenhum osso lhe fosse partido.

Todos os sacrifícios que eram simbólicos e puramente cerimoniais foram tornados inúteis quando o que eles representavam se realizou verdadeiramente. Estabelecido o sacrifício da Missa por Cristo todos os sacrifícios que o simbolizavam ficaram superados e abolidos. A realidade supera o símbolo.

Quanto ao texto de Jeremias que você cita, você deve situá-lo no contexto em que Deus o colocou. Deus estava recriminando os judeus por fazerem sacrifícios aos ídolos (Cfr. Jer. VII 16-20.). Daí, Ele afirmar que, mais importante que os sacrifícios de animais, era a obediência à sua palavra. Por isso, também, foi escrito: “Quero a obediência, e não o sacrifício“.

Quanto ao chamado ecumenismo, concordo inteiramente com a sua observação: o ecumenismo parece ter mão de direção única. Jamais se vê nenhum ato de boa vontade dos sectários com relação à Igreja. E o ecumenismo não só não alcançou os fins que pretendia, mas, causou o contrário: os católicos se dividiram e os hereges não se converteram.

Estranho, realmente muito estranho.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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