Montfort Associação Cultural

22 de outubro de 2004

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Obrigado, Senhor Orlando Fedeli

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: João
  • Localizaçao: MG – Brasil
  • Profissão: advogado

Caro Senhor Orlando Fedeli,
Permita-me enviar-lhe esta missiva, que é, ao mesmo tempo, um ato de agradecimento ao senhor.
Como muitos freqüentadores do site Montfort, iniciei minhas visitas virtuais acidentalmente, e, de pronto, não concordava com todos os pontos defendidos pelo senhor. Embora sempre admirasse o vigor com o qual a fé era defendida, eu tinha uma visão baseada “no novo jeito de ser igreja” (sim, com “i” minúsculo, hoje entendo).
Por que eu tinha essa visão?
Tive minha infância no interior de Minas, na bucólica Chorrochó das Águas, na vertente ocidental do Caparaó. Família católica, tradicional. Mãe rezadeira, avô muito católico (pai um tanto relaxado, mas hoje, graças ao Altíssimo, no caminho da conversão). Cresci entre novenas, barraquinhas de maio e Missas dominicais. Cedo nasceu algo que imaginei ser uma vocação sacerdotal.
Veio a adolescência, a fé se arrefeceu um pouco. Juventude.  Uma cidade maior. Perigos.
Mal sabia eu que os perigos estavam dentro da Igreja.
Com cerca de 16, 17 anos, eu, animado pelo brilho da Renovação, fui lá, participar. Era tudo festa. Alegria. Cantoria…mas, onde havia Igreja? Não havia. E a formação que tive quando criança falou mais alto, o Espírito Santo falou alto, e eu, após chegar a participar do famigerado Congresso Nacional, abandonei o movimento (ou, como eles dizem “a igreja em movimento”, igualmente minúsculo, claro).
Contudo, a vocação parecia ter voltado. Procurei alguns padres: carmelitas, franciscanos, até mesmo beneditinos. Acabei num seminário diocesano. À época, tinha acabado de ter contato formal com a “teologia” da libertação. Lembro-me que no encontro de admissão no seminário, eu pensei: vou comunicar aos superiores que não sou carismático, e que também não gosto da TL.
Coitado de mim.
Rapidamente vi que a TL é que “mandava”. A TL era o mote. Isso sem falar em outras coisas que vi, das quais posso falar, quem sabe, em outra carta. Coisas abomináveis. Sodoma teria vergonha.
Saí, triste. Aquilo era a Igreja? Eu não gostei. Mas o mal se plantou em mim. Eu sempre tive uma postura “racionalista”, sempre fui frio, calculista. E a TL quer ser a teologia racional. Esse mal, criticismo, acometeu-me.
Fora do seminário quase virei agnóstico (posto que, como Kant, imaginava que não podemos conhecer, senão os fenômenos).
Casei-me, virei comerciante, e entrei para a faculdade de Direito.
Cada dia, menos membro da Igreja.
Porém, o chamado teísta universal não se afastou de mim, e eu sempre me via pesquisando na Internet algo sobre a Santa Igreja, sobre outras seitas, sobre religiões e a Religião.
Foi aí que cheguei ao Montfort. Como disse acima, cheguei como crítico. Cheguei, concordando com algo, mas refutando muito. Felizmente, a verdadeira razão, aquela que é serva da caridade e brilha em direção à Verdade que é Caminho e Vida se me fez apresentar. Guiado, em muito, pelos ensinamentos do Montfort, hoje, posso dizer: sou um homem novo. Um homem que hoje se submete à Igreja, à imutável e santa Igreja. Alguém que ama o Papa (sem pieguismo), alguém que não perdeu o senso crítico, mas que, por ele mesmo, se deixa conduzir à verdade.
Conversão.
Com a conversão, sabe-se, vem a cruz.
Os meus me consideram “fanático”. Minha posição, dura (sempre fui meio duro e insosso), decidida, e, muita vez, irônica, irrita. Irrita meus parentes. Irrita meus companheiros de trabalho. Nunca fui um homem de muitos amigos. Hoje sei: não tenho amigos. Mas, enfim, antes só do que mal acompanhado. Até mesmo no trabalho estou vivendo um certo martírio pessoal. Mas quem disse que ser cristão é ter paz? Não, é carregar a cruz. E eu a carrego com doçura e felicidade. Morro, mas não a solto.
Meu caro Orlando Fedeli, eu quero aqui agradecer ao senhor. O senhor, em seu apostolado, mesmo sem saber, me ajudou sobremaneira. Foi uma luz no caminho da conversão. Sem seu site, talvez hoje eu fosse um agnóstico, um modernista, um (Deus me livre) protestante. Saiba eu o senhor está em minhas orações, e que lhe sou grato.
Cordialmente,

Muito prezado João,
salve Maria!
 
Que alegria me de seu telefonema, e, logo depois, esta sua mensagem!
Deus seja louvado!
 
Escrever na Internet, sem jamais ver os leitores, o mais das vezes sem conhecê-los — era o seu caso, para mim, até algumas horas atrás — equivale ao labutar de um lavrador que lança sementes, à noite, num campo que não vê, e que não pode nem depois verificar o resultado, e, de hábito, sem poder colher a seara. Só no dia do juízo ver-se-ão os frutos que a Montfort semeia na Internet, de sorte que, chegando uma carta como a sua, Deus me permite ver os frutos bons, numa alma que eu não conhecia. Como me permite entrever que existem tantas outras pessoas abandonadas às quais a Montfort está ajudando sem o saber.
           
Claro que o lavrador sabe, com toda a certeza, que, lançando a semente, virá o fruto.
 
Mas que alegria contemplar o trigal balouçando ao sol!
 
Que alegria, mesmo à noite, ter nas mãos uma simples espiga probante que existe a seara!
 
Então, vale bem a pena ficar escrevendo horas e horas a fio, discutindo, debatendo, incentivando, lutando, entre injúrias e ofensas, conclamando!
 
Ainda que não se vejam e nem se saibam os resultados, é certo que Deus abençoa o apostolado feito, ”às escuras”, ao brilho eletrônico de um monitor.
 
Então, atrás dessa tela, onde meus dedos imprimem letras, há uma alma que me lê. Uma alma que discorda. Uma alma que se irrita, a princípio, mas que não consegue deixar de voltar, a discutir — ainda que dentro de si mesmo — com um velho e brabo professor que ele também não vê. Uma alma a quem Deus fala no silêncio da noite, como num eco, sussurrando baixinho no fundo da alma: “Veja, meu filho… É bem verdade!”
 
Até que, numa aurora imensa, uma grande luz nasce para quem jazia nas sombras da morte: é verdade! A Igreja Católica é a verdade! Jesus é a Verdade! O Papa é o doce Cristo na Terra!
 
Oh meu Deus, é verdade! É verdade! É verdade!   
 
E renasce a Fé num menino criado entre rezas e novenas, que se afastou de Deus, e que volta. Como o filho pródigo!   
 
Como não me comover, pensando que Deus me permitiu, a mim, miserável professorzinho secundário, ajudar um filho a voltar à casa do Pai!
 
Foi Deus quem fez isso. Foi Nossa Senhora que nos abençoou. Foi um instrumento vil — um professor  no anoitecer da vida –que despertou um moço generoso, através de um instrumento ainda mais vil: um miserável computador.
 
Deus que pode fazer das pedras filhos de Abraão, bem pode fazer também de um computador uma espada.
 
E como não me comover ao ouvi-lo dizer que sempre você reza por um professor que você nem conhecia, a não ser pelas letras frias do computador?
 
Deus seja louvado que nos uniu, como labaredas, no mesmo fogo da Fé Católica. Porque, agora, você, meu filho, — permita-me chamá-lo assim, por causa de minha idade - é como eu: a mesma luz da Fé brilha em nossas almas. O mesmo desejo de defender a Santa Igreja nos une.
 
Encontramo-nos, hoje, como dois cruzados, vindos de terras diversas, sob a mesma cruz e a mesma bandeira e com a mesma espada. 
 
Bendito seja Deus que nos suscitou para esta santa “guerra”, pela salvação das almas.
 
Então, é verdade também a comunhão dos santos na verdadeira Igreja: você, sem me conhecer pessoalmente, rezava por mim, enquanto eu, que não sabia de sua existência e de seu combate interior, rezava por algum moço, desconhecido leitor de argumentos, no site Montfort!
 
Por vezes, quando, na hora da tentação, o vento do pessimismo sopra nas almas, me vem um eco que murmura: “Será que o site Montfort realmente faz tanto bem assim? Será que por trás desses números frios –  120 a 150.00 leitores por mês — há de fato, um resultado importante?”. “Não haverá exagero em esperar uma safra—que se julga  dourada – na escuridão do incógnito?”
 
Sua carta responde in totum a essa voz do pessimismo.
 
Sim! Mil vezes sim! Vale bem a pena!
 
O site Montfort faz, de fato, um bem maior do que se pode imaginar. 130.000 acessos por mês são nada, quando comparados ao retorno de um jovem à Fé católica.
 
Ainda que fosse só pelo bem feito a uma só alma, como a você,  autor desta bendita carta – E tão bem escrita! – E tão autêntica! - E tão sincera! E tão católica, em seu propósito de não soltar a cruz! — valia bem a pena escrever mais de dez mil cartas, nestes anos. Que bom ter sido ofendido! Que bom ter sido injuriado e incompreendido!
 
Um moço me compreendeu.
 
Muitos jovens, por toda a parte, me têm compreendido Muitas almas compreenderam: há uma só verdadeira Igreja, a igreja Católica Apostólica Romana, fora da qual não há salvação.    
 
A aurora que nasceu em sua alma é símbolo e precursora da aurora que renasce em milhares de almas, por toda a parte, pois que a Igreja Católica é imperecível.
 
Deus não morre.
 
Que Deus lhe pague por sua bondade e por suas preces. E que Ele lhe pague fazendo de sua alma uma tocha viva da Verdade católica.
 
É o que lhe deseja este velho professor que lhe escreve agora — contente, bem contente, em lágrimas também, in Corde Jesu, semper,
 
Orlando Fedeli

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