Montfort Associação Cultural

3 de abril de 2007

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Objetivos da Renovação Carismática

Autor: André Roncolato

  • Consulente: Simone Barbosa
  • Localizaçao: Recife – PE – Brasil
  • Religião: Católica

Carissimos,

A muito que sei sobre a origem da RCC,participo de encontros da RCC e tive minha iniciação dentro da igreja,com meus estudos sobre história,catecismo e fé, apartir da RCC.
Mas também a muito tempo que vejo as severas críticas a ela,compreendo-as em muitos pontos,principalmente no que se refere a fatos específicos.Mas para mim, na minha humilde opinião,corrija-me se errada, não vejo tanta contradição,tantos insultos a Igreja quando falamos das intensões e objetivos da RCC como um todo e não isoladamente.

Então sobre isso gostaria de saber qual a posição do Papa Bento XVI sobre a RCC.Ele já se pronunciou?Algum Bispo já se pronunciou contra a RCC?Algum representante do Vaticano?Sei que nosso amado João Paulo II teceu elogios a RCC,que vocês mesmos nos alertaram a observação. Certo, observo,tomo cuidado e reflito sobre o que li.Mas acho que não podemos julgar todo o movimento por ações irresponsáveis de um grupo de indivíduos.Pois fiz parte de grupo carismático que rezerva tempo para o estudo da bíblia,do catecismo católico,inclusive estudo sobre história para aprendermos a refutar todos os insultos injustos feitos a Santa Igreja,,ou seja,nem todos são totalmente sentimentalistas.Tão tal que hoje quando vou a um encontro religioso sempre procuro profundidade de conhecimento,de fé,de doutrina.E acho que todo extremo,nesse caso,pode ser maléfico.Pois claro que o exagero de sentimentalismo leva a uma fé rasa,fraca.Mas também,temos que admitir que a racionalização absoluta da fé também tonar tudo tão frio,tão mecânico que também soa raso.Por isso eu acho que deveriamos sim darmos essa injeção de sentimento,de força,de intusiamos que a RCC trás munidos de doses diárias de leitura,conhecimento e saber da fé Católica Romana.Por isso,na minha pequenês,acho que seria muito mais engrandecedor se soubessemos somar essas duas coisas.Se pudessemos estar mais próximos desses dois extremos puxando-os para o equilibrio.

obrigada pela atenção e espero que poder contar com a colaboração de vocês.
Desde já estou rezando pela perpetuação do seu trabalho que,ao meu ver,visa a fortificação da nossa fé.
E espero que em momento algum essa carta venha a trazer algum tom de agressão,coisa que vi em muitas cartas do site e que me lastima tanto.Está longe de mim algo desse gênero.

Prezada Simone, Salve Maria!

     Antes de tudo, agradeço suas orações e intenções pelo nosso trabalho, que não é mais que um dever nosso. 
     Uma doutrina ruim, não necessita de uma condenação formal para que nos afastemos dela, embora uma condenação solene pela Igreja, traga um bem enorme e grande proveito para os fiéis. Basta que a comparemos a doutrina suspeita com a doutrina católica que é imutável. Visto que a primeira se opõe à segunda, é motivo mais que suficiente para abandonarmos o erro e nos opormos a ele. 
     A RCC possui uma doutrina ruim e anti-católica, sob o disfarce da piedade e da obediência subjetiva, o que a torna ainda mais prejudicial às almas. Estes “fatos específicos” que você mesma cita, são apenas os efeitos nefastos da doutrina que subjaz na Renovação Carismática. Uma doutrina que ensina através de práticas irracionais que o Espírito Santo inspira individual e diretamente as pessoas sem a necessidade da Igreja e de seu magistério, leva inevitavelmente ao cisma e possivelmente a heresia. Mesmo por que a RCC é apenas uma transposição do pentecostalismo sob uma roupagem pseudo-católica. 
     Evidentemente, esta doutrina não é exposta freqüentemente de maneira sistemática, pois os católicos se afastariam, mas é exposta através das práticas “espiritualistas” e irracionais, das canções sentimentais, nas histerias coletivas de seus encontros e culminando nos abusos e profanações da liturgia. Assim, muitos dos fiéis católicos, sob a influência do romantismo, aceitam passivamente e, cada vez em maior grau, essa doutrina, e ao se perceber, já estão numa atitude cismática, por vezes involuntária. 
     Claro que os dirigentes e líderes da Renovação, como Padre Jonas, Prof. Felipe de Aquino, Pe. Antonelo, D. Alberto Taveira etc, não podem alegar essa mesma passividade… São eles os grandes difusores da rebeldia contra o magistério da Igreja. Eles sabem o que fazem, e sabem que enganam os fiéis. 
     Vou lhe citar as intenções e objetivos da Renovação Carismática, sobre a obediência ao Sagrado Magistério da Igreja e suas leis e quanto às leis de Deus: 

“Mais tarde quando a Igreja estabeleceu suas estruturas, calcadas nas do Império
, que eram leis férreas, que ignoravam o amor, prevaleceu a Igreja da lei, sobre a do amor (…) Que fazer então? Pedir sua abolição? [abolição das leis da Igreja e das leis de Deus] Seria absurdo esperá-la de quem está no alto. A abolição depende de nós, que estamos em baixo, tornando-as inúteis e supérfluas. A abolição será um fato consumado quando nós tivermos substituído as leis pela lei do amor.” (FALVO, S. O Espírito Santo nos revela Jesus. 4.ed. Edições Paulinas, São Paulo, 1983. – destaques nossos)

     Veja que se colocássemos esta citação na boca de Lutero, ou na boca de um pastor protestante qualquer, seria até compreensível… pois é…mas quem diz isso é o padre Serafino Falvo, um autor proeminente e influente da RCC italiana e mundial, fundador de diversas “comunidades” hoje associadas às Fraternidades Católicas de Comunidades de Aliança Carismáticas!
     O interessante é que ele ataca explicitamente o Papa, pois, o único que poderia “abolir” essas leis seria ele. É evidente que isso é falso. Pois, a leis dadas à Igreja são provenientes de Deus, e, portanto, imutáveis e irrevogáveis. Nem mesmo o Papa pode mudá-las, ao contrário, o Papa é o grande guardião destas leis. Sabendo disso, diz o autor Carismático: 

Seria absurdo esperá-la  
     
     Então ele propõe uma alternativa: a rebeldia! 

A abolição depende de nós, que estamos em baixo, tornando-as inúteis e supérfluas.”

     Então, a RCC faz com que muitos católicos, passiva e involuntariamente através de vários artifícios emocionais e irracionais, se rebelem (ou fiquem preparados para se rebelar) contra a autoridade e a hierarquia da Igreja. À menor controvérsia, defendem com todo afinco a RCC, mesmo às custas de ataques diretos a mais clara doutrina da Igreja e até mesmo colocando em dúvida a autoridade Papal quando infalivelmente pronunciada. Dizem eles: “o que vale é o amor”.      
     Esse “amor” citado enfadonhamente pela RCC como escudo para seus abusos e para sua doutrina, nada tem haver com o Amor e Caridade cristãos. Esse “amor” da RCC tem um conceito sentimentalóide e encharcado de romantismo gnóstico. Esse conceito de “amor” deturpado e processado pela doutrina carismática, visa única e exclusivamente a destruição das Leis de Deus e da Santa Igreja. Dizia Napoleão que: “Só é destruído aquilo que é substituído.” É claro! Quando eliminamos alguma coisa essencial, se não houver uma substituição, este algo volta à tona novamente. É necessário substituir, para que seja esquecido e definitivamente destruído. Então, para que tudo ande bem, basta substituir as Leis de Deus pelo “amor”. Que lindo! Pois, como dizem eles “tudo se resume no amor” …que toquem os violinos, ou melhor, os teclados… 
     É evidente que há uma síntese da Lei de Deus na Caridade: amar a Deus Nosso Senhor e ao próximo, por amor a Deus. Amar é querer o bem para o outro. Portanto, amar a Deus Nosso Senhor é desejar que aumente Sua glória extrínseca, esse é o bem que podemos desejar a Deus que é o Sumo Bem. E aumentar sua glória extrínseca é cumprir e fazer com que outros cumpram sua Lei. Este é o amor Católico, o verdadeiro amor. Quando desejamos e ajudamos nosso próximo a cumprir a lei de Deus, estamos amando a ele [ao próximo] por amor a Deus e a Deus por aumentarmos sua glória. Pois, só poderemos obter a salvação da alma se praticarmos a lei de Deus. Isto é a Caridade. Pois “Deus Charitas Est”. 
     Destruindo a Lei, destrói-se a Caridade. Portanto, a RCC é contra o amor, contra a caridade. Sem a Lei é impossível agradar a Deus. Sem a Lei, sem a Igreja, não podemos nos salvar. 
     Conclui-se então, que a RCC tem ódio absoluto das almas enquanto direta ou indiretamente, prega a subversão à Lei de Deus e da Igreja. 
     Além disso, há uma doutrina gnóstica, se esgueirando entre as palavras. A gnose diz que tem que haver uma evolução da religião. Uma evolução teve inicio na Igreja da Lei, passando para a Igreja da Graça e o nosso tempo deveria se transformar na Igreja do Amor. Esta Igreja do Amor, aboliria toda lei, todo rito, toda Verdade, tudo seria permitido, nada seria falso ou verdadeiro em sentido objetivo, todas as religiões seriam igualmente válidas, todas as relações entre os seres humanos admitidas e desejáveis, importando somente o “amor”. Assim como prega o tolerante ecumenismo de hoje. Por isso D. Alberto Taveira lava o pé de um herege anglicano, em vez de admoestá-lo para a verdade e a conversão. 
     Por exemplo, os teólogos da RCC sugerem que é até salutar a aproximação do candomblé com a RCC! Veja o que diz Francisco Catão e o padre João Carlos Almeida, em resposta a um artigo contra a RCC feito por monsenhor Luiz Gonzaga do Prado: [esperar a abolição] de quem está no alto.
     
“Finalmente, sobre a comparação das celebrações carismáticas com as práticas do candomblé
, deveríamos ter um pouco mais de cuidado e respeito. Deveríamos conhecer melhor as bases do candomblé antes de fazer uma critica simplista aos seus ritos. É uma religião de origem animista, pré-cristã, em fase de encontro e diálogo com a fé cristã. Isto merece respeito e acolhida em clima de diálogo inter-religioso.” (Almeida,J.C. Catão, F. “RCC Responde: existem razões para apoiar a RCC?” .Ed. Anunciação.s.d.) 

     Tanto Pe. Almeida quanto Francisco Catão não podem alegar ingenuidade, pois ambos são doutores em teologia, e os autores do livreto explicativo “RCC Responde” v.4. 

     Você nos pergunta sobre a posição do Papa e da Igreja sobre a RCC. Não há uma condenação formal. Porém, não precisa ser muito perspicaz para notar: o Papa, em seu discurso em Ratisbona condenou a filosofia e a teologia modernas, que são gnósticas e antropocêntricas, e com isso toda sua prole desde Duns Scotto, abarcando a RCC e a Teologia da Libertação que ficam agora em grande contradição. Ambas têm sua origem na mesma raiz, embora dialeticamente opostas. Condenou o ecumenismo. Agora estão por voltar a Missa em Latim, o padre de costas para o povo e o canto Gregoriano. Em outras palavras, guitarras, baterias e o rock estão com seus dias… ou melhor, com suas notas contadas. 
     E por último e o mais importante de tudo, o Papa está para liberar a Missa de Sempre, que além de trazer enormemente graças para toda a Igreja – pois, Deus nela é adorado verdadeiramente – ela é a maior condenação que se pode fazer a todos os erros que foram semeados pelo Concílio Vaticano II.      
     Desejo a você, Simone, um grande bem, que Deus Nosso Senhor lhe ilumine o entendimento, para que você se afaste o mais rapidamente da RCC e de sua doutrina.

In die judicii, ut nobis parcas, Domine. 
André Roncolato

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