Montfort Associação Cultural

22 de maio de 2006

Download PDF

Objetividade da Arte

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Lucas Padrão
  • Localizaçao: Campos dos Goytacazes – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Estudante
  • Religião: Católica

Saudações caros amigos da montfort.

Algum tempo após concordar plenamente com o artigo “Música e Beleza“, encontrei-me em um descompasso:

1- Como um artista pode por meios objetivos, criar uma obra de arte bonita?

Apenas observando subjetivamente a criação, não posso estabelecer as regras e determinações da Harmonia Musical, que na verdade não tem relação com nenhuma criação do universo.
Embora eu entenda que uma alma virtuosa possa criar coisas bonitas, não entendo como uma alma em vício pode criar uma música feia se utilizar das mesmas regras que utilizou a alma de virtude e vice-versa.

2- Se eu usar a proporção como medida de perfeição da obra, como posso estabelecer proporcionalmente uma música?

Não consigo, por exemplo, medir o nível de perfeição do Criador (ao menos objetivamente). Como estabelecer uma comparação entre a minha obra -semi-perfeita- e a obra perfeita, para dizer o quanto perfeita e imperfeita é a minha obra?

3-Como usar o cálculo de Boécio para criar uma música bonita?

Boécio cita certas proporções e diz que são belas. De fato os intervalos citados por ele são consonantes. No entanto as mesmas proporções são calculadas em intervalos dissonantes.

4- Vários movimentos tentaram expressar o universo na música. Impressionismo, Realismo etc.
No entanto o resultado obtivo na composição é um tanto horroroso.
Por que isso ocorreu?
Como ex. a Obra “quadros de uma exposição” de Mussorgsky, “Diálogo entre o Vento e o Mar” de Debussy.
são obras extremamente dissonantes e feias, e tentaram expressar o universo.

5- Uma pessoa extremamente gorda é desproporcional?
Note que todas as partes do corpo engordam proporcionalmente em função das outras partes.

6- Música celeste é um conceito objetivo ou subjetivo?

Se eu nunca ouvi a música celeste (se este for 1 conceito literal) como estabelecer a ordem da minha música artificial segundo à ordem da primeira?

Certo de vossa compreensão

Abraços

Muito prezado  Lucas,
Salve Maria.
 
    As regras de harmonia provém da leis da natureza estabelecidas pelo próprio Deus. Foi Deus quem fez as coisas proporcionadas e não o homem. Nós apenas constatamos essas leis na natureza e as aplicamos nas obras de arte para imitar a natureza.
    A obra de arte visa fazer compreender a verdade, amar o bem e sentir racionalmente a beleza através da compreensão de suas leis. Uma obra de arte que obedeça às leis estabelecidas por Deus será sempre uma obra bem feita. Mas ela será má se não obedecer às regras da moral — (que também são leis naturais) — e incentivará ao pecado. Era exatamente o que faziam os artistas do Renascimento: obras perfeitas, mas imorais.
    Toda música é fundamentada nas proporções estabeleciads por Deus naturalmente entre as notas. Qualquer obra que explique as notas musicais e a arte da música vai lhe mostrar isso.
    O Impressionismo e o Realismo são escolas românticas, e o Romantismo negava que se devesse obedecer às leis estéticas. O romantismo era irracional.
    O Impressionismo negava mesmo que se pudesse conhecer a realidade. Teríamos apenas impressões da natureza, mas nos seria impossível captar o conhecimento do que as coisas realmente são. Teríamos impressões e não idéias ou conceitos objetivos da realidade.
    Para o Realismo, não haveria senão a realidade material. Era uma escola materialista, negadora da alma e de Deus. Essa escola não poderia aceitar a beleza espiritual, que é superior à beleza material. Pior ainda. Para o Realismo, a natureza material seria má. Daí o pessimismo com que se retratava o real, buscando acentuar apenas os aspectos negativos da realidade.
    Mussorgsky e Debussy foram simbolistas e a escola romântica simbolista era defensora da Gnose. Para o simbolismo, como para  a Gnose, a realidade material seria produto de um deus mau, e seria então má em si mesma. O simbolismo era teosófico, daí seu ódio ao real e ao racional. O Professor Massaud Moisés tem trabalhos sobre o simbolismo que explicam bem o caráter gnóstico dessa falsa arte.
    Você me pergunta se “Uma pessoa extremamente gorda é desproporcional”?
    Por que você colocou o advérbio extremamente?
    Extremamente quer dizer excessivamente. Excessivo é o que passa da medida. Que medida da porporção?
    Proporção é igualdade entre duas razões. Por exemplo: 1/2 = 3/6. Essas duas razões têm o mesmo quociente:  0,5.
    Isso é uma proporção. Um homem execessivamente gordo é aquele cujas medidas não formam uma proporção. 
    Noto que você não possui claramente os conceitos de lei e proporção. Por isso sua dificuldade em compreender esses problemas.
    Um abraço.
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

TAGS

Publicações relacionadas

Artigos Montfort: No princípio não era o berro - Fábio Vanini

Artigos Montfort: O novo Código da Vinci e o velho Código Voltaire

Cartas: Arte Gótica - André Palma

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais