Montfort Associação Cultural

17 de janeiro de 2005

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Obediência na hierarquia da Igreja

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Alexandre
  • Idade: 29
  • Localizaçao: São Paulo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Religião: Católica

Dileto amigo, tenho dúvidas quanto a obediencia dentro da hierarquia da Igreja, como: quem deve obedecer a quem? se existem limites nesta obediencia, se existem casos de abuso de autoridade e qual é a providencia que a Igreja tomas nestes casos. Não falo do voto de obediência dos religiosos, já bastante esclarecido pelo direito canonico, mas da obediencia em relação ao papa, aos cardeais, aos bispos, aos padres e diaconos seculares e aos leigos.

Agradeço desde já sua atenção

Muito prezado Alexandre, salve Maria!

A solução do problema que você me coloca é relativamente fácil de ser explanada e compreendida. Difícil de ser executada, na prática, pela delicadeza do problema proposto.

Você conhece a resposta de São Pedro ao Sumo Sacerdote judeu que proibiu aos Apóstolos de fazer milagres e de ensinar o cristianismo: “Deve-se obedecer antes a Deus do que aos homens”. (Atos dos Apóstolos, V, 29).

Como você sabe bem, segundo a doutrina católica, todo poder vem de Deus.

Mais do que qualquer outro poder, o do Papa provém diretamente de Cristo Deus. “O Papa é o doce Cristo na terra”, como dizia Santa Catarina de Siena. Também o poder dos Bispos provém diretamente dos Apóstolos, e, por meio deles, provém de Cristo, Deus e Homem.

Uma desobediência formal ao que determina o Papa é pecado gravíssimo, e se a desobediência chegar ao grau de negar a própria autoridade do Papa como Vigário de Cristo na terra, ela se constitui em cisma, que é um pecado ainda maior.

Isto significa que devemos sempre obedecer ao Papa e aos Bispos diocesanos, em união com o Papa, em tudo o que eles ordenam segundo a Fé a lei de Deus e da Igreja.

Também a obediência aos pais é obrigatória pelo quarto mandamento da Lei de Deus, e desobedecer aos pais, em matéria grave, é pecado mortal.

Entretanto, a obediência a qualquer autoridade — Papa, Bispos, pais, governantes, mestres –é condicionada a Deus, que dá o poder a toda e a qualquer autoridade.

Todo poder vem de Deus, mas se a autoridade manda fazer alguma coisa contra a lei de Deus e contra a verdade, ela corta seu laço com Deus, e sua ordem perde a autoridade. Assim, se um pai manda que seu filho vá vender maconha, o filho não tem que obedecer.

Se um governante manda cometer um crime, o súdito não deve obedecer, pois se obedecer será cúmplice no crime.

Por exemplo, os alemães na Segunda Guerra Mundial, mesmo os oficiais do exército alemão, não deveriam obedecer às ordens de Hitler de prender e matar os judeus, só por serem judeus. Quem obedeceu a Hitler, executando os crimes que ele mandou, foi cúmplice dele em seus crimes de genocídio.

Os mesmo princípios se aplicam à Igreja.

Se um padre — como agora soube de um, numa cidade do interior paulista — manda fazer algo contra a fé, ou se ensina algo contra a fé, não deve ser nem obedecido, nem acatado, em seu ensinamento errado.

Concretamente, na Missa, por ocasião da oração da paz, o padre ordenava, na Missa: “Agora, cada um belisque a pessoa que estiver a seu lado”. Era então um beliscar de mocinhas… Quem obedecia a esse padre, beliscando moças e senhoras, errava.

Outro exemplo: o Bispo Dom Casáldaliga escreveu poemas contrários ao direito de propriedade, e de incentivo a revolta. Ele não deve nem ser ouvido, e nem obedecido quando mandava algo que contrariava a doutrina católica. No mais, quando ele mandasse o que está de acordo com a Fé, deveria sempre ser obedecido.

O Papa também deve sempre ser obedecido, a não ser que mande fazer algo diretamente contra a Fé ou contra a moral.

Por exemplo, o Papa Alexandre VI tinha capangas aos quais mandava que assassinassem os seus inimigos. É claro que esses homens não deveriam obedecer ao papa Alexandre VI — o Papa Bórgia — quando ele mandava praticar um crime. Se, por hipótese, então, um Papa mandasse fazer algo contrário à Fé ou aos dez mandamentos, não se deveria acatá-lo, porque, nesses casos, ele estaria mandando fazer algo contra Deus, e “deve-se obedecer antes a Deus do que aos homens”, como ensinou o Papa São Pedro.

Em matéria de fé, São Paulo ensina o mesmo ao dizer: “Se um anjo do céu vier ensinar um Evangelho diferente, que seja anátema” (Gal. I, 8).

É claro que isso só ocorre em raríssimos casos.

Por exemplo, os que se revoltaram contra a Declaração Dominus Jesus do Papa João Paulo II, pecaram pelo menos por desobediência, senão contra a Fé.

Ainda há poucos meses, o Papa João Paulo II determinou que se voltasse a colocar os confessionários nas Igrejas, e que a confissão particular voltasse a ser praticada como sempre fora. Poucos sacerdotes obedeceram a essa ordem do Papa. Os outros padres desobedeceram em matéria grave.

Agora mesmo, o Papa João Paulo II escreveu uma encíclica sobre a Eucaristia, proibindo dar a comunhão a hereges ou a amasiados. Quem desobedecer a isso, pecará.

Vamos ver se o Papa será obedecido logo mais, quando sair o Decreto regulamentando a música nas missas…

Se o Papa proibir tocar bumbo, bateria, cuíca e reco-reco nas Missas veremos quem obedecerá…

Veremos…

E rezemos para que todos obedeçam ao Papa em tudo o que ele mandar como Vigário de Cristo, ensinando a doutrina de Cristo, porque o Papa é verdadeiramente Cristo na terra.

Viva o Papa!!!

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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