Montfort Associação Cultural

3 de novembro de 2004

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O Universo é ordenado, graças a Deus!

  • Consulente: Leonardo Batista
  • Idade: 23
  • Localizaçao: São Gonçalo – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: designer

Prezados senhores,

Esta é a primeira vez que envio dúvidas para esse excelente site Católico. Deixo desde já, registrada a minha admiração por seu trabalho e rezo para que este gere sempre bons frutos.

Por algumas semanas participei desse fórum apenas como leitor. E fiz isso no intuito de não sobrecarregá-los com perguntas repetitivas. Não tendo encontrado comentários mais específicos sobre o assunto que desejo tratar, envio-lhes esta dúvida esperando resposta atenciosa. Tenho certeza que servirá a muitos que navegam por este site.

Como estudante, sei que na faculdade ouve-se de tudo. Não necessariamente devemos concordar com o que os professores dizem, ainda mais quando certas coisas vão contra a verdade (que é única e imutável). Não posso aceitar a idéia de que a Natureza (Universo) é caótica e que as coisas acontecem ao acaso. Posso aceitar que as coisas artificiais podem assumir caráter caótico (por exemplo o trânsito numa metrópole). Sem me alongar muito, gostaria que os senhores tratassem da Teoria do Caos. Afinal, ela é concordante com a evolução como querem os evolucionistas ou é discordante como demonstra a matemática?

Para tentar me fazer entender, digo-vos o que sei a respeito dessa teoria (corrijam-me se eu estiver errado). Segundo a Teoria, o caos é aparente, ele não existe (na natureza). Concordo que o caos natural não existe. A margem para os evolucionistas está no exemplo da borboleta: O bater de asas de uma borboleta na Amazônia poderia ser causa original de uma tempestade do outro lado do mundo. Ou seja, o menos causaria o mais (para os evolucionistas). O interessante é que na Matemática das fractais, parte-se sempre do “todo” para as subdivisões. Ou seja, do mais pro menos. Por favor esclareçam a questão colocada mais acima. E mais. Há como negar a beleza dos gráficos fractais?

Humildemente,
Leonardo Batista.
(desculpem-me qualquer erro ortográfico)

Prezado Leonardo, salve Maria.
 
Obrigado pelo elogios ao site Montfort, que realmente tem dado bons frutos. Reze por nós.
 
O problema do acaso e do determinismo da natureza sempre foi uma questão controversa entre os cientistas. Sua pergunta exigiria um trabalho mais aprofundado e técnico, que talvez fugisse do escopo do site Montfort. Para não deixá-lo completamente sem resposta, faço um resumo breve da questão.
 
Inicialmente, a análise do acaso era objeto de estudo do cálculo das probabilidade. Assim, por exemplo, se jogo uma moeda repetidas vezes, depois de um número grande de vezes teremos uma tendência a verificar que 50% das vezes deu cara e 50% deu coroa. Portanto, antes de jogarmos uma moeda dizemos que há 50% de chance de cair cara e 50% de chance de cair coroa.
Mas essa é uma descrição probabilística da realidade. Sabemos, depois, que a moeda ou estará com cara ou coroa voltada para cima. A pergunta natural seria: quando a moeda “escolhe” cair cara ou coroa?
 
Na mecânica de Newton, quando se conhece num certo instante o estado de um sistema físico, ou seja, a velocidade e posição do objeto em estudo, pode-se determinar seu estado em qualquer outro instante posterior. As forças que agem a cada instante sobre o sistema podem ser determinadas pelo estado do sistema a cada instante. Esse é o chamado determinismo clássico, que foi assim enunciado por Laplace:
 
“Uma inteligência que, para um instante dado, conhecesse todas as forças de que está animada a natureza, e a situação respectiva dos seres que a compões, e se além disso essa inteligência fosse ampla o suficiente para submeter esses dados à análise, ela abarcaria na mesma fórmula os movimentos dos maiores corpos do Universo e os do mais leve átomo: nada seria incerto para ela, e tanto o futuro como o passado estariam presentes aos seus olhos.” (P.S. Laplace, Essai philosophique sur les probabilités, Paris: Courcier, 1814, apud D. Ruelle, Acaso e caos, São Paulo, Editora da Universidade Estadual Paulista, 1993.)
 
O determinismo resolveria a pergunta feita sobre a moeda: se soubéssemos exatamente todas as grandezas físicas que interferem no movimento da moeda (turbulência das moléculas de ar, forças de gravidade em função da altura, dilatação térmica que inteferrisse na localização do centro de massa, torques em cada instante, forças elétricas que atraíssem a moeda, todas elas por mínimas que sejam, etc. etc.), saberíamos com certeza a posição em que a moeda cairia. Na prática, isso é impossível, mesmo com os intrumentos e recursos computacionais mais sofisticados que dispomos hoje. Em tese, seria necessário conhecer a influência de cada partícula do Universo sobre a moeda, instante a instante. Por exemplo, mesmo um planeta distante exerce alguma força gravitacional sobre a Terra. Na verdade, qualquer partícula com massa exerce essa influência gravitacional. Para esses casos, quando dizemos que essa força seja desprezível, significa que a força gravitacional da Terra é muito maior do que esta última. Mas para a Teoria do Caos, é preciso considerar as mínimas causas. É o que se chama, em Caos, de sensibilidade às condições iniciais.
 
Assim, a Teoria do Caos procura compreender e descobrir leis físicas que existem por trás de fenômenos aparentemente caóticos. Grosso modo, por caóticos, consideramos todos os fenômenos de muita complexidade, que possuem algum comportamento estatístico, não totalmente determinísticos.
 
Nesse sentido, dizemos que o bater de asas de uma borboleta na Ásia pode influenciar uma cadeia de tempestades na América do Norte. Mas, veja bem, ela é apenas uma das causas. Assim como a união entre meu pai e minha mãe é a causa de minha existência, todo o meu crescimento e o fato de eu estar escrevendo essas linhas não foi causado exclusivamente por meus pais. Foi preciso anos de alimentação, aprendizado, etc. etc. Tudo isso, somado, é causa de eu estar respondendo essa carta.
Portanto, é falso o argumento de que o menos produza o mais. E os evolucionistas abusam disso.
 
Ainda sobre o determinismo, os filósofos materialistas se apressaram em dizer, então, que não haveria o livre-arbítrio, pois tudo estaria determinado. Deus, a inteligência que conhece a posição e velocidade de cada partícula no Universo, a cada instante, poderia predizer todo o futuro, todos os movimentos. Indo mais adiante, eles afirmam que seria possível saber se uma pessoa iria para o Inferno ou não, desde que conhecêssemos todas as partículas. Que confusão! Atribuir ao livre-arbítrio a causa puramente material é negar a existência da alma. É a alma, com sua vontade, que imprime movimento ao corpo. E ela não é determinada por posições e velocidades de partículas nenhuma!
 
Uma última palavra sobre os fractais. Essa é uma forma gráfica de representação dos fenômenos caóticos. Analisando esses fenômenos, os especialistas verificaram que muitos deles tem um comportamento que se repete em diferentes escalas. Assim, por exemplo, certos padrões de um relevo ou uma costa marítima se repetiria num lago, ou mesmo num aquário. Isso só demonstra que existe um princípio de ordenação da matéria. De novo, nada tem à ver com o menos produzir o mais.
 
Atenciosamente,
Augusto Pinheiro

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