Montfort Associação Cultural

22 de junho de 2007

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O riso

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: MaurÍcio Passos
  • Idade: 19
  • Localizaçao: Cansanção – BA – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Profissão: Professor
  • Religião: Católica

Salve Maria INVIOLÁTA!

Caríssimo Doutor Orlando Fedeli, Bendita seja a Santíssima Mãe de Deus por vossa defesa árdua da Santa Fé Católica e da Verdade,chamo-me Sr°Maurício Passos e embora não seja digno de me intitular católico o fiz na identificação por fatores alheios à minha vontade. A pergunta que vos redigo trata de comportamentos e moral e daquilo que é lícto ou não lícito à um católico fiel à Santa Igreja Católica Apostólica Romana praticar.

É aceitável rir? em quais circunstâncias? os santos riam? Nosso Senhor e Sua Santíssima Mãe riram alguma vez?

Fiz tais perguntas pois dúvidas me vieram à inteligência quando ví trechos do péssimo filme “O nome da Rosa” onde encenava-se um debate entre monges e um condenava que os monjes rissem citando ele exemplos de santos.

Agradeço-lhe profundamente por vosso digno trabalho embora eu não seja digno de ser ouvido e respondido pelo senhor. Muitíssimas cartas vos ecreverei e dúvidas vos enviarei visto que desgraçadamente elas fervem em minha alma.

Louvado seja Deus por vossa inteligêcia!

Agradece Sr°.Prof° Maurício Passos.
Cansanção,vigésimo terceiro dia do mês de Novembro do ano 2.006(ANNO DOMINI)

Muito prezado Professor Maurício,
Salve Maria.

     Claro que o senhor merece minha atenção e minha resposta.
     O riso é próprio do homem. O homem é um animal que ri.
     Rimos quando tomamos conhecimento de uma verdade exposta de modo muito claro e surpreendente. Sendo o homem racional, a posse de uma verdade o satisfaz de tal maneira que lhe causa prazer maior do que o de comer algo saboroso. E quando a verdade nos é dada de modo claro repentina e surpreendentemente, a alegria é tal que rimos, demonstrando a satisfação interior.
     É por isso que uma piada que não é entendida não causa riso.
     Portanto, rir é inteiramente lícito.
     O que é tolo é rir demais.
     E por que o rir demais demonstra tolice?
     Porque só quem não sabe nada ou que sabe bem pouco se surpreende com verdades óbvias que ignora. Quem ri muito é quem sabe pouco.
     O homem sábio conhece muitas coisas. Portanto, raramente pode ser surpreendido pelo conhecimento de uma verdade. Por isso, não se diz que Nosso Senhor tenha rido. Pois se Ele era a Verdade, a Sabedoria de Deus encarnda, nenhuma verdade poderia surpreendê-lo. Nosso Senhor pode ter sorrido por ternura. Não rido. Por isso também os santos riem pouco. Porque são sábios.
     O que não significa que todo homem sizudo seja sábio.
     Cara feia é mau humor e não santidade.
     São Felipe Neri era muito brincalhão e ria bastante, embora fosse sábio. E Deus permitiu um santo que ria para nos demonstrar que o riso inteligente não é pecado. Consta até que, uma grande dificuldade que houve para canonizá-lo foi seu espírito alegre e risonho.
     Consta ainda que, durante a discussão para canonizálo, São Felipe Neri teria aparecido aos Cardeais e lhes teria dito:

Canonisato o no, in Paradiso sto”. (“
Canonisado ou não, no paraíso estou”).

     Se não é verdade que aconteceu isso, a historinha é muita bem achada.
     ”Se non è vero, è bene trovato”, dizem os italianos.
     Devemos então rir comedidamente.
     Sejamos alegres, pois fomos redimidos. Não gargalhemos facilmente, porque temos o risco de perdição. Sigamos São Paulo que nos disse: “Gaudete, iterum dico, Gaudete” (“Alegrai-vos. E de novo vos digo: Alegrai-vos”)   

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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