Montfort Associação Cultural

12 de abril de 2005

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O resgate do sagrado na liturgia católica

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Roberto Machado
  • Idade: 31
  • Localizaçao: São João de Meriti – RJ – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação incompleta
  • Profissão: Professor
  • Religião: Católica

Caro Professor Orlando Fedeli

Como o senhor tem passado? Espero que bem, apesar da dor que se abateu sobre o povo católico com a morte do Papa João Paulo II. Acreditando, porém, na vitória da Ressurreição, o povo de Deus continua sua caminhada, acreditando que o Espírito Santo nos há de enviar um novo Papa que tenha força e coragem suficientes para enfrentar os múltiplos desafios que se apresentam nesses tempos tão confusos.
Professor, já escrevi para o site em outra época, exatamente em 1999. Naquele tempo confuso, estava eu envolvido com diversos trabalhos pastorais em uma comunidade eclesial de base, em minha diocese, Duque de Caxias. À frente desta diocese, até um mês atrás, estava o Sr. Bispo Dom Mauro Morelli. D. Mauro renunciou à diocese para assumir trabalhos no campo político-social, trabalho que sempre gostou de fazer e que o estava tomando todo o tempo, a ponto de ele não mais poder assumir os trabalhos que uma diocese como Duque de Caxias exige. No lugar de D. Mauro quem assumirá, em junho, é Dom José Francisco Resende Dias, que até então é Bispo Auxiliar de Pouso Alegre. Não conheço o trabalho de Dom José Francisco, mas espero que ele seja mais presente do que o foi Dom Mauro.
Quando o escrevi, critiquei duramente o site, pois não entendia muito bem o objetivo do mesmo. Estava no auge dos trabalhos pastorais e era envolvido com tantas coisas que nem mesmo tempo de rezar eu tinha. Era Ministro da Eucaristia, da Palavra e do Batismo em minha comunidade. Acontece, professor, que com o tempo fui minando espiritualmente. Sentia-me como um saco vazio de batatas que não consegue sustentar-se. Procurei meu pároco, que hoje é vereador em São João de Meriti/RJ e ele em nada me ajudou. Precisava de um acalento espiritual, de uma vida de oração autêntica. Já não me sentia digno de ser ministro de nada, pois queria e sentia falta da presença do sacerdote, acreditava e creio que ele é quem deveria assumir tais tarefas. Pronunciei-me nas reuniões do conselho paroquial: fui duramente criticado. Disseram que eu estava atrás de padres e não do Deus vivo. Deixei todos os meus compromissos pastorais, porque na verdade minha alma estava e está SEDENTA do AMOR e da PRESENÇA de DEUS VIVO, REAL e VERDADEIRO na EUCARISTIA. Cansei-me das celebrações dirigidas por leigos. Quero participar de uma missa. Não me considero digno de ser ministro, pois, para mim agora está claro que só o sacerdote é que o Ministro de Deus na Igreja. Quero aproveitar e pedir desculpas por tudo o que escrevi naqueles tempos de obscuridade e incerteza. A morte do Papa ajudou-me a entender melhor a importância da presença do sacerdote na Igreja, pois, assim como todo o povo católico, sinto-me desprotegido, tal qual uma criancinha sem pai. Eu tenho 31 anos, sou professor de Língua Portuguesa e Literatura e amo a Igreja. Carrego nas costas o peso de muitos pecados, mas creio na misericórida do Senhor Jesus. Sinto-me como uma ovelha sem pastor, pois na minha diocese tudo é muito confuso: padres descomprometidos, leigos desempenhando trabalhos sem preparo adequado. Minha esperança fica por conta da chegada do novo bispo. O senhor o conhece? Tem alguma informação sobre sua atuação apostólica?
Professor, os padres e bispos precisam redescobrir a beleza da liturgia, momento sagrado para a oração, reflexão e comunhão com o Senhor. Os leigos precisam entender que sua atuação na Igreja, especialmente na liturgia, é limitada, não podendo ultrapassar o espaço que é concedido ao sacerdote pelo Sacramento da Ordem. Confesso ao senhor que aqui, na Baixada Fluminense, fica difícil até encontrar uma igreja para rezar em paz. Tudo é tumultuado e barulhento. Mulheres ficam a correr pela Igreja, passam por detrás do sacerdote, enquanto este está celebrando, enfim, uma série de inadequações no que concerne ao sagrado momento da Eucaristia.
Fiquei sabendo que aqui na Baixada Fluminense há igrejas que celebram a missa tridentina, da qual nunca participei, pois nasci em 1973. Eu gostaria, se fosse possível, que alguns que lerem esta missiva e que conheçam tais igrejas entrem em contato comigo, por e-mail ou pelo meu endereço, pois estou precisando de um apoio espiritual. Eu sinto a necessidade de ir a uma missa. Eu que cresci na Igreja e convivi com tantos discursos eloqüentes e ideológicos, sinto-me vazio e fraco e sei que não serão as missas shows que me preencherão o coração, marcado por tantas dúvidas e incertezas. Vivo numa diocese que apoiou o PT, as CEBs, mas não consegue acalentar meu coração de esperança e fidelidade a Deus. Ajudem-me. Se o senhor puder me ajudar professor, ficarei grato. Gostaria que o senhor publicasse minha carta e fico à espera do apoio de muitos que já passaram e superaram o que vivo hoje. Conto, desde já, com suas desculpas, por tantas bobagens que lhe escrevi anteriormente.
Que o Senhor abençoe a todos!
Que o Senhor abençoe a Igreja!

Roberto Machado

Muito prezado Professor Roberto,
Salve Maria!
 
    Sua carta me causou muita alegria por ver nela a atuação da graça, convertendo-o. Que Deus o mantenha em seu santos propósitos.
    A descrição que você faz da situação de abandono e de cáos nas igrejas de Duque de Caxias mostra bem os maus frutos da ação revolucionária de um Bispo do qual, graças a Deus, o Papa aceitou o afastamento no dia em que esse Bispo fez 75 anos. Dom Morelli foi muito mais um bolchevizador da religião e do país do que um Bispo preocupado com as almas.
    Você teve que sofrer as conseqüências de uma formação ativista das CEBs, que não permitiam a vida de oração, e que, portanto, só tinha que fazer fenecer até mesmo almas generosas infelizmente desviadas do fim a que Deus Nosso Senhor nos chama.
    Graças a Deus você foi tocado pela graça, compreendendo a necessidade da oração e da verdadeira participação na Missa.
    Você fez muito bem em deixar de ser ministro de tantas coisas. Procure estudar seriamente a doutrina católica, para amá-la cada vez mais profundamente, para bem praticá-la e melhor defendê-la.
    Não é preciso pedir escusas pela sua posição anterior sobre o site Montfort. A nobreza desta sua carta resgata qualquer coisa dita anteriormente, e demonstra a sinceridade e grandeza de sua alma.
    Deus o recompense por sua nobreza de atitude.
    Um grande abraço para você, que já considero como um “velho” amigo e irmão no combate pela Fé católica.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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