Montfort Associação Cultural

21 de janeiro de 2005

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O que vale mais, fé ou razão?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Donato Fidanza Filho
  • Idade: 24
  • Localizaçao: São João da Boa Vista – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior em andamento
  • Religião: Católica

Por favor, gostaria de saber se, nos dias atuais é possivel falarmos de uma relação entre fé e razão? Dos dois conceitos qual é o que mais se sobrepõe na história da humanidade? Está sendo feito alguma coisa para haver um equilíbrio entre este binômio?

Desde já agradeço sua atenção!

Um abraço

Seminarista

Donato F. Filho

Prezado Donato, salve Maria!

Sua pergunta deve ser respondida, em primeiro lugar, retirando a limitação temporal que você colocou: a relação entre fé e razão, com a supremacia da Fé sobre a razão — é óbvio !!! — permanece sempre a mesma.

A Fé consiste na aceitação das verdades que Deus, Verdade Absoluta — nos revelou, e que a Igreja confirma. Como Deus é infinitamente veraz e sábio, Ele não pode errar, nem nos enganar. Logo, tudo o que é de Fé, é absolutamente certo.

Por outro lado, a razão nos foi dada por Deus Nosso Senhor para pesquisar e conhecer as verdades naturais. A Ciência procura conhecer as leis que Deus colocou na natureza. Sendo Deus o autor dessas leis, e sendo Deus o revelador das verdades da Fé — não sendo possível haver contradição em Deus — jamais as verdades da Fé estarão em contradição com as verdades científicas ou racionais.

Se houver algum choque, só pode ser por erro da ciência dos homens, nunca, jamais da parte de Deus ou da Igreja, que são infalíveis. E é o que a História tem demonstrado. Sempre que a Ciência tentou negar a Fé ficou provado que ela errara. Veja, por exemplo, a questão da geração espontânea. Veja as falsificações dos fósseis para provar a origem simiesca do homem. Veja a confusão atual da doutrina evolucionista, que se meteu, e está hoje entalada, num pantanal de contradições.

Há dois erros opostos quanto ao valor da razão:

1) o Racionalismo;

2) o Irracionalismo.

O racionalismo pretende que a razão humana é capaz de tudo compreender. Ora, isso é um absurdo.

Cada homem compreende que a sua inteligência é limitada. Se todo  homen tem inteligência limitada, é impossível que a humanidade tenha razão ilimitada.

Mesmo um autor insuspeito como Karl Popper confessou que: “O racionalismo é uma fé irracional na razão”.

Essa “Fé” irracional na razão se manifesta no marxismo, no positivismo, no cartesianismo, e na Teologia da Libertação que é, como confessou o ex-Frei Boff, marxismo na Teologia.

O irracionalismo nasce dos fracassos do racionalismo e do cientificismo. Exagerando na direção oposta, o irracionalismo nega qualquer valor à razão.

Nos tempos modernos, Lutero chamou a razão de “a meretriz louca”. Esse negação da luz da razão, que Deus colocou em todo homem que vem ao mundo, conduz a movimentos e filosofias anti-racionais. Exemplo típico do irracionalismo moderno foi o nazismo. Outros exemplos de irracionalismo podem ser encontrados nas seitas supostamente místicas e pentecostais, que colocam a emoção, o sentimento acima da razão. Hoje, temos exemplo claro desse irracionalismo, no movimento pentecostal católico, a RCC, que não aceita argumentos. Acima da Fé, da verdade e da razão os pentecostais, mesmo católicos, colocam a “experiência” pessoal sentimental. Daí o irracionalismo das manifestações carismáticas.

Resumindo, a razão tem valor sim, mas ela deve estar sempre subordinada à fé.

A Fé é uma luz superior à da razão. Ela permite “ver” o que a razão não alcança, mas, por vezes, em certos problemas pode entrever.

Esperando tê-lo ajudado, me subscrevo,

in Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli

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