Montfort Associação Cultural

12 de janeiro de 2007

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O que sustenta a sua fé?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Christian Moreira
  • Idade: 30
  • Localizaçao: Fortaleza – ES – Brasil
  • Escolaridade: Pós-graduação concluída
  • Profissão: Professor
  • Religião: Católica

Caro irmão em Cristo, a paz! Que Nossa Santíssima Mãe, sempre o abençõe!

Orlando Fedeli,

Gostaria de iniciar este primeiro contato louvando a Deus por inspirar pessoas como você, que mesmo atarefadas, “gastam” seu tempo e neste sentido a própria vida em defesa da verdadeira religião e da pureza da fé. Que Deus o conserve firme nesta empreitada.

Contudo, após ler uma série de seus artigos, sobretudo aqueles vinculados a RCC, percebí que poderia de alguma forma, humildimente, colaborar com a riqueza deste segmento do site. Não venho fazer uma apologia ou defesa da RCC frente as SUAS percepções e conclusões, principalmente por crer, na Igreja UNA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA, que em seus interior abriga as mais diferentes formas de servir ao Senhor, através da obediência ao Magistério, ou seja através de várias misticas diferentes.

De fato, não sou um especialista ou um estudioso, apesar de ter um pouco de leitura de nossa santa doutrina. E é este o cerne desta carta.

Meu irmão, o que sustenta a sua fé? em que se alicerça? A defesa que você faz de seu “ponto de vista” é apaixonada, o que é bom, mostra que você “crê no que acredita”. Mas não considera que as vezes é SARCÁSTICO, de forma desnecessária. Que menospreza, humilha aqueles que discordam de você? Realmente é necessário?

Sei que o Senhor é um homem de grande notabilidade cultural, tanto que merece um link na Winkipédia, que assim o define: ” Orlando Fedeli é o fundador e atual presidente da Associação Cultural Montfort. É doutor em História pela Universidade de São Paulo e tem se notabilizado como polemista e defensor de uma leitura tradicionalista, anti-Concílio Vaticano II, da fé católica no Brasil. Publicou em 2005 o livro Nos Labirintos de Eco, onde faz uma interpretação do romance de grande sucesso “O Nome da Rosa”, do escritor italiano Umberto Eco.”

Também constatei ser o senhor, meu irmão em Cristo Jesus, um apologista da “Missa de sempre” em detrimento daquela que o senhor denomina como “Missa nova” ou “Missa de Paulo VI”. (Fiquei pensando se esse “Paulo VI” é realmente uma referência vossa a Sua Santidade o saudossísimo Papa Paulo VI, sucessor de São Pedro a frente da Santa Madre Igreja. Estou certo?) Será que a causa deste “desprezo” está na ligação deste Pontífice com o Concílio do Vaticano II? Posto que o referido site supra-citado o define como ANTI-CONCÍLIO VATICANO II. Estaria o site equivocado?

Mas sendo o senhor, amado filho de Maria, contrário ao Concílio do Vaticano II, não estaria sendo contrário a própria Igreja? Por Favor, não tome esta indagação como provocação, trata-se apenas de uma conjectura mental, que precisa de sua resposta.

Mais ainda,
Helenilson Pereira Da Silva, em mensagem enviada à 30/10/2006, de Recife – PE, Brasil de religião Anglicana, defende apaixonadamente o retorno do ritual da missa para o latim, e o senhor o trata de forma respeitosa fazendo um convite amoroso de retorno a santa Igreja. Aquela mensagem me fez refletir:

1. Por que um anglicano estaria interessado no retorno do ritual da missa para o latim? Por querer o bem dos católicos?

2. Se a formação deste irmão católico de nascimento, ANGLICANO aos 45 anos de idade, foi tão sólida e digna de tamanho esorço de desefa e respeito por sua parte, o que ele faz em outra fora do seio Maternal da Igreja de Cristo?

3. Não sou contra o ritual da missa em latim, mas é preciso reconhecer que mesmo tendo nível superior completo, pouco ou nada sei de latim (aliás o parabenizo, por perceber que o Senhor sim domina esta língua materna do português e lança mão dela, como já constatei mais de uma vez, que quando quer, como se diz aqui no Ceará, “tirar alguém de tempo”, utiliza-as, arrogando sua sapiciência) e desta forma seria uma pouco mais complicado para mim e penso para a imena maioria dos católicos sobretudo no Brasil, acompanhar de forma consciente a riqueza de nossa liturgia.

4. Contudo, se esta mudança fosse uma decisão de sua santidade, o Papa, como Católico eu a acataria de bom grado.

Sim, faço parte da RCC, a mais de 10 anos e essa espiritualidade, (tão contestada pelo senhor e por alguns outros tantos irmãos, a quem respeito, rezo, e louvo a Deus por existirem, pois assim sou ainda mais católico), tem norteado o meu serviço a Deus, aos irmãos e minha fidelidade a Igreja.

Concluo dizendo que, sim existem algumas discrepâncias, exageros, até mesmo equívocos em alguns grupos e segmentos da RCC. E isso ocorre, graças a Deus, por sermos humanos e passíveis de erros, mas estarmos abertos ao magistério da Igreja, nos coloca a caminho, constante, de fazer o nosso coração, nunca distanciar-se do ritmo do coração da Igreja.

Se até mesmo o senhor, conforme afirma em um artigo sobre a TFP:
“… verdade que, de início, ele não se declarou nem Profeta, nem imortal, nem inerrante. Três qualidades imaginárias que ele desvendou muitos anos depois, e nas quais realmente nunca acreditei. E por que nelas não acreditei é que sai da tal famigerada TFP. Sai aos prantos, mas sai, porque coloquei o Credo católico acima da admiração por um professor.
Pergunta-me você como levei tanto tempo para sair.
Sua pergunta tem muito cabimento..
Como alguém pode ficar durante 30 anos numa sociedade que o enganava?
Dom Castro Mayer ficou lá 40 anos, e me dizia, indignado, depois que lhe contei o que eu descobrira que acontecia secretamente por trás do estandarte: “Plínio me enganou 40 anos! ”
Como levei 30 anos para descobrir?”

levou 30 anos para reconhecer o real objetivo da TFP, ou mesmo como citado acima Dom Castro Maia, 40 anos, é compreensível que nós, da RCC possamos também cometermos em nosso interior alguns equívocos.

Use meu irmão de caridade para com esta mensagem. Não pretendo travar com você (tomei a liberdade de me referir assim algumas vezes, me perdoe se soar indelicado ou desrespeitoso, não era esse o objetivo) um combate sobre este assunto, até por que reconheço a discrepância de conhecimento que existe entre nós, sendo o Senhor por experiencia, seja de vida ou intelectual, digno de meu reconhecimento e respeito.

Concluo, orando por sua vida, por sua fé, pelo seu trabalho, pela sua saúde e família, e por todos que formam a Família deste site de defesa da Fé Católica.

Somos sobretudo, irmãos na Fé, CATÓLICA.

Paz e Bem!

Christian Moreira

Muito prezado  Christian,
Salve Maria.
 
    O que sustenta a minha Fé — como a de todo católico verdadeiro — é a freqüência ao sacramento da Eucaristia, a oração especialmente, o rosário, a devoção a Nossa Senhora e a fidelidade absoluta ao Papado e ao que a Igreja ensina.
    E é por ter Fé que sou contra os erros graves da RCC, movimento protestante infiltrado na Igreja. Quem ama a Fé, detesta as heresias e os erros contra a sagrada doutrina imutável da Igreja.

    Você me repreende por usar de ironia contra os inimigos de Deus. Ora, a Igreja, na Ladainha de todos os Santos canta:

    Ut inimicos Sanctae Ecclesiare humilirae digneris, Te rogamus, audi nos!
    (Para que Vos digneis humilhar os inimigos da Santa Igreja, nós Vos rogamos, ouvi-nos, Senhor”).

    E saiba que não domino o latim. Mal sei traduzir o latim mais simples, mas jamais conseguiria traduzir Virgílio e muito menos Horacio.

   
Santo Inácio ensina que se devem usar todas as coisas na medida em que elas nos aproximam ou aproximam os outros de Deus.

    A ironia sempre foi usada contra a Igreja. Se a uso, é para defender a Fé, e ajudar a converter muitas almas que se alegram com a humilhação dos inimigos de Deus. O grande número de conversões e de apoio que obtém o site Montfort é de católicos que retornam à Fé vendo como os inimigos de Deus podem ser derrotados e humilhados. Ainda hoje, meditando o Evangelho de São Marcos, considerava como Jesus, numa sinagoga, ao curar num sábado um homem de mão seca, se indignou contra os fariseus que se escandalizavam que ele fizesse o bem num sábado. Diz o evangelho que Cristo vendo a má fé dos fariseus os olhou indignado. Isso é bem diferente do Jesus dulçuroso que nos foi passado pela pregação romântica que tirou a fibra dos católicos em todo o mundo.

    Quanto ao papa Paulo VI, claro que não tenho nenhuma admiração por ele. Basta ler sua biografia para ver como ele fez mal — e muito mal — à Igreja.
    Você conhece  as ligações dele com os modernistas e com os comunistas da URSS e da Itália?
    E foi ele quem fez a missa nova que tantas desgarças trouxe para os católicos. Leia qualquer biografia séria de Paulo VI e verá que males ele causou à Igreja, à Fé e ao mundo.

   
Se tratei o tal anglicano com respeito é porque eu o conheci pessoalmente e procurei fazer-lhe bem.
    Há mal em tratar bem quem conhecemos e temos esperança de converter?
     
    Se levei trinta anos para descobrir o que havia na TFP é porque lá existia uma sociedade secreta. Na RCC os horrores são públicos e os erros são publicados em seus livros. Basta lê-los com isenção para verificar que a RCC não é católica, embora haja lá muitas pessoas enganadas por ignorância doutrinária.

    Que Deus lhe conceda um ano novo cheio de graças, sendo a principal para você, que Deus lhe abra os olhos para ver quão errada é a RCC.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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