Montfort Associação Cultural

2 de abril de 2007

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O que se deve ensinar na catequese?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Fabiana Ventura
  • Localizaçao: Curitiba – PR – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Diretora de Marketing
  • Religião: Ortodoxa

Olá amigos, Salve nossa Mãe e Rainha Maria!

Minha dúvida é referente à catequese. No começo do ano as igrejas anunciam que está aberta a matrícula para a catequese. As mães vão, matriculam os filhos, como se fosse um ato normal, apenas “uma coisa costumeira”. Passam-se os anos, as turminhas se reunem na Primeira Eucaristia e posteriormente na Crisma. Tem uma coisa que me revolta um pouco sobre isso, tanto eu como meu irmão (e parte da familia) somos católicos participantes, toda semana vamos na missa, participamos de celebrações especiais, e nos esforçamos ao máximo para seguir o que a Igreja prega. Ao mesmo tempo que nós nos batiamos para fazer as tarefas da catequese (quando estavamos estudando ainda), vários, mas vários mesmo, alunos não faziam nada, raramente apareciam na “aula”, mais raramente ainda na missa e no final, estavam todos crismados, enfim, missão cumprida da maneira mais fácil o possível, literalmente empurrando com a barriga.
No meu tempo tinhamos um cartão entregavamos no final da missa para padre e esse carimbava a nossa presença. Não é algo muito esficaz eu sei mas ao menos ia a criança, mais o pai e a mãe. Mas isso já faz uns 10 anos que não existe.

Esse foi um ponto. O segundo é sobre exatamente o que se consiste o ensino da catequese. Vou citar meu exemplo. Todo sábado de manhã iamos para a Igreja, munidos de nosso livrinho da catequese, Bíblia, lápis e borracha. Lá, seguiamos os capítulos do livro, liamos algumas passagens da Bíblia (referente ao que estava sendo aprendido e faziamos os exercícios da unidade.
Lendo o site da Montfort – para mim um excelente achado por sinal – vi que é errado as pessoas interpretarem a Bíblia de maneira pessoal. Pois bem, sempre haviam exercícios do tipo “o que você entende pela seguinte frase”. Sempre, em todos os capítulos do livrinho. Se há acompanhamento de um professor que depois corrija e mostra o verdadeiro significado, tudo bem, mas esses execícios não eram corrigidos, ou se eram, era muito, mas muito raro. O Senhor não acha que isso abre uma pequena brecha por parte de algumas pessoas para questionamentos do que é ou não é certo?

Outro ponto, é as pessoas que se disponibilizam para ensinar a catequese. Tudo bem que elas vão de boa vontade, mas só isso não basta, falta a essência e o verdadeiro conhecimento. Para você ter uma idéia, eu tinha uma professora que pasmem, não só frequentava centro espírita mas também acreditava piamente na reencarnação! Lá se foi por água abaixo os ensinamentos católicos. Hoje em dia felizmente ela não ensina mais, em compensação quase todas as professoras da catequese da paróquia onde eu frequento (em minha cidade natal quando visito minha mãe) e algumas da Diocese são do movimento carismático, mas carismáticos pelo que eu andei lendo, também não são vistos como hereges e pontes para o protestantismo. A meu ver, ensinar a catequese não deveria ser função dos Padres e talvés dos Diáconos? Parece-me que são os que estão mais preparados e realmente sabem do que estão falando. Ou estou enganada?

Bem, fora as minhas 3 perguntinhas anteriores, eu também gostaria de saber: a Igreja deveria manisfestar-se (e não sei), ser mais exigente e autoritária com relação à catequese e a maneira como ela é ensinada? e qual deveria ser a posição sobre a participação das crianças nas missas (com relação às que estão na catequese e fazem tudo como mera obrigação)? Deveria ser mais digamos rígida a preparação de quem vai ensinar a catequese?

Um grande abraço a todos e fiquem com Deus!

Muito prezada Fabiana,
Salve Maria.

     Agradeço a sua confiança. Mas sua carta me deixou uma grande dúvida a seu respeito: você me escreve dizendo ser católica e  falando da catequese como é feita hoje nas paróquias católicas. Entretanto, em seus dados pessoais você se declarou ortodoxa.
    Como? Você é católica ou ortodoxa? 
    Vou lhe responder acreditando que você seja católica. 
    Depois do Concílio Vaticano II, se abandonou praticamente a catequese. Esta deve ser feita ensinando-se o Catecismo. Catequese e catecismo são palavras que têm a mesma raiz.
    Como é possível haver catequese católica por meio de uma pessoa que se diz espírita e que crê na heresia da reencarnação?
    E na PUC de São Paulo, soube que já houve entre os professores de “teologia” — e é bem possível que ainda haja – até mesmo ateus e padres apóstatas, que largaram a batina para se casar, e pior que tudo, impregnados de Modernismo ou de Teologia da Libertação. Como se espantar, então, que ninguém aprenda catolicismo na PUC?
    Hoje, as pessaos “catequisadas” pela nova catequese conciliar crêem em qualquer loucura que lhes passa pela cabeça quando lêem a Bíblia.
    O que se ensina normalmente nas paróquias sobre a Bíblia é protestantismo.
    Ainda sábado passado fui dar uma pequena aula para um grupo carismático, e uma mocinha me interpelou violentamente, porque critiquei a tese de se permitir que qualquer um leia a Bíblia sem orientação alguma, num autêntico exercício de livre-exame luterano. Ensinam-se os paroquianos que, ao lerem a Bíblia, eles são guiados pelo Espírtito Santo, e então eles passam a crer que seus palpites interpretativos são a manifestação palpiteira do Espírito Santo neles. 
    Esses carismáticos, ao lerem a Bíblia, julgam ter recebido o Espírito Santo em delivery. E a pobre mocinha furiosa estava lendo a edição da biblia da CNBB… Claro que ela ficou furiosa com o que eu lhe dizia. Ela me acusou de defender um catoliciso “elitista”, pois não quereria eu que o povo simples lesse a Bíblia. 
    Ora, a Igreja católica condenou o erro do herege jansenista Pascásio Quesnel que afirmava:

“A leitura da Sagrada Escritura é para todos” (erro condenado pelo Papa Inocêncio XI, na Bula Unigenitus, erro 80, cfr Den
zinger, 1430).

    Colocar a Sagrada Escritura na mãos dos ignorantes, sem orientação de um padre com boa doutrina, é facilitar a queda em erros protestantes. E isso era comprovado pelo que aquela mocinha pensava que pensava.
    Você tem toda a razão ao considerar a péssima formação dada para a primeira comunhão ou para o crisma. As crianças vão comungar sem saber que vão receber a Nosso Senhor realmente presente na Hóstia Consagrada E recebem o crisma sem saber que esse Sacramento os fará soldados de Cristo com obrigação de defender a Fé.
    Defender a Fé é coisa absurda para a mente dos paroquianos atuais desorientados pelos erros do Concílio Vaticano II. Se todas religiões salvariam, para que defender a Fé. 
    Soube, depois, que a maior revolta da mocinha que me atacou sábado,– ela disse para uma colega, — foi porque eu defendo o dogma de que fora da Igreja não há salvação. 
Ora, esse é um dogma definido pelo IV Concilio de Latrão e quem o nega deixa de ser católico.
    Como esperar que os que fazem a primeira comunhão não sabem quem estão recebendo, e que os que são crismados recebem aulas de socialismo e de ecumenismo?
    Portanto, recuse dar aulas de catequese pelos novos métodos
    Ensine para as crianças o Segundo Catecismo da Doutrina Cristã. Estude o catecismo de Trento, e repila todos os novos manuais de catequese.
    Escreva-me sempre, e que Deus lhe conceda uma santa Páscoa.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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