Montfort Associação Cultural

18 de janeiro de 2007

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O que é ser Católico?

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Igor Gomes
  • Localizaçao: Recife – PE – Brasil
  • Religião: Católica

Prezado prof. Fedeli,

Confesso que estou conhecendo a Fundação Montfort apenas agora, e logo que comecei a ler as cartas que lhe enviam e as suas respostas, veio-me algumas perguntas à cabeça: O que é ser Católico? Seria dever obediência cega a Igreja? E se assim for, por que devo renunciar às minhas opiniões divergentes da mesma? Também gostaria de saber se, por ser católico, devo considerar todo papa infalível (já que, até onde eu saiba, somente Pio IX foi declarado infalível e Pio XII declarou-se infalível). O que é ser um católico conservador, moderado e liberal?

Gostaria também de dizer que, apesar de conhecer o site e a associação apenas agora, pelas poucas leituras das cartas no site, eu o admiro por sua erudição e gostaria de, algum dia, conhecê-lo em pessoa.

Se essas perguntas já tiverem sido respondidas, perdoe-me o incômodo. Se o sr. ou quem quer que seja pudesse enviar-me os links correspondentes às perguntas que fiz, eu ficaria agradecido.

Perdoe-me por quaisquer erros históricos e pela incoveniência, por favor.
Um forte abraço!

Igor Gomes

Muito prezado Igor,
Salve Maria.
 
    Para ser católico é preciso crer em tudo o que Deus revelou e aceitar os sacramentos que Ele insituiu assim com a Igreja que Ele fundou sobre Pedro.
    Quando Pedro confessou que Jesus era o Filho de Deus feito homem, Cristo lhe disse:
 
“Bem aventurado és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que to revelou, mas meu Pai que está no céu. E Eu te digo, que tu és Pedro, e sobre essa pedra Eu edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus” (Mt. XVI, 17-20).

    Cristo mudou o nome de Simão para Pedro, e, quando Deus muda o nome de algo ou de alguém, muda algo nesse algo ou nesse alguém. Chamando Simão de Pedro (= Pedra), Cristo mostrou que usaria Pedro como pedra fundamental da Igreja. Por isso, Ele diz imediatamente depois, “Sobre essa pedra Eu edificarei a minha Igreja“.

    Ora, naquele tempo, para construir um grande edifício, procurava-se fazê-lo sobre uma pedra grande, capaz de suportar o peso do edifício que ia ser feito. Na igreja — que é um “edifício” espiritual, uma sociedade divina e humana — a pedra fundamental, como em todas as sociedades, é a autoridade. Cristo, então, colocou Pedro como autoridade suprema na Igreja. E tanto o colocou como chefe da Igreja, que lhe disse que lhe daria “as chaves do Reino dos Céus”. E quem tem as chaves de uma casa, ou de uma sociedade, é o seu chefe. Pedro é o chefe da Igreja, para ensiná-la e governá-la com a autoridade dada por Cristo. E essa autoridade é infalível, já que Cristo declara que tudo o que Pedro decidir, aprovando ou condenando, já foi aprovado ou condenado no Céu: “tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus; e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus” (Mt. XVI, 17-20).
    Quereria isto dizer, que, quando Pedro aprova algo na terra, Deus seria obrigado a fazer o mesmo no céu?  É claro que não.
    Significa, sim, que quando Pedro — o papa — aprova algo na Igreja, sobre a terra, é que Deus já o aprovou no céu. Quando Pedro condena algo sobre a terra, Deus já condenou isso, no céu. Isto é, Pedro é infalível quando aprova ou condena algo sobre a terra, usando as chaves que lhe foram dadas por Cristo, isto é, o poder que Jesus lhe deu, ensinando a Igreja algo sobre Fé ou Moral, decidindo uma questão.
    Por exemplo, quando Pedro — em seu sucessor Leão X — condenou as heresias protestantes de Lutero, Calvino, Zwinglio etc, Deus já havia condenado essas mesmas heresias no céu.

    A infalibilidade pontifícia foi concedida por Cristo a Pedro e a todos os seus sucessores.
    A infalibilidade papal é exercida quando o Papa se pronuncia “ex-cathedra”, isto é, oficialmente como sucessor de Pedro, em sua cátedra, como Bispo de Roma e soberano da Igreja Católica.    
    As condições para o exercício do carisma da infalibilidade, de acordo com o dogma estabelecido pelo Concílio Vaticano I, em 1870, são quatro:
          1 – Que o Soberano Pontífice se pronuncie como sucessor de Pedro, usando os poderes das chaves, concedidas ao Apóstolo pelo próprio Cristo;
          2 – Que se pronuncie sobre Fé e Moral;
          3 – Que queira ensinar à Igreja inteira;
          4 – Que defina uma questão, declarando o que é certo, e proibindo, com anátema, que se ensine a tese oposta.   
    Para exercer um ato infalivelmente, em qualquer documento ou forma de pronunciamento – seja numa encíclica ou num decreto especial, bula, constituição apostólica etc. – o Papa precisa deixar claro que o faz nessas quatro condições acima citadas.
    Assim, por exemplo, o discurso de Paulo VI na ONU, no qual ele declara que lá se pronunciava como doutor em humanidades, não é infalível, porque ele não se pronunciou como Papa.
    Quando o Papa ensina com o poder dado por Cristo, elenão pode errar.
    Opinião se pode ter daquilo que não se conhece, ou do que pode vir a acontecer, ou não. Do que é conhecido não se pode ter opinião. Eu não tenho a opinião que estou escrevendo no computador, como não tenho opinião que o sol é quente, e que o fogo queima. Essas coisas eu sei.  Mas posso ter opinião de que viverei ainda 5 anos, porque isso ninguém sabe.

    A obediência ao Papa não é cega porque provém da Fé que não é contra a razão. Pelo contrário, a Fé é razoável.
    A razão compreende que Deus existe (a existência de Deus não é um ato de fé, mas é provada pela inteligência). 
    Conheço que, sendo Deus criador, Ele é bom e quer o nosso bem. Compreendo que Ele é Sabedoria inifinita, que tudo sabe, que não pode mentir, e que não pode nos enganar.
    Sei que Deus pode se revelar e diz que se revelou, por exemplo, a Moisés e por Cristo. E os fatos históricos mostram que Cristo era de imensa Sabedoria e bondosíssimo. Ora, esse Jesus declarou ser Deus. Se Ele era sapientissimo — e Ele o era — se declarou Deus e fez imensos milagres provando isso, e ressuscitou dos mortos, Ele ou era mesmo Deus ou era louco. Se era louco não podia ser sapientíssimo. E Ele era sapientíssimo e bondosíssimo. Logo Ele era Deus.
    Esse mesmo Jesus fundou a Igreja para que nos ensinasse a verdade e nos administrasse os sacramentos, que Ele instituiu para a nossa salvação. Logo é razoável crer em Cristo e na Igreja.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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