Montfort Associação Cultural

21 de janeiro de 2005

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O mal e o bem

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Abelardo
  • Localizaçao: – Brasil

Gostaria que o senhor me explicasse sobre as diferentes formas do mal e do bem que o Senhor mencionou em outra carta. O mal e o bem perfeitos e imperfeitos.

Gostaria ainda de saber onde posso encontrar copia do Dominus Iesus.

Grato, Do amigo, Abelardo.

Prezado Abelardo, salve Maria.

Você pode encontrar o texto da Declaração Dominus Jesus no próprio site Montfort.

A questão que você coloca sobre o bem e o mal, já foi tratada também em outras cartas e estudos.

O problema já foi resolvido por Santo Agostinho. Como você deve saber, Santo Agostinho, antes de se converter ao Catolicismo, pertenceu à seita herética dos Maniqueus. Esta seita defendia um dualismo absoluto, dizendo que havia dois princípios na origem de todas as coisas: o Bem e o Mal absolutos.

A Divindade boa fizera tudo o que há de bom, enquanto eles atribuíam todos os males que aparecem no mundo a um Principio Do Mal, Absoluto, igual e contrário a Deus.

Santo Agostinho, no livro Contra Manicheos, refuta o sofisma dualista com maestria.

Diz Santo Agostinho que existir evidentemente é um bem.

Ora, se o Mal absoluto existisse, ele teria o bem da existência.

Logo, ele não seria o Mal absoluto. Portanto, o Mal absoluto não existe e não pode existir.

Argumenta ainda Santo Agostinho que mal é o que vai contra a natureza. Portanto o mal não pode ser natureza. O mal enquanto ser não existe.

Dai, se conclui que o mal não existe como coisa. Deus fez tudo o que existe, e a cada coisa que Deus fazia, está escrito no Gênesis, que Deus dizia que cada coisa feita era boa, e que o conjunto do universo é muito bom (Gen. I, 31).

Portanto, o mal não existe enquanto ser, enquanto coisa. Não há coisas más.

Mal é a falta do que deveria existir, ou a falta de ordem. Por exemplo, se a uma pessoa lhe falta um olho, isso é um mal a falta do olho. Se uma pessoa tem uma orelha na testa, isso é mal porque é uma falta de ordem.

O que existe é o mal moral, isto é o mal enquanto ação. Há verbos maus. Não há substantivos maus. Roubar, assassinar, mentir, caluniar, etc são males morais, são ações más.

Roubar, por exemplo, é um mal porque desordena os bens.

O ladrão rouba dinheiro, porque o dinheiro é um bem. Mas, a justiça é um bem maior do que o dinheiro. Ao roubar (verbo que indica ação) o ladrão coloca o bem do dinheiro acima do bem da justiça. Ele desordena os bens, pois a justiça deveria ser posta acima do dinheiro.

Então, só há ações más e não coisas más.

Você poderia me perguntar sobre o demônio, se o demônio não seria absolutamente mau.

Respondo-lhe, que, moralmente, o demônio é absolutamente mau, mas não como ser.

O ser do diabo foi feito por Deus que deu a Lúcifer uma inteligência potentíssima e uma vontade imensa, mas que Lúcifer usou para fazer ações más, para desordenar os bens. Portanto, o diabo enquanto ser criado por Deus – só enquanto criatura feita por Deus, é uma criatura boa, com uma inteligência e uma vontade muito poderosas, que ele usa moralmente mal. Por isso o diabo é moralmente mau. Mas o diabo não pode ser tido como Mal absoluto, pois ele existe, e existir é um bem.

Da mesma forma, você poderia me perguntar se o inferno não seria o mal absoluto.

O inferno foi feito por Deus, e, por isso te que ser bom enquanto coisa. Qual o bem que haveria no inferno?

O bem que há no inferno é o da Justiça infinita de Deus. Portanto, de novo, tido o que Deus criou é bom enquanto coisa, ontologicamente.

Esperando ter elucidado a sua dúvida, me despeço atenciosamente

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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