Montfort Associação Cultural

24 de agosto de 2010

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O homem pode ser bom por si só?

Autor: Fábio Vanini

  • Consulente: Ricardo de Sene
  • Localizaçao: São Bernardo do Campo – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Analista de Suporte
  • Religião: Católica

Prof Orlando e demais amigos da Montfort,
Salve Maria!

Prof, quero lhe pedir opinião sobre uma matéria que li e também perguntar algo.

A matéria trata de um estudo que procurou demonstrar altruísmo sem nepotismo nos macacos. Neste estudo foram feitos três experimentos e os autores concluíram que “As raízes do altruísmo humano podem ser mais profundas do que se imaginava, chegando até o ancestral comum entre humanos e chimpanzés”. Vídeos dos experimentos estão disponíveis no site.

Ao ler a matéria fica claro que Claudio Angelo, autor da matéria, tem gosto pelo evolucionismo.

Eu gostaria de sua opinião sobre o resultado do estudo.

Eu penso ser errado querer diminuir as diferenças do homem com os demais animais como é feito nesta matéria, onde se quer mostrar que os macacos tem muito em comum com o ser humano porque eles tiveram a capacidade de se ajudarem sem nada em troca. Eu já ouvi outras coisas também que me parecem absurdas, como por exemplo que os cachorros são como anjos na terra. Mas uma senhora protestante me disse uma vez que um texto do Apocalipse prova que o céu é cheio de animais. O Senhor sabe sobre o que ela está falando? Eu não anotei o capítulo e também não pesquisei sobre isso.

A pergunta que eu quero lhe fazer é sobre a definição da palavra altruísmo. No site Wikipedia, além da definição da palavra, pode-se ler o seguinte:

“Além disso, o conceito do altruísmo tem a importância filosófica de referir-se às disposições naturais do ser humano, indicando que o homem pode ser – e é – bom e generoso naturalmente, sem necessidade de intervenções sobrenaturais ou divinas.” (http://pt.wikipedia.org/wiki/Altruísmo).

minha dúvida é sobre o trecho “generoso naturalmente, sem necessidade de intervenções sobrenaturais ou divinas.” . O Homem, por si só, pode ser bom? Ou ele precisa da intervenção de Deus para ser bom?

Aproveito para parabenizá-los pela defeza da única Fé, que é Católica, e dizer que o trabalho de vocês fazem bem a muitos.

Desde já agradeço a atenção.

Ricardo.

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Chimpanzés são capazes de ato generoso, diz estudo
Grupo da Alemanha demonstrou altruísmo sem nepotismo entre esses macacos

Cientistas compararam ações altruístas de bebês humanos de um ano e meio e de macacos; desempenho dos dois grupos foi parecido

Houve um período em que os antropólogos e estudiosos da evolução humana achavam que a capacidade de altruísmo desinteressado (ou, como diriam nossas avós, de “fazer o bem sem olhar a quem”) fosse atributo exclusivo de uma espécie, o Homo sapiens. Essa crença acaba de cair por terra.
Cientistas do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, na Alemanha, apresentam em um estudo publicado ontem a evidência mais forte até agora de que os chimpanzés, primos-irmãos dos humanos, são capazes de ajudar os outros sem ganhar nada em troca.
O estudo, que comparou a generosidade de crianças alemãs de 18 meses e a de chimpanzés semicativos de Uganda, sai na edição de julho do periódico científico “PLoS Biology” (www.plosbiology.org).
Desde Charles Darwin os estudiosos da evolução se batem em torno do altruísmo. Afinal, se a seleção natural beneficia o mais apto a sobreviver, não deveria haver motivo para a generosidade (que muitas vezes implica em custo ou risco de vida para quem a pratica) na natureza. Darwin chegou a confessar que o altruísmo era um mistério para ele.
Nos anos 1970, a ciência achou que tinha resolvido a questão: o altruísmo demonstrado pelos animais, inclusive os macacos, sempre beneficiava parentes (portanto, mesmo que houvesse prejuízo para o indivíduo, os genes da família se beneficiariam) ou tinha uma expectativa de retorno imediato (“uma mão lava a outra”). O altruísmo genuíno permanecia um bastião da humanidade.
Nos últimos anos, primatologistas têm observado aqui e ali evidências de altruísmo genuíno também entre os chimpanzés. Para tirar a teima, o grupo do Max Planck, liderado por Felix Warneken, bolou três experimentos bem criativos.
No primeiro, 36 chimpanzés e 36 bebês viam um humano desconhecido ter um objeto roubado por outro humano e colocado atrás de uma grade, ao alcance do altruísta em potencial. Mesmo sem ganhar nenhuma recompensa, bebês e macacos pareciam se apiedar do estranho ao vê-lo tentando pegar o bibelô e, na maioria das vezes, alcançavam-no para ele.
No segundo experimento, barreiras eram colocadas para dificultar o acesso ao objeto, criando, assim, um “custo” para o ato generoso. Mesmo assim, a boa ação era praticada.
Mas o terceiro experimento, feito só com chimpanzés, foi a prova dos noves: um macaco precisava abrir uma porta para que outro, sem nenhum parentesco, pudesse entrar numa jaula em busca de comida.
Mesmo sabendo que não iam ganhar nada, 80% dos animais ajudavam. “O resultado do experimento três surpreendeu até a mim, o maior crente em empatia e altruísmo entre os primatas”, escreveu Frans De Waal, da Universidade Emory (EUA), famoso por seus estudos com chimpanzés.
Conclusão de Warneken e colegas: “As raízes do altruísmo humano podem ser mais profundas do que se imaginava, chegando até o ancestral comum entre humanos e chimpanzés”. E mais: “Os grupos culturais humanos podem ter criado mecanismos sociais únicos para preservar e fomentar o altruísmo. Mas eles cultivaram essa propensão em vez de tê-la implantado na psique”.
(CLAUDIO ANGELO)


http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe2606200701.htm

Prezado Ricardo, salve Maria!

 

     O altruísmo é considerado como uma virtude apenas natural. Isto significa que qualquer homem, mesmo pagão, pode ser um altruísta, ou seja, fazer um bem desinteressadamente.
     Por outro lado, há que se considerar que no altruísmo não há um desinteresse absoluto. Algum bem menor é sempre almejado, como por exemplo, uma satisfação interior por agradar outro ou mesmo por um dever de justiça cumprido.
     No entanto, quando uma mãe faz um sacrifício repentino e, às vezes, irracional, por um filho, dizemos que agiu movida pelo “instinto materno”. Ora, o instinto é algo animal, não é exclusivo do ser humano. Por isso, não é, de si mesmo, uma graça divina ou uma virtude sobrenatural.
     Curiosamente, Richard Dawkins, o grande apóstolo do darwinismo ateu, defende, em seu livro “O Gene Egoísta”, que o altruísmo entre os seres vivos, tão largamente conhecidos, não passa de um interesse do gene em, de algum modo, levar vantagem sobre os outros genes dos outros indivíduos da mesma espécie. Por isso, o altruísmo do indivíduo seria um egoísmo do gene.
     Enfim, é mais um sofisma para tentar difundir a idéia de que a caridade equivale ao altruísmo e é, nada mais, do que um mecanismo adaptativo nos seres vivos em constante evolução.
     Ora, caridade e altruísmo são bastante destintos. Altruísmo, é uma virtude natural, como a coragem. Não é verdade que vemos muitos animais que desafiam valentemente a morte em busca de alimento?
     Já a caridade é uma virtude sobrenatural. A caridade verdadeira é dada por Deus e é, exatamente, o amor a Deus. Quando agimos com caridade, agimos por amos a Deus, proporcionadamente à nossa fé, que também é uma virtude sobrenatural.
     Portanto, não há como herdarmos a caridade geneticamente. Não nasce do instinto, ao contrário do altruísmo semelhante aos chimpanzés. Certamente, eles não agem por amor a Deus.
     No entanto, o altruísmo – ainda que bem inferior – é análogo à caridade, naquilo em que há desinteresse em se fazer o bem. Ora, sendo a natureza obra de Deus, é natural que se assemelhe ao seu criador. E Deus pôs nos animais qualidades que refletem as Suas qualidades. Sendo assim, quando notamos o altruísmo até mesmo entre os macacos, deveríamos nos envergonhar de nossos interesses escusos e mesquinhos, enquanto nossa obrigação seria fazer tudo por Deus, como manda o primeiro mandamento.
     Quanto a ser moralmente bom sem Deus, impossível. “Só Deus é bom“, disse Cristo ao moço rico. E, “Sem Mim nada podeis fazer“. Podemos até fazer um ou outro ato bom naturalmente, mas sempre agirmos bem, impossível. Assim ensina o catecismo. Por isso os sacramentos. A comunhão nada mais é do que alimento para nos nutrir na caridade. São a Maçonaria e os inimigos da Igreja que difundem a idéia de que podemos agir altruisticamente e filantropicamente, sem a necessidade de um Deus e de sacramentos.
     E quantos não há que agem altruisticamente e, em seguida, buscam a lente das câmeras? 

     Você ainda nos pergunta sobre a passagem do Apocalipse que faria alusão à bem-aventurança dos animais. Obviamente, essa só poderia ser uma interpretação protestante ou ecologista. São João, no capítulo 4°, conta que foi arrebatado ao céu e que teve uma visão do trono de Deus circundado por quatro animais, que seriam um leão, um novilho, um animal com rosto de homem e uma águia. Ora, considerando que o Apocalipse é escrito como profecia em linguagem totalmente figurada e simbólica, é natural que esses animais sejam símbolos de algo superior. Trata-se dos quatro evangelistas, que sempre são simbolizados por esses animais, pois se referem a Cristo de maneiras diferentes em cada Evangelho. São Marcos é simbolizado por um leão, pois inicia seu evangelho tratando de são João Batista: “Voz que clama no deserto (…)”, como se fora o rugido de um leão que habita os desertos. São Lucas trata mais profundamente do sacerdócio de Jesus Cristo. Ora, o novilho seria como a vítima sacrificada pelos sacerdotes judeus. São Mateus, por tratar mais longamente sobre a geração humana do Verbo, é representado pela figura de um homem. Já São João, por ter uma elevadíssima abordagem teológica da processão e encarnação do Verbo de Deus, enxerga as coisas do alto, como a águia, que tem os olhos voltados para o sol e vê tudo elevado pelas asas da sabedoria e da fé.
     Como pode ver, não significa que no céu haja mosquitos e pulgas…
  
    Desculpe-me pela grande demora em responder, mas espero poder ter ajudado.


No coração de Maria Santíssima,
Fabio Vanini

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