Montfort Associação Cultural

1 de fevereiro de 2012

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O fim do recreio doutrinal

 

Comentário André Roncolato Siano

O artigo abaixo escrito por Jean-Marie Guénois, é muito interessante, não obstante a não concordarmos com muitas de suas ideias. O núcleo do artigo, se comparado aos artigos de vaticanistas insuspeitos por suas posições bem liberais, convergem a um mesmo ponto: uma restauração Doutrinal e Litúrgica na Igreja Católica promovida eficientemente pelo Papa Bento XVI. O que se vê e pode se constatar é que, apesar da obstinação dos progressistas e sedevacantistas, este Papa continua a conceder para a Santa Igreja bens inestimáveis. A lição que eles deveriam tirar disso, é que sua resistência é inócua e não perdurará. Basta olharmos para história da Igreja.
 
Por fim – como me disse um estimado professor – para “as caravelas” daquelas boas almas desejosas de lutar pela Igreja e sua doutrina, é uma grande lufada de vento que nos lembra o dever de içarmos nossas velas à toda força para ganhar logo o continente, auxiliando o Papa em sua luta e, assim, anteciparmos sua vitória.
 
Rezemos para que todos nós, e em especial o clero, os bispos e os padres, atendam prontamente esse apelo.
 
Eis o texto:
 

O Fim do Recreio Doutrinal

Fonte Secretum Meum Mihi

Tradução Montfort

Se não é uma vingança da história, parece ser. O quinquagésimo aniversário do Concílio Vaticano II, que a Igreja celebrará em 2012, poderia paradoxalmente marcar o crepúsculo do… “espírito do Concílio”, que, por outro lado, foi sua grande promessa.

Este “espírito do Concílio” era a “abertura da Igreja ao mundo católico e as outras religiões”. “O espírito do Concílio”, era “a marca do Concílio Vaticano II, o traço característico de seu caráter”. Desde meio século era o motor do chamado “progressismo” na Igreja.

Um debate ocorrido recentemente sobre “o último moicano”, promovido por Mons. Doucort, bispo de Nanterre, ilustra de uma maneira bastante exata este atual estado do espírito  e seus limites.

Não obstante, se está modelando algo assim como uma limitação à abertura? Isso seria produto da imaginação? Não precisamente. Basta estudar a “Nota com indicações pastorais para o ano da Fé” que foi publicada em Roma em 7 de janeiro, sábado, pela Congregação para a Doutrina da Fé, para dar-se conta.   Este texto indica a linha que deve ser seguida no “ano da Fé”, proclamado por Bento XVI.

Este ano especial está destinado a dar vigor a fé dos católicos do mundo inteiro. Com efeito, será inaugurado em 11 de outubro de 2012… dia do aniversário de abertura do Concílio Vaticano II. O qual não é um detalhe insignificante.

- A nota pede “um empenho renovado de efetiva e cordial adesão ao ensinamento do Sucessor de Pedro.”.

- Insiste em “o conhecimento dos conteúdos da doutrina católica.”, “aprofundar o conhecimento dos principais Documentos do Concílio Vaticano II e o estudo do Catecismo da Igreja Católica.”

- Espera a “subsídios de divulgação com caráter apologético” (portanto, em defesa da Religião Católica) (n. de r.) como resposta “aos desafios das seitas, ora aos problemas ligados ao secularismo e ao relativismo”.

- Expressa o desejo de que sejam corrigidos os catecismos nacionais, que “não estejam em plena sintonia com o Catecismo, ou revelem algumas lacunas”.

- Fixa como prioridades “o anúncio do Cristo ressuscitado”, “a Igreja, sacramento de salvação”, “a missão evangelizadora no mundo de hoje”.

- Convida a recorrer mais fortemente ao “sacramento da Penitência.”, colocando uma atenção especial  aos “pecados contra a fé.”

- Pretende “intensificar a celebração da fé na liturgia, particularmente na Eucaristia”.

- E espera homilias baseadas no  “ ‘o encontro com Cristo’, ‘os conteúdos fundamentais do Credo’, ‘a fé e a Igreja’…”

- Em resumo, a ideia principal, o que poderíamos chamar de “carro-chefe” deste documento, seria realizar um “aprofundimento(SIC!) da doutrina” e “empenhar na nova evangelização, com uma adesão renovada ao Senhor Jesus”. E nada mais.

Devemos considerar, apesar de que em diversos lugares existam recomendações ecumênicas e inter-religiosas, que, entretanto, lendo-se corretamente, não é o mais importante. Estes temas não são prioritários.

Poderia subestimar-se o valor desta “nota” que não tem a autoridade de uma encíclica. O que é certo no plano técnico. Não obstante, esta “nota”, é muito mais que uma nota, porque é a expressão de maneira pragmática de uma política que Bento XVI vem anunciando desde 2005. A política de seu pontificado.

Nove meses despois de sua eleição, deu como sua linha de atuação uma “interpretação” do Concílio Vaticano II, já não baseada na “hermenêutica da descontinuidade e da ruptura” senão, segundo a “hermenêutica da reforma”, o seja, “na continuidade” com a Tradição da Igreja.

Já não se trata de um voto de fé, senão de um programa bem organizado que tem por objeto realizar uma reforma – lenta naturalmente –  interna da Igreja. E sinaliza o final de um “certo recreio doutrinal” onde absolutamente tudo era possível na grande casa católica.

Este programa será seguido? Será antes de tudo bastante criticado: pelos ambientes progressistas como o “responsável da extinção do verdadeiro concílio”; pelos ambientes integristas como o “cúmplice do falso concílio”. É muito duro o ofício do Papa!

Mais além desta dialética simplista, não há que se perder de vista o progresso de fundo que está atravessando hoje a Igreja Católica.  Desta vez, este ponto de vista concorda com o espírito pelo qual esta nota o impulsiona. Alguns veem nele uma simples volta à normalidade, mas, se trata melhor de uma manobra estratégica: A Igreja começa a reacionar contra seu declive no Ocidente. O novo consistório em que serão criados 22 novos cardeais no próximo 28 de fevereiro confirma esta orientação.

Se “o espírito do Concílio” morre, voltará “o Espírito Católico”?

 

Nota:

ONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ: Nota com indicações pastorais para o Ano da Fé

(http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20120106_nota-anno-fede_po.html, acessado em 31/01/2012).

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