Montfort Associação Cultural

5 de janeiro de 2011

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O fim do Concílio Vaticano II será também o fim da Igreja

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Vladimir Lacerda Mariano
  • Localizaçao: Juazeiro do Norte – CE – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Religião: Católica

Li por diversas vezes e confesso que muitas vezes também não entendi embora compreenda o ódio dos senhores em relação ao Concílio vaticano II denominando-os com adjetivos pouco lisonjeiros inclusive contra os santos padres João e Paulo que foram os grandes nomes deste Concílio.O que me deixa mais abismado é o fato dos senhores se dizerem Católicos e afirmarem por milhares de vezes em vários artigos de que só existe uma Igreja e um só pastor.A Igreja de hoje é a do Concílio Vaticano a quem os senhores se recusam a aceitar e obedecer.
Desejar o retorno da missa de sempre(como os senhores chamam) é legítimo,mas não é e nem poderia ser a única forma de expressão liturgica. É possível e correto as duas expressões e creio que será neste sentido que a missa tridentina deverá ser restaurada. Senão isto poderá significar um CISMA sem precedentes dentro da cristandade que se confessa católica.
Desejar a pureza ou ortodoxia liturgica é mais do que aceitável,mas é preciso também que a Igreja caminhe em direção aos novos tempos e aos novos temas,que com certeza não haviam na Igreja Primitiva ou mesmo medieval e muito menos na Igreja Tridentina.Isto não significa mexer com as verdades eternas, pois se são eternas se perpetuam frente aos novos tempos e desafios.Caminhar em direção ao novo não significa abandonar os reais valores morais,religiosos e filosóficos muito pelo contrário significa ver os seus signicados em uma nova realidade.
Torcer que o atual papa retroceda no tempo e ponha a perder todo o avanço da Igreja nestes últimos 45 anos eu não torço,mas creio que missa em latim não melhora e nem piora o cristão em nada.Talvez retorne o sentimento de antes de uma Igreja distante e prepotente diante dos fiéis .E na era da proximidade e do diálogo creio que esta postura em nada ajuda os fiéis e nem o aproximam do altar.
Esta missiva é fruto da leitura que afirma que um cardeal católico comparou o Vaticano II com o Anti-cristo,me parece absurdo,pois se assim é se um prelado pode por motivos sei lá quais criticar e pior amaldiçoar decisões tomadas pela Igreja anteriormente colocando em dúvida a inspiração divina e a autoridade do Santo Padre que dirá eu e os cidadão comuns.Sendo assim as verdades pregadas por esta mesma Igreja são passageiras e fruto de visões pessoais.Nada inspirada por Deus e sim apenas a verdade pessoal do Sumo Pontífice do momento.E portanto verdades falíveis.
A Igreja deve perceber que o homem comum não se afastou de Deus como muitos afirmam,mas sim das “verdades”pregadas pelas diversas igrejas cristãs e não cristãs e cabe a elas elaborar melhores respostas para as dúvidas e angustias do homem atual.
Não vivemos mais na Idade Média e a Igreja não é mais a única detentora do saber,aliás hoje o seu conhecimento se reduz ao saber da fé. A razão cada vez mais dela se afasta e continuará se afastando.Pior os homens também.
Não nego que sou leitor assíduo do Monfort,mas me confesso perturbado com muito do que leio e a minha fé que já não é muita sai cada vez mais enfraquecida.Torço e muito pela retomada da grandiosidade da Igreja,mas não a vejo hoje como santa,mas fundamentalmente humana infelizmente.
Os senhores estão acostumados a cartas mais eruditas e recheadas de filosofismo e teologismo e por isto confesso minha ignorância neste assunto,mas reconheço também o meu direito que não me é dado de ter opinião própria.
Um abraço
Vladimir Lacerda Mariano

 

Data: 20 Abril 2007


 
Muito prezado Vladimir,
Salve Maria.
 
     Não há uma “Igreja de hoje”.
 
     A Igreja Católica Apostólica Romana é a Igreja de sempre. Ela não perece e é sempre a mesma. Ela nunca muda. Uma Igreja “de hoje” é descartável. E amanhã ela será descartada.
   
     O Concílio Vaticano II não foi infalível, e, por isso, não exige dos fiéis católicos uma adesão de fé divina e católica.
 
     A Missa de sempre não pode ser proibida porque, como disse o Cardeal Ratzinger, se a Igreja condenasse o que ela fez durante quase dois mil anos, ela estaria condenando a si mesma.
     A Missa de sempre nunca foi revogada. Portanto, ela continua em vigor e qualquer padre pode rezá-la e sem pedir a permissão de seu Bispo, porque a liturgia está acima do direito dos Bispos. Veja o que disseram sobre isso nove cardeais segundo relato do cardeal Stikler:
     O Cardeal Stickler declarou:
 
O Papa João Paulo II fez duas perguntas, em 1986, a uma comissão de nove cardeais. Primeira pergunta: “O Papa Paulo VI ou qualquer outra autoridade competente até o presente momento proibiram legalmente a livre celebração da Missa tridentina?” A resposta dada por oito destes cardeais em 1986 foi que não, a Missa de São Pio V jamais foi supressa. Posso afirmá-lo: eu era um destes cardeais. Um somente foi de parecer contrário. Todos os outros estavam a favor de uma livre permissão: que cada qual possa escolher a antiga Missa. Houve uma outra pergunta muito interessante: Será que um bispo pode impedir qualquer sacerdote que seja, desde que em situação regular, de recomeçar a celebrar a Missa tridentina? Os nove cardeais responderam unanimemente que um bispo não podia impedir um sacerdote católico de celebrar a Missa Tridentina. Nós não temos uma proibição oficial e eu penso que o Papa jamais pronunciaria uma proibição oficial.” (Cardeal Stickler, Prefeito emérito dos Arquivos do Vaticano, in revista The Latin Mass, 1995. O destaque é meu)
 
 

     Você me diz que “é preciso também que a Igreja caminhe em direção aos novos tempos e aos novos temas”.

     Você repete o slogan de que a Igreja deve se adaptar aos tempos. Isso é um absurdo. Os tempos e o mundo é que devem seguir a Igreja.
     Novos tempos é o que pediu João XXIII em seu discurso de aberrtura do Concílio Vaticano II.
     Ele quis adapatar a Igreja à Modernidade que segundo Frances Yates é magia e gnose. 
     Pio IX, no Syllabus , condenou o erro seguinte:
 
Erro 80: O Romano Pontífice pode e deve reconciliar-se e transigir com o progresso, com o liberalismo e com a civilização moderna”
 
     Isso é erro condenado e o Concílio Vaticano II quis adaptar a Igreja à modernidade, aos temas novos e aos novos tempos, como você diz.
 
     O problema da missa nova não é só o da língua, mas a teologia antropocentrista oposta à Teologia católica necessariamente teocentrista e não popularesca e divinizadora do homem.
     E não se trata de retroceder no tempo, trata-se de voltar às verdades de sempre. A Verdade não muda. Que negócio é esse de retorceder no tempo?
     Retroceder no tempo só em filme de ficção cientícia com máquinas de tempo. A Verdade é imutável. Jamais o tempo a envelhce, e a lei de Deus não pode perder nem um jota.
 
     Você tem mentalidade evolucionista e progressista
     Deus nao muda.
     A Verdade não muda.
     A Igreja não muda, e nem pode mudar.
     E o Cardeal Biffi não comparou o Concílio Vaticano II ao Anticristo. Ele o comparou — e com base — ao Concílio do Anticristo tal qual foi descrito por Solovief. E o Papa Bento XVI que ouviu a comparação não achou a comparação absurda e até elogiou as pregações do cardeal Biffi à Cúria Romana em seu retiro de Quaresma. De modo que sua opinião pessoal vale um pouco menos que a de Bento XVI, não acha?
 


In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

 

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