Montfort Associação Cultural

31 de outubro de 2005

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O Espírito do Concílio Vaticano II

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Cristiano Sávio Ferreira do Nascimento
  • Localizaçao: Fortaleza – CE – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Contador
  • Religião: Católica

Prof. Orlando,

Parabéns pelo conteúdo do site, às vezes a impressão que eu tenho é que o site Montfort é a única fonte, seja religiosa, seja leiga, que está totalmente de acordo com a Verdade que a Igreja Católica professa. Eu fico encantado com o senso lógico, coerente, racional e por que não dizer: cristão, religioso, fiel, verdadeiro, caridoso com que os senhores tratam e respondem a todas as cartas que lhes são enviadas. Deus os abençõe e que Nossa Senhora (OBRA-PRIMA DA CRIAÇÃO DE DEUS E DISPENSORA DE TODAS AS GRAÇAS DO ESPÍRITO SANTO) esteja sempre guiando os passos desta instituição.
Gostaria de enviar-lhes um texto que foi inserido no espaço “TEMAS ATUAIS” no jornalzinho “O DOMINGO-SEMANÁRIO LITÚRGICO-CATEQUÉTICO” do dia 23/10/2005 que é distribuído para os fiéis acompanharem a Santa Missa. Este texto mostra a que ponto as pessoas que são responsáveis pela orientação dos católicos estão no mínimo, confusas no que estão ensinando ou pior no que acreditam estar correto, confundindo a ação do Espírito Santo com os seus próprios desejos.

Obrigado,
Salve Maria,

TEMAS ATUAIS:

Igreja em Novo Pentecostes (V)

Estamos celebrando 40 anos do encerramento do Concílio Vaticano II. E o que importa é retomar não apenas os seus documentos, mas o seu espírito renovador. Vivemos longo período de agonia de um pontificado. A santidade e a firmeza de João Paulo II, sem dúvida, edificaram o mundo todo. Mas a Igreja viveu um progressivo recuo em relação à renovação conciliar. Do novo papa esperamos, na fé e na esperança, a retomada da caminhada renovadora do concílio. O “novo pentecostes” não pode continuar freado.
Pouco tempo após sua eleição, João Paulo II sinalizou para a volta à grande disciplina na Igreja: rigor na legislação, na liturgia, na doutrina… O Sínodo de 1985 foi um divisor de águas: ao se avaliar os 20 anos do encerramento do Vaticano II, a Igreja hierárquica decidiu dar um basta às muitas experiências renovadoras em curso nos diversos âmbitos: liturgia, teologia, moral, laicato, vida religiosa, presbiterato, conferência de bispos…Houve fortes conflitos do Vaticano com teólogos, conferências de bispos, conferências de religiosos…
Ouçamos o que o Espírito diz à Igreja e continuemos abrindo espaços para os caminhos renovadores trazidos pelo concílio. Lembremos alguns: a leitura orante da Bíblia pelo povo; a dinamização da eclesiologia de comunhão e participação; uma Igreja missionária, a serviço do reino, a serviço dos pobres. E há ainda o pedido do concílio para uma liturgia participativa, ativa, piedosa, e não cheia de proibições e restrições, como ultimamente vem ocorrendo. Sejam continuados os esforços de busca de novos caminhos para o presbiterato e, também para o ecumenismo o diálogo religioso, o diálogo com o mundo (política, economia, ciência). E que se torne realidade a opção preferencial pelos pobres.
Retomemos o Concílio Vaticano II e, em obediência ao Espírito Santo, continuemos profeticamente a renovação da Igreja.

Irmão (Nome não divulgado para evitar problemas), fsc

Muito prezado Cristiano,

salve Maria!
 
    Que Deus o recompense por suas boas palavras com relação ao site Montfort. Pedimos a você que se lembre sempre de nós em nossas orações.
    Li com atenção o documento dominical que você me enviou.
    Achei muito interessante não só o que nele se diz, como principalmente a coincidência do que ele diz com outras manifestaçãoes recentes (depois do Sínodo de Roma).
    Com  efeito, após o Sínodo convocado por Bento XVI para coibir os abusos contra a Eucaristia nas Missas, começaram a pipocar pronunciamentos de modernistas, defendendo a retomada do “Espírito do Vaticano II”, tal e qual se faz nesse folheto dominical (“O DOMINGO-SEMANÁRIO LITÚRGICO-CATEQUÉTICO” – 23/10/2005).
    Na Itália, houve críticas violentas feitas publicamente por Padres contra o Cardeal Ruini, acusando-o de querer fazer voltar a Igreja a um clima pré-conciliar. Ora, o Cardeal Ruini foi um dos maiores responsáveis pela eleição de Bento XVI, e é um de seus principais apoios na Cúria. Desse modo, atacar o Cardeal Ruini é visar o próprio Papa Bento XVI, acusando-o de estar pretendendo fazer a Igreja voltar ao que ela era antes do Vaticano II.
    E tomara que essa acusação tenha base!!!
    Que Deus inspire e bem fortaleça Bento XVI, nesse propósito!
    Logo depois, foi publicada uma violenta carta aberta contra o Cardeal Ruini, Presidente da Conferência Nacional dos Bispos da Itália, porque o cardeal condenou uma lei a favor da legitimação das uniões gays. A carta era assinada por Sergio Giorni (da Comunidade de Base de San Paolo, em Roma). Portanto, a carta provinha de ambiente eclesiático.
    Nessa carta aberta, além de se defender a legitimidade de um Estado permitir oficialmente as uniões gays, o autor se manifesta duramente contra a “Igreja Institucional”, defendendo ante ela uma igreja de base: a igreja do povo de Deus. (http://www.adistaonline.it/es2005/29-10-2005-0.pdf).
    É de ontem a notícia distribuída pela Associated Press no seu Boletim Religion News in Brief (28-X-2005) contando que o Presidente da Conferência Nacional dos Bispos Americanos, Monsenhor William Skylstad, afirmou que está preocupado com o possível decreto do Vaticano negando lugar aos gays na Igreja.
    O Bispo que preside a Conferência dos Bispos nos Estados Unidos ousa declarar que:
   
    ”Há muitos maravilhosos e excelentes sacerdotes na Igreja que têm orientação homossexual, mantendo-se castos e célibes, sendo ministros eficientes do Evangelho”.
 
    Esse Bispo considera que há entre 25% a 50% de padres gays nos Estados Unidos.
    Evidentemente, isso contraria a orientação de Bento XVI pela tolerância zero nos seminários e no clero.    
    Agora mesmo, em São Paulo, noticia-se que haverá um Simpósio Internacional de 40 Anos do Vaticano II.
    Que se visa nesse Simpósio?
    O texto explicativo desse Simpósio, texto assinado por Alberto da S. Moreira  diz:
   
    “Quarenta anos depois precisamos refletir sobre o que sobrou desse espírito que animou o Concílio. Sem dúvida, os frutos gerados na Igreja da América Latina foram imensos e alargaram o horizonte das esperanças: Comunidades na base, teologia da libertação, testemunho profético, aproximação ecumênica, compromisso social, desclericalização do cristianismo, e tantos outros (Esses são os frutos bons do concílio???). No entanto, olhando em termos amplos e mundiais, essa voz profética do Povo de Deus foi-se calando e quase não é mais ouvida. A Igreja Católica parece ter recaído na preocupação consigo mesma e gasta suas forças em conflitos institucionais. A volta à grande disciplina, conforme expressão de um teólogo brasileiro, marca atualmente os horizontes internos. No panorama externo não aparece tanto, como outrora em Medellín e Puebla, aquele empenho em assumir “as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens (e mulheres) de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem” (GS 1), como sendo os mesmos sentimentos dos discípulos e discípulas de Cristo.
    Mesmo vivendo numa quadra histórica mundial de capitalismo globalizado, de falta de alternativas e de desilusão, na qual o próprio direito de existência das igrejas e das religiões está ameaçado, parece que em muitos lugares a Igreja Católica está virando as costas ao mundo e se ocupando novamente apenas com a “salvação das almas”. (APENAS????)   
    O Simpósio Internacional 40 Anos do Concílio Vaticano II nos ajuda, portanto, a nos perguntarmos: O que não podemos esquecer? O que devemos fazer? O que nos é permitido esperar? O que permanece e o que desafia? Neste sentido o Simpósio reúne especialistas de várias partes do Brasil, da América Latina e do mundo para, juntamente com os interessados e participantes, buscar resposta a essas perguntas. Talvez o Concílio Vaticano II não tenha chegado ainda a seu fim, mas apenas ao fim do seu começo. Tão mais urgente se torna recriar o seu espírito, reler os sinais desses tempos difíceis e pensar caminhos para manter-se fiel a seu legado”.
 
    Ora, documentos surgidos concomitantemente, em lugares tão diversos no mundo, em ambientes tão heterogêneos, indicam uma orquestração.
    Alguém está movendo uma campanha internacional a favor do chamado “Espírito do Vaticano II”, contra a orientação do Papa Bento XVI que se acusa de ser contrária ao Concílio Vaticano II e visando um retorno à situação da Igreja antes do Vaticano II.
    Tomara que seja veradade!
    Se for assim, que Deus conceda a Bento XVI as graças necessárias para enfrentar os lobos modernistas!
    É claro que alguns há que parecem não crer nisso: por exemplo Dom Williamson, da FSSPX.
    Para tais pessoas, haveria uma imensa conspiração por meio da qual Bento XVI, permanecendo fiel ao seu passado modernista, estaria conluiado com a extrema esquerda modernista para iludir os tradicionalistas a fim de enganá-los, e estabelecer, com o apoio de ingênuos direitistas, o triunfo da heresia modernista.
    É muita imaginação.
    Mais coerente e lógico é perguntar-se se os Modernistas se enganam ao atacar inimigos, ou em fazer campanhas mundiais ferozes contra Bento XVI.
    Visto que em Fátima e nas profecias de Dom Bosco, se diz que haverá um Papa, ainda que vacilante e cambaleante, que trará a barca da Igreja de volta para as colunas da Hóstia — da Missa de sempre — e da Virgem, e que retornará a Roma, caminhando 200 jornadas, depois de 200 jornadas de afastamento da Cidade santa, mais coerente e lógico é se perguntar — pelo menos como hipótese – se Bento XVI não será esse Papa.
 
    Será que isso ocorrerá  em breves anos?
    Só Deus o sabe.
    Mas, a nós fica o dever de perscrutar os horizontes, atentos aos inimigos, e sequiosos pela realização do que Nossa Senhora previu, rezando para que Bento XVI realize, de fato, o que os inimigos dele, os modernistas, mostram temer: o retorno da Igreja ao que ela sempre foi, até o Vaticano II, que tudo mudou e tudo arruinou.
    E se Bento XVI não for o papa do retorno?
    Então será outro.
    A nós cabe desejar, esperar, rezar e lutar, porque não há triunfo sem luta. Não há vitória gloriosa sem luta extrema.
    Rezemos por Bento XVI.
    Rezemos para que Bento XVI, ainda que vacilante e cambaleante, recoloque a barca da Igreja firmemente ancorada entre as colunas da Hóstia consagrada e da Virgem Maria, como viu profeticamente Dom Bosco.
    E se não for Bento XVI que fará isso?
    Será então outro.
    Mas isto vai aconteecer.
    Deus não falha e Nossa Senhora não descumpre suas promessas.
 
In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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