Montfort Associação Cultural

22 de julho de 2007

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´O doce veneno da Montfort` – acusações do Pe. Henrique Soares

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Húdson Kléber Palmeira Canuto
  • Localizaçao: Maceió – AL – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: Professor
  • Religião: Católica

Para que se confirme quanto está aqui veja-se o seguinte endereço: http://costa_hs.blog.uol.com.br/arch2007-06-17_2007-06-23.html

O site Montfort: doce veneno – I

Apareceu no site Montfort uma forte reação ao que escrevi sobre o referido site e a respeito da Missa de São Pio V como ele apresenta e defende (procure aqui o meu texto)… Não o transcreverei aqui e não indicarei o local do artigo, pois penso, sinceramente, que não vale a pena. Somente, a quem interessar possa, digo quanto segue, como sacerdote católico que deseja estar em plena, sincera e filial comunhão com a Igreja e seus legítimos pastores:

1. Reitero tudo quanto afirmei. O site Montfort desautoriza o Papa Paulo VI e seus sucessores e, assim, põe-se em rota de colisão com a Igreja. A fidelidade à Igreja católica não é a uma Igreja idealizada, mas à Igreja de hoje, com seus pastores e seus desafios!

2. Apesar de desejar ser sinceramente católico, esse site tem feito mal a muita gente que, sem critérios suficientes, termina caindo numa visão estreita do que é o cristianismo, a Igreja e a liturgia católica, com a boa fé e o triste engano de ser fiel à Tradição. A Tradição aí é confundida com imobilismo e rigidez… É esta miopia no modo de compreendê-la que chamo de tradicionalismo. O cristianismo é tradicional, não tradicionalista ou reacionário!

3. De modo gravíssimo, o pessoal do site Montfort desautoriza e tenta esvaziar o Concílio Vaticano II. É o mesmo erro dos que tentam esvaziar o Concílio de Trento e o Concílio Vaticano I. Todo católico deve ter o Vaticano II em tanta estima e considerção quanto qualquer outro concílio ecumênico. Com os mesmos argumentos tortos do pessoal do Montfort, há aqueles que desejam reduzir os concílios pós 1054 a concílios gerais do Ocidente. Exagero vai, exagero vem – e quem periclita é a fé católica e a unidade da Igreja!

4. O site Montfort adota uma visão meio paranóica, vendo conspiração maçônica e modernista em toda parte! O modernismo foi um erro combatido a seu tempo. Ainda hoje influencia certa teologia. Mas, não tem o menor sentido viver numa cruzada paranoicamente anti-modernista! Acusam de modernismo grandes teólogos do século XX, como Henri de Lubac e Yves Congar e denigrem a memória do grande teólogo Hans Urs von Balthasar! Todos esses teólogos eminentes e santos, apesar de serem somente padres, foram feitos cardeais por João Paulo II Magno e são queridíssimos de Bento XVI. Quanto a de Lubac, Ratzinger o considera um de seus mestres! Será que João Paulo II e Bento XVI são hereges modernistas? Ou será que são ignorantes tolos, que nem percebem o perigo desses teólogos? O site Montfort e outros sites tradicionalistas alardeam fidelidade ao Papa e depois minam-lhe a autoridade; citam o que interessa dos livros de Ratzinger, mas ignoram solenemente que o mestre teológico de Ratzinger é de Lubac! O Papa, para eles, serve somente no que lhes convém! É o mesmo raciocínio do pessoal da Teologia da Libertação! Os extremos se tocam…

5. O articulista do site Montfort foi injusto e desleal para comigo ao afirmar que defendo a ressurreição imediatamente após a morte. Não é verdade! Sempre critiquei duramente tal impostação! A ressurreição é um processo que se inicia logo após a morte, com a glorificação da alma, e terá sua consumação com a ressurreição corporal, no final dos tempos. É isso que ensino; é isso que a Igreja crê e a Congregação para a Doutrina da Fé reafirmou há alguns anos. E só isso. Não se deveria impugnar um sacerdote por ” eu ouvi dizer que” e por suposições infndadas… Seria bom fazer um exame de consciência! No entanto, sei que o meu modo de fazer teologia não agradaria ao pessoal do Montfort. Sou de outra escola e sou plenamente católico, sem restrições a papas ou concílios. Até me criticam por chamar de “Magno” a João Paulo II, afirmando que a Igreja não lhe deu esse título. A verdade, é que não aceitam realmente o Papa João Paulo… Quanto ao título “magno”, não é a Igreja quem o dá, mas a própria história pela boca das gerações. “Magno” não é título religioso! Por isso, Alexandre Magno, Pompeu Magno, Constantino Magno, Carlos Magno… Posso chamar João Paulo II de Magno (Grande), sim! Posso e devo, porque ele o foi: homem da Tradição, consciente do presente e aberto ao futuro! Nunca foi um tradicionalista enferrujado, peneumatômaco (= assassino do Espírito)! Assim, “Magno”, o chamou o Cardeal Sodano na homilia da Missa do dia seguinte à sua piedosa morte (“João Paulo, o Grande”); assim o chamou Bento XVI na sua primeira palavra após a eleição: “Depois do Grande Papa João Paulo II”; assim muitos o chamam na Europa… Estou bem acompanhado, portanto!

Escrito por Pe. Henrique às 14h07
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O site Montfort: doce veneno – II

6. Quanto à discussão sobre o poligenismo ou monogenismo, é questão absolutamente aberta (não adianta citar erroneamente a Humani Generis de Pio XII, que não se pronunciou de modo infalível). Qualquer teólogo católico dirá isso. Nenhum católico é obrigado a pensar que a humanidade veio de um só casal. Eu defendo claramente o poligenismo, mas respeito quem pensa diversamente, pois não é assunto fechado. O problema do pessoal do Montfort é que também não aceita outra leitura da Escritura a não ser a que despreza o estudo dos gêneros literários (recomendado vivamente deste o tempo de Pio XII!)… É triste quando a fé tem que enterrar a cabeça para não ver a realidade e já não leva a sério as descobertas sérias da ciência! Que ironia: o pessoal do Montfort, que tem tanta raiva dos protestantes, nisso, é igualzinho aos protestantes fundamentalistas pentecostais dos EUA, que desejam proibir que se ensine a evolução nas escolas!

7. O problema do pessoal do Montfort é muita vontade de conhecer a teologia católica, mas sem os pressupostos teológicos necessários. Por falta de uma criteriologia no que diz respeito aos instrumentos hermenêuticos da ciência teológica, cai-se, então num fundamentalismo de dar pena – e me dá mesmo, sinceramente, porque esse pessoal, com seu zelo, poderia fazer um bem imenso à Igreja. Por outro lado, é doença intelectual mesmo dizer “odeio tudo que é moderno”. E é contraditório, pois se escreve isso com o teclado de um moderno computador, usando a internet, o meio mais moderno de comunicação! Pensem na esquizofrenia!

8. Não pretendo polemizar, mas repito: cuidado com o site Montfort, pois está se afastando do sentir com a Igreja… É o caminho que leva à heresia e ao cisma. É bom evitá-lo! Queira Deus que os jovens não se deixem levar por essas idéias obsessivas… É uma pena, porque a absolutização da própria Missa de São Pio V (em si, bela e legítima, mas chamada erroneamante de “Missa de Sempre” devido a um endeusamento, uma absolutização imprópria da liturgia de uma época determinada) terminará por fazer com que muitos Bispos neguem a permissão para celebrá-la, já que começa a se tornar uma bandeira do tradicionalismo (no sentido negativo mesmo) e do integrismo! Eu mesmo, que nada tenho contra esse belo rito, jamais o celebraria por quem me pedisse com essa mentalidade integrista; penso que nenhum Bispo de responsabilidade e senso eclesial fá-lo-ia!

Que pena! Repito: cuidado com o site Montfort: está fazendo mal; parece doce católico, mas é veneno! Descobri que aquele articulista lá não é tão sincero e honesto intelctualmente como eu pensava. Na verdade, é um bom sofista que adora arengar feito galo de briga, vendo heresia e perigo por todo lado! E só!

Escrito por Pe. Henrique às 14h06
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Ainda sobre a Missa segundo o Missal de São Pio V – I

Caro e paciente Visitante meu, somente para que os leitores menos familiarizados com a guerra que os sites tradicionalistas (que são muitos) fazem contra a Missa no rito do Missal de Paulo VI, gostaria de esclarecer que o grande cavalo da batalha desses grupos é a Bula Bula Quo Primum Tempore, de São Pio V, datada de 1570. Nesta bula, o Papa promulga o Missal Romano reformado por determinação do Concílio de Trento. Lá para as tantas, explicitando a promulgação, com a linguagem solene e peremptória própria dos papas dos séculos anteriores, o Santo Padre Pio V afirma: “A fim de que todos, e em todos os lugares, adotem e observem as tradições da Santa Igreja Romana, Mãe e Mestra de todas as Igrejas, decretamos e ordenamos que a Missa, no futuro e para sempre, não seja cantada nem rezada de modo diferente do que esta, conforme o Missal publicado por Nós, em todas as Igrejas…” Mais adiante, o Papa afirma: “Quanto a todas as outras sobreditas Igrejas, por Nossa presente Constituição, que será valida para sempre, Nós decretamos e ordenamos, sob pena de nossa indignação, que o uso de seus missais próprios seja supresso e sejam eles radical e totalmente rejeitados; e, quanto ao Nosso presente Missal recentemente publicado, nada jamais lhe deverá ser acrescentado, nem supresso, nem modificado”. São estes “para sempre” o cavalo de batalha dos tradicionalistas: nunca, jamais, de nenhum modo, em tempo algum poder-se-ia alterar o rito da Missa tal como Pio V o aprovou! Ora, afirmar isto é algo totalmente fora de propósito e teologicamente errôneo! Dou somente alguns motivos:

1. É necessário compreender o contexto desta Bula. A Igreja estava reagindo à Reforma protestante, que difundiu erros graves contra a fé católica. Muitos desses erros tocavam os sacramentos, sobretudo a Eucaristia. Um dos modos que a Igreja julgou eficaz para combater o erro e manter a unidade da fé foi desencorajar o uso dos vários ritos de celebração da Missa, ritos que existiam em várias regiões da Europa. Só a título de exemplo: o rito ambrosiano, na Diocese de Milão, o rito próprio da Diocese de Braga, o rito de Dijon, ainda hoje com alguns resquícios entre os monges trapistas, o rito da Grenoble, guardado pelos monges cartuxos, o rito moçarábico, em regiões da Espanha, etc. Por isso mesmo, na sua Bula, São Pio V determina que somente é permitido que permaneçam sendo usados os ritos que tenham mais de 200 anos. Interessante que o santo Papa nunca pensou que em toda a Igreja deveria existir somente o rito do missal que ele estava aprovando. Os ritos ocidentais com mais de 200 anos poderiam continuar existindo; sem contar os venerabilíssimos ritos das Igrejas orientais católicas ou ortodoxas, como a liturgia da São Basílio ou a de São João Crisóstomo, que a Igreja sempre teve em alta conta… Se a grande maioria dos ritos ocidentais desapareceu não foi por proibição de São Pio V, mas por obra dos monges beneditinos de Solesmes, na França, que no século XIX fizeram todo um trabalho de exaltação do rito romano com sua sobriedade, e crítica a aspectos dos outros ritos. Era uma época de forte centralização romana na Igreja, por motivos históricos válidos e compreensíveis.

2. O Santo Padre Pio V, com a linguagem que usou, jamais pensou em proclamar como um “dogma” o seu Missal! Um papa – qualquer papa – somente pode falar de modo definitivo e infalível em dois casos: 1) Quando proclama ou ensina “ex cathedra” sobre fé e moral, nunca sobre disciplina litúrgica não revelada e 2) Quando, interpretando o magistério ordinário do inteiro Colégio dos Bispos sobre fé e moral, proclama que uma determinada doutrina de fé e moral pertence à fé católica tal como revelada por Deus – e isto de modo definitivo (foi o caso da doutrina segundo a qual as mulheres não podem receber a ordenação sacerdotal. Esta sim, é definitiva e irreformável!). Fora disso, o Papa não pode falar de modo definitivo! São Pio V, coitado, apenas promulgou uma Bula para aprovar o belíssimo Missal, fruto da reforma litúrgica do Concílio de Trento! Nunca, em quinhentos anos, se pensou que o Missal seria irreformável! A prova disso é que o Bem-aventurado João XXIII, antes do Vaticano II, fizera uma pequena modificação no Cânon Romano, acrescentando à lista dos santos aí citados, o nome de São José, esposo da Virgem Maria. Pela interpretação dos tradicionalistas, jamais João XXIII poderia ter feito isso!

3. Nenhum Papa é obrigado a manter as normas disciplinares de um outro. O Papa somente não pode mudar aquilo que é de fé e moral revelada e, portanto, faz parte do Depósito da Fé! Quanto ao resto, ele tem plena autoridade na Igreja! O Papa atual não é são Pio V: é Bento XVI, como o da reforma litúrgica pós-Vaticano II era o Servo de Deus Paulo VI, de santa memória! Cada um, no seu tempo, gozou de poder supremo, imediato, episcopal e pleno na Igreja por vontade do próprio Senhor.

4. É importante recordar que sempre a liturgia da Missa, desde as origens, vem passando por reformas e evoluções – é coisa normal. Compete ao Papa a última palavra sobre esses assuntos. É verdade que o Missal de Paulo VI é fruto de uma reforma bastante profunda em relação ao Missal anterior. O atual Papa reconhece isso. Ele admira e vê muitos méritos no atual Missal, mas lamenta que não se tenha preservado mais do antigo Missal. Pessoalmente, eu penso assim também: a reforma litúrgica não foi de todo feliz… Pode-se gostar ou não dessa reforma de Paulo VI; o que não se pode é afirmar que ela é heterodoxa ou ilícita! O que não se pode também – e o atual Papa nunca o fez – é absolutizar o Missal de São Pio V de modo totalmente impertinente e unilateral! É uma triste ignorância do que é a liturgia, de como ela faz parte da perene e ao mesmo tempo dinâmica Tradição da Igreja e como ela evolui e evoluirá sempre no decorrer da história.

Escrito por Pe. Henrique às 01h10
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Ainda sobre a Missa segundo o Missal de São Pio V – II

5. É totalmente falso que o Missal de Paulo VI deturpe ou macule ou mutile a fé católica! O Missal deve ser utilizado, interpretado e vivenciado no contexto de toda a doutrina da Igreja e não como um texto isolado em si mesmo, pois que a oração da Igreja, sobretudo a litúrgica, brota da sua vida e da sua fé e, ao mesmo tempo, as exprime!

6. Por outro lado, os tradicionalistas têm razão quando deploram e rejeitam todos os abusos e loucuras cometidas nos últimos anos na liturgia em nome de uma tal de “criatividade”, compreendida de modo totalmente contrário ao pensamento da Igreja e ao magistério dos últimos papas! Quantas vezes tenho denunciado isso neste blog! Se o Missal de Paulo VI fosse usado como a Igreja pede e determina, muito desse mal-estar poderia ser evitado!

7. Quero deixar bem claro que é possível e plenamente legítimo amar e apreciar a beleza do rito da Missa segundo o Missal de são Pio V e desejar celebrar a Eucaristia nesse rito. O que atrapalha e é errado é refutar o Vaticano II, acusar Paulo VI e absolutizar (= endeusar), como se fosse determinação eterna, uma norma de um Papa que nunca teve a intenção de dar um alcance absoluto a suas palavras! O Missal de São Pio V foi um a mais na longa evolução da litúrgica da Igreja. A “Missa de Sempre”, a que se referem insistentemente os tradicionalistas, é o Sacramento da Eucaristia, seja em que rito legítimo seja celebrada: rito romano, melquita, maronita, malaber, malankar, ucraniano, copta, armeno, etíope, bizantino paleoeslavo, etc…

Obs: Só, a título de esclarecimento, uma questão interessante: E se São Pio V tivesse pensado realmente em decretar que o seu Missal seria para sempre, os papas seguintes poderiam mudar isso? Poderiam, perfeitamente! São Pio V teria (o que não fez) exorbitado nas suas prerrogativas! Um Papa somente pode determinar para sempre o que pertencer ao Depósito da Fé. Sobre o modo de celebrar a Eucaristia o que pertence ao Depósito da Fé é que deve ser celebrada por um sacerdote validamente ordenado, que o povo de Deus concorre na celebração, que deve haver liturgia da Palavra e liturgia eucarística, que se devem usar como matéria o pão e o vinho (com água). Sobre o restante, em questão de rito, a Igreja tem plena autoridade de dispor e determinar… Aliás, essa história de “não poder mudar nada” é o mesmo argumento que os ortodoxos usam para acusar os católicos de terem mudado o Credo, acrescentando o Filioque. Isso porque eles se apegam a uma expressão fora de contexto, presente no Concílio de Calcedônia: “Depois de termos estabelecido tudo com toda a possível acríbia e diligência, o santo Sínodo ecumênico decidiu que ninguém pode apresentar, escrever ou compor uma outra fórmula de fé ou julgar ou ensinar de outro modo”… Pois bem: o Credo do Missal de são Pio V traz o “acréscimo” do Filioque, que a Igreja latina fez ao Símbolo niceno-constantinopolitano na Alta Idade Média! Os tradicionalistas que absolutizam a Bula Quo Primum Tempore, deveriam também, para serem coerentes, dar razão aos ortodoxos e afirmar que a Igreja católica todinha caiu em heresia porque acrescentou o Filioque ao Credo! Como se pode ver, é necessário saber manejar as categorias da teologia de acordo com seus princípios epistemológicos e hermenêuticos. Do contrário, haja tempestade em copo d’água e haja bobagem dita com ares de douta erudição!


No blog do Pe. Henrique, li que ele também fez uma incitação aos sacerdotes em geral para que rejeitem o pedido de missa daqueles que não aceitam o CVII (veja abaixo):
http://costa_hs.blog.uol.com.br/arch2007-07-08_2007-07-14.html
“”Caro Internauta, não se deve pensar que a permissão do Santo Padre para que se celebre livremente a Santa Missa segundo o Rito da reforma do Concílio de Trento seja uma concessão à visão reacionária dos grupos que rejeitam a autoridade do Concílio Vaticano II – como o pessoal do site Montfort, Permanência e outros do gênero.
Quem ler o Motu Proprio de Bento XVI compreenderá isso claramente (para ler o texto completo, clique aqui). O Papa deseja apenas, com este gesto, enfatizar que há uma continuidade entre a liturgia pré-conciliar e a atual; continuidade num orgânico desenvolvimento e evolução, não numa ruptura.
Bento XVI deseja também ser sensível e justo para com os fiéis que desejem celebrar os santos mistérios segunda a liturgia pré-conciliar.
No entanto, que os sacerdotes estejam bem atentos: não devem celebrar esta Missa para grupos de fiéis que rejeitem o Concílio Vaticano II, pois, então, a Missa serviria de bandeira contra o Concílio e seu magistério! Tradição, sim; tradicionalismo, não!”"

Pergunta do Fiel
“Pe. Henrique. A Igreja é de Cristo, Santa, porém, é composta por pecadores como nós. O mundo também é formado por pecadores, logo, quem pode dizer a VERDADE a ser seguida se quem diz a “verdade” (os membros da Igreja) também são pecadores? Que a paz esteja com V. Revª em suas novas pregações! Carinhosamente”.

08/07/2007 18:26

RESPOSTA de Padre henrique
Possuída pela Verdade
Caro Irmão, a Verdade não é uma idéia, é Algúem: é Cristo, Logos de Deus. A Igreja não possui a Verdade; é por ela possuída. Cristo, ao fundá-la, deu-lhe o Espírito que a sustenta, orienta e conduz. Qdo a Igreja tem a pretensão de anunciar a Verdade, é exatamente porque não confia em si própria e tem consciência de não poder produzir sua verdadezinha. Ela pode apenas aprender sempre de novo a Cristo, Verdade que ilumina, e anunciá-la ao mundo. Não é nossa verdade, produto de nosso engenho e de nossa retidão moral! Então, saber-se serva da Verdade (e não barganhar com ela para ser aplaudida) não é um gesto de soberba, mas de profunda humildade!

 

Muito prezado e Reverendo Padre Henrique Soares,
Salve Maria.

Chegaram-me vários de seus escritos, nos quais sua amável caridade me faz acusações e ofensas que o senhor pretenderá caridosas… O senhor me acusa de ter “uma visão meio paranóica,vendo conspiração maçônica e modernista em toda parte!”.
     O senhor me acusa ainda de ser injusto e desleal para com o senhor:
O articulista do site Montfort foi injusto e desleal para comigo”.

Diz ainda que sou doente intelectual por ser anti moderno:
 

Por outro lado, é doença intelectual mesmo dizer “odeio tudo que é moderno”"

Mais gentilmente o senhor me chama de sofista e de bancar o galo de briga:

Na verdade, é um bom sofista que adora arengar feito galo de briga, vendo heresia e perigo por todo lado”. 

E insinua que digo “bobagem dita com ares de douta erudição!”
     Diz o senhor de mim:

parece doce católico, mas é veneno! Descobri que aquele articulista lá não é tão sincero e honesto intelectualmente como eu pensava. Na verdade, é um bom sofista que adora arengar feito galo de briga, vendo heresia e perigo por todo lado”


Pode ser que me tenha escapado alguma outra de suas gentilezas tão respeitosas da honra alheia e tipicamente expressivas de sua caridade ecumênica. Se me escapou alguma, que Deus a coloque, com estas outras acima citadas, no infinito “cesto” de sua misericórdia.
E que Deus o perdoe, Padre.
O senhor que sabe fazer exame de consciência, faça o seu.
Caluniar, injuriar e difamar contraria a lei de Deus, Padre.
Não protesto contra essas suas injúrias.
Vindas de um Padre evolucionista e modernista, tal qual o senhor é, elas me honram.
Só protesto contra o fato de me chamar de doce.
Doce, não!
Isso não!
     Apelo ao resto de senso de justiça que possa existir em sua alma sacerdotal, que chega a formular publicamente tais injúrias contra quem – o senhor o reconhece — tem zelo.
Doce não!
Se o senhor me tivesse dito que sou um veneno azedo, amargo, picante, cáustico, aceitaria de boa vontade.
Doce não!
Até de ser veneno, compreendo que me lance em rosto.
Só para fazer compreender até onde levo minha compreensão, e não para ofendê-lo — longe de mim isso — dou-lhe um exemplo parabólico. Compreende-se que baratas, percevejos, pulgas e piolhos — se raciocinassem — qualificassem inseticida de veneno. Mas nenhum dessas criaturinhas de Deus, se pensasse, jamais chamaria inseticida de doce.
Mal comparando, o site Montfort é, e quer ser, “inseticida” anti modernista. Veneno anti modernista. Mas jamais ser doce veneno para os defensores de heresias e de erros. Por isso, rogo-lhe Padre, a caridade de não me chamar de doce.
                       
***

Depois desta introdução “senza rancore”, como se canta numa dulçurosa ópera romântica, vamos ao seu arrazoado e ao que nos separa doutrinariamente.
Porque o que separa é que distingue.
O senhor se diz fiel à Igreja de hoje.
Eu quero ser fiel à Igreja Católica de sempre, pois Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje, e sempre.
Por isso, a Igreja, Corpo Místico de Cristo, jamais muda em sua doutrina e em sua moral.
Não vá me negar então que o senhor, sendo evolucionista, é seguidor de uma Igreja mutável, pois o senhor ufanamente escreveu:

A fidelidade à Igreja católica não é a uma Igreja idealizada, mas à Igreja de hoje, com seus pastores e seus desafios!” 

Como o senhor escreveu isso semanas atrás, é de crer que a Igreja que o senhor seguia em Junho, já não seja mais a sua, em Julho. Hoje.
Entrementes, o senhor deve se ter “aggiornatto” e sua evolutiva igreja deve ter evoluído.
Qual será sua crença, hoje?
Chi lo sa?”…
     A única coisa que permaneceria para um evolucionista fiel à igreja de hoje,seria o relativismo do Vaticano II, que certos padres julgam um superdogma. Mas disse o Cardeal Ratzinger contra os fundamentalistas do Concílio Vaticano II:


A verdade é que o próprio Concílio não definiu nenhum dogma e conscientemente quis expressar-se em um nível muito mais modesto, meramente como Concílio pastoral; entretanto, muitos o interpretam como se ele fosse o super dogma que tira a importância de todos os demais Concílios.”
(Cardeal Joseph Ratzinger, Alocução aos Bispos do Chile, em 13 de Julho de 1988, in Comunhão Libertação, Cl, año IV, Nº 24, 1988, p. 56).

Ou, repetindo essa citação, com um contexto maior:     

“Certamente há uma mentalidade estreita que isola o Vaticano II e que provocou essa oposição [de Dom Lefebvre]. Há muitos relatos do concílio que passam a impressão de que, desde o Vaticano II em diante, tudo foi alterado, e de que aquilo que o precedeu não tem valor ou, quando muito, só tem valor à luz do Vaticano II. O concílio Vaticano II não foi tratado como parte da inteira Tradição viva da Igreja, mas como um fim da Tradição, um novo começo do zero. A verdade é que esse concílio específico não definiu nenhum dogma e deliberadamente escolheu permanecer num nível mais modesto, como um concílio meramente pastoral; e, no entanto, muitos tratam-no como se tivesse feito de si mesmo uma espécie de superdogma, que tira a importância de todo o restante. Essa idéia é fortalecida por certas coisas que agora estão acontecendo. Aquilo que antes era considerado mais santo – o modo como a liturgia foi transmitida – subitamente parece ser a mais proibida de todas as coisas, a única coisa que pode ser seguramente proibida. É intolerável criticar decisões que foram tomadas desde o concílio; por outro lado, se pessoas põem em dúvida as normas antigas, ou mesmo as grandes verdades da fé – por exemplo, a virgindade física de Maria, a Ressurreição corporal de Jesus, a imortalidade da alma, etc. – ninguém reclama, ou só o faz com a maior moderação. Eu mesmo, quando professor, vi como o mesmíssimo Bispo que, antes do concílio, demitira um professor que na verdade era irrepreensível devido a uma certa crueza de expressão, não esteve disposto, depois do concílio, a demitir um professor que negava abertamente algumas verdades fundamentais da fé. Tudo isso leva um grande número de pessoas a se perguntar se a Igreja de hoje é de fato a mesma de ontem, ou se não a trocaram por outra coisa sem avisar ninguém.” (Cardeal Joseph RATZINGER, Discurso perante os Bispos do Chile na Casa de Retiro da Cáritas, Santiago do Chile, 13 de julho de 1988, tradução nossa a partir da tradução inglesa, por Farley Clinton, publicada em The Wanderer, 8 de setembro de 1988, e reproduzida no sítio CatholicCulture.org: http://www.catholicculture.org/docs/doc_view.cfm?recnum=3032, destaque nosso).


Foi-lhe suficiente esse texto, Padre?
Será o senhor um bom entendedor para quem meia palavra basta?
E não adianta me comunicar seu novo credo de hoje, porque amanhã ele já terá evoluído. Sua fé, Padre, é tão descartável quanto suas ofensas. Ou tanto quanto uma caneta bic da qual se acabou a tinta.
Sua igreja variante a cada dia é sem valor permanente.
Afinal, o senhor se proclama sequaz do evolucionismo biológico, que o senhor julga ser tese cientificamente provada com provas certas. Padre, isso se pensava no século XIX, e na primeira metade do século XX, quando um padre modernista – Teilhard de Chardin — ajudou a falsificar vários fósseis para “provar” o evolucionismo.
Assim são os modernistas…
E a ciência, como a sua igreja, Padre, evoluiu muito desde então. Hoje, a ciência tem outras provas. Darwin está tão superado quanto Marx, o “autor da Bíblia da imbecilidade e do ódio”. Ou evoluiu tanto quanto o famoso subsistit do espírito do Concílio Vaticano II.
Que pena!… Um Padre tão aggiornato com teses pseudo científicas superadas sobre o evolucionismo e sobre o poligenismo, e que, para se safar da enrascada, me chama de fundamentalista.
Pois o senhor desconhece que Bento XVII se mostrou contrário a esse evolucionismo?
O senhor desconhece que Bento XVI critica aqueles que, para defender seus posicionamentos evolucionistas, chamam os adversários com o apodo de “fundamentalistas”?

«Dizer que há realmente uma verdade, uma verdade unificante e válida na história na figura de Jesus Cristo e na fé da Igreja, é considerado fundamentalismo e apresentado como um autêntico atentado contra o espírito moderno e como ameaça multiforme contra seu bem supremo, a tolerância e a liberdade», reconhece o cardeal. (Cardeal Joseph Ratzinger, «Fede, Veritá, Tolleranza – Il cristianesimo e le religioni del mondo», editorial Cantagalli. www.edizionicantagalli.com/. O destaque é meu).

Padre o senhor ao defender o evolucionismo, está defendendo arcaísmos científicos.
Atualize-se, Padre.
E o senhor é o pior tipo de evolucionista, pois defende o evolucionismo doutrinário, tese tipicamente modernista, pois me afirma; 

O Missal de São Pio V foi uma mais na longa evolução da litúrgica da Igreja”. 

E a Liturgia também seria evolutiva, isto é a lex orandi seria mutável, o que faria com que a lex credendi também seja tida como evolutiva, conforme diziam os hereges modernistas:

É uma triste ignorância do que é a liturgia, de como ela faz parte da perene e ao mesmo tempo dinâmica Tradição da Igreja e como ela evolui e evoluirá sempre no decorrer da história”.

Certamente, o senhor não desconhece que a encíclica Pascendi de São Pio X condenou o evolucionismo doutrinário defendido pela heresia modernista.
Padre, o senhor é um modernista, bancando o conservador equilibrado.
     Será que o senhor ignora que o Decreto Lamentabili, com o qual São Pio X condenou os erros do Modernismo, condenava a evolução dos dogmas e a evolução da Igreja?
Vou lhe refrescar a memória, Padre.
Com sua licença.
Erro Modernista 53 no Decreto Lamentabili:

“A constituição orgânica da Igreja não é imutável, mas a sociedade cristã, da mesma forma que a sociedade humana está sujeita a perpétua evolução”.          

E agora, padre? Como fica o seu evolucionismo doutrinário?
O senhor é modernista, Padre, e quer esconder isso de seus leitores.
Sua doutrina não é doce veneno, Padre. É veneno mortífero para as almas. E o senhor o esconde sob capas de pseudo moderação.
O senhor quer fazer entender que o modernismo está superado, ou quase totalmente extinto, pois o faz entender como enfraquecido:

O modernismo foi um erro combatido a seu tempo. Ainda hoje influencia certa teologia”.

Tão evolucionista o senhor é, que insinua que o modernismo teve importância no passado, –“a seu tempo” — mas que hoje influência “certa teologia”.
Qual, padre?
Qual é a escola teológica atual influenciada pelo Modernismo?
O senhor poderia me dizer qual é essa escola?
O senhor não o dirá.
Pois o Modernismo influencia a sua teologia. Que não é certa. Mas camuflada de moderada.
A escola atual seguidora do modernismo—a escola que o senhor segue — é a daqueles teólogos que o senhor diz serem seus mestres. É a escola do padre de Lubac, do Padre Daniélou, e de Padre Urs von Balthasar. De Lubac e os outros foram discípulos do Padre Auguste Valensin, que foi seguidor do modernista Blondel.
E o senhor disse:

Acusam de modernismo grandes teólogos do século XX, como Henri de Lubac e Yves Congar e denigrem a memória do grande teólogo Hans Urs von Balthasar! Todos esses teólogos eminentes e santos, apesar de serem somente padres, foram feitos cardeais por João Paulo II Magno e são queridíssimos de Bento XVI. Quanto a de Lubac, Ratzinger o considera um de seus mestres! Será que João Paulo II e Bento XVI são hereges modernistas?”.

O senhor considera esses teólogos como santos.
Por que o senhor não diz que eles foram censurados por Pio XII na encíclica Humani Generis?
O fato de eles terem sido feitos Cardeais posteriormente só prova que foi essa promoção que lhes deu força para promover os erros modernistas do Concílio Vaticano II.
O senhor argumenta que o Padre Ratzinger foi discípulo desses modernistas:

ignoram solenemente que o mestre teológico de Ratzinger é de Lubac”.

Não ignoro isso, não, Padre. Já disse isso, e agora lhe recordo coisa pior. O Padre Ratzinger foi discípulo do pior modernista inspirador do Concílio Vaticano II: o jesuíta Karl Rahner, herege modernista, existencialista e fenomenologista. O fato de o Padre Ratzinger ter sido discípulo dele só honra agora a posição de Bento XVI, combatendo os erros de Rahnner e de Henri de Lubac, na medida em que lhe é possível.
E se eles foram feitos Cardeais, isso não os torna nem santos e nem ortodoxos. O atual Cardeal Kasper nega a ressurreição de Cristo e os seus milagres tal como o negavam os modernistas em 1903. E esse negador da Ressurreição de Cristo é Cardeal.
Não é verdade que um Cardeal, só por ser Cardeal, tenha garantida sua ortodoxia e sua santidade. Prova-o o Cardeal Arns, que foi amigo e defensor de comunistas, desde Fidel até Boff.
Para o Modernismo, e para a hermenêutica fenomenológica que o senhor adota – com o Vaticano II – ninguém tem a verdade. Nem a Igreja a possuiria. Eis o que o senhor se atreveu escrever:

A Igreja não possui a Verdade; é por ela possuída. Cristo, ao fundá-la, deu-lhe o Espírito que a sustenta, orienta e conduz. Qdo a Igreja tem a pretensão de anunciar a Verdade, é exatamente porque não confia em si própria e tem consciência de não poder produzir sua verdadezinha”.

O senhor é um herege relativista, Padre.
A Igreja Católica recebeu toda a verdade revelada do próprio Cristo.
Se, como o senhor diz, se a Igreja Católica não tem a Verdade, e o senhor se diz membro e sacerdote dessa Igreja, então o senhor é apóstolo de “verdadezinhas” que, no fundo seriam “mentironas” dessa igreja que o senhor chama de pretensiosa de ter a Verdade?
Se o senhor não anuncia e nem escreve a verdade, que escreve o senhor? Mentiras? Pois uma mentirona doutrinária é a sua, quando o senhor nega que a Igreja tenha a Verdade.
Modernismo, Evolucionismo, Relativismo, essas são as mentiras doutrinárias, em voga hoje, e desde o Concílio Vaticano II.
O senhor garante que não faz restrições a Papas e nem a concílios:

“No entanto, sei que o meu modo de fazer teologia não agradaria ao pessoal do Montfort. Sou de outra escola e sou plenamente católico, sem restrições a papas ou concílios”.

Se o senhor aceita todos os Concílios, o senhor tem que aceitar o que definiu infalivelmente o IV Concílio de Latrão:

E uma só é a igreja universal dos fiéis, fora da qual ninguém absolutamente se salva”(IV Concílio de Latrão, Denzinger,430).

Faça, agora, algumas acrobacias sofísticas para harmonizar essa definição dogmática infalível com os textos do Vaticano II.
E faça outras acrobacias para justificar a Nova Missa de Paulo VI com o seguinte texto infalível do Concílio de Trento que não foi meramente pastoral:

”Cânon 9 –Cânones sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa.
“Se alguém disser que o rito da Igreja Romana pelo qual parte do cânon e as palavras da Consagração se pronunciam em voz baixa, deve ser condenado; ou que somente se deve celebrar a Missa em língua vulgar, ou que não se deve misturar água com o vinho no cálice que se há de oferecer, por causa que é contra a instituição de Cristo, seja anátema” (Concílio de Trento, Cânones sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa, Cânon 9 , Denzinger, 956).

Será que o senhor respeita mesmo todos os Concílios e Papas, e segue o que eles determinaram?
Ou não me virá o senhor a dizer que esses são textos do passado – textos já ultrapassados pela evolução de sua igreja cambiante?
Será que o senhor aplica mesmo o que determinou o Syllabus de Pio IX ao condenar a adesão ao mundo moderno?
Veja, Padre, a tese que Pio IX condenou no Syllabus:
O Syllabus condenou a seguinte tese:

O Romano Pontífice pode e deve reconciliar-se e transigir com o progresso, com o Liberalismo e com a civilização moderna” (Pio IX,Syllabus, erro n0 80).

E o Concílio Vaticano II aceitou a Modernidade, isto é, o antropocentrismo, o culto do Homem, como o confessou Paulo VI no discurso de encerramento deste Concílio.
Há uma descontinuidade clara entre essas duas posições.
Há contradição entre elas.
Bento XVI está fazendo uma reinterpretação do Vaticano II para colocá-lo em harmonia com a doutrina de sempre. Logo, ele reconhece que os textos do Vaticano II, tal como estão redigidos, precisam de explicação extra para não serem entendidos de modo errado. Logo, ele confessa que o Vaticano II foi ambíguo, e que dessa ambigüidade nasceu o espírito do Concílio que o Papa já condenou. Agora ele está corrigindo a letra do Vaticano II… Condenado espírito e corrigida a letra que sobra, padre?
E se o espírito do Vaticano II já foi condenado, nos restaria a letra ( ambígua). Ora, Cristo disse que a letra mata… Será que só a letra do Vaticano II – letra ambígua — só ela causaria a vida?
E por falar em letra e lembrando sua afirmação de que aceita o que ensinam os papas, gostaria de lhe perguntar: o senhor, como mandou Bento XVI, já trocou a tradução do “pro multis” em sua Missa diária?
Ou o senhor continua com a tradução errada e insinuante de erro do “pro multis” como sendo “por todos”?
O senhor, Padre Henrique, insinua que sou contraditório até a esquizofrenia, pois odeio a modernidade, e  escrevo num computador. Por isso, me ataca dizendo:

é doença intelectual mesmo dizer “odeio tudo que é moderno”. E é contraditório, pois se escreve isso com o teclado de um moderno computador, usando a internet, o meio mais moderno de comunicação! Pensem na esquizofrenia!”

     Com essas palavras, o senhor pode impressionar pessoas simples que não sabem a diferença entre modernidade e um instrumento moderno. O computador é de nosso tempo, mas ele não é a modernidade.
     Porque a Modernidade não é o computador e o chiclete, a televisão e o automóvel. A modernidade é o Antropocentrismo. A Modernidade é o Humanismo, que faz do Homem centro de tudo, princípio e fim de todas as coisas, o alfa e o ômega, colocando o Homem no lugar de Cristo. Que faz do Homem um deus, para o qual se deveria prestar culto. A Modernidade é a tentativa de substituir a Cidade de Deus pela Cidade do Homem. A Modernidade, no dizer de Francês A. Yates, é Magia mais Gnose (Cfr. Frances A. Yates, Giordano Bruno e tradição Hermética, Cultrix, São Paulo, 1995, p. 180).
Computador não é magia. Chiclete não é Gnose.
E depois o senhor escapa dizendo: 

Não pretendo polemizar”, mas repito: cuidado com o site Montfort, pois está se afastando do sentir com a Igreja..”.

O senhor não pretende polemizar? Pretende o que?
Pretende apenas injuriar sem que me defenda?
E se o senhor segue mesmo o Vaticano II porque não aplica a mim o que o Vaticano II diz que ninguém pode ser coagido a agir contra a sua consciência?
Padre, minha consciência me ordena combater o Concílio Vaticano II — (E é claro que só lhe ou este argumento como argumento ad hominem) — por que me condena o senhor?
O senhor está indo contra o seu super dogmático concílio!
Não disse o senhor que “Todo católico deve ter o Vaticano II em tanta estima e consideração quanto qualquer outro concílio ecumênico? (O destaque é meu).
Aplique a mim o seu Super Concílio, Padre.
Ou o senhor só o aplica ecumenicamente aos hereges que negam que o papa seja o Vigário de Cristo na terra?
O senhor , como todo modernista seguidor do vaticano II, só respeita os que são realmente hereges.
     O senhor escreveu: 

De modo gravíssimo, o pessoal do site Montfort desautoriza e tenta esvaziar o Concílio Vaticano II. É o mesmo erro dos que tentam esvaziar o Concílio de Trento e o Concílio Vaticano I. Todo católico deve ter o Vaticano II em tanta estima e consideração quanto qualquer outro concílio ecumênico(O destaque é meu).


Claro que é impossível que o senhor não saiba que o Vaticano II foi pastoral e não dogmático. Afirmar, então que ele tem que ser visto com a mesma autoridade que outros Concílios, muitos dos quais foram infalíveis, é um absurdo.
Para não dizer que é uma tentativa de enganação.
E se o senhor conhece a gradação de autoridade que vai entre Concílio dogmático infalível e concílio pastoral, concluo que o senhor é modernista mesmo, para não concluir que o senhor quer intencionalmente enganar os seus leitores.
O senhor me diz ainda:

É uma pena, porque a absolutização da própria Missa de São Pio V (em si, bela e legítima, mas chamada erroneamante de “Missa de Sempre” devido a um endeusamento, uma absolutização imprópria da liturgia de uma época determinada) terminará por fazer com que muitos Bispos neguem a permissão para celebrá-la, já que começa a se tornar uma bandeira do tradicionalismo (no sentido negativo mesmo) e do integrismo! Eu mesmo, que nada tenho contra esse belo rito, jamais o celebraria por quem me pedisse com essa mentalidade integrista; penso que nenhum Bispo de responsabilidade e senso eclesial fá-lo-ia!”


E que azar o senhor teve ao escrever o texto acima, pouco antes de sair o Motu Proprio de Bento XVI que declara que a Missa de sempre nunca foi abolida, e que, se alguém a pedir, o padre deve rezá-la!
E agora, padre?
Agora todo bispo e todo padre de “responsabilidade e de bom senso” vai obedecer ao Papa.
O senhor vai obedecer ao Papa, rezando a Missa de sempre para os fiéis que lha pedirem, ou vai recusar acatar o Motu Proprio de Bento XVI?
O senhor vai agir com  “responsabilidade e bom senso”?
     O senhor comete outro erro gravíssimo, sem se dar conta do absurdo que diz, ao escrever que absolutizar é endeusar:

O que atrapalha e é errado é refutar o Vaticano II, acusar Paulo VI e absolutizar (= endeusar), como se fosse determinação eterna, uma norma de um Papa que nunca teve a intenção de dar um alcance absoluto a suas palavras! O Missal de São Pio V foi uma mais na longa evolução da litúrgica da Igreja”. 

Quer dizer, então, que na Missa de sempre – porque ela foi a Missa que sempre foi rezada na Igreja e que jamais foi revogada, confira o Motu Proprio de Bento XVI – há um “endeusamento”?
E na sua? Não se dá nada de transubstanciação de algo natural no Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo? Na Missa que o senhor reza, o senhor não visa que Deus se torne presente na Hóstia? Não há absolutização de nada na Missa que o senhor reza?
O senhor é tão evolucionista que se afirma defensor do poligenismo, isto é , de que a humanidade não descenderia de um só casal inicial, Adão e Eva.
O senhor escreveu:

Quanto à discussão sobre o poligenismo ou monogenismo, é questão absolutamente aberta (não adianta citar erroneamente a Humani Generis de Pio XII, que não se pronunciou de modo infalível). Qualquer teólogo católico dirá isso. Nenhum católico é obrigado a pensar que a humanidade veio de um só casal. Eu defendo claramente o poligenismo, mas respeito quem pensa diversamente, pois não é assunto fechado” (O destaque é meu).


E por que o senhor previne que não adianta lhe citar a encíclica Humani generis de Pio XII ?
     Embora não adiante citá-la para o senhor que não aceita a palavra do Papa Pio XII, adianta, sim –e muito– citá-la para os leitores do site Montfort, para que vejam como o senhor engana seus leitores.
Ensinou Pio XII na Humani Generis, confirmando o magistério perene da Igreja:

Quando se trata de outra hipótese, a do chamado poligenismo, os filhos da igreja não gozam da mesma liberdade. Porque os fiéis não podem abraçar a sentença dos que afirmam que depois de Adão existiram na terra verdadeiros homens que não procederam dele como primeiro pai de todos por geração natural, ou que Adão significa uma espécie de multidão de primeiros pais” (Pio XII, Humani Generis, Denzinger, 2328).

Pio XII condenou o poligenismo e declarou que não era lícito a um católico fiel defender essa tese falsa e nem mesmo discutir sal possibilidade.Pio XII diz que isso é questão fechada para os filhos da Igreja.
O senhor diz que o poligenismo é questão aberta.
Por acaso o senhor então não se tem como filho da Igreja?
Por acaso seu teologal palpite vale mais do que escreveu Pio XII na Humani generis como Magistério pontifício?
Esse é um erro gravíssimo seu, Padre Henrique. Porque, se nem todos os homens descendem de Adão, então nem todos os homens têm pecado original, nem todos precisam ser redimidos por Cristo, e nem todos os homens são irmãos. Sua doutrina poligenista, padre, nega o dogma do pecado original, e nega a redenção universal de Cristo. Seu poligenismo, Padre, leva diretamente à afirmação da superioridade natural de um grupo humano sobre outros, e isso leva ao racismo. Hitler concordaria com o senhor Padre.
Ou é o senhor que concorda com o poligenismo racista do nazismo?
E por hoje basta.
Espero que o senhor mude, e que siga, realmente, o que sempre ensinou a doutrina católica. Rezarei pelo senhor e para isto. E espero também que reze, como mandou o Papa, a Missa de sempre para todos os católicos que lha pedirem. Mesmo que eles sejam contra o Vaticano II, porque Bento XVI anulou o decreto que exigia dos católicos aceitarem o Vaticano II e a Nova Missa, para terem o direito — jamais ab-rogado — de terem a Missa de sempre.
Rogando a Nossa Senhora que nos una inteiramente na mesma Fé — sem evolução, nem capitulação modernosa — me despeço,

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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