Montfort Associação Cultural

13 de janeiro de 2012

Download PDF

O diabo e a Teologia Moderna

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Renato Müller
  • Localizaçao: Betim – MG – Brasil
  • Escolaridade: 2.o grau em andamento
  • Religião: Católica

Muito Prezado Orlando Fedeli,
Salve Maria!

Gostaria que o senhor ou qualquer alma piedosa da Montfort esclarecesse me as seguintes dúvidas:
1. Qual é a posição da Igreja com relação à Teologia Moderna?
2. Se a Igreja é contra esse tipo de teologia, porquê a maioria dos sacerdotes pregam coisas típicas da mesma (como a não existência do demônio por exemplo) e são apoiados por seus bispos?
3. Se os demônios podem possuir o corpo de pessoas (com eu acredito) por quase não há mais padres exorcistas? Será que é porque maioria do clero desacredita na existência do Maligno?
4. O demônio subsiste nas religiões afros, no kardecismo, no hinduísmo e nas diversas religiões e seitas que não tem como origem o Judaísmo?
5. E as religiões que têm a mesma origem que a nossa e supostamente cultuam o mesmo de Deus que nós, isso é verdade?
5. O Espírito Divino (como a RCC, os Pentecostais, e os grupos ecumênicos dizem com base em S.Jo III,8) pode inspirar uma pessoa não católica?
6. Os milagres que os protestantes supostamente realizam, é por obra divina?

Sem mais perguntas gostaria que o senhor me falasse especialmente sobre exorcismo.
Desde já agradeço-lhe pela atenção.
In corde Mariae!
Renato Müller

Muito prezado Renato,
Salve Maria.

 

     Se você ler com atenção a encíclica Pascendi de São Pio X, na qual esse único Papa santo do século XX condenou o Modernismo, você verá que, essa doutrina herética é aquela que domina, hoje, a grande maioria dos teólogos e que influencia quase todo o clero, no mundo inteiro.
     Ora, Pio IX, no
Syllabus (erro 800) condenou a tese de que os Papas poderiam aceitar o liberalismo, o progresso e a civilização Moderna.
     Entretanto, ao abrir o Concilio Vaticano II, o Papa João XXIII, conclamou os Bispos a expressarem a doutrina católica de acordo com o pensamento moderno. Foi o que ele chamou de aggiornamento, isto é, atualização. E, com a atualização, se caiu no relativismo, pois é evidente que a Igreja, atualizada para 1968, hoje, precisaria ser de novo atualizada. O Vaticano II atualizado, em pouco tempo necessitaria de nova atualização, e isso sem fim. A doutrina – imutável — se tornou então relativa ao tempo, ao dia de hoje. Caiu-se no relativismo completo. Nada seria estável. Nada seria certo. A cada momento seria preciso fazer uma nova atualização. A religião se tornou descartável.
     A teologia moderna é mais uma religião do que uma verdadeira filosofia, pois toda filosofia moderna nega a metafísica, e nega que o homem possa ter um conhecimento objetivo do ser. Como dizia o gnóstico Hegel, a filosofia consiste em ver o mundo ao avesso do que ele é. Portanto a teologia moderna — seguidora das filosofias modernas –, não crê nem num Deus transcendente, nem na revelação feita por um Deus exterior ao mundo e ao homem, nem em anjos ou demônios, nem no milagre.
     Daí, os padres, hoje em dia, não falarem do inferno. Eles aposentaram o diabo.
     Procurando nas longas filas dos postos de aposentadoria você poderá encontrá-lo — sem chifres — e com a ficha de aposentado na mão. No Metrô, o diabo não paga a passagem. Ficou velho. Ou certamente poderá encontrar o diabo assistindo aulas nos inúmeros cursos de teologia moderna…
     Portanto, para a grande maioria dos padres modernistas e modernisados, o diabo é lenda e Jesus Cristo, tal como o descrevem os Evangelhos, seria um mito inventado pelas “comunidades” do cristanimo primitivo. Os padres modernos não crêem que Jesus Cristo seja Deus encarnado. Eles crêem em Chê Guevara.

     Claro então que para eles o diabo não existindo, eles não admitem possessões. Eles crêem em Freud. Como não crêem em Adão. Crêem em Darwin e no seu chimpanzé
     A filosofia moderna não admite que se possa chegar a ter uma verdade objetiva. Para esses teólogos modernos, não existe a verdade. Portanto, também não existe a mentira. Tudo é igualmente certo e igualmente errado. Tudo é relativo. Portanto, o diabo, pai da mentira, também não existiria, e ele não inspirou nenhuma religião falsa. Todas as religiões seriam igualmente verdadeiras e igualmente falsas. Todas seriam produto de mitos. Seriam fenômenos “culturais”. Folclore.
     Ora, Deus existe. Deus se revelou e fundou uma só Igreja. Deus só pode realizar milagres em sua Igreja única. Portanto, todos os fenômenos pseudo místicos eu ocorrem nas falsas religiões ou são são fraudes, ou são porduto de ação preternatural.

     Esperando tê-lo ajudado me despeço cordialmente

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

 

TAGS

Publicações relacionadas

Artigos Montfort: A grande intervenção

Cartas: Consagração de pão - Orlando Fedeli

Cartas: O sacrifício de Caim - Orlando Fedeli

Para comentar esta publicação

O site Montfort não permite a inclusão de comentarios diretamente em suas publicacões.

Para enviar comentários, sanar dúvidas, obter informações, ou entrar em debate conosco, envie-nos sua carta.

Saiba mais