Montfort Associação Cultural

24 de janeiro de 2005

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O aprendizado do Menino Jesus

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Marcelo
  • Localizaçao: Florianópolis – SC – Brasil

Muito Prezado Prof. Orlando,

Alegro-me em novamente lhe escrever. Venho pedir seu auxílio, quem sabe abusando da gentileza que sempre manifesta para comigo, a fim analisar uma questão de caráter cristológico. Jesus, perfeitamente homem e perfeitamente Deus, foi concebido no seio da Santíssima Virgem, nasceu em Belém e conviveu entre os homens. Sendo Deus, como se deu a apreensão de conhecimentos humanos, relativos às coisas mais simples, como caminhar, ser alfabetizado, trabalhar com carpintaria, entre outras atividades assemelhadas? Certamente nunca Lhe faltou a ciência de sua natureza divina. De que modo este dado (a ciência de ser Deus) altera as faculdades humanas de conhecer e aprender do bebê, da criança e do adolescente que Nosso Senhor foi?

Renovo minha cordial saudação, Em Cristo,

Marcelo

Muito prezado Marcelo, salve Maria!

É com prazer que respondo à sua pergunta.

Em Nosso Senhor Jesus Cristo, há duas naturezas, numa só pessoa.

Em Cristo há :

1) a natureza divina do Filho Unigênito de Deus, o Verbo de Deus.

2) a natureza humana, concebida por obra do Espírito Santo, no seio da sempre Virgem Maria.

Essas duas naturezas estão unidas numa só pessoa, a do Filho, Segunda Pessoa da Santíssima Trindade.

É o que a Teologia denomina de união hipostática, união numa só pessoa.

Tendo Cristo duas naturezas, Ele tinha, então, duas inteligências e duas vontades: uma Inteligência divina, a do Filho de Deus, a do Verbo, Sabedoria eterna de Deus, e uma inteligência humana. Tinha duas vontades: uma vontade divina, e outra humana. Essas duas vontades queriam sempre a mesma coisa. Havia então, em Cristo uma só vontade moral, porque as suas duas vontades, a divina e a humana, desejavam sempre a mesma coisa.

Lembra-se você de que Cristo rezou no Horto das Oliveiras: ” Pai, se possível, afaste de Mim este cálice, mas faça-se a Tua vontade [divina] e não a minha [vontade humana]“.

Assim também, Cristo tudo sabia com a sua Inteligência divina. Mas aprendia com a sua inteligência humana. Por isso, Nossa Senhora ensinou o Verbo de Deus a falar enquanto homem.

Por isso, Ele, aos doze anos, no Templo de Jerusalém, fazia perguntas aos doutores, enquanto homem, e os ensinava enquanto Deus.

Por isso disse Nosso Senhor que nem o Filho do Homem — [Ele enquanto homem, descendente de Adão] — sabia quando seria o fim do mundo. É claro que Ele, como Deus sabia esse dia do fim do mundo, mas não o sabia enquanto homem.

Espero ter elucidado o problema que você me colocou. Caso queira mais explicações, escreva-me que o atenderei com prazer.

In Corde Jesu, semper,

Orlando Fedeli.

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