Montfort Associação Cultural

17 de fevereiro de 2011

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O amor e a santidade

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Paulo dos Anjos
  • Localizaçao: Sobradinho – BA – Brasil
  • Religião: Católica

Caro Orlando Fedeli
Salve Maria

Já lhe escrevi uma vez e aguardo resposta.Na primeira carta me identifiquei errôneamente como ministro de batismo.Não o sou,eu sou apenas um simples agente que em uns muitos desse cursos de orientação de padrinhos,percebi certa cobrança das pessoas com relação ao amor da igreja para com os menos favorecidos bem como a tolerancia às diversas manifestações culturais.
A caridade da igreja é um fato,pois que santos como S.Franciso de Assis,St.Afonso Maria de Ligório e tantos outros a praticaram em grau heróico.Mas eu vejo uma confusão entre amor e benevolência inescrupulosa.O amor está subordinado à santidade;se o colocamos acima da santidade amamos o pecado e ofendemos a Deus.
Eu acredito piamente que a igreja deve tranformar o ser humano para Deus e não prescindir da sua doutrina para aceita-lo.”Ubi non est ordo, ibi non est Deus”.
Apesar dos ensinamentos dos santos,a comunidade parece ter se rebelado contra a ordem e contra Deus,cheias de “ideias novas”e o verdadeiro se tornou obsoleto.
Prezado Orlando,como pode haver amor de Deus sem a santidade?O que o você me aconselharia quando se trata de instruir pessoas com concepções errôneas a esse respeito?

Outro dia eu estava lendo um trecho de um texto, que imagino ser de seu conhecimento e embora
pareça deslocado na minha carta achei o conteúdo bastante proveitoso.

“…O conservador que resiste à mudança tem tanto valor quanto o que propõe ou talvez ,muito mais,pois que as raizes são mais vitais que os enxertos.É bom que ideias novas sejam ouvidas,em consideração as poucas que possam ser aproveitadas;também é bom,entretanto,que seja compelidas a passar pela moenda da objeção,oposição e injuria;é esse o fogo da prova ao qual as inovações devem sobreviver,antes de serem admitidas na raça humana.É bom que o velho resita ao novo e o novo estimule o velho.”

(Will e Ariel Brant- The lessons of History)

Não Resisti citar esse texto,visto que mesmo sendo um tratado leigo observa a importância da memoria e tradição.

In Corde Jesu et Mariae
Paulo dos Anjos

Data: 19 Fevereiro 2008



Muito prezado Paulo,
Salve Maria !

     Não existe santidade sem caridade. E a caridade é amar à Deus sobre todas as coisas, — portanto amar à Deus mais do que ao homem — e amar ao próximo como a nós mesmos, por amor de Deus.
     A palavra amor, hoje, está prostituída. O amor exige, por vezes, que se critique e se castigue o próximo. Fazer isso é obra de misericórdia. Hoje, se pensa, bem erradamente, que o amor proíbe punir, corrigir e criticar, castigar.
     Amar, hoje, consiste em filantropia ou fraternidade maçônica, isto é, em ajudar só materialmente aos outros. 

     Outra palavra que falseou a caridade é a palavra solidariedade. Ser solidário pode ser no bem ou mal. Quem pratica solidariedade com ladrões é cúmplice deles.

     E a frase que você cita não é boa, pois é bem naturalista.

     Ser conservador pode ser muito ruim. Por exemplo, quem quiser conservar a situação atual do mundo, está lutando para conservar o mal e a corrupção atuais. Devemos ser contra a situação podre atual e não conservadores. Padre conservador é aquele que fará depois de amanhã o que um padre moderninho fez ontem. Um conservador é um  revolucionário retardado, ou atrasado.
     E também não existe novidade na Igreja. Nosso Senhor deu à Igreja um depósito de verdades que a Igreja deve transmitir a todos na História. E não há um joguinho dialético entre o novo e o velho. Esqueça essa frase.

     Um abraço.

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

 

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