Montfort Associação Cultural

8 de março de 2011

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Novos Detalhes da Instrução para Aplicação do Motu Proprio

Por La Buhardilla de Jerónimo

Tradução Montfort.org.br

 

O vaticanista Andrea Tornielli publica hoje em seu blog este artigo com alguns detalhes referentes a próxima instrução para a aplicação do Summorum Pontificum.Também o site Messa in Latino, um dos primeiros a informar sobre o documento, há manifestado agora que “a atual redação da instrução apresenta também alguns aspectos positivos”, coincidindo bastante com os assinalados por Tornielli.

 

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Será publicada nas próximas semanas, provavelmente no começo de abril, a instrução da Pontifícia Comissão Ecclesia Dei– assinada pelo Cardeal Levada, pelo secretário Guido Pozzo e aprovada por Bento XVI – que estabelece alguns critérios aplicativos do motu proprio Summorum Pontificum. Como se sabe, este motu proprio, promulgado pelo Papa Ratzinguer em 2007, havia autorizado a liberação do antigo missal e a possibilidade para vários grupos de fiéis em pedir diretamente aos párocos a celebração da Missa segundo o rito precedente à reforma conciliar ( com o missal romano de 1962, e não com os precedentes).

É inútil ocultar que, frente a tantas aberturas e a um número crescente de celebrações no rito antigo, têm havido também muitas reações de obstaculização e restrições por parte de alguns bispos. A instrução, neste momento em via de tradução do Latim para as diversas línguas ( o texto base está em italiano) é, portanto, um documento importante. Nas últimas semanas, alguns websites e blogs vinculados ao mundo chamado “tradicionalista”, o que de todos os modos seguem com atenção suas atividades, realizaram uma série de críticas preventivas ao documento, sustentando que se trataria, na realidade, de uma diluição da vontade Papal. Pelo que foi possível saber, essa interpretação não corresponde à verdade. Pelos seguintes motivos:

Em primeiro lugar, a instrução com suas cláusulas confirma que o motu proprio é Lei Universal da Igreja e que todos estão obrigados a praticá-la e garantir que seja aplicada. A instrução afirma que se deve assegurar a possibilidade da celebração em rito antigo onde haja grupos de fiéis que a peçam. No texto não é precisado um número mínimo de fiéis que devam constituir um grupo.

Se diz, ao contrário, que é bom – de acordo também com a exortação pós-sinoidal sobre a Eucaristia – que os seminaristas estudem o Latim e conheçam a celebração segundo a forma antiga. O “sacerdos idoneus”para a celebração com o missal pré-conciliar não necessita ser um hábil latinista, mas apenas que saiba ler e entenda o que lê e o que é chamado a pronunciar durante o rito.

A Pontifícia Comissão Ecclesia Dei, que desde há dois anos foi englobada na Congregação para a Doutrina da Fé, é constituída com a instrução como organismo chamado a dirimir as questões e as controvérsias julgando em nome do Papa.

Os bispos não devem e nem podem promulgar normas que restrinjam as faculdades concedidas pelo motu proprio ou que alterem suas condições. Estão chamados, ao contrário, a aplicá-lo.

Pode ser celebrado também o Tríduo Pascal no rito pré-conciliar onde haja um grupo estável de fiéis vinculados à Liturgia Antiga. Os membros de Ordens religiosas podem usar os missais com os respectivos ritos próprios pré-conciliares.

O rito ambrosiano não é citado na instrução: o motu proprio, por natureza, se aplica só ao rito romano (a Ecclesia Dei não é competente sobre o rito ambrosiano, sobre o qual, entretanto, tem jurisdição a Congregação para o Culto Divino). Isto, não obstante, não significa que o motu proprio, ou melhor dizendo, que a clara e explícita vontade Papal não será aplicada na diocese de Milão. Como sempre ocorreu, com a reforma litúrgica, e, antes com as mudanças introduzidas nos ritos da Semana Santa em 1954 por Pio XII, o rito ambrosiano sofreu modificações e instâncias próprias, se bem que em tempos sucessivos.  É provável que – dada a evidente vontade do Papa de fazer disponível para todos os fiéis o rito antigo, visto o marco jurídico precisado no documento sobre  a aplicação do motu proprio, de iminente publicação, em consideração ao fato de que também o ambrosiano é um rito latino reformado no pós-concílio – possa ser estudado um documento que estenda o Summorum Pontificum à diocese de Milão.

 



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