Montfort Associação Cultural

17 de novembro de 2011

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Novo Nuncio na Italia é um defensor do Papa

 

Em fevereiro último, um sermão de apoio ao Papa correu o mundo. Pronunciado pelo então Nuncio Apostólico na Argentina, Dom Adriano Bernardini, perante as Pontificias Obras Missionárias da Argentina, ele denuncia o abandono do Papa da parte dos opositores da verdade – que estão entre bispos e padres!

Nomeado em 21 de outubro de 2011 como Nuncio Apostólico na Itália, Dom Bernardini participará das nomeações do episcopado mais influente do mundo… a começar da substituição do Cardeal Scola, transferido de Veneza para Milão.

Abaixo o famoso sermão, em tradução Montfort.

“Os fiéis não abandonam o Papa”

É com grande prazer que mais uma vez me encontro nesta sede das Pontifícias Obras Missionárias, para reunir-me com todos vocês tão empenhados neste apostolado. A todos desejo um novo ano de trabalho, no espírito da liturgia de hoje, festa da Cátedra de São Pedro, e especialmente na passagem do Evangelho que acabamos de ler.
“E eu digo: Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18).
Este texto de Mateus contém dois elementos importantes:
- O primado de Pedro e seus sucessores, na Igreja que Cristo fundou e, portanto, o do Santo Padre;
- A ajuda de Jesus à sua Igreja, contra as forças do mal.
Damos por pacífico o primeiro ponto, fundamental para a Igreja, pois sem este primado de Pedro e a comunhão com o mesmo, não existe a Igreja Católica. Permitam-me, no entanto, algumas reflexões sobre o segundo ponto: as forças do Mal, que Mateus chama de “as portas do inferno. “


Hoje assistimos a um encarniçamento muito especial contra a Igreja Católica em geral e em particular o Santo Padre. Porquê tudo isto? Qual é a razão principal? Podemos enunciar em poucas palavras: É a verdade que a mensagem de Cristo nos dá!
Quando essa verdade não se opõe às forças do mal, tudo vai bem. Entretanto, quando apresenta a mínima oposição, surge uma luta que se torna calúnia, ódio, e até mesmo a perseguição contra a Igreja e mais especificamente contra a pessoa do Santo Padre.
Vejamos alguns pontos da História, que é “a mestra da verdade.”
Os anos imediatamente posteriores ao Concílio Vaticano II transcorrem em uma euforia geral para a Igreja e, em consequência, para o Papa. Mas é suficiente a publicação da “Humanae Vitae”, com a qual o Papa confirmou a doutrina tradicional, sobre a procriação, para que estourassem as críticas mais ferozes contra Paulo VI , que até aquele momento tinha agradado ao mundo. Suas simpatias para com Jacques Maritain e humanismo integral tinham aberto as esperanças de ambientes modernistas no interior da Igreja e do progressismo político e mundano.
O mesmo se repetiu mais vezes no longo pontificado de João Paulo II. Quando eleito, elites culturais do Ocidente estão fascinadas pela leitura marxista da realidade. João Paulo II não se adapta a esse embaraçoso conformismo cultural e trava com o comunismo um duelo muito duro, que o leva mais a ser o alvo física de um obscuro projeto homicida.
A mesma coisa aconteceu sempre a João Paulo II no que diz respeito à bioética, especialmente com a publicação da “Evangelium Vitae”, de 1995, um compêndio sólido e sem detrações sobre as principais questões da vida e da morte.
E agora, sempre pelo amor da “Verdade verdadeira e evangélica,” tornou-se um alvo Bento XVI. Já marcodo com desprezo nos anos anteriores como “guardião da fé”, recém-eleito, foi imediatamente acolhido por analistas de todo o mundo com uma mistura de sentimentos que iam da raiva ao medo, até o verdadeiro e próprio terror.
Agora, uma coisa é certa: o Papa Bento XVI imprimiu a seu pontificado, o selo da continuidade com a tradição milenar da Igreja e, sobretudo, aquele da purificação. Sim, porque à insegurança da fé sempre se segue o ofuscamento da moral.
Na realidade, se quisermos ser sinceros, temos de reconhecer que ano após ano tem aumentado, entre os teólogos e religiosos, irmãs e bispos, o grupo daqueles que estão convencidos de que pertencer à Igreja não comporta o conhecimento e a adesão a uma doutrina objetiva.
Tem-se afirmado um catolicismo “a la carte”, em que cada um escolhe a parte que prefere e rejeita o prato que considera indigesto. Na prática um catolicismo dominado pela confusão de papéis, com sacerdotes que não se aplicam com empenho à celebração da Missa e às confissões dos penitentes, preferindo fazer outra coisa. E com leigos e mulheres que buscam subtrair um pouco por vez, o lugar do sacerdote para ganhar um quarto de hora de celebridade paroquial, lendo a oração dos fiéis ou distribuindo a comunhão.
Eis que o Papa Bento XVI, precisamente por sua fidelidade a “Veritas” faz uma coisa que escapou à atenção de muitos comentaristas: traz de volta, integralmente, o Credo na fórmula do Concílio de Constantinopla, isto é, a versão normalmente contida na Missa. A mensagem é clara: nós recomeçamos da doutrina, dos conteúdos fundamentais da fé. “Sim, porque”, escreve o teólogo, o Pontífice Ratzinger, “o primeiro anúncio missionário da Igreja está ameaçado hoje pelas teorias de tipo relativista, que entendem justificar o pluralismo religioso, não apenas de facto mas também de jure “.
A conseqüência desse relativismo, explica o futuro Bento XVI, é que considerem superadas uma série de verdades, tais como: o caráter definitivo e completo da revelação de Cristo, a natureza da fé teologal cristã em relação à crença em outras religiões, a unicidade e universalidade salvífica no mistério de Cristo, a mediação salvífica universal da Igreja, a subsistência na Igreja Católica a única Igreja de Cristo.
Eis aqui, portanto, a Verdade como a principal causa dessa aversão, e diria quase perseguição ao Santo Padre. Uma aversão que tem como resultado prático seu sentir-se só, um pouco abandonado.
Abandonado por quem? Aqui está a grande contradição! Abandonado pelos adversários da Verdade, mas especialmente por certos sacerdotes e religiosos, não só bispos, mas não pelos fiéis.
Assim, o clero está passando por uma crise, no Episcopado prevalece um perfil baixo, não obstante os fiéis de Cristo estão ainda com todo o seu entusiasmo. Obstinadamente continuam a rezar e ir à Missa, a frequentar os sacramentos e rezar o rosário. E acima de tudo esperam no Papa. Existe um surpreendente ponto de solidez entre o Papa Bento XVI e o Povo, entre o homem vestido de branco e as almas de milhões de cristãos. Eles entendem e amam o Papa. Isto porque sua fé é simples!. Por outro lado, é a simplicidade a porta de ingresso à Verdade.
Durante esta Celebração Eucarística, peçamos ao bom Deus e à Virgem que possamos fazer parte, também nós, desse tipo de cristãos.
Dom Adriano Bernardini, Núncio Apostólico

Tradução Montfort

 

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