Montfort Associação Cultural

2 de agosto de 2011

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Nova confirmação do culto delirante prestado a Plínio Corrêa de Oliveira

Autor: Guilherme Chenta

Novas provas: áudio de conferência secreta do atual Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias “vaza” no Youtube e confirma muitas das denúncias feitas pelo Professor Orlando Fedeli no livro No País das Maravilhas – A Gnose Burlesca da TFP e dos Arautos do Evangelho.

“Não há nada de oculto que não venha a ser revelado” (Lc 12,2). Esse ensinamento de Nosso Senhor Jesus Cristo, dado quando Ele tratava da hipocrisia dos fariseus e utilizado pelo Professor Orlando Fedeli como uma das epígrafes de seu livro-denúncia No País das Maravilhas – A Gnose Burlesca da TFP e dos Arautos do Evangelho, tem-se revelado cada vez mais auspicioso no que diz respeito ao conhecimento, por parte da opinião pública católica, das doutrinas ensinadas secretamente – ad intra – por Plínio Corrêa de Oliveira e difundidas, à boca pequena, por seus seguidores mais diretos, especialmente pelo hoje, canonicamente aprovado, Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, fundador dos Arautos do Evangelho e cônego honorário da Basílica Papal de Santa Maria Maior, em Roma

Passados quase trinta anos desde seu rompimento final com Plínio Corrêa de Oliveira e a TFP, em 31 de maio de 1983, por ter descoberto existir um culto delirante a Plínio e a sua mãe, Lucília Ribeiro dos Santos (a Dona Lucília), o Professor Fedeli pôde, baseado em fontes publicadas pelos próprios membros e ex membros da TFP, fazer sua denúncia e sua crítica definitivas àquilo que vinha combatendo, em meio a diversas incompreensões e calúnias, desde então.

A espera foi longa. Como dissemos, trinta anos. Mas, nesse ínterim, além de ter descoberto existir um núcleo secreto na TFP, chamado a “Sempre Viva”, de onde emanava esse culto, chegaram até suas mãos, entre outras provas, que lhe permitiram a redação de No País das Maravilhas:

  1. Transcrições de diversos “Jour-le-Jour”, que eram reuniões proferidas pelo atual Mons. João Scognamiglio Clá Dias nos Êremos e sedes da TFP em que ele contava o dia a dia do “Sr. Dr. Plínio” para os neófitos com o fim de fanatizá-los no culto ao Profeta. Todas essas reuniões eram gravadas, transcritas e, posteriormente, enviadas para as sedes da TFP do Brasil e do exterior. João Clá, como era conhecido na TFP ad extra, era, na Sempre Viva – a TFP ad intra, o escravo Plínio Fernando, tendo sido iniciado em 1967.
  2. Diversos números da revista discreta Dr. Plínio, publicada pela, oficiosamente ligada a Mons. Scognamiglio Clá Dias, Editora Retornarei – la bien nomée, já que, na TFP, se pregava a ressureição de Plínio.
  3. Entre outros, o livro A inocência primeva e a contemplação sacral do Universo, organizado por Paulo Corrêa de Brito Filho, conhecido, na Sempre Viva, como o escravo Plínio Jeremias. (Esse livro, que contém vários textos de uma reunião especial e restritíssima promovida por PCO chamada MNF, foi publicado em 2008, em São Paulo, pela Artpress, editora ligada à extinta TFP, por ocasião das comemorações do centenário do nascimento de Plínio Corrêa de Oliveira).
  4. A palestra Quem somos nós, proferida por PCO para membros da TFP argentina e retirada do site de acesso restrito Salvemaria.info, que congrega diversos ex combatentes – em sua maioria favoráveis – da TFP e dos Arautos do Evangelho.

Hoje, pouco mais de um ano após a publicação virtual de No País das Maravilhas e quase concomitantemente a seu lançamento em meio impresso, vazou no Youtube uma conferência, ou parte de uma conferência, publicada em três partes, no canal pliniojuanismo, em que o então eremita João Clá explica, em linguagem explícita – e não por meio de códigos, como de costume, para se proteger –, a sagrada escravidão à “Maria” por meio de Plínio, na qual o neófito se torna, não só escravo de Nossa Senhora, mas também escravo do Sr. Dr. Plínio, passando a ter toda sua vida espiritual fundamentada em “seu Senhor” [Plínio].

Diz Clá na gravação: “Eu não sou um fulano curioso [peculiar]. Eu sou escravo do Sr. Dr. Plínio!”.

“O Amor ao Sr. Dr. Plínio”, título da gravação, são trinta e três minutos, no total, de puro delírio, não só pelo conteúdo da fala do atual Mons. Scognamiglio, mas também por causa da claque que interrompe, a todo momento, mediante manifestações histéricas, o “pregador”.

Confiram vocês mesmos, caros leitores, no player abaixo “O Amor ao Sr. Dr. Plínio” cujas três partes juntamos num único arquivo:

Foto meramente ilustrativa. Não sabemos se corresponde à conferência “O Amor ao Sr. Dr. Plínio”

Como se pode facilmente notar, essa palestra, que foi proferida por ocasião de um Jour-le-Jour e de que o Professor Orlando Fedeli infelizmente não chegou a tomar conhecimento, confirma várias das acusações e denúncias feitas por ele em seu último livro, No País das Maravilhas – A Gnose Burlesca da TFP e dos Arautos do Evangelho, publicado em junho de 2011, em São Paulo, pela Editora Montfort.

Confirma que:

  1. De fato, havia, na TFP, um culto delirante e religioso à pessoa de Plínio Corrêa de Oliveira.
  2. Esse culto era fomentado, ao menos em parte, pelo então eremita João Scognamiglio Clá Dias.
  3. Esse culto era, para os tfpistas, condição necessária de salvação e de união com Deus.
  4. Esse culto visava a transformar os escravos em outros Plínios. (Donde o fato de todos os escravos de PCO serem nomeados “Plínio mais um segundo nome”. Como dissemos, o nome do então João Clá na Sempre Viva era Plínio Fernando).
  5. O núcleo sectário da TFP tinha também um caráter milenarista, estando os escravos de Plínio à espera do Grand Retour, do Grande Retorno, após a Bagarre, que seria um grande castigo a ser executado por Nossa Senhora por conta da infidelidade do mundo.
  6. Havia, de fato, a oração da Sagrada Escravidão, dirigida a Plínio, vigente entre os membros do núcleo sectário da TFP.
  7. Havia, de fato, também um rito de iniciação na Sempre Viva e que uma das partes desse rito consistia no ósculo que Plínio dava nos pés dos novos Plínios, seus escravos.
  8. O próprio Plínio fizera reuniões tratando da Sagrada Escravidão (a ele) e que, portanto, não foi Clá um fanatizador independente, que agiu à revelia de Plínio Corrêa de Oliveira, mas que foi, de fato, “o fiel intérprete” dos desígnios do Profeta. Clá, nessa gravação, lê textos do MNF de Plínio que tratam da Sagrada Escravidão.
  9. Cria-se, na TFP, na inerrância de Plínio.
  10. Para os tfpistas, na opinião de Clá, ao menos, é preciso haver uma espécie de fusão entre Plínio e seus escravos.
  11. Para o núcleo sectário da TFP, a Igreja, nos tempos atuais, “já não mais fala” por seus prelados, mas por Plínio. Clá, citando um texto de Plínio do MNF que trata da Sagrada Escravidão, a partir de 28:03, diz: “Seu Sr. [PCO] propõe exatamente que nesta hora de eclipse tremendo da Igreja, seu Sr. propõe isto: meus escravos, aprendei de seu Sr. o que seu Sr. aprendeu da Igreja… [Manifestações. Clá intervém]. Esperem… A frase… A frase inteira é mais bonita. [Clá volta a citar PCO]. Meus escravos, aprendei de seu Sr. o que seu Sr. aprendeu da Santa Igreja quando a Santa Igreja já não mais fala. [Manifestações. Clá retoma]. Impressionante! É impressionante. [Clá volta a citar PCO]. É um modo de amar superlativamente, porque em seu Sr. não há a não ser o que é da Santa Igreja Católica Apostólica Romana”.

Essa gravação torna patente ainda:

  1. A preocupação de Clá em relação àqueles que não se entregassem completamente àquele ambiente de loucura e de lavagem cerebral (Cf. a partir de 00:34). Como se pode ouvir, a partir de 00:34: “E por isso eu reputo indispensável acompanhar as reuniões que são feitas aqui, não como mero assistente, porque quem acompanha como mero assistente, entra de uma forma e sai pior. Não tem por onde. Porque essas reuniões não visam outra coisa senão fazer com que o Sr. Dr. Plínio vá crescendo nos horizontes de nossa vocação, vá crescendo enquanto compreensão na nossa inteligência, vá crescendo enquanto amor, enquanto labareda, enquanto entusiasmo no nosso coração”. E ameaça, jogando com os escrúpulos de seus ouvintes, a partir de 01:47: “Sem esta adesão, sem esse crescimento, sem esse amor, os senhores vão rodar. Porque quem não se une… Quem não está comigo, diz Nosso Senhor, está contra mim. E diz Nosso Senhor ainda: quem comigo não ajunta espalha. Então, quem não se juntar ao Sr. Dr. Plínio vai espalhar-se. Não tem por onde. E é preciso que a gente tenha uma devoção a ele crescente, um ardor a ele cada vez maior, que a gente o queira com toda a força de nossa alma [...]”.
  2. A missão dos escravos de Plínio Corrêa de Oliveira de viver em função dele e de glorificá-lo. A partir de 06:27: “Nós não podemos descansar enquanto o mundo inteiro não estiver em escombros… E ele colocado no lugar mais alto que os próprios estandartes”.
  3. A crença de Clá de que o Sr. Dr. Plínio era (a partir de 13.34) “o homem chamado a ser o vaso da sabedoria no século XX, o vaso da sabedoria para os séculos vindouros”.
  4. A crença de Clá também de que o auge da vida espiritual de um tfpista ocorreria quando ele recebesse e correspondesse inteiramente à graça da sagrada escravidão [a Plínio].

O atual Mons. João Scognamiglio Clá Dias cria não estar sendo gravado nesses seus arroubos (Cf. “O amor ao Sr. Dr. Plínio a partir de 10:39). E hoje – não sabemos exatamente quantos anos depois dessa gravação – suas palavras auto condenatórias ecoam na imensidão da internet.

Se Deus quiser, novas provas, se ainda preciso fosse, virão, pois ensinou Ele que “não há nada de oculto que não venha a ser revelado”.

A nós, resta manter vigilantes os olhos…

E proclamar sobre os telhados, como fez o Professor Fedeli, em meio a muitas incompreensões e calúnias, o que já sabemos, combatendo essa seita delirante que, de modo sub-reptício, goza hoje inclusive de um invólucro eclesiástico.

Ó Maria Santíssima, dignai-vos conceder aos perversos e fanáticos seguidores de Plínio Corrêa de Oliveira e de Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, que tanto subverteram a verdadeira devoção à vossa digníssima pessoa, ensinada por seu dileto filho, São Luís Maria Grignion de Montfort, a graça da conversão.

Dignai-vos também – e especialmente – conduzir os cooperadores e membros ingênuos dos Arautos do Evangelho e de qualquer grupo ligado à antiga TFP para a luz, para que vejam. Ut videant.

Que a Santa Sé se pronuncie!

Guilherme Chenta

São Paulo, 02 de agosto de 2011

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