Montfort Associação Cultural

2 de fevereiro de 2006

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Nosso Senhor não tem religião

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Mário Marcelo Amorim
  • Idade: 34
  • Localizaçao: Caieiras – SP – Brasil
  • Escolaridade: Superior incompleto
  • Profissão: Prog. de PCP
  • Religião: Católica

Irmãos

Partilho a tristeza que senti quando li algumas das críticas de várias pessoas que escreveram a esta associação e também pelas respostas dadas pelo membro da mesma.
Pude observar como somos medíocres, infinitamente pequenos no que se refere a uma comunidade, ou mesmo igreja. Não somos capazes de reconhecer no outro a santidade que aflora, a luta por uma vida melhor àquele que é seu semelhante.
Muitos que se dizem religiosos, católicos fervorosos se expressam de maneira puramente preconceituosa, colonialista sem considerar as conquistas de uma igreja mais presente na vida do povo.
Também penso que em alguns casos as celebrações eucarísticas parecem mais com um show que com um ritual sagrado, muito barulho e auê e pouca reflexão e oração. Mas notei excessos nas críticas. Penso até que muitas das pessoas a que li as críticas, gostariam que as missas ainda fossem em latim, não importando o diálogo delas com o Pai nem com o irmão – porque não entendem o que a Palavra diz – e sim que tudo é muito bonitinho em latim e tem até sininho na hora da cansagração ( para que saibamos que este momento é da consagração ) uma missa sem participação.
Irmãos, muitos dos mártires que a igreja faz questão de recordar e homenagear independente-mente de terem sido católicos ou não, ela o faz destacando a importância destes por terem dado suas vidas para que outros tenham vida como Zumbi dos Palmares, Chico Mendes, Lutherking e outros.
Quero lembrar que o povo de Deus somos todos. Nosso Senhor não tem religião.
Antes de sermos católicos somos humanos, vocacionados à vida e a levar vida.
Oro a Deus que nossos corações se convertam e busquemos juntos construir a civilização do amor, ou se continuar assim, voltaremos à igreja do passado que excluia o povo e impunha seus dogmas a outros.

Muito prezado Mário,
salve Maria!
 
    Lamento sua situação. Você confessa que não é mais da Igreja Católica, que você chama do passado.
    Você é da igreja de hoje. Mas como escrevo a você depois de alguns dias da data de sua carta, creio que a igreja à qual você dizia pertencer já passou, pois hoje é dia 31 de janeiro e sua carta é do dia 23. Sua igreja já passou. Você é da igreja descartável. Você é da igreja do comunista Martin Luther King, do comunista Chico Mnedes, e do Zumbi que foi inventado pela propaganda marxista como herói.
    Você é da igreja que não tem dogmas nem verdades. Igreja que não ensina e não exige adesão a verdades. Portanto igreja das mentirinhas livres e evolutivas. Você é da igreja que prepara a civilização do amor construindo paredões de fuzilemento e cercas de arame farpado eletrificado nos Gulags. Você é da igreja da teologia da Libertação que impôs o Lula pela propaganda e que defende os mensalões.
    Compreendo, então, que você confesse estar triste:

Partilho a tristeza que senti quando li algumas das críticas de várias pessoas que escreveram a esta associação e também pelas respostas dadas pelo membro da mesma”.


   
 
Compreendo que você confesse sua mediocridade — mas o previno que ter-se como medíocre, em seu caso, é otimismo demais –pois me diz: 

Pude observar como somos medíocres, infinitamente pequenos no que se refere a uma comunidade, ou mesmo igreja”.


    Notar a própria pequenez já é um progresso. Tenha confiança e arrependa-se do que escreve, e crescerá diante de Deus e dos homens.
    E saiba, pobre desconhecedor da doutrina católica, que mártir é aquele que morre para testemunhar a fé. Portanto, ninguém é mártir sem fé.
    E passe bem.
    Senão, vá para Cuba para saber o que é passar mal

In Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli

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