Montfort Associação Cultural

31 de janeiro de 2005

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Nazismo e Socialismo

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Juarez Ribeiro Batista
  • Idade: 37
  • Localizaçao: Vila Velha – ES – Brasil
  • Escolaridade: Superior concluído
  • Profissão: contador
  • Religião: Católica

Orlando Fedelli, lendo os seus artigos penso estar diante de um inquisidor tipo Torquemada ou, quem sabe, o padre Quevedo sob outro pseudônimo. Dizer que o nazismo era um regime socialista só porque tinha o nome de nacional-socialismo é uma piada de mau gosto e de desconhecimento de causa. Ora, no início, antes de Hitler pertencer aos seus quadros, o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães ideologicamente era socialista. Com o tempo deixou de ser socialista, mantendo apenas o nome. Não se esqueça que os socialistas e comunistas foram perseguidos pelo nazismo pois sua visão igualitária do mundo estava em desacordo com o conceito desigual que os nazistas viam o mundo. Os nazistas eram contraditórios daí o fato de manterem socialismo no nome do partido. Hitler até chamou os japoneses de arianos amarelos, não é? Sem falar que Hitler considerava tanto japoneses como italianos inferiores racialmente, mas isso não o impediu de manter aliança com tanto com japoneses como italianos, enquanto do ponto de vista racial considerava os ingleses, seus inimigos políticos, superiores racialmente. Fedelli, tente encaixar em sua cabecinha: socialismo se analisa do ponto de vista sócio-econômico, não do ponto de vista racial. Socialismo é um sistema sócio-econômico em contraposição ao capitalismo. O socialismo se estrutura na inexistência da propriedade privada para atingir a igualdade entre os membros de uma sociedade. Para atingir esta igualdade, uns como Marx pregaram a revolução, enquanto outros não. Ora, se o nazismo sócio-econômicamente se estruturava na propriedade privada, onde isso é socialismo? Só na sua cabecinha. O socialismo ao qual o nazismo se referia era o socialismo para a raça ariana, mais isto não era socialismo, era racismo.

Muito prezado Juarez,
Salve Maria!
 
    Meu Deus que confusões você faz
 
    Imaginar que eu possa ser um Torquemada até me honra. Mas confundir-me com o Padre Quevedo!… Isso é já demais.
 
    Desde quando, meu caro Juarez, se pode ver alguma semelhança entre Torquemada e Quevedo ? 
 
    Decididamente, você está vesgo de ouvido. Você bolostroca a realidade.
   
    Você me escreve fazendo nova bolostrocagem:
 
    “Dizer que o nazismo era um regime socialista só porque tinha o nome de nacional-socialismo é uma piada de mau gosto e de desconhecimento de causa”.
 
    Piada é você dizer que uma coisa que se auto denomina nacional-socialismo não é socialista. 
    Piada é nem desconfiar que um Partido que se auto denomina Nacional Socialista Operário Alemão não seja socialista.
 
    Será que é porque ele se chamava alemão é que ele não seria nem nacionalista, nem socialista nem operário ?
 
    Então esse partido era uma coisa gagá além de ser um partido assassino.
 
    Pois o nazismo não era gagá: era criminoso, e era socialisticamente criminoso.
 
    Os campos de concentração nazistas foram a aplicação dos métodos socialistas na produção em massa de cadáveres.
   
    E você me conta uma nova piada — hoje você está bolostroquicamente inspirado para piadas –ao me escrever:
 
    “o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães ideologicamente era socialista. Com o tempo deixou de ser socialista, mantendo apenas o nome”.
 
    Vai ver que o Nazismo manteve o nome socialista só por distração. Por esquecimento.
 
    Mas não se esqueça você mesmo que o Nazismo só perseguiu socialistas e comunistas sem importância. Semelhantemente à chamada Ditadura Militar que, aqui no Brasil, perseguiu comunistas lambaris, mas deixou os tubarões vermelhos graúdos irem para Paris — e, depois, fez o que eles queriam: o Incra, a lei de Reforma Agrária mais radical que a de Jango, e o Divórcio feito pelo protestante General Geisel.

    Você me escreve respeitosamente:

 
    “Fedelli, tente encaixar em sua cabecinha: socialismo se analisa do ponto de vista sócio-econômico, não do ponto de vista racial. Socialismo é um sistema sócio-econômico em contraposição ao capitalismo. O socialismo se estrutura na inexistência da propriedade privada para atingir a igualdade entre os membros de uma sociedade. Para atingir esta igualdade, uns como Marx pregaram a revolução, enquanto outros não. Ora, se o nazismo sócio-econômicamente se estruturava na propriedade privada, onde isso é socialismo?”
 
    Então, se o “ socialismo se analisa do ponto de vista sócio-econômico, não do ponto de vista racial“, não venha você me falar do pseudo elitismo racista ariano para tentar provar que o nazismo não era socialista.
 
    Dou-lhe algumas citações de Hitler sobre Nazismo, socialismo e bolchevismo para ver se alguma coisa entra em sua cabeçorra cabeçuda:
 
    “Não é a Alemanha que será bolchevisada, é o bolchevismo que se tornará uma espécie de nacional socialismo. Aliás, existem entre nós [nazistas] e os bolchevistas mais pontos comuns do que há divergências, e, antes de tudo,o verdadeiro espírito revolucionário, que se encontra na Rússia como entre nós, por toda a parte onde os marxistas judeus não controlam o jogo. Eu sempre levei em conta esta verdade e é por isso que eu dei ordem de aceitar imediatamente no partido todos os ex comunistas” (Adolph Hitler, apud Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939,  p. 153. Rauschning foi Governador  Nazista de Dantzig, e muito próximo de Hitler).
 
    “A Alemanha e a Rússia [bolchevista] se completam de maneira maravilhosa. Elas são feitas verdadeiramente uma para a outra” (Adolph Hitler, apud Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939,  p, 154).
 
    “Meu socialismo é outra coisa que o marxismo. Meu socialismo não é a luta de classes, mas a ordem (…) Eu vos peço que leveis convosco a convicção que o socialismo, tal qual nos o compreendemos, visa não à felicidade dos indivíduos, mas sim a grandeza e o futuro da nação inteira. É um socialismo heróico. É o laço de uma fraternidade de armas que não enriquece ninguém e põe tudo em comum” (Adoph Hitler, apud Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939, p.  201).
 
    E Hitler dizia que aprendera  os ensinamentos da Revolução com os bolchevistas:
 
    “Os ensinamentos da revolução, eis todo o segredo da nova estratégia. Eu os aprendi dos bolchevistas e não tenho vergonha de dizer isso, porque é sempre dos inimigos que se aprende mais” (Adoph Hitler, apud Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939, p. 26).
 
    Muito amavelmente você me afirma, no final de sua carta:
 
    “Ora, se o nazismo sócio-econômicamente se estruturava na propriedade privada, onde isso é socialismo? Só na sua cabecinha”.
 
    Como graças a Deus você não tem sobre os seus ombros uma cabecinha, mas uma cabeçorra onde cabem tantos erros, vamos ver se consigo meter nela algumas verdades por meio de confissões de Hitler, que vão bem contra seu pretensioso entendimento.
 
    Escute lá:
 
    “A era da felicidade pessoal acabou. O que nós substituímos a ela é a aspiração a uma felicidade da comunidade”(…)Eis o que eu chamo de felicidade da comunidade. É uma felicidade que somente as primeiras comunidades cristãs puderam experimentar com a mesma intensidade” (Adolfo Hitler, apud Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939,  p. 218)
 
    Reparou você, em sua cabeçorra competente, como essas afirmações se parecem com as de Frei Boff e de Frei Betto?
 
    Você consegue pelo menos vislumbrar, em sua fina competência, como elas são socialistas “cristãs”?
 
    E quer você saber o que Hitler pensava dos tolos que não viam seu socialismo?
 
    Eis aí:
 
    “Todos esses cegos que nos cercam se hipnotizam, por cobiças superficiais que lhes são familiares; eles se apegam à propriedade, às rendas, ao nível social e às outras riquezas fora de moda. Contanto que tudo isso lhes permaneça acessível, eles acham que tudo vai bem. [É precisamente o seu caso]. O que eles ignoram é que eles mesmos estão centrados num sistema novo, como numa engrenagem de um mecanismo irresistível. Eles não sabem que nós os amoldamos e nós os transformamos. Que significa ainda a propriedade e que significam as rendas? Para que precisamos nós socializar os bancos e as fábricas? .Nós socializamos os homens” ( Adolfo Hitler, apud Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939,  pp. 218-219).
 
    Percebe você que socializar os homens e as mentes é bem mais importante do que socializar a economia? Porque socializadas as mentes, a socialização da economia fica bem fácil.
 
    Veja se esta outra citação do criminoso Adolfinho de bigodinho ridículo consegue fazer alguma luz em sua cachola iludida:
 
    “Eu não sou apenas o vencedor do marxismo. Se se despoja essa doutrina de seu dogmatismo judeu-talmúdico, para guardar dela apenas o seu objetivo final, aquilo que ela contém de vistas corretas e justas, eu sou o realizador do marxismo” (Adolfo Hitler, apud Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939,  pp. 211).
   
    Gostou? Desiludiu-se de sua visão não socialista do nazismo?
 
    Se se leva em conta a pretensão e o orgulho intelectual que você revela em sua carta, creio que serão necessárias muitas outras confissões e provas de que você está equivocado, para que você reconheça o seu engano.
 
    Então resigno-me a acrescentar-lhe outras citações. Quem sabe alguma delas possa iluminar os imensos espaços vazios de sua vastíssima caberorra.
 
    Veja o que disse Hitler:
 
    “Eu aprendi muito do marxismo, e eu não sonho esconder isso. (…) O que me interessou e me instruiu nos marxistas foram os seus métodos [Exatamente como disse o marxista Boff: que ele aproveitou o método marxista] (…) Todo o Nacional Socialismo está contido lá dentro (…) O nacional socialismo é aquilo que o marxismo poderia ter sido se ele fosse libertado dos entraves estúpidos e artificiais de uma pretensa ordem democratica” (Adolfo Hitler, apud Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939,  pp.211- 212).
 
    Veja esta outra definição de Nazismo feita por Hitler:
 
    “É por isto que lhes digo que o Nacional Socialismo é  um socialismo em devir, que não se completa nunca, porque seu ideal se desloca sempre” (Adolfo Hitler, apud Hermann Rauschning, Hitler m´a dit, Coopération, Paris 1939,  pp. 214).
 
     E por hoje basta, embora — lhe previno – haja muito mais a dizer sobre isso. Mas como tenho centenas de cartas a responder, creio que já  forneci o suficiente, para que pelo menos os leitores do site Montfort compreendam a imensidão do erro gestado em sua imensa cabeçorra.
 
In Corde Jesu , semper,
Orlando Fedeli

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