Montfort Associação Cultural

26 de agosto de 2004

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Músicas cantadas nas missas

Autor: Orlando Fedeli

  • Consulente: Leonardo
  • Localizaçao: – Brasil

[Notei uma certa evasão de respostas quando o senhor me respondeu ao último e-mail, dizendo inclusive que a Bíblia estava me fazendo mal, atormentando-me. COm isso, o senhor me incentiva a apenas acreditar em tudo o que dizem, já que não devo ler a Bíblia, por me "perturbar". Espero que não o tenha respondido em uma boa hora].

Olá caro professor Orlando Fedeli. Mais uma vez agradeço os préstimos de seu site. O senhor sabiamente e com argumentos, mostrou o porquê de se fazer o uso de cantos gregorianos. Mas, como eu lhe disse, tem muitas músicas que nos ensinam belas mensagens. Mas numa época de erros doutrinários, isso se faz com certa cautela. Por esta razão, estou colando letras de algumas músicas, e que se o senhor pudesse as ler e analisar, poderia me dizer se há presença de erros nelas:

I. Canção dos Imperfeitos – Ato Penitencial
E se for pra semear a esperança num jardim
E se for pra desculpar uma criança eu digo sim
E se for pra perdoar não tenho escolha
Também sou pecador também preciso de perdão
 
Não sou santo e não sou anjo e
Nem demônio eu sou só eu
Imperfeito, insatisfeito
Mas feliz, assim sou eu
Eu sou contradição
Eu sou imperfeição
Só Deus é coerente
 
Já sorri, já fiz feliz, já promovi, já elevei
Já chorei, já fiz chorar, já me excedi, já magoei
Eu tenho um coração
Mas sou contradição
Só Deus acerta sempre
 
Por isso eu canto esta canção
Canção de amor arrependido
Ao Deus que é Pai, ao Deus que é paz
Ao Deus que é luz
Ao Deus que é vida
E quando a gente cai
Deus age como Pai
Perdoa, perdoa
E torna a perdoar
E ensina o como amar
Eu sou contradição
Mas Deus, Ele é perdão
 II. Conheço um coração – Ato Penitencial
1. Conheço um coração tão manso, humilde e sereno. Que louva o Pai por revelar seu nome aos pequenos. Que tem o dom de amar, que sabe perdoar e deu a vida para nos salvar.
Jesus, manda teu Espírito para transformar meu coração. (2x)
2. Às vezes no peito bate um coração de pedra, magoado, frio sem vida, aqui dentro ele me aperta. Não quer saber de amar, nem sabe perdoar, quer tudo e não sabe partilhar.
3. Lava, purifica e restaura-me de novo. Serás o nosso Deus e nos seremos o seu povo. Derrama sobre nós a água do amor, o Espírito de Deus nosso Senhor.
III. Como são belos – Aclamação ao Evangelho
1. Como são belos os pés do mensageiro que anuncia a paz. Como são belos os pés do mensageiro que anuncia o Senhor.
Ele vive (Aleluia), Ele reina (Para sempre), Ele é Deus e Senhor.
2. O meu Senhor chegou com toda glória, vivo Ele está. Ele está. Bem junto a nós seu corpo Santo anos tocar, e vivo eu sei ele está.
IV. Deus Trino
Esta música me pareceu muito estranha. Se a missa é a “Renovação do Sacrifício do Calvário”, a própria letra nos mostra a visão errônea de “união do povo em comunidade para louvar e bendizer a Deus”
Em nome do Pai, em nome do Filho, Em nome do Espírito Santo, estamos aqui.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar, estamos aqui Senhor, ao teu dispor. Para louvar e agradecer, bendizer e adorar, Te aclamar, Deus Trino de amor.”
V. Eu Navegarei
Eu navegarei no oceano do Espírito e ali adorarei ao Deus do meu amor.
Eu navegarei no oceano do Espírito e ali adorarei ao Deus do meu amor.
 
REFRÃO:
 
Espírito, Espírito, que desce como fogo vem como em Pentecostes
e enche-me de novo.
Espírito, Espírito, que desce como fogo vem como em Pentecostes
e enche-me de novo.
 
Eu adorarei ao Deus da minha vida, que me compreendeu sem nenhuma explicação.
Eu adorarei ao Deus da minha vida, que me compreendeu sem nenhuma explicação.
 
REFRÃO
 
Eu servirei ao meu Deus fiel, ao meu libertador, aquele que venceu.
Eu servirei ao meu Deus fiel, ao meu libertador, aquele que venceu.
VI. Louvado seja meu Senhor
Louvado seja o meu senhor . Louvado seja o meu senhor
Louvado seja o meu senhor . Louvado seja o meu senhor
Por todas as suas criaturas , pelo sol e pela lua , pelas estrelas do firmamento , pela água e pelo fogo .
REFRÃO
Por aqueles que agora são felizes , por aqueles que agora choram por aqueles que agora nascem , por aqueles que agora morrem .
REFRÃO
O que dá sentido a vida é amar- te e louvar-te, para que a nossa vida , seja sempre uma canção .
REFRÃO
Amém, Amém, Amém, Amém (2X)
Bem, por enquanto mando estas músicas para vocês analisarem. Uma rápida pergunta: o que seria o Ostensório (perdoe-me se escrevi errado). Vi um absurdo num “Show Carismático” (o conhecido Deus Conosco, em Londrina, Paraná), no qual o padre pegou-o com a mão, sem aquele pano. Isso é errado?

Outra dúvida rápida sobre a missa: talvez o Vaticano publique uma Encíclica, como vocês mencionaram no site, para os padres rezarem pelo Rito Tridentino. Nos Ritos que compõem o Rito Tridentino, há alguma diferença (Ex: tem Oração Eucarística, Hino de Louvor, Ato Penitencial, se sim, da mesma forma?). E todas as missas terão de ser pelo Rito Tridentino

Muito prezado Leonardo, salve Maria.

De início agradeço a confiança que você manifesta em minha pessoa. Que Deus lhe pague essa confiança que me honra.

O que lhe recomendo, sobre a Sagrada Escritura é que é preciso fortalecer bem a formação doutrinária, antes de ler a Bíblia. Por isso, a Igreja, condenando os erros do jansenista Quesnel, decretou que é um erro afirmar que “A leitura da Sagrada Escritura é para todos” (Cfr Clemente XI, Contra os erros de Pascasio Quesnel, Denzinger 1430).

Portanto, nem a todos convém ler a Bíblia.

O Papa condenou também a seguinte frase: “É útil e necessário em todo tempo, em todo o lugar e a todo tipo de pessoa estudar e conhecer o espírito, a piedade e os mistérios da Sagrada Escritura” (Cfr Clemente XI, Contra os erros de Pascasio Quesnel, Denzinger 1429).

E por que a Igreja não recomenda a qualquer a leitura da Bíblia?

Por causa da dificuldade de entendimento dos textos sagrados.

Por isso, se lê nos Atos dos Apóstolos que o eunuco disse ao diácono Felipe, que lhe perguntava como entendia o que lia da Escritura: “Como posso entender, se ninguém me explica?” (Atos dos Apóstolos , VIII, 31).

E por que a Igreja afirma que não convém ler a Sagrada Escritura em qualquer tempo?

Porque há tempos em que estamos tentados contra a Fé, e, nessas ocasiões, não convém ler a Escritura.

Como você me apresentava muitas dúvidas sobre a Escritura, julguei conveniente aconselhá-lo a não ler, pelo menos por um tempo, a Sagrada Escritura.

Julgo que, para você, no momento, é muito mais importante fortalecer a sua Fé, estudando um bom Catecismo, como o de Trento, que possui longas e profundas explicações. Se você quiser ler a Sagrada Escritura, recomendo-lhe que leia antes, e com muita atenção, meditando o que lê, o Novo Testamento, que é mais fácil e que lhe será, certamente, mais útil.

Passo a examinar as letras das canções que você me envia

Começo pela segunda estrofe da chamada Canção dos Imperfeitos – Ato Penitencial Todo ato penitencial visa o arrependimento e a mudança de vida, despertando a dor pelos pecados pessoais cometidos. Ora a segunda estrofe dessa canção nada penitencial, instiga a conformidade com o mal e com a imperfeição. Mais ainda, com a contradição, dizendo:

“Não sou santo e não sou anjo e

Nem demônio eu sou só eu

Imperfeito, insatisfeito

Mas feliz, assim sou eu

Eu sou contradição

Eu sou imperfeição

Só Deus é coerente

 

Essa letra é bem errada, e incita a pessoa a permanecer conformada na sua imperfeição e na contradição, com a desculpa que só Deus é coerente.

E isso é falso. O homem pode muito bem ser coerente. Incoerente é essa canção. E péssima, porque recomenda a conformação no mal, a conformação com o mal e com a contradição.

E essa idéia de conformação no mal é confirmada pela estrofe seguinte, na qual se lê:

 

“Já sorri, já fiz feliz, já promovi, já elevei

Já chorei, já fiz chorar, já me excedi, já magoei

Eu tenho um coração

Mas sou contradição

Só Deus acerta sempre”.

 

Como só Deus acerta sempre, nada teríamos que fazer, senão conformar-nos com nossa contradição?

Isso é um absurdo.

Já na primeira estrofe, a canção apresentava outro erro, ainda que menos grave, e mais escondido:

 

“E se for pra perdoar não tenho escolha
Também sou pecador também preciso de perdão”.

 

Esses versos apresentam a idéia falsa que devemos perdoar, sem nenhuma condição. Isso também e falso.

A condição absolutamente necessária para que se conceda o perdão é que o pecador esteja realmente arrependido e que peça o perdão.

Em todo ato mau, feito contra nós, devemos distinguir duas coisas:

 

1) a ofensa feita contra Deus –que só a Deus cabe perdoar –;

 

2) a ofensa feita a nós, que cabe a nós perdoar, e estarmos prontos a perdoar de antemão, antes mesmo que se nos peça perdão;

 

Mas, se não há arrependimento, e nem pedido de perdão, Deus não pode perdoar a culpa feita a Ele.

Mesmo com relação a nós, repito, devemos estar prontos a perdoar interiormente, no fundo de nossa alma, ainda antes que se nos peça perdão, mas perdoar exteriormente, mesmo sem que se nos peça perdão, é absurdo, e só incentiva o pecador a permanecer no pecado.

Também é bem errado o verso em que se diz: “E se for pra desculpar uma criança eu digo sim”. Estar sempre disposto a desculpar uma criança é estar sempre disposto a mimá-la, e, portanto, a viciá-la. O verso citado supõe que toda criança é boa, não levando em conta que ela tem o pecado original, que a leva a tender para o mal.

E a idéia absurda que até Deus só perdoa, mesmo sem haver arrependimento, só favorece o afundamento no pecado.

Essa canção escamoteia a verdade de que Deus também pune.

Para o autor romântico, sentimental e tíbio dessa canção miserável, Deus só perdoa. Deus seria apenas perdão.

Ele esquece que se poderia dizer também: Deus é Justiça.

É claro que se deve acentuar que Deus é infinitamente misericordioso. Mas sem esquecer que Ele é também infinitamente justo. É tão errado falar apenas na justiça de Deus, sem referência à sua Infinita Misericórdia, quanto fazer referência a Ele como perdão apenas, sem lembrar a sua justiça infinita.

Essa canção é péssima, porque deforma a idéia de como Deus é, e também porque incita à tibieza que Deus odeia, pois disse: “Antes foras frio ou quente, mas porque és morno, nem frio, nem quente, Eu te vomitarei de minha boca” (Apoc.III, 15-16).

A segunda canção, embora sem erros tão descarados quanto a primeira, repete a idéia de que Deus é só perdão. É também uma canção de tom romântico e sentimental.

A Terceira canção emprega uma versão de texto dos salmos. Embora não haja erros nela, ela acaba tendo um tom protestante lamentável.

Quanto à IV Canção, sua critica é inteiramente procedente.

Repare que ela omite completamente que a Missa é um sacrifício propiciatório, pois que a Missa é a renovação do sacrifício de Cristo no Calvário, afirmando apenas que ela é um ato de agradecimento, de louvor e de adoração.

Ora, era o protestantismo luterano que recusava ver na Missa, além desses três sacrifícios bem lembrados, que ela é também um sacrifício propiciatório.

Esse texto, pela omissão de que a Missa é também um sacrifício propiciatório, é então luterano e inaceitável.

A V canção é carismática e com características bem românticas.

Pior nela é o que está dito no seguinte verso: “Eu adorarei ao Deus da minha vida, que me compreendeu sem nenhuma explicação”. Como sem nenhuma explicação?

De Caim, Deus não pediu explicação?

E não lemos no Evangelho que Deus veio pedir contas dos talentos que deu?

E não sabemos que Deus vai nos pedir estrita conta de tudo o que fazemos?

Essa canção, de novo, mete na cabeça do povo, que Deus não nos fará justiça, e que não nos pedirá explicação alguma de nossos atos.

Com essas canções, o povo sai da igreja com a impressão errada que Deus é um velho professorzinho, carinhoso, que não pune ninguém. Cada um, então, volta para casa sem querer combater seus vícios e pecados, e que não é necessário lutar contra as tentações.

A VI canção é uma versão muito chué do Cântico das Criaturas de São Francisco.

Só que o autor retirou os versos de São Francisco sobre a morte e sobre o juízo de Deus, depois de nossa morte.

Como não colocou a maldição de São Francisco: “Desgraça para aqueles que morrerem em seus pecados mortais !”.

(Guai a quelli che morrano nei suoi peccati mortali !).

E a omissão dessas palavras de São Francisco é bem sintomática da nova doutrina que se quer inculcar no povo: ninguém vai para o inferno. Deus tudo perdoa.

E quem pretende inculcar essa heresia no povo, dará pesadas contas a Deus.


Ostensório é um objeto litúrgico usado nas bênçãos do Santíssimo Sacramento, e para a Exposição e Adoração do Santíssimo Sacramento. O sacerdote evidentemente, é claro, sempre pode tocar no ostensório à vontade, pois suas mãos são sagradas. Mas, que eu saiba, um leigo só pode tocar e manusear o Ostensório, se recebeu autorização para isso, porém não conheço a legislação sobre essa matéria.

Os decretos que estão para sair, tratarão principalmente dos abusos e erros existentes na chamada Missa Nova de Paulo VI.

Não creio que se obrigará a todos os padres rezarem a Missa De São Pio V, mesmo porque muitos padres não sabem rezá-la.

Aliás, um sacerdote da zona norte de São Paulo disse, a mim e a vários amigos meus, que muitos padres, em São Paulo, não sabem rezar nem a Missa Nova, e que alguns não conhecem sequer a fórmula da absolvição.

Sobre a Missa de sempre, os novos decretos, que estão para ser promulgados, diz-se, que eles permitirão mais livremente que, em cada diocese, se reze essa Missa, que é a Missa de sempre da Igreja Católica Esperando tê-lo atendido, sem nenhuma “evasão” nem esquecimento, me despeço atenciosamente

in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

 

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